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Difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

Vamos então fazer as perguntas que importam nesta manhã de quinta-feira. Começa o Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta com o Júlio Magalhães. Bom dia, Júlio.

Bom dia, vamos lá a isso então. E este é o primeiro aumento de casos significativo que justifica um alarme nacional.

Bom, a tendência é para aumentar ainda mais, não é? Não percebemos.

Sim, e o problema é que há muitas vozes dissonantes a falarem. Comparando o número desta semana com a mesma semana de há um ano, o aumento de testagem aumenta o número de infectados, mas as percentagens são muito menores no que diz respeito a infectados, internados e mortes. Tem tudo a ver com a testagem em massa, que nunca tinha sido feita no nosso país. Ontem os números apontavam para mais de 25 milhões de testes já feitos, 1 milhão em pouco mais de três dias, o que não surpreende, portanto, nenhum destes números. Basta olhar para as longas filas que temos visto nos últimos dias em todo o país.

Daí que se admita agora a alteração de algumas normas, Júlio.

E pergunta se vale a pena seguir a ideia da redução do número de dias em isolamento.

Tudo indica que podem passar para cinco dias apenas.

É, há especialistas a defender que sim. Os Estados Unidos, por exemplo, já implementaram a norma nos cinco dias e por cá a Madeira fez o mesmo. Anunciou ontem a redução para cinco dias e que se torna muito mais atrativo para as pessoas e também para a economia. Não é incrível que antes da primeira semana de janeiro o governo, por indicação dos especialistas, decrete esta medida, mas vamos ver. Mas tudo indica que esse caminho vai ser mesmo seguido. Estas medidas restritivas, como dizia ontem aqui no Explicador, um convidado ligado às agências de viagens, levaram os portugueses a passar o ano em destinos paradisíacos e menos por cá, precisamente por causa de medidas mais restritivas.

Vamos ver o que vai acontecer. Este não é, contudo, o único tema em cima da mesa.

Não, agora surge outra questão. Deve-se deixar alastrar o vírus para criar a imunidade de grupo?

Bom, há especialistas que defendem isto, não é? Como uma forma também de acabar mais depressa com esta vaga.

E aí então surgem vozes ainda mais dissonantes. Alguns especialistas vieram ontem defender essa ideia, alastrar o vírus, deixar o maior número de pessoas infectar-se, porque já é perceptível que esta variante não é tão perigosa como a anterior. Israel, por exemplo, já está a pensar implementar esta medida. Acontece que há especialistas que defendem que esse não é um tema prioritário de momento e outros dizem que um alastramento do vírus pode sufocar os hospitais, deixando ainda mais para trás o tratamento das doenças não COVID, o que de resto, já está a acontecer. As vozes são muitas, as diferenças também, mas era bom que houvesse uma estratégia clara e que não deixasse tanta gente na dúvida e, sobretudo, em estado de pânico.

Uma coisa é garantida, vamos continuar a acompanhar tudo isto nos espaços informativos da rádio. O Observador, como não podia deixar de ser, o Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta regressa amanhã com Júlio Magalhães. Esta edição fica também disponível em podcast. Já a seguir e em observador.pt.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.