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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E começa agora uma nova edição do Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, das manhãs 360. Hoje falamos de prevenir ou remediar, dos desafios da imigração, do aumento das penas para quem abandona idosos. Mas começamos por um ataque surpresa, Bruno. Já devíamos estar à espera desta ofensiva de Israel?
É uma daquelas surpresas pouco surpreendentes. Calculávamos que acontecesse, só não sabíamos exatamente quando é que iria acontecer. E nem o Irão sabia. Foi agora. E Israel já anteriormente tinha feito ataques cirúrgicos a países vizinhos, mas mais importante do que isso, sempre garantiu que não estava disposto a aceitar que o Irão desenvolvesse e obtivesse armas nucleares que pusessem em causa a sobrevivência do Estado judaico. Se alguém achava que era apenas retórica, fica agora com as dúvidas desfeitas. Israel, que aparentemente terá agido por conta própria, embora o mais provável é que os Estados Unidos estivessem informados, aliás, o que já foi até confirmado, quer mesmo pôr cobro ao programa nuclear iraniano e os alvos atingidos, entre elementos do exército e cientistas nucleares, comprovam-no. Agora, o que vai resultar daqui é que ainda ninguém sabe.
Pois não. E o Ministério Público por cá, Bruno, quer penas mais pesadas para quem abandona idosos.
Sim, este é um problema social que se tem vindo a agravar, o do abandono de idosos e pessoas especialmente vulneráveis nos hospitais. O Ministério Público pretende que estas ações tenham uma moldura penal própria e agravada. E depois do Parlamento, quando a esquerda era majoritária, ter rejeitado esta discussão, a Procuradoria-Geral da República quer que se pondere eventuais alterações legislativas. De acordo com os dados de março do ano passado, havia no SNS 2164 camas ocupadas com os chamados internamentos inapropriados, que são internamentos não ditados pelas necessidades clínicas, mas por situações sociais complexas, o que quer dizer que as pessoas estão ali porque não têm para onde ir, ou porque não têm mesmo ninguém, ou porque as famílias não têm condições, ou simplesmente porque foram mesmo abandonadas. Enquanto não existe uma resposta nos serviços de cuidados continuados ou em lares, porque a maioria destas pessoas está a aguardar este tipo de solução, a solução alternativa é mesmo continuar a ocupar uma cama do SNS. Como tal, é preciso atuar em duas vertentes, não é apenas nesta penal. É preciso, talvez, a alteração do quadro legal, sim, para punir quem abandona pessoas vulneráveis, mas também é preciso dar respostas sociais, porque caso contrário, estas pessoas continuam aqui. Não é aumentar as penas que vai dar uma solução a estas pessoas.
Se não tiverem condições no outro lado, a situação continua a ser socialmente grave. E temos também, entretanto, mais um confronto a pretexto da imigração.
É, aqui um confronto não físico, mas depois de uma petição pública a exigir a suspensão do reagrupamento familiar, isto na sequência das declarações de André Ventura, de que vinha aí mais de meio milhão de imigrantes, a pretexto deste reagrupamento familiar com imigrantes que já estão cá, a Casa do Brasil de Lisboa lançou um manifesto contra essa mesma suspensão ou contra o pedido de suspensão. A petição a favor da suspensão do reagrupamento já conta com 60 mil assinaturas. O outro manifesto, para já, conta com pouco mais de 200 assinaturas. E assim temos definitivamente instalado no centro da discussão política este tema da imigração, com os imigrantes e os seus direitos a servirem de arma de arremesso. Não é um bom sinal, mas também aqui, neste caso, ninguém pode dizer que seja surpreendente. As portas escancaradas durante os últimos anos teriam, mais cedo ou mais tarde, de constipar alguém.
Bruno, então e nos fogos florestais, apostamos mais no combate ou na prevenção?
Antigamente era no combate. Agora é na prevenção, como aliás deve ser. Têm sido essas as recomendações de todas as instituições. E quando dizemos antigamente, não foi assim há tanto tempo. Em 2017, o ano daqueles grandes fogos, a percentagem da despesa que ia para a prevenção era de apenas 20% e cinco anos depois, em 2022, aumentou para 61%, segundo dados do Tribunal de Contas Europeu. Mas se esta é uma percentagem animadora, que indica que estamos a seguir no bom caminho, menos animadores são outros dados da auditoria realizada por este tribunal, que indicam que o dinheiro nem sempre é investido em projetos sólidos. Há ali algumas falhas em projetos nos quais é investido este valor e nem sempre o valor vai para as regiões que mais necessitam desse investimento, ou seja, regiões que estão mais vulneráveis ao problema dos fogos. É importante apostar na prevenção, tem efeitos, tem resultados, mas é preciso que seja mesmo em prevenção e não apenas dinheiro atirado fora.
Bruno Vieira Amaral com as perguntas que marcam esta manhã de sexta-feira, segunda há mais, é sempre depois das notícias das sete.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.