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Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume? Bem, vamos à nossa rosa, espinho e semente.

Let's go, vai lá.

Queres que eu comece?

Quero.

Estávamos aqui a falar que da última vez que estiveste aqui, disseste-me que eu faço sempre sobre desporto.

Está sempre em si desporto.

Pronto, eu esforcei-me muito desta vez.

Tu ficaste tipo: "Não, não está."

Não, não está. E agora eu a fazer a rosa, espinho e vinha-me sempre desporto à cabeça.

Vês?

Desta vez não vamos ter desporto. Então, a minha rosa eu pus. Basicamente, sinto que estou numa fase e estava também a fazer esta análise com o início do ano e tudo mais. Sinto que estou numa fase em que a minha rede de pessoas está muito boa. Sinto-me muito confortável com as pessoas que tenho à minha volta. Sinto-me muito mais próxima de família, relação, amizades de antigamente e amizades novas. Acho que também o facto de nós virmos de Londres, de estarmos contentes com isso. E de, por exemplo, eu vou fazer minha festa de anos também agora esta semana, e isso também dá para tu perceberes-

É um momento de reflexão

...de reflexão.

De quem são as pessoas que estão à minha volta.

Que pessoas que estão na tua vida. Acho que a minha rosa não tem um momento que foi chave, mas acho que é sentir que estou bem com as pessoas que tenho. Tive ali uma fase que senti que estava de transição, se calhar, quando estava em Lisboa sentia-me mais sozinha. Fase de mudança depois para o Porto, fase de também encontrar pessoas do desporto, por exemplo.

Há uma coisa que eu acho muito engraçada sobre as amizades, porque eu senti essa oscilação que se calhar também estás a sentir, que é: tu até podes ter o mesmo grupo de amigos há séculos e tu sabes quem são os teus amigos, e tu és chegada a eles, e tu gostas deles, mas há fases na tua vida em que tu do nada sentes que não tens amigos. É mesmo estranho.

Porque tu estás perdida na vida e tu sentes que ninguém percebe essa tua fase.

Sim, parece que ninguém gosta das mesmas coisas que tu gostas, está a passar pelo mesmo, quer fazer o mesmo, quer falar sobre o mesmo.

Eu acho que há dois anos senti isso. Estava muito perdida, estava tipo começar a correr, começar a mexer-me e a querer mudar, a sair da Flare, a querer mudar muita coisa na minha vida e sentia que ninguém percebia aquilo que eu estava a passar. E sentia-me sozinha. Acho que também foi por isso que eu depois criei o podcast para poder falar sobre isso.

Mas é muito fixe também, porque nós prestamos muita atenção quando estamos nesse momento em que não temos amigos, parece que ninguém nos percebe. É mesmo fixe, tu também estás a perceber e a valorizar. "Ok, agora eu sinto que está tudo bem."

E essas pessoas, por exemplo, que estão hoje em dia na minha vida, a maior parte delas estavam nessa fase, só que eu própria estava muito mais perdida e agora consigo ver que as coisas estão... Porque eu estou bem, não é?

Sim. É muito fixe.

É mais isso.

É muito fixe conseguir ver esse lado também.

Qual é a tua rosa?

Se calhar, diz as tuas seguidas, porque a minha rosa tem a ver com o meu espinho e com a minha semente. Está tudo junto.

Pronto, o meu espinho tem muito a ver com aquilo que estávamos a dizer agora antes do episódio, este tempo depressivo, que eu acho que ontem foi o único dia, ontem foi domingo e foi o único dia que tivemos ali uma manhã de sol e a felicidade que aquilo me trouxe.

Esquece.

Fui correr com a minha amiga Carlota e foi tudo. Depois tomar café com a minha família em frente à praia, com sol.

A vida assim é boa de se viver.

A vida é boa, porra!

É preciso às vezes uma chuva. Eu até fui ver, o sol tem imenso impacto. Eu acho que em toda a gente, mas eu sinto que em mim tem mais.

Olha esta estrela.

Não, mas eu sinto que tem mesmo muito impacto e eu até cheguei a ir pesquisar na net, TikToks e até Pinterest e coisas. Isto é real? Isto está mesmo a ter este impacto todo em mim ou eu estou-me a sentir assim por outros motivos? E é mesmo real, quando nós passamos por muito tempo de chuva, de mau tempo, principalmente, nós vivemos num país em que há muito sol, tem mesmo um impacto gigante.

Sim, porque quem vive com muita chuva está habituado a fazer a vida com isso. Nós estamos habituados a: chove, hoje o plano é dentro de casa é não fazer nada. Só que se tu pentras todos os dias dentro de casa sem fazer nada, tu fartas. Não há luz. Ontem acordar e ver luz a bater na minha casa, foi tipo: "Oh, meu Deus, a vida é boa outra vez." Eu até hoje comecei a tomar-

Vitamina D?

...vitamina D, só porque eu tipo, preciso de alegria na minha vida para que entre de outra forma.

Tem muito impacto.

Mas depois também a semana passada, com tudo as tempestades, eu não sei se te aconteceu isso, mas eu comecei a ficar mesmo consumida pelas notícias. Eu abria o Instagram, só se via aquilo e eu não conseguia falar de outra coisa. O meu namorado virou-se para mim e tipo: "Mariana, tu não falas de outra coisa há dias. Para de ver essas coisas." Entrava ali naquele loop e ver vídeos: "E já viste isto? E já viste como é que eles estão?" E ficava ansiosa.

Isso é um tema, para mim, que eu já escrutinei muito na minha vida, porque eu gosto muito de notícias da atualidade, de tudo e mais alguma coisa. E eu tenho um problema que eu fico obcecada com o tema. Eu lembro-me quando começou a guerra na Ucrânia, eu fiquei completamente obcecada com isso, via todas as notícias, ficava como tu estás a dizer, demasiado envolvida ao ponto em que a minha vida-

Tudo perde a importância.

Tudo perde a importância e isso é uma linha que é muito importante nós termos. Eu acho que é extremamente importante nós estarmos informados. Não concordo com teorias de que vamos não ter televisão, vamos não ver notícias. Não concordo. Acho crucial nós estarmos informados, mas acho que nós temos mesmo que ter uma linha e ser às vezes frios com aquilo que está a acontecer, que é: "Ok, o que eu posso fazer para ajudar?" Porque vivemos em sociedade e é importante ajudarmos uns aos outros, obviamente Até que ponto é importante eu estar informado e a partir daqui eu tenho que viver a minha vida.

Sim, eu acho que também estarmos nós próprios aqui a viver este tempo sempre fechados em casa, acabamos por consumir muito mais isso. Se estivesses fora de casa a fazer a tua vida, se calhar, não davas tanto ênfase a isso. Mas eu comecei a entrar naquele loop que eu entrava no Instagram, em qualquer lado, só via vídeos daquilo, depois ficava consumida, até podcast, eu comecei a entrar só numa de ouvir sobre isso. Por acaso tenho uma recomendação de um podcast que eu gosto muito e que acho que nunca falei por aqui, que é "Lei da Paridade", que é da Adriana Cardoso, Maria Castelo Branco e Leonor Rosas, e falam sobre atualidade e política, três mulheres a falar sobre política. É muito interessante e elas fizeram, obviamente, um episódio sobre este tema, mas fazem semanalmente sobre tópicos de política. E eu vi e gostei muito deste episódio, mas lá está, concordo com isso do consumo de informação também ter de ser mediado, porque eu senti que já não estava a conseguir pensar noutra coisa. Foi uma semana em que nem sequer estive a publicar, nem a criar, porque estava mesmo naquela bolha de só vivia, só consumia aquilo. E depois entra ali num ponto que deixa de sequer ajudar.

Sim, porque há um ponto que não é nada que tu possas fazer.

Não, é isso, é perceberes o que é que tu podes fazer, o que está na tua mão e a partir daí, continuar a tua vida. Mas pronto, este foi o meu espinho. E a minha semente? Eu depois queria entrar neste tópico a seguir. Portanto, se calhar, faz a tua rosa e espinho.

Vou começar pelo meu espinho, que acho que vai depois ter aqui perninhas para todo o resto. Eu vi tantos episódios de podcast teus antigos em que falaste tanto sobre isso, e eu acho que foi me acontecendo ao longo da minha adolescência e desde que sou adulta, mas eu tive mesmo um episódio assim de algo, um mês para aí, de crise existencial, de tipo: "Não sei o que eu quero fazer com a minha vida, quero trocar de emprego, quero trocar tudo e mais alguma coisa, não sei o que eu gosto, não sei o que eu não gosto." Tive mesmo um episódio deep disso, em que eu estava a começar a entrar em loop e sempre a pensar sobre isso. Eu não conseguia sair de: "Ok, eu não sei o que eu quero fazer, sei que eu não quero estar a fazer as coisas como eu estou a fazer agora" e comecei a ter ideias malucas, tipo vou ser professora de ioga. Estou a gozar, não era isso, mas crise existencial de não sei o que eu ia fazer com a minha vida, quero me despedir, quero ir para Bali, quero ir para não sei onde. Não sabia mesmo o que havia de fazer. Passou.

Já passou?

É sim, imagina, nós em termos insatisfeitos, estamos sempre um bocado nessa onda de ir ajustando os planos e tudo mais. Mas eu sinto, e a minha rosa entra aqui, desde que eu partilhei isso com as pessoas, tornou-se muito mais leve e muito mais ok.

Mas tu sentias que não conseguias estar a viver a tua vida sem estar com aquele tema back in your mind?

O que eu sentia é que eu não conseguia ficar feliz nem entusiasmada por nada que estava a acontecer na minha vida. Ou seja, eu ia vivendo na mesma, ia trabalhando na mesma, ia ao ginásio, fazer a minha vida normal, porque eu tinha que fazer. Eu não ficava feliz nem entusiasmada com nenhum trabalho que surgisse, com as coisas do dia a dia. Estava sempre muito: "Ok, eu estou a fazer isto porque eu tenho que fazer, eu estou a trabalhar porque eu tenho que trabalhar, porque tenho que pagar contas."

Estavas em piloto automático.

Estava em piloto automático, mas tinha sempre um bichinho na minha cabeça que é: "Tu não estás 100% feliz, tu precisas fazer outra coisa, tu precisas mudar de vida, será que é mesmo isto que tu queres? E daqui a 10 anos?"

Mas a tua cabeça, quando começas a pensar assim em mudar uma coisinha, depois já te apetece mudar tudo.

Exatamente.

Está criado. Chutar o balde.

E depois tu já não consegues aí racionalizar como é que eu vou mudar. Porque quando tu sabes, se há uma coisa que está mal, tu fazes quase um plano mental de: "Ok, vou fazer isto, isto e isto e resolvo o problema." Quando tu entras naquele ciclo de eu quero mudar de vida, eu não sei o que eu quero, mas eu quero mudar, é completamente autodestrutivo, na minha opinião. E como eu estava muito sozinha com esse pensamento, tornava-se cada vez mais.

Sim, e estas crises têm muito mais poder quando estão só dentro da nossa cabeça.

Exatamente.

São muito maiores do que são na realidade.

Isto é, sem dúvida, a minha rosa. Eu tive uma conversa ao telefone com a minha mãe, que ela me ligou por nada a ver e a conversa desenrolou, eu não sei como é que eu tive, porque tive tantos dias para ter mesmo uma conversa com ela, a conversa desenrolou e eu disse à minha mãe como me sentia. Parece que automaticamente o problema diminuiu de proporção em 300%.

Porque conseguiste pôr também em palavras aquilo que tinhas na cabeça. Desconstruir um bocadinho isso.

Consegui ouvir. E depois tu ouves os conselhos que as pessoas têm para te dar. E a minha mãe, por exemplo, falou comigo de uma forma tão leve e tão simples, que eu pensei: "Ya, porque é simples, porque é leve, porque há solução, porque há solução para tudo, não é verdade?" Então isso diminuiu o problema. Consegui também falar convosco, com amigos meus. Comecei a desconstruir um bocado e pensar: "Ok, eu sinto isto. Agora vou desconstruir aos bocados. Eu não tenho que mudar a minha vida amanhã e na verdade eu gosto daquilo que faço. Eu não quero mudar de profissão."

Sim, pode só mudar algumas coisas. E a partir de agora, ok, se calhar os trabalhos que vão chegando, eu vou avaliar e vou escolher de outra forma.

Escolher de outra forma. E quando nós trabalhamos por conta própria Tu tens que estar em constante ajuste daquilo que faz sentido, aquilo que não faz sentido. Desde valores, desde orçamentos que tu tens que gerir quando trabalhas por conta própria, até coisas que tu gostas de fazer, porque aquilo que tu gostavas de fazer há um ano atrás, não tem que ser aquilo que tu gostas de fazer hoje.

Sim, eu também tenho muitas vezes estas crises de: "Será que eu quero trabalhar nisso no futuro? Será que é por aqui o meu caminho?" Pá, ainda no outro dia, semana passada, também estava a ter essa crise de: "Eu não sei o que eu quero fazer, não sei se vai ser por aqui, não sei se daqui a cinco anos estou a fazer isto, não sei se quero ter outro negócio, fazer isto ou aquilo." E estava assim: "Eu não gosto nada disto, eu já não gosto nada daquilo que eu faço."

Exato. E depois começamos com isso, que é: "Odeio o meu trabalho."

E eu estava a falar com o meu namorado sobre isto e ele: "Mas tu gostas disto e tu gostas disto e disto." E eu: "Pois gosto."

Olha, uma das pessoas com quem eu falei sobre esta crise existencial, disse assim: "Eu acho que é mesmo melhor eu ir para uma empresa. Eu nunca experimentei, nunca trabalhei numa empresa, deve ser tão giro. Todos os dias arranjas-te de manhã, vais para um escritório, falas com pessoas, lanchas com pessoas. Eu estou sempre sozinha." E a pessoa disse-me assim: "Tu morrias se fosses para um escritório todos os dias, se tivesses que estar a fazer tarefas que alguém te manda." Claro que a pessoa estava a exagerar, obviamente, e aposto que havia coisas que eu ia gostar, mas eu gosto tanto daquilo que eu faço. Era mais nesse sentido.

Mas é romantizar a ideia de uma coisa nova. Parece que é uma solução para aquilo que está na tua cabeça, mas depois, na prática, se tu te imaginares mesmo nessa situação, tu não ias gostar.

E há outra coisa. Não sei se é toda a gente que está na nossa faixa etária. Eu sinto que tenho muito isso e há pessoas que se calhar se vão identificar, que é o drive de uma coisa nova. Quando tu tens uma coisa nova a chegar à tua vida, eu sempre fui muito assim. Eu lembro-me de ser miúda, ir trabalhar para a loja de roupa enquanto estava na faculdade. E o início de começar um trabalho novo, eu adorava aquilo. O processo de entrar, até eu ser realmente boa naquilo que eu estava a fazer, era o que eu mais gostava. Adorava esse processo.

E sabes que eu, por acaso, estava a pensar mesmo na semana passada nisto, mesmo em coisas simples. Eu sinto que digo que sou uma pessoa de rotina, mas eu gosto desses estímulos novos. Mesmo, por exemplo, eu estou no meu ginásio há um ano, está a fazer agora um ano. E eu pensei: "Olha, se eu agora mudasse de ginásio, mas eu até gosto deste, estou confortável, mas se eu mudasse, ia ser uma coisa nova. Eu ia estar desconfortável durante duas semanas. Que fixe!"

Exatamente.

Que ridícula!

Olha, mas é 100%, é esse gostinho. Não há nada que eu goste mais do que a sensação de fazer alguma coisa pela primeira vez. E eu acho que é importante nós irmos tendo isso na nossa vida. E eu acho que como nós estamos tanto em piloto automático com o nosso trabalho e não sei o quê, e não temos tanto tempo para primeiras coisas, depois vai acumulando e nós começamos a sentir: "Quero mudar a minha vida toda, porque a minha vida é uma seca, porque afinal eu não gosto." E uma amiga minha também me deu outro conselho nesta fase, disse assim: "Tu não precisas de um trabalho novo, precisas de arranjar um hobby. Se calhar é, se calhar precisas de fazer pequeninas coisas novas e já te vão dar esse sentimento de entusiasmo, de estares preenchido, estares entretido."

E uma cena boa, por exemplo, no nosso trabalho, é que também podemos criar esses caminhos novos.

Temos projetos novos, claro que sim.

Obviamente, também pode ser na tua vida pessoal. Eu tive isso com o Air Rocks, com a meia maratona, são projetinhos novos que eu vou tendo ou mesmo, sei lá, ir a eventos, conhecer pessoas novas, ir a um run club.

Sim, estás numa fase mais de conhecimento ou começas a interessar-te mais ou a querer estudar mais sobre finanças pessoais. Há imensas formas.

Vou a um evento.

Exatamente.

Tudo isso são estímulos novos que eu acho que alimentam esse lado de fazer coisas novas.

Sim.

Tanto na vida pessoal como na profissional, que também podemos: "Olha, vou criar uma série nova." Sei lá, por exemplo, a mim entusiasma-me agora começar a cozinhar mais. Começo a pensar: "Olha, eu até podia tirar um cursinho, eu até podia fazer uma receita nova por semana, guardar as receitas do TikTok e fazê-las." Isto já me deixa entusiasmada, porque na minha rotina tenho uma coisinha nova e diferente. E acho que às vezes são mesmo estas pequenas coisas que temos de nos forçar, que depois trazem mais alegria para o dia a dia.

Sem dúvida, a minha semente é isso, é deixar de pensar que preciso mudar a minha vida toda para estar feliz, mas perceber que são pequeninas coisas no meu dia que vão me dar esse significado, esse drive, essa vontade.

Ya. Olha, e isto foi a ponte perfeita para o parceiro daqui deste vídeo, que é o IPDJ, o Instituto Português de Desporto e Juventude. E eu queria te perguntar como é que estás em termos de esporte neste momento na tua vida. Rotina?

Estou tranquila, tenho ido ao ginásio que costumo ir, que está tudo tranquilo nesse sentido. Estou com muita vontade, só que isso é um tema ainda sensível, porque eu sempre joguei andebol e eu queria voltar a jogar andebol, mas tenho um ligamento roto, então ainda está a ver se tanto vai, mas estou estável, mas com vontade também de começar um desafio mais nessa área, porque era isto, pequenas coisinhas, sinto que já, ok, o ginásio preenche, mas queria uma coisa nova.

Sim, mas eu queria te contar, basicamente, eles agora estão com uma iniciativa que faz todo sentido aquilo que estávamos a falar antes, que é: nós muitas vezes temos tendência para olhar para o desporto de "eu tenho que ter duas horas por dia para treinar e para fazer imensa coisa". E a iniciativa deles é mesmo promover o fazermos pequenas coisas no nosso dia a dia que já fazem toda a diferença para nós sermos mais ativos, do gênero: em vez de pegares no carro para fazeres um percurso que tu consegues facilmente fazer a pé, tentares fazer a pé, ou seja, tentares acumular pequenas atitudes mais ativas no teu dia a dia, em vez de ires de elevador, ires de escadas, fazer estas pequenas coisas. E eles criaram agora uma aplicação, que é a Aptiva, que é supergiro, porque é quase como se fosse um joguinho para tu tentares ser mais ativo em pequenas coisas e depois ganhas pontos e ganhas vouchers.

Quando fazes esse tipo de opções?

Exato.

Ok, que giro.

E eles têm um nível de número de treinos de força que deves fazer por semana, número de calorias que deves gastar por semana para seres ativo. E tu tens a aplicação e depois vais lá vendo, concluíste isto, concluíste aquilo, e vais ganhando pontos e ganhas vouchers também para depois gastar em saúde. É supergiro e é muito à volta disto que nós estamos a falar, de não ter de ser uma mudança radical. Porque nós muitas vezes queremos começar a ser mais ativos, a fazer desporto, e associamos a: "Tenho de começar a correr, tenho de ir para o ginásio cinco vezes."

Isso até é ótimo para pessoas mais velhas Para se manterem ativas.

Mas há muita gente da nossa geração que não faz nenhum, Inês. É muito nisso. É tu teres consciência do teu dia a dia. "Espera, eu vou ali ao supermercado, se calhar posso ir a pé. Deixa-me ir que assim ganho pontos na aplicação." Eu acho que é mesmo giro porque nos incentiva a mudar o chip.

É uma troca.

É isso, é não quereres do oito ao 80. É tipo, agora não faço nenhum, quero passar a ser atleta de alta competição. Não! Vou só começar a ser aos pouquinhos mais ativa, vou fazer uma caminhada. Olha, tenho que ligar a uma amiga minha. Por acaso, isto aconteceu na semana passada, estava a ter um dia mega ansioso, trabalho, coisas não estavam a correr bem. Estava mesmo com vontade de chorar. Isto é raro de me acontecer, de estar nesse ponto, mas estava mesmo ansiosa. E decidi: "Não, vou ligar a uma amiga." E fui caminhar enquanto estava a falar com ela. E aquilo deu-me anos de vida. Primeiro, foi naqueles momentos em que não estava a chover. Eu consegui fazer essa caminhada e estar a falar e falar sobre o assunto, tirar essas coisas da cabeça, deu-me anos de vida e deu-me pontos na aplicação também.

Perfeito. Uma iniciativa mesmo muito gira.

Eu gostei muito e acho que se estamos mesmo mais conscientes disso, de agora vou fazer qualquer coisa, deixa-me estar de pé enquanto vou fazer isso.

Isso do elevador eu faço imenso. Eu parece que me sinto mal se apanho o elevador e for ensaiar.

A sério?

Sim, sempre tive muito isso do elevador na minha cabeça, por ver tantas coisas de conscientização, esse tipo de campanhas, sempre fixei muito isso, que é por que vais de elevador?

Porque é aquela coisa do ridículo que é nós irmos de carro até ao ginásio, andarmos de escadas rolantes no próprio ginásio para depois começar a treinar.

Exatamente.

É tão absurdo, é um cúmulo, não é?

Pois é.

Mas pronto, vamos passar. Falta só a minha semente. Que eu queria já fazer uma ponte para começar a falar de outro tópico, que é eu quero comprometer-me agora até ao espetáculo ao vivo, todos os dias, eu treinar. Não é desporto, eu treinar.

Estava a pensar assim: o que o espetáculo ao vivo tem a ver com treinar?

Treinar o texto do espetáculo. Porque eu queria te contar que basicamente estou a preparar o texto com um comediante da Kilt, que é a produtora que está a organizar o espetáculo. E eu tive lhe a fazer imensas perguntas de como é que os próprios humoristas preparam um espetáculo. Porque nós só vemos o resultado final, sabemos que eles vão a testes. E ele teve me a explicar o conceito, que é basicamente tu teres o texto por tópicos e depois ir treinando o máximo de vezes. Eles vão 30, 40 vezes a salas testar texto para depois na altura contarem só histórias. Ou seja, eles têm o papel com os pontos, olham e depois na altura: "Ok, é para falar sobre algodão doce" e começam a desenrolar o texto sobre a história do algodão doce. Nunca têm um texto fechado, mas há pessoas que gostam de treinar e ir com coisas mais fechadas, mas normalmente é mais ou menos essa dinâmica. Então ele deu uma dica. Por quê? Porque eu no espetáculo também vou estar muito tempo em palco, vou falar muito e isto tem me deixado ansiosa.

É muito tempo.

É muito tempo, é uma coisa muito nova para mim, muito fora da minha zona de conforto, porque eu estou muito desabituada aqui. Imagina, eu tenho as coisas por tópicos, mas estamos aqui a falar, a ter uma conversa, mesmo quando eu estou sozinha, estou a ter uma conversa com as câmaras e eu estou a falar com base naquilo que me vem na cabeça. O espetáculo tem de ser uma coisa um bocadinho mais preparada.

E mais envolvida com quem lá está, não é?

Sim, é isso. É uma coisa mais estruturada. E eu comecei por preparar texto fechado. E então estava a debater com ele o texto e ele assim: "Mariana, isto está ótimo, o texto está ótimo, mas está um texto muito fechado, tu não vais conseguir dizer isso. Eu agora quero te ver a representar este texto." Então agora, o passo seguinte é preparar, passar o texto para tópicos. E ele deu uma dica de eu pôr o meu iPhone a gravar e treinar, praticar como se eu tivesse lá e depois rever, que é cringe.

Mas é importante.

Mas é importante rever de dia para dia. Então a minha semente eu gostava que fosse mesmo obrigar-me eu todos os dias, que eu acho que se eu fizer agora até lá, todos os dias. Nós estamos a gravar isto dia nove, o espetáculo é dia 24. Portanto, se eu fizer isso, eu acho que vou conseguir estar mais confortável, porque é muito desconfortável para mim, mas ao mesmo tempo, o que eu posso controlar? É estar bem preparada.

É exatamente isso.

É como se fosse uma apresentação oral, é treinar.

Quando eu fui para Lisboa estudar televisão, tínhamos muitos exercícios práticos, diretos, coisas assim, e eu fazia imenso isso em casa. Eu ia para casa e um direto não é uma coisa que tu possas preparar, até porque nós não sabíamos qual era a notícia que nos iam dar os professores. Mas eu ensaiava exatamente assim. Eu praticava assim. Punha o meu telefone a gravar e ia praticando. Tu até podes estar a fazer esse tipo de exercício com um texto qualquer que nem sequer é o teu, mas tu teres aquele tempo vai te preparar e dar-te muito mais confiança para o momento do espetáculo. É isso que tu estás a dizer. Controlas a tua ansiedade com trabalho, que é tipo, eu fiz a minha parte.

Eu acho que esta última semana eu disse cinco ou seis vezes a pessoas à minha volta assim: "Não sei porque é que eu me meti nisto, porque eu estava tão bem, estava tão bem a gravar os meus podcasts, por que eu me meti nesta porcaria que me vai deixar ansiosa, que anda a tirar o sono?" Mas depois é agarrar-me à ideia e estou-me a tentar mesmo agarrar àquela ideia que eu sei que quando o espetáculo acabar, eu vou estar em êxtase, porque vai correr bem, não tem por onde não correr.

Claro que vai.

E eu vou estar em êxtase, vou estar muito contente. Então eu tento me agarrar a essa ideia de OK, estás a fazer isto porque isto vai ser bom no final. Agora é péssimo e vais ficar com ansiedade, mas vais tentar controlar isso a estar mais preparada.

Mas não consegues ainda durante o processo estar a curtir o processo?

Não consigo absolutamente nada.

Mas eu acho que é porque é a primeira vez e tu ainda te sentes um bocadinho insegura, porque se calhar num segundo ou terceiro espetáculo, tu já irias conseguir aproveitar o processo, ias usufruir e estar leve, porque sabias qual é o resultado final. Porque é difícil. Já vi muitos vídeos de pessoal que treina para maratonas e que detesta todo o processo do treino, por causa do fim. E há pessoal que ama todo o processo e tem mais a ver com o processo do que com o resultado final.

Imagina, o processo em si está a ser giro e está a ser desafiante, e estou a fazer uma coisa diferente, que me traz aquilo que estávamos a falar no início, de coisas novas. Mas eu imaginar-me em palco naquele dia causa-me tanta ansiedade que eu não consigo gostar do processo.

Eu percebo.

Imagina, incomoda-me eu estar ansiosa neste momento, sabendo que então no dia eu vou estar uma pilha. Como é que eu vou conseguir controlar isso? Percebes?

Eu acho que vai ter que desvalorizar.

Eu sei, eu já fiz muitas coisas assim em público, que eu acho que parece maior do que o que é. Parece que é uma coisa demasiado grande.

E é uma coisa grande, claro que é. Mas eu acho é que: "Que fixe!" Eu acho que o chip é grande, mas que fixe eu estar a ter esta experiência, que bom. E depois é um bocado aquilo que estavas a dizer, desvalorizar de: "Ya, estou aqui a falar com pessoas que gostam de me ouvir falar." Por isso, está tudo bem.

Sim, isso acalma-me, eu pensar que o público são pessoas que já me conhecem.

As pessoas compraram o bilhete porque querem ir ver, por isso elas gostam, à partida.

Mas eu acho que também é ter muitas coisas para controlar, de timings. Lembro-me quando organizei um evento da marca, que na altura era um desfile, foi uma coisa grande. Tu foste a este evento.

Eu fui.

Foi o maior evento que eu organizei, foram 150 pessoas, uma coisa assim. Foi muita gente e muitas logísticas. É uma adrenalina que eu adoro, de gerir tudo isto, quase que gerir um projeto. E este espetáculo ao vivo eu sinto que é um bocadinho isso. Há tantos pormenores que as pessoas nem pensam, que têm de estar na minha lista de coisas que eu tenho de fazer. E é tanta coisa, pensar na maquiagem, a que horas é que aquela pessoa entra. E sou eu que estou a gerir esta parte. E eu adoro isso, é muita adrenalina, mas ao mesmo tempo, enquanto que, por exemplo, no evento eu não era o foco, era o evento está preparado, as pessoas aparecem e eu só tenho de estar a recebê-las, ali eu também sou.

Sim, tu fazes parte do show.

Do show. Então é mais por aí que eu acho que acaba por causar ainda mais ansiedade. Mas pronto, está a andar, a minha semente é essa, eu sentir-me mais preparada em relação a isso. E acho que vai ser bom, mas ao mesmo tempo na minha cabeça está: "Eu quero que isto acabe. Eu quero que este mês passe."

Preciso de calminha a seguir, tranquilidade.

Mas depois já voltar: "Qual é o próximo, que eu agora estou com a minha dopamina lá em cima e preciso de outra coisa." Mas bem, outro tema que eu queria falar contigo, esta semana faço 28 anos. Portanto, este episódio está a ser dia 9, eu faço anos a 13, sexta-feira 13, que calha este ano.

Dá sorte.

Dá sorte. Como é que eu vou celebrar este ano? No meu dia de anos, quero correr 13 km.

Isso é giro.

Ya. Porque eu queria correr 28 e tinha pensado vou correr 28, depois 29. Mas eu acho que eu não fiz mal a ninguém.

Por amor de Deus. Todos os anos corres 13, está ótimo.

E é um número giro, ainda por cima sexta-feira 13, correr 13 km, é o meu número da sorte. Pronto, vou fazer isso. E pensei: "Será que quero que pessoas corram comigo ou não?" E nesse dia acho que vou correr sozinha, mais numa de introspectiva, minha cena. E depois no dia a seguir vou celebrar com os meus amigos, vai ser uma corrida, 100 km e pequeno-almoço.

Eu adorei esse convite.

Ya, porque eu acho que é uma coisa que eu adoro fazer e quero que pessoas à minha volta, por muito que não corram, se calhar nem gostam assim tanto, mas vêm.

Isso é a coisa melhor de ser o teu aniversário. Eu acho que é mesmo assim, tu tens que fazer aquilo que tu mais queres fazer.

Sim, eu também adoro fazer jantares e beber.

Mas este ano apetece-te.

Apetece-me isto. Então dividi, as pessoas vão poder fazer caminhada se quiserem, vão poder correr se quiserem, vai ser 100 km, quase como se fosse assim um run club.

Sim, tu estás a fazer toda uma corrida Mariana.

Ya. E pronto, vai ser assim que eu vou celebrar e também estou a pensar fazer, isto aqui mais numa de journaling introspectiva e não sei o quê. Por acaso nunca fiz, mas aquelas cartas que se escreve para o futuro, eu quero escrever uma carta para a Mariana de 29. Vou fazer na sexta, quando eu fizer anos, vou escrever detalhadamente aquilo que eu quero que este ano seja, como é que eu estou.

Esta volta ao sol.

Ya, e fazer perguntas para a Mariana do futuro. Tu também estás quase a fazer 28.

Estou, eu faço para o próximo mês.

Fazes. E queria agora entrar um bocadinho por aqui, de fazer 28 anos.

Já vamos fazer a introspeição dos 28.

Ya. Não, mas eu vi isto no TikTok, achei mega graça e queria também saber a tua opinião. Basicamente, era uma rapariga que estava a dizer "age breakdown" e dizer o que cada bloco de idade dos 20 significa. E eu vou ler.

Adoro.

Eu vou ler para ver se achas que é relatable. Então, dos teus 20 aos teus 23 anos, tu tens tipo 19 anos. Achas que sabes tudo, mas não sabes nada da vida. É verdade.

Sim, claro. 100%. Corta para: estava a ver uma série que estava a falar "ah, porque a partir dos 18 anos", eu Aos 18 anos, tu tens 14. Não sabes nada, ainda és super uma criança.

Mas dos 20 aos 23 tu já achas que sabes.

Sim, porque já começas a se calhar ter algum dinheiro.

Mais independente.

Mais independente, já achas que não tens de ser nada aos teus pais.

Tomar decisões para onde queres ir para mestrado, queres ir trabalhar. Exato. Já começas a sair mais de casa, a viajar sozinha, coisas assim, e já achas que és independente, mas tens na mesma 19 anos. Depois dos 24 aos 26, tu és o mais velha que alguma vez foste. Mais vale ir já para um lar, porque daqui a cinco anos vais ter 30 e a tua vida acabou.

Ok.

Eu acho que esta fase dos 24 aos 26 é a fase mais confusa que tu vais ter na vida. Eu relaciono-me bué com isso, porque é a crise dos 25.

Seu.

Muitas destas dúvidas existenciais de quem é que tu és, o que é que tu vais querer fazer, surgem agora, porque tu agora vais ter de tomar decisões para onde é que tu queres trabalhar, para onde é que tu queres viver, sair de casa dos pais. Muita coisa a acontecer, tens dinheiro, podes tomar decisões, já não tens o percurso definido de faculdade.

Eu estava a pensar na minha vida e lembro-me automaticamente, foi nessa altura que eu comecei a fazer terapia, porque sentia que havia coisas que eu precisava de resolver antes dos 30, porque precisava que a minha vida andasse para a frente, porque tinha que arranjar um namorado.

Tens de arranjar um namorado, porque a vida que segue, os teus pais já tiveram filhos aos 27 e de repente és bué atrasado.

Eu durante toda a minha adolescência disse: "Aos 25 eu estou casada com marido e com filhos."

É essa pressão que também nos colocamos quando somos mais novas.

Eu colocava essa pressão.

Ter idades definidas para as coisas e dali dos 24 aos 26 as coisas têm de acontecer.

Eu tenho que resolver.

E achas que estás tão perto dos 30 e aos 30 a tua vida acaba.

E depois há outra coisa que eu fazia imenso nessa altura, que é: eu tenho que curtir tudo agora. Eu tenho que sair imenso agora, eu tenho que viajar imenso agora, eu tenho que fazer tudo agora.

Mas tu que também tens negócios, também tens de fazer as coisas acontecer agora.

Sim.

Porque agora é com esta idade que tu fazes acontecer.

É isso.

Tudo. Depois, dos 27 aos 29, tu és o mais nova que já foste na tua vida. Tu tens 21 de novo. Tu começas a acalmar, consegues sair e ficar até às 2:00 a.m., ficar em casa de uma amiga a beber um vinho a uma quinta-feira, mas de uma forma moderada. E agora tens mais dinheiro do que tinhas quando tinhas 21. Vais a festas de 18 na mesma, só que desta vez são casamentos e é a altura mais divertida que vais ter.

Isso é verdade, os casamentos são mais divertidos. Sim, mas eu percebo.

Ou seja, ela diz que dos 27 aos 29, tu voltas a ter cérebro de 21. Voltas a perceber que afinal a vida não tem que estar resolvida para ontem. Afinal, eu tenho tempo. Afinal, os 30 não são assim o bicho de sete cabeças que achamos.

Sem dúvida.

E acalma. Ou seja, eu fiz 27 ano passado e comecei efetivamente a ser uma pessoa muito mais calma a partir dos 27.

Eu acho que lá está, não há um número específico.

É fase. E esta rapariga que está a falar, ela vai fazer 30 agora e ela estava a dizer que a idade mais nova que tu vais ter na tua vida são 28 anos.

Eu percebo.

E deixa-me contente, porque eu estou a fazer 28.

Sim, mas eu percebo que acho que quando tu começas a chegar ali perto dos 30, pelo menos acho que se tu tiveres vivido também estas fases todas, porque eu acho que é mesmo importante viveres as fases da tua vida e não há uma regra, tu não tens que as viver, eu não tenho que viver na mesma fase que tu, mas acho que existe uma harmonia se o fizeres. E acho que se isso acontecer, tu ali antes dos 30 consegues estar tranquila e pensar: "Ok, os 30 não são aquilo que tu pensas." Eu tenho uma amiga que é uns quatro anos mais velha que eu, eu lembro de ir ao aniversário dela dos 30 anos e eu ficar: "Ih, ela já tem 30?"

Não, mas isso foi na fase em que tu tinhas entre os 23 e os 26.

Eu lembro-me, isto é horrível de se dizer, mas eu lembro-me de pensar: "Ela ainda não namora, ela ainda não saiu de casa dos pais, não sei o quê. Será que isso também me vai acontecer?" Como se isso fosse uma coisa má.

Eu acho que começas a olhar para os 30 e dos 30 aos 35 como uma leveza muito maior, porque também começas a conviver com pessoas dessa idade.

E está tudo bem.

E percebes que as coisas podem ser feitas a seu tempo, já não há aquela pressão que se tinha antigamente também de idades para filhos.

Para tudo. Eu acho que ainda existe, obviamente, essa pressão nos outros e nas gerações mais crescidas ou pessoas que vivem dentro desses parâmetros. Eu ainda tenho vários amigos que eu noto perfeitamente que há várias decisões da vida deles que eles tomaram por essa pressão.

E eu tenho várias amigas, também estamos na fase de transição. E eu tenho várias amigas que eu sinto que ainda estão a viver essa crise.

Ok, sim.

Essa crise de identidade e de pressão de idades. Tenho outras pessoas que já estão muito mais encaminhadas. Por acaso, é uma coisa que me perguntam, se eu sinto que agora não sinto tanto essa pressão por ter namorado. E eu não acho que tenha a ver com isso, porque eu nunca senti pressão de idade nesse tema. Eu sentia a pressão de eu tenho que saber o que eu quero seguir profissionalmente. Isso era a minha pressão. Quem é que eu sou? Crise de identidade. Isso foi os meus 25, 26, foi totalmente pressão disso, de eu tenho de definir o negócio que eu quero seguir, eu tenho de definir quem é que eu sou, quem é que é a Mariana fora de criar conteúdo.

Eu acho que, obviamente, quando tu tens uma parte da tua vida mais decidida ou mais estável, deixa de existir tanta pressão nesse sentido. Mas também não concordo isso de namorado.

Não, eu não sinto isso, porque eu não sentia.

Sim.

Nunca senti essa pressão de que tenho que ter namorado para ter certa idade para ter filho. Não senti isso, graças a Deus, nunca senti.

Acho que eu não tive.

Não tive.

Mas profissionalmente.

Mas profissionalmente tinha e sinto que estou numa fase muito mais leve, porque consigo olhar para a vida como: temos tempo para fazer muita coisa.

Eu acho que é o relativizar.

É isso. Eu posso ter 45 anos e querer mudar de profissão e fazer outra coisa que eu queira e vou mais que a tempo. E acho que isso traz leveza para a vida.

E acho que isso também tem muito a ver com os exemplos que tu possas ter à tua volta. Eu sinto que levo muito da minha vida esse relativizar e essa naturalidade. A minha mãe abriu um negócio, uma imobiliária, que hoje corre super bem aos 40 e tal anos, divorciou-se e encontrou outro parceiro e está superfeliz aos 40 e tal anos. Ou seja, acho que os exemplos estão para quem os quiser ter. Há tanta gente por aí, há tantas histórias nas quais tu te podes inspirar, há tantas pessoas que tu podes seguir, que têm esse tipo de percursos. Eu acho que é importante nós andarmos à procura dos exemplos que nos trazem essa tranquilidade. Em vez de estarmos sempre a olhar para o que já...

Olha, é isso. Eu acho que, principalmente, é aprender a viver mais no presente e não agarrar-se a: "Eu tenho de ter respostas." Porque imagina, eu acho que hoje em dia, eu continuo a ter muitas perguntas, mas estou OK com isso, com não ter essas respostas definidas.

Era como esta crise existencial que eu estava até esta semana, que é: eu não encontrei uma resposta. Eu não resolvi a crise porque encontrei uma resposta. Eu só fiquei OK com o facto de eu não ter uma resposta.

E acho que é no dia a dia de aquilo que estás a fazer hoje, o rumo que a tua vida está a seguir hoje, deixa-te feliz? Estás bem? Tu não sabes o dia de amanhã.

É, isso é verdade. Claro que não podemos viver a nossa vida nem num extremo, nem no outro, mas eu acho que é 300%. Ok, planear, mas...

Sim, mas agarraste também ao facto de que se calhar as coisas hoje em dia até deram bem certo e estão a dar certo, porque também deixaste fluir e nunca tiveste respostas definidas.

Viu, que tal crise é uma coisa, e isto sobre vida amorosa, mas acho que se aplica a tudo no geral e podes usar para tudo no geral, que era: vive a tua vida como se nunca fosses encontrar o amor da tua vida. E era um bocado no sentido de criar as tuas coisas, vai fazendo, não estejas à espera do dia em que aquilo chegue, porque acho que há muita gente que-

Sim, estás a falar de amor, mas pode ser a casa, os filhos.

Exatamente.

O trabalho de sonho.

Vive como se isso nunca fosse acontecer. E se calhar, se tu aceitares que aquilo não vai acontecer, vais conseguir viver com uma leveza e sem essa ansiedade de: "Ok, mas quando é que chega?" Eu estou a fazer tudo para poder chegar, porque isso acontece muito. Há muita gente que é quase uma falsa tranquilidade de: "Sim, eu estou OK de não ter namorado agora, mas eu até aos 30 tenho que ter." E vivem um bocado nessa procura de até àquela altura eu tenho que concretizar isto. E acho que às vezes nós mudarmos o chip de: "Não sei se isso vai acontecer, se calhar não vai acontecer."

Então de como é que eu vou viver a vida hoje para que ela valha a pena, que eu seja feliz.

Acho que fiquei a pensar sobre isso.

Mas se tivesses de dizer os maiores ensinamentos que esta idade trouxe. Eu acho que para mim foi isso, de viver mais no presente e também mudança de prioridades. Acho que me bateu muito do ano passado para cá. Do gênero, eu sinto que vivi essa fase dos 23 aos 26 muito focada em carreira e eu só via aquilo à frente, literal. Eu lembro perfeitamente que tive uma fase em que eu nem sequer vinha a aniversários nenhuns. Família, amigos, não vinha porque era: "Tenho trabalho." Sempre a prioridade número um era o meu trabalho, vem acima de qualquer coisa. Isto é mesmo egoísta, mas eu fui assim durante muito tempo. E acho que é muito aquela hustle culture de viver muito à volta de fazer acontecer, e é por aqui o caminho. E acho que foi a partir dos meus 27 que eu mudei completamente as minhas prioridades. Meu trabalho continua a ser uma parte, uma fatia bem grande da minha vida.

Mas não é toda.

Mas não é toda. E as pessoas à minha volta valem mais do que isso.

Isso eu acho que quem tem negócios próprios tem sempre uma fase inicial, se calhar, desse processo e do negócio, em que está muito nesse loop e trabalho. E eu acho que eu percebo perfeitamente, é necessário, eu também tive isso e custou-me muitas coisas, ou seja, teve repercussões depois más na minha vida e eu também mudei muito esse pensamento, porque no final do dia, não interessa. No final do dia, não é isso que interessa. Estás a perceber? Eu acho que mudei muito essa mentalidade, porque percebi a sério que é: se tu não estiveres bem, se as pessoas que tu gostas não estiverem bem, isso não interessa nada. Por isso é ótimo, tu conseguires. E até porque o trabalho depois fica mais leve quando tu tens esse pensamento. A cena de tu ficares mesmo ansiosa, com medo que uma coisa corra mal ou porque está a correr mal, não sei o quê. Quando tu já tens as tuas prioridades bem assentes e que o trabalho é importante, mas não é a coisa mais importante da tua vida, tu depois também...

E ajuda-te em tudo, porque tens a quem recorrer, mesmo nessas crises que estás a ter. Eu estava a ter uma conversa há uns tempos, não vou revelar nome, com um rapaz que me estava a dizer que As amizades eram sobrevalorizadas. Basicamente, ele acredita que nesta fase da vida dele não faz sentido ter amigos, porque é uma perda de tempo. É uma pessoa que tem uma mentalidade muito matemática, do gênero, sente que se passar muito tempo com os amigos ou se dedicar muito tempo a outras pessoas, que no final do dia está a perder tempo produtivo. Que muitas vezes as conversas até são banais, dia a dia e coisa assim, que não acrescentam à parte profissional dele, ao percurso que ele está a ter. E eu pergunto a ele: "Mas numa ótica de futuro, tu não vais ter uma rede de apoio." E ele: "Mas eu estou a construir hoje para no futuro poder dar mais aos meus amigos." Mas os amigos no futuro já não estão lá.

As plantas precisam de ser regadas, as amizades precisam de ser regadas.

E no futuro já não estão lá se tu também durante este caminho, estiveres a fazer o caminho sozinho.

Eu sinto que no ano passado, os meus amigos salvaram-me 100%. E eu vinha muito desse loop de trabalho. Eu não saía, eu não ia às festas de aniversário dos meus amigos. Eu não estava com as pessoas ou quando estava, estava sempre a sair porque tinha que ir trabalhar.

A pensar noutra coisa.

Com o telefone. Eu tive um período de um ano em que, honestamente, eu não estava a ser boa amiga para as pessoas. Eu tive várias amigas minhas a dizerem: "O que se passa contigo? Tu não estás a ser minha amiga." E eu: "Desculpa, esta fase está quase a acabar, eu depois vou voltar a ser eu."

E é sempre uma fase, mas depois a fase nunca acaba.

A fase nunca acaba. E quando a minha relação acabou, separei-me, voltei para o Porto, foi uma fase superinstável e todo um processo. E foram os meus amigos, sem dúvida. Eu fiquei tão surpreendida, porque não é que eu não seja boa amiga e não tenha sido ao longo de todos estes anos.

Sinto que falhaste um bocadinho.

Sinto que falhei, e não é isso. Eu passei tanto tempo a não ter essa parte na minha vida, a não ter as amizades tão presentes na minha vida, porque tinha o trabalho, que eu percebi mesmo a importância de tu teres amigos. E não é só porque eu estava numa fase má. É o oposto, quando tu estás numa fase boa, é quando tu vês realmente quem são os teus amigos. E essa fase má vai passando e tu começas a querer partilhar as coisas boas que vão acontecendo e é ótimo tu teres amigos verdadeiros para celebrar essas coisas. Não há nada mais triste. Não é assim tão mau estar triste sozinho, como é celebrar uma vitória sozinho. É horrível celebrar uma conquista e não teres ninguém que fique realmente feliz por ti.

Por isso é que a minha rosa também vai muito nesse sentido. É tipo, estou a ter um espetáculo ao vivo, vou fazer anos e sinto que consigo ver o apoio que tenho.

E que bom é partilhar isso com as outras pessoas. Isso esquece. Até fico emocionada.

Mas mais coisas sobre os 28. Também sinto que a nível de ambição mudou um bocadinho. Sinto que era uma pessoa que se calhar parecia mais ambiciosa antigamente e hoje em dia a minha ambição é noutros sentidos, porque também muda prioridades.

Percebo, tantas pessoas dizem: "Não queres fazer isso? Tu querias." E eu tipo: "Calma." Eu agora digo imenso às pessoas: "Calma, vou fazer, com calma, não quero comer o mundo amanhã." Eu antes vivia a querer, queria o mundo todo.

É o comboio sempre em andamento. Hoje em dia, tu consegues, se calhar, priorizar-te a ti, ter mais tempo para tomar as tuas decisões. Outro ponto também importante, que é não pôr o foco em agradar as outras pessoas no centro de todas as tuas decisões. Eu sinto que eu era esta pessoa.

Eu ainda faço isso.

Muita dificuldade em dizer que não.

Olha, uma coisa muito fixe. Eu adoro fazer este podcast com regularidade, minha amiga, sabes por quê? Porque eu sinto que fica tudo gravado e eu tenho muitos momentos de reflexão que depois dá para ir buscar atrás. Há não sei quanto tempo, ainda vivíamos em Lisboa, gravámos episódio com a Mariana Azevedo sobre amizades e eu estava numa fase ainda muito que eu tinha tanta dificuldade em deixar as amizades ir, aquelas que eu sabia que já não me serviam mais.

Eu lembro-me.

Eu tinha tanta dificuldade e eu sinto que estou tão melhor nisso. E já houve aqui várias amizades que eu fui largando e que eu estou bem com isso, porque depois tu tens algumas repercussões disso, que é aí que tu notas. Eu larguei a amizade e ela foi mesmo do gênero, deixaste de ser convidada para o aniversário, para isto ou para aquilo, e é aí que debate. Que é, sim, fui eu que um bocado, não é terminei, não tens uma conversa a dizer "não quero ser mais tua amiga", mas vais um bocadinho cortando ali essa ligação, porque não faz mais sentido.

Mas acho que mesmo em pequenas coisas, pelo menos para mim, não é tanto em terminar amizades, mas em pequenas coisas do dia a dia, tipo, apetece-te mais chegar em casa, ver uma série do que aquele plano que tinhas combinado. Eu, a Mariana, com 25 anos, ia na mesma ao plano, mesmo que me custasse horrores.

Uma coisa que é superimportante sobre amizades e sobre isso dos planos. Se tu não tens à vontade para dizer àquela tua amiga, e que supostamente é mesmo tua amiga, que "amiga, não me apetece, estou cansada desta semana, apetece-me ficar em casa sozinha." E se a resposta não for "sim, ok, tudo bem." É porque se calhar não é assim a amizade que tu querias.

Mas acho que isso também está a ser superabrangente. Imagina Tu podes estar numa situação com uma pessoa que já não vês porque estão com agendas difíceis de lidar e já não vês há um mês. Marcaram para aquele dia já há três semanas e depois tu vais cancelar.

Eu não estou a falar nesse tipo de amizades. Eu estou a falar de pessoas que tu estás com regularidade. Eu acho que é mesmo importante.

Eu acho que é importante tu conseguires ser honesta e a resposta ser positiva.

Exatamente. E eu acho que quando tu estás focada e vens de um sítio de impor os teus limites contigo própria, com os outros, estar com amizades saudáveis, com pessoas que também estão nesse ambiente, é muito mais normal. Eu antes tinha medo de dizer não.

Não, mas é esse o meu ponto. Eu acho que eu dizia muito menos ou escolheria muito menos aquilo que me apetece fazer em prol de não deixar a outra pessoa triste ou chateada ou a pensar pior de mim. Mas eu acho que muitas vezes isto também é uma questão só na nossa cabeça, porque se tu explicares à outra pessoa vai lidar super bem, se calhar até tem outras coisas para fazer, até lhe deu jeito.

Eu também acho.

Na nossa cabeça é que se cria um problema muito maior. E novamente, é falar sobre o assunto, é comunicar. Que muitas vezes eu acho que a Mariana de 25 anos tinha essa dificuldade.

É que tu querias muito agradar. Eu lido um bocado com isso. Às vezes eu estou mais preocupada em ser gostada do que se eu estou a gostar da outra pessoa.

Isso também em termos amorosos era uma questão.

Imenso. E quando tu começas a pensar sobre isto, que é: "Por que eu estou tão preocupada se esta pessoa está a gostar de mim? Eu nem sei se eu estou a gostar dela. Eu nem parei para pensar se eu gosto desta pessoa, porque eu estou é preocupada se ela gosta de mim, se eu estou bonita, se eu sou simpática, se eu sou inteligente." Isto acontecia-me até profissionalmente. Estava até conversas de trabalho e eu estava a pensar se a pessoa estava a achar que eu era inteligente.

Mas em dates ainda é mais gritante, que é tipo, tu sais de lá, eu lembro uma conversa que tive com uma amiga minha: "Mas gostaste?" Eu tipo: "Nem me lembro se gostei dele". Estava tão focada em fazer as coisas certas, dizer a coisa certa, ele gostar de mim.

É.

Tive um date com um rapaz que ele era demasiado formal, queria uma senhora. Eu não sinto que seja uma senhora.

Sim, eu percebo.

Pronto, nesse sentido. E ele queria tanto, e era tão formal.

Se calhar eu até sou.

E a nível de atitudes, as atitudes que uma senhora tem.

Não pode dizer palavrões.

E eu tentei, nesse date, moldar-me e tentar parecer que eu era a pessoa que ele também estava à procura, nesse sentido. E depois quando eu saí, foi tipo: "Bem, mas eu gostava de estar com uma pessoa assim?"

Não.

Não! Por que eu estava a tentar agir de uma forma que não sou para tentar agradar esta pessoa? No final do dia, não fazia sentido nenhum. Mas nós tentamos sempre nos moldar para encaixar, para que o problema não sejamos nós. Mas isto não é um problema, simplesmente é incompatibilidade, seja em relações, seja em amizades, seja a nível profissional. Os 28 acho que traz essa leveza que podes ser quem tu quiseres. Nem toda a gente vai gostar de ti e esse não deve ser o teu objetivo.

Pois não.

Não deve ser, nunca. Seja a nível amoroso, seja a nível de amizades, está tudo bem.

Seja profissionalmente também. Também sinto que há caixas que tu tentas encaixar profissionalmente que tu nem sequer queres estar lá.

Sim, sei lá, mesmo em termos de conteúdo, tentar ser mais estética.

Se tu não és.

Não sou, eu não sou assim.

Não quero.

Este é o meu registo, gosto de vir para aqui conversar. Por que me tentar pôr numa caixinha que não me pertence? Ou não existem caixas.

Acontecia muito, do gênero, Fashion Weeks e coisas.

Eu olho para trás, ainda não tive a minha mãe estava a falar. Rock in Rio, vem aí. O primeiro Rock in Rio que eu fui, não foi o último, ou seja, há quatro anos. Eu estava nas redes, estava ali em alta e a querer fazer disto o meu trabalho. Foi no ano em que eu me despedi, estava a fazer isto acontecer. Eu vou ver os meus looks, a minha mãe estava a falar disto, "Tu deste tudo". Eu a olhar para aquilo: "Que horror!"

Não é nada.

Eu fui de chapéu cowboy, top todo brilhante, rosa choque. Olhava aquilo, meu Deus, quem é esta pessoa? Mas eu estava a tentar encaixar no papel de influencer que vai ao festival.

Fashion.

Fashion. Zero eu. Mas era na minha fase em que eu estava a tentar.

Estavas te a encontrar.

Exato. Portanto, e agora traz-me tanta leveza, que posso só ir para o festival de calças ganga e top e estou mesmo bem.

E eu sinto que agora consigo aceitar muito melhor quando o FOMO de "eu não estou porque eu não quero estar".

FOMO é uma cena que eu sentia tanto.

Eu lembro-me, às vezes, e nesta área acontece muito porque as pessoas veem. Ou seja, sei lá, há uma vaga ou há uma oportunidade ou há uma marca e não és tu que estás lá e está outra pessoa. As pessoas dizem: "Olha, não sei quantas está a fazer isto."

Isso incomodava-me tanto.

E também a mim. E hoje em dia é tipo: "Que bom." E nem perco tempo. E às vezes é coisas que até fui eu que passei o trabalho. Eu não perco tempo agora nem a explicar. Que bom, fico mesmo feliz. Antes eu precisava de: "Mas não sou eu que estou a fazer isto, porque..." Eu nem aceitei, porque eu não queria.

Eu lembro na altura que eu tinha mesmo dificuldade, mesmo a nível profissional, de dizer muito que não. Lembro que surgiu na altura um convite para eu ir, olha só Para esta situação. Há casa de tiktokers, que parecia uma casa dos YouTubers que eles criavam todos os verões.

Eu sei quem é.

Iam para uma casa.

Eu sei quem é, eu sei o que é que era.

Casa de tiktokers, iam fazer vídeos e trends e partir ovos nas cabeças. Eu considerei ir a isto, porque eu tinha muita dificuldade em dizer que não.

Tipo: "Onde é que eu estou?"

"Pode ser a minha próxima oportunidade." Imaginas-me a fazer danças para o TikTok e a partir ovos na cabeça? É que eu não.

Zero.

Eu hoje em dia estou bué calma.

No teu lugar.

Acho que é isso, é encontrarmos, saber quem eu sou, está tudo bem, consigo aceitar as coisas que estão mais alinhadas comigo, dizer que não às que não estão.

Outro ensinamento que eu aprendi muito aqui nos 28, nos 27, a chegar aos 28, é que as coisas mudam imenso. E ok, deixa ir mudando, porque eu sinto que as mudanças vão acontecendo para o lado certo.

Às vezes parece que não faz sentido nenhum, mas depois quando passas essa fase, é tipo: "Isto tinha de acontecer."

E várias mudanças, desde coisas pequenas. Eu lembro-me que fiquei sem casa no início, quando fui viver para Lisboa e isso era um grande problema. Há tantas mudanças, há tanta coisa que foi acontecendo e tu aceitares que está tudo a mudar. Eu não quero contrariar esta mudança, deixa-me ir na onda.

Eu acredito muito nas coisas acontecerem por algum motivo.

Eu também.

Mas eu sempre vivi a minha vida um bocadinho assim.

Eu digo muito uma frase que pode haver gente que vai gozar, mas eu não quero saber, eu acredito. Eu peço imenso ao universo aquilo que eu preciso e não aquilo que eu quero. Imenso. E ele dá-me sempre aquilo que eu preciso e não aquilo que eu quero. Às vezes eu fico um bocado chateada, porque eu quero muito certas coisas e ele dá-me outras nada a ver.

Eu nunca pedi nada ao universo, exceto uma vez que, não sei porque é que eu estou a contar isto.

Over share, vou ser sempre eu.

Estava numa situação com um rapaz, já há meses, um ano e tal. Aquelas situações em que tu queres e achas que tens alguma coisa, mas é só na tua cabeça, porque não está a acontecer nada.

Estava a aquecer, mas não aquece.

E eu tive uma conversa com a Mariana Azevedo na altura e ela estava a viver uma situação super parecida com a minha, "eu estou nesta situação e eu pedi ao universo um sinal. Diz-me, dá-me um sinal de que isto aqui não é para mim." E na altura o que lhe aconteceu foi, ela estava em casa desse rapaz, esteve uma má disposição.

Ficou maldisposta.

Ficou maldisposta. Eu acho que ela já contou esta história. E foi no dia em que ela decidiu: "Não, acabou. Isto é o sinal que eu pedi. Acabou." E depois no dia a seguir conheceu o Miguel. Pronto. E eu, ok, não tenho nada, já estou desesperada.

O universo, dá-me um sinal.

Estou desesperada, dá-me um sinal. Nessa semana, eu disse ao universo: "Tens até domingo." Ai, por favor, isto vai ser ridículo.

Mas é porque depois nós andamos à procura de tudo que é sinais. Qualquer coisa ia ser um sinal.

Era uma situação de merda, precisava de sair dali. Pedi então um sinal até domingo, isto era para uma segunda-feira, e durante essa semana, um dia eu estava a correr e cruzei-me com esse rapaz, na Marginal, em Lisboa, com uma rapariga, e depois eu andei a coscar, a fazer tudo e descobri que ele estava a namorar. E eu pronto, fez-se.

O universo deu-te sinal.

Deu um sinal bem forte.

Exato, não havia forma.

Não, não havia mesmo.

Mas eu peço muito ao universo aquilo que eu preciso e não aquilo que eu quero. E eu acho que isso também é um bocado eu aceitar quando as coisas estão a acontecer, que é, isto está a acontecer por algum motivo, não forces. É importante saber diferenciar de, nós temos que trabalhar um bocado mais para conseguir aquilo que nós queremos, ou aceitar que não é por aqui. E eu acho que este pensamento te pode ajudar nisso. Às vezes tentas insistir às vezes até demais.

Agora mesmo estava numa situação profissional em que estava a ter dificuldade de avançar ali com uma questão. E comecei a pensar: "Tu estás a bater sempre na mesma tecla e se calhar isto aqui não é por aqui." Há outras formas, é que nós muitas vezes temos tendência de olhar para as coisas preto e branco, mas se calhar olha para o lado e vê se não há outro caminho para chegar também ao mesmo resultado. E foi por aí que comecei a tentar também ser mais criativa, de chegar ao mesmo resultado por caminhos diferentes.

Então é aquilo que nós até falámos no episódio do Ano Novo, que é: tu podes gostar de fazer uma coisa, mas não tens que fazer daquela forma. Eu sempre gostei de fazer podcast. Não surgiu eu criar o projeto que eu tinha de podcast e hoje em dia estou aqui contigo imensas vezes a conversar e adoro. Ou seja, faço de uma forma diferente uma coisa que eu gosto de fazer. Eu acho que tu ficas muito obcecado e muito focado numa coisa. Eu acho que o universo te vai mostrando um bocadinho, não dá por aí. Porque não é bem o universo, mas tu vais sentindo, não te vai fazendo bem. Há coisas que literalmente começam a sugar quando não é por ali.

Começa a desgastar. E isso é um sinal de que olha só para o lado, vê outra rota.

Vai de outra forma ou vai surgir. Se for para ser, eu acredito nisto. Uma coisa que é para ser na tua vida, tu tens de estar a trabalhar e estar preparada para quando ela chegar. Mas vai ser de alguma forma. Acho mesmo.

Eu também acredito muito nisto. Olha, estamos aqui a chegar ao fim. Quando voltarmos aqui, já vou ter 28. Tu não. Ou se calhar. Que dia fazes?

22 de março.

Não, ainda não vais ter.

Ainda não.

Mas vais estar quase, depois vais dizer tu os teus ensinamentos.

Já fiz aqui o meu balanço.

Já estás mesmo quase.

Já estou quase com 28 anos.

Pronto, amiga, olha, foi isto. Gostei desta terapia semanal.

Não vou dizer, porque dá azar.

Qual é a tua semente?

Era de colocar coisas pequeninas no meu dia a dia que me dessem esse drive de novidade e de coisas novas e não colocar tanta pressão em ter respostas para tudo.

E a minha é treinar este espetáculo. Portanto, quando isto sair.

Já foi o espetáculo.

Vamos estar a dois dias do espetáculo.

Por isso, eu não sei se vai haver bilhetes.

Há no balcão.

Quem quiser ir ao balcão, quem quiser ver o espetáculo da Mariana.

Exato, isto sai domingo e o espetáculo é terça-feira.

Por isso, terça-feira, se não têm planos, vão ter. Vêm aqui.

Link na descrição.

Sim, o link na descrição, mas eu acho que vai ser muito giro.

E é isso, está mesmo quase. Depois da próxima vez já vamos estar aqui e fazer um debrief de como é que correu o espetáculo.

Vai ser tão giro.

Meu Deus!

Vai ser bom.

Vai. Beijo, amiga. Obrigada, mais uma vez. E vemo-nos no próximo.

Vemo-nos.

Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?