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Só mais recentemente é que comecei a ter consciência e a ouvir o meu corpo, a perceber que as diferentes fases afetam.
A partir do momento em que tomas um método contracetivo hormonal, o teu ciclo menstrual desaparece. E dizendo isto, sendo eu profissional de saúde, não há tempo para se explicar as coisas. O ciclo menstrual é um sinal vital, vai dar-te o report do que tu fizeste ao longo de um mês.
Estive sete a oito anos com a pílula e já não tomo há três anos. Desde então, o que eu tenho estado, instalei até uma aplicação para estar a controlar, a perceber em que fase do ciclo é que estou e estar atenta aos sintomas. E sei sempre que, por exemplo, na semana antes de me vir o período, estou naquela fase luteal phase e tenho muito mais fome emocional e digo sempre: "Fico louca".
A verdade é que na nossa saúde, tudo está interligado e às vezes nós tendencialmente vemos a saúde como caixinhas. Se tens ali um mau padrão de sono, dormes pouco ou a tua qualidade de sono não é positiva, isso vai te influenciar, por exemplo, em termos hormonais. Portanto, isso depois vai te influenciar: "Eu tenho mais apetite, tenho mais vontade de doces", que isto é uma coisa que é mesmo hormonal, depois vai fazer com que tu não te sintas tão bem, com tanta energia, se calhar mais mal disposta. E depois, por exemplo, na fase folicular e principalmente na ovulação, tendencialmente te sentes mais energética. Aí se calhar até podias potenciar algumas alterações em termos alimentares, que não necessitas tanto dessa ingestão energética que precisas na outra fase. Lá está, conhecimento vai-te sempre ajudar. E quando não tens esse conhecimento, pensas só que precisas de comer as tuas emoções, como se costuma dizer. Hoje em dia, nós temos muito acesso a tudo em termos alimentares, mas hoje em dia também existem muitos défices nutricionais. Quando nós falamos de uma alimentação saudável, é uma palavra muito subjetiva, porque o que é saudável? O que é saudável para ti pode não ser para mim.
Mas quando tu dizes tóxicos, estás a falar de quê?
Muita coisa. Posso falar desde plásticos, desde as fragrâncias sintéticas, desde metais pesados, desde os pesticidas que existem na alimentação. É algo que causa disrupção, alteração nas tuas hormonas e tudo isso é um ambiente de estresse, ou seja, nossas células estão constantemente a trabalhar aqui superem cima, mas antes nós vivíamos muito mais em harmonia com o nosso corpo.
Como é que podemos, dentro destas rotinas loucas, ao mesmo tempo tirar tempo para estudar? Temos de saber sobre tudo? Temos de ser especialistas?
Isto não tem que ser sobre uma rotina de 20 passos logo de manhã e tu chegares a um ponto que: "Eu não consigo fazer isto" e depois, de repente, nem fazes nada. É sobre teres algum conhecimento e também teres bom senso. Nós não atuamos na prevenção. Às vezes costumo dizer que nós não somos propriamente profissionais de saúde, mas sim profissionais de doença.
Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje temos aqui a Carolina Reis Amaro, que é enfermeira e mestre em nutrição clínica, e vamos falar sobre um tema que eu nunca trouxe aqui, sobre saúde feminina. Basicamente, eu pensei fazer aqui uma consulta aberta com a Carolina a falar sobre os temas ciclo menstrual, ciclos circadianos, de que forma é que o impacto das nossas hormonas não estarem bem reguladas tem na nossa vida, no nosso estilo de vida, sobre métodos contraceptivos. Muita coisa que eu própria tenho muitas dúvidas e pensei: "Vou trazer aqui a Carolina e vou fazer todas as minhas perguntas e espero que ajude desse lado também". Sejam mulheres com 20 anos, 25, 30, 35, 40, acho que vai ser superútil pensarmos na nossa saúde como um todo e vermos de que forma é que o nosso estilo de vida, aquilo que comemos, a forma como treinamos, como nos mexemos, como lidamos com a nossa vida, tem impacto, principalmente em nós, mulheres. Portanto, eu espero muito que vocês gostem deste episódio. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume? Eu acho que agora eu estou numa fase muito estável, ou seja, não treinar um dia. Aliás, eu tento obrigatoriamente não treinar um dia para ter o dia de descanso e obrigo-me a fazer, nem que seja só dar uma caminhada, mexer-me um bocadinho, porque isso faz-me bem, mas não necessariamente tenho que treinar todos os dias, porque acho que é preciso, o corpo também pede descanso.
Pede descanso. E principalmente nós, mulheres.
Sim, e ajustar à fase do ciclo. Também é muito disto que eu quero explorar aqui, a fase dos ciclos menstruais, que impacto é que isso tem em nós. Porque eu sinto que, como estava a dizer antes, só mais recentemente é que comecei a ter consciência, a ouvir o meu corpo, a perceber que as diferentes fases afetam. E há pessoas que dizem, eu já ouvi muitas mulheres a dizer que não, que conseguem treinar igual em todas as fases do ciclo, comem igual em todas as fases do ciclo. Isto é padronizado, depende para cada mulher, como é que isto funciona em termos de ciclo?
E essas mulheres que disseram isso, estão ou não estão sobre a pílula? Por acaso, falar a pílula é muito genérico, porque, por exemplo, há mulheres que utilizam anel vaginal e acham que é mais natural e é exatamente o método contracetivo hormonal. Ou seja, tu estás ou não estás sobre efeitos de uma hormona sintética?
Sim, está.
Ok, então aí não te posso dizer nada, porque a partir do momento em que tomas um método contracetivo hormonal, o teu ciclo menstrual desaparece. Ou seja, é como se o nosso cérebro não tem essa informação para o nosso ciclo realmente acontecer. Então tu estás a trabalhar sobre o efeito da quantidade que essas hormonas te dão.
É uma anestesia.
De acordo. Um bocado. Olha, é uma forma interessante de dizer. E tanto que muitas vezes isso acontece logo desde muito jovem, como estavas a dizer-me que tinha sido o teu caso, logo numa fase muito inicial, em que realmente nós estamos na puberdade e as nossas hormonas andam aos saltos e é normal. E realmente, quando isso acontece, então é suposto o teu corpo não andar com estas flutuações, porque elas não acontecem. Quando uma mulher não tem esta influência externa hormonal, sintética, que são as suas próprias hormonas que estão a trabalhar, então vais sentir realmente alterações, tanto de humor, tanto de apetite, isso acontece, e existe mesmo um aumento das suas necessidades energéticas. E se não souberes isso, andas um bocadinho ao Deus dará. E se souberes, consegues conjugar tudo para a tua vida ficar mais otimizada.
Por exemplo, outro dia estava a falar com a minha irmã, que é mais nova, e com a minha mãe, e estava a dizer: "Estou na minha fase luteal phase. Estou na minha fase lútea e estou-me a sentir tão louca, as minhas hormonas estão aqui aos saltos, estou-me a sentir mais louca, mais como ali embaixo". E ela disse: "O que é isso? O que é essa fase?" Por que há falta de consciência das diferentes fases do ciclo? Achas que é porque a nossa sociedade está tão habituada à pílula que não precisamos saber isso?
É assim, realmente a toma da pílula, quando surgiu, foi muito boa para as mulheres no sentido de permitir fazer muita coisa. Mas hoje em dia percebe-se que não há nada de conhecimento sobre o que faz o nosso corpo, quais é que são as influências, aspetos mais negativos e aspetos positivos. Eu costumo dizer sempre quando trabalho com uma mulher, que existem sempre prós e contras em tudo e tem que saber se adaptar a cada mulher. Portanto, cada mulher tem que estar informada sobre o que vai acontecer. E dizendo isto, sendo eu profissional de saúde, que não há tempo para se explicar as coisas e não há tempo para se estar a falar sobre isto e muitas vezes não há tempo para dar outras alternativas, porque muitas mulheres vêm até mim, que o feedback é que ninguém lhe explicou outras formas. Então a pílula surge muito sobre isso. E isso faz com que tu não tenhas esse conhecimento de existir em várias fases, o que é o principal do teu ciclo menstrual, ou seja, neste caso, a ovulação é que vai comandar tudo aquilo que vai acontecer. Ninguém é ensinado sobre que sinais de alerta que tu podes ver no teu próprio ciclo que realmente precisam de ser investigados, como por exemplo, aquilo que chamaram de TPM, por exemplo, teres muitas alterações de humor.
Do acne aparecer.
Isso também pode estar relacionado, sendo que existem vários tipos de acne, mas muitas vezes o acne hormonal por alterações hormonais, muita tensão mamária, baixa de libido. Também é aquilo muito comum que é, obviamente, as menstruações altamente irregulares, não teres uma ciclicidade ou teres, por exemplo, a menstruação muito abundante ou muito leve, a própria cor. Tudo isso nos vai dar-
Indicação de como é que está a saúde.
Como é que está a saúde. E neste caso, o ciclo menstrual é como se fosse um sinal vital, vai te dar um report do que tu fizeste ao longo do teu mês. Se estiveste o mês cansada, por exemplo, tiveste uma gastroenterite ou fizeste uma viagem que tiveste muito jet lag, ou simplesmente tiveste um evento muito estressante que te fez aquele pico de estresse naquela fase. Tudo isso vai influenciar o teu próprio ciclo. Ou dormiste pior, por exemplo, numa semana. Isso vai influenciar em termos hormonais e tu se calhar vais perceber: "Ok, neste caso, neste meu mês, atrasou-se um bocadinho." Nós dizemos que a menstruação se atrasa, a ovulação em si é porque se atrasou. E alguma coisa ali na ovulação aconteceu naquela altura que fez esse atraso. Então quando tu não sabes isto, tu não sabes muito sobre ti. Neste caso, não sabes muito sobre o teu ciclo e sobre a tua saúde. E quando tu ganhas esse conhecimento, eu acho que é um superpoder, na verdade. Eu acho que é mesmo um superpoder e não está só relacionado com quereres ou não engravidar. Isso é uma escolha.
Sim, era o que eu estava a explicar antes, porque eu tive sete a oito anos com a pílula e já não tomo há três anos. E desde então, o que eu tenho estado, instalei até uma aplicação para estar a controlar, perceber em que fase do ciclo é que estou e estar atenta aos sintomas. E sei sempre que, por exemplo, na semana antes de me vir o período, estou naquela fase luteal phase e tenho muito mais fome emocional, muito mais, e digo sempre, fico louca.
Ficas louca.
Fico louca, o meu humor altera-se completamente. E quando eu estou nessa fase, vem-me o sentimento de: "Eu devia voltar à pílula para isto não acontecer." Sabes?
Olha, se sentes também essa exacerbação tão negativa, então poderá ser necessário, de certeza, alguma otimização. Por exemplo, a pílula faz uma coisa que potencia déficits nutricionais, que depois se não forem vistos, e isso é uma coisa que cada vez mais as pessoas estão a começar a entender, que quando realmente tens muitos déficits nutricionais, que é muito comum, na verdade, às vezes nós achamos: "Mas eu alimento-me bem." São coisas completamente diferentes. Esses déficits nutricionais podem causar, e na grande maioria dos casos, vai influenciar as tuas hormonas. E isso faz com que, por exemplo, tenhas essa sensação muito grande, se calhar, de "eu fico louca". Não é suposto. É suposto que tu sentes se calhar um bocadinho mais cansada, às vezes um bocadinho o mudo mais embaixo, pela queda de estrogênios. Isso existe mesmo, mas tu sentes também esse impacto negativo, então eu diria que é a hora de investigar.
E como é que eu posso fazer essa investigação? Começa por fazer análises?
Olha, o que eu faço com quem trabalha comigo na minha mentoria? Eu gosto sempre de pedir análises, é sempre uma parte muito importante. Também perceber como é que sempre foste, se sempre foste assim, se é algo que tu sentes, se tens essa consciência corporal que estás a dizer, tentar perceber se isso acontece sempre, em que altura que te acontece mais, se tu consegues associar a algo, ou se no teu caso, por exemplo, acontece muitas vezes, que era: "Eu era assim, solucionaram uma pílula, ou seja, deram uma pílula para solucionar o meu problema", e tu sentiste que, por norma, melhorou. Melhorou a tua vida. E depois deixas a pílula e de repente vem tudo outra vez. Por quê? Porque não houve nenhum tratamento. Então, neste caso, eu diria de sempre vermos umas análises relacionadas em termos de hormônios, também perceber como é que está essa parte das tuas próprias hormônios, e perceber também déficits nutricionais e fazermos alterações na tua rotina para tentar otimizar esses teus sintomas. E realmente, isso é suposto não acontecer tanto essa questão.
Por exemplo, eu quando deixei de tomar a pílula, não foi só esse fator, mas acabei por ganhar anemia, por perder muito ferro. E acabei por perceber que também havia essa falha na alimentação, e depois acabei por fazer esse ajuste. Isso foi através de análises. Mas eu acredito que a nível de vitaminas e coisa assim, o problema é que eu acho que há muita falta de informação. Eu fui há uns tempos a uma nutricionista que me disse: "Tens que tomar vitamina D", por exemplo, que toda a gente, toda a população tem que tomar. Isto é verdade ou não? Eu nunca sei onde ir buscar a informação certa.
Sim, cada vez mais é mais complicado. A vitamina D, realmente, a nossa população portuguesa tem esse déficit de forma muito comum. Quase todas as pessoas vão ter déficit de vitamina D, mas isto faz-se análises. Olha, o que eu te posso dar do meu feedback? Não sei por quê, mas parece que é muito difícil passarem uma análise à vitamina D. Eu batalho muito isto com quem trabalha comigo e é uma das principais análises que eu preciso, porque a vitamina D influencia muito da tua saúde, saúde óssea, o teu sistema imunitário, está relacionada com as suas próprias hormonas, mesmo nesta parte do ciclo menstrual, portanto, é fundamental. E é tão comum este déficit que devia ser algo que era implementado como uma estratégia de saúde. E realmente, eu não te posso dizer que todas as pessoas devem suplementar a vitamina D, mas no geral, como é tão frequente haver, que é muito provável que quase todas as pessoas tenham que necessitar dessa suplementação. E muitas das mulheres que chegaram até mim, eu já vi déficits gigantes, tipo vitamina D a seis, a 11, a 13. Valores ideais. Um valor ideal seria acima de 50. Às vezes acontece que eu costumo dizer que os nossos valores estarem dentro dos valores de referência, não significa que esteja otimizado. E acontece muito isso que está dentro do valor de referência, então não vamos fazer nada. Mas isso já está aqui muitas vezes a mexer nas nossas próprias células e na nossa própria saúde, e nós já poderíamos otimizar. E quando existe déficit, não se deve ignorar, principalmente em vitamina D. Então se tu já fizeste essa análise e já viste os teus valores, então se tens déficit, acho que sem dúvida deves suplementar.
Mas achas que em termos alimentares é possível nós estarmos dentro de todos os parâmetros sem precisar de suplementação, por exemplo, ômega 3, magnésio, coisas assim?
Atualmente eu não acho isso. Acho que a nossa alimentação, por vários fatores, dois principais são: se tu já reparaste, nós hoje em dia temos muito acesso a tudo em termos alimentares, mas hoje em dia também existem muitos défices nutricionais, por várias razões, sendo que nós muitas vezes, quando falamos de uma alimentação saudável, isso é uma palavra muito subjetiva, porque o que é saudável? O que é saudável para ti pode não ser para mim. E então não é por comeres alimentos ricos do ponto de vista nutricional que estás a consumir em quantidades que realmente são significativas para cobrir as tuas necessidades. Depois, outro ponto muito importante, que é: os alimentos hoje em dia não são o mesmo que eram há 50, há 100 anos. Por toda a agricultura, por todos estes anos de agricultura, os próprios solos não têm as mesmas quantidades de vitaminas e minerais que antigamente tinham. Isso também potencia. E depois, um fator extremamente importante é: nós hoje em dia vivemos num ambiente com muitos tóxicos. E isso faz com que o nosso estresse oxidativo seja muito maior. E isso faz com que tu tenhas maiores necessidades de determinadas vitaminas e de minerais para o teu próprio corpo conseguir ele próprio expulsar ou, neste caso, sobreviver para as células trabalharem.
Mas quando tu dizes tóxicos, estás a falar de quê?
Muita coisa. Olha, posso falar desde plásticos, desde as fragrâncias sintéticas, desde metais pesados, desde os pesticidas que existem na alimentação. São tudo coisas que hoje em dia existe muito. Nós não conseguimos às vezes tanto ver isso, mas quando tu ganhas esse conhecimento, tu percebes, realmente existe muito mais. Luzes artificiais que nós, por exemplo, muitas vezes estamos nos telemóveis à noite, nas televisões, essa luz artificial é também um disruptor endócrino, ou seja, é algo que causa disrupção, alteração nas tuas hormonas. E tudo isso é um ambiente de estresse, ou seja, nossas células estão constantemente a trabalhar aqui superem cima. E antes, apesar de supostamente agora sermos muito mais evoluídos, mas antes nós vivíamos muito mais em harmonia com o nosso corpo, ou seja, não havia tantas fragrâncias sintéticas, que isso não existia, não existia tanta poluição, não existia tanta utilização destes pesticidas, exatamente por essa necessidade constante de produção alimentar. Então por isso mesmo é que é cada vez mais frequente estas questões de existir défices nutricionais. E por isso mesmo é que existem certas coisas que eu acho que todas nós, principalmente nós mulheres, deveríamos fazer e ter em consideração. E não numa perspectiva de causar medo, mas numa perspectiva de causar awareness, de deixar consciência para que realmente há certa coisa que tu podes fazer. Atividade física. Atividade física é ótimo, mas também potencia estresse. Ou seja, potencia estresse nas nossas células, que se tu não tiveres como recuperar, o teu corpo está sempre num modo de sobrevivência.
Mas isto que estavas a dizer não causa medo, mas causa um bocadinho, porque como é que de repente eu tenho que estar consciente de tudo, de todos os pormenores, se vou ao médico, passa-me uma medicação, não faço ideia sobre o que é.
Sim.
Como é que nós podemos, realisticamente, porque também falavas no início, como é que isto acontece? Falta de tempo, andamos sempre a correr de um lado para o outro.
Sim.
Como é que podemos, dentro destas rotinas loucas, ao mesmo tempo tirar tempo para estudar? Temos de estudar, de saber sobre tudo? Temos de ser especialistas?
Ok, isso aí é verdade, não tens de ser especialista, porque da mesma forma que eu não vou estudar sobre carros, se o meu carro tem um problema, eu vou a quem saiba disso. Isso depois também é importante percebermos que realmente existe quem nos possa ajudar. E neste caso, por isso é que a minha mentoria, que é algo que eu criei mesmo nesse sentido de eu vou te ensinar, eu quero que tenhas esse conhecimento sobre tudo o que vai impactar em termos férteis, em termos de otimização hormonal, que é para tu própria conseguires aplicar na tua vida. Porque isto não tem que ser sobre uma rotina de 20 passos logo de manhã e tu chegas a um ponto que "eu não consigo fazer isto" e depois de repente nem fazes nada. É sobre teres algum conhecimento e também teres bom senso. Eu também acho que hoje em dia isso foi perdendo um bocado o bom senso e de nós ouvirmos o nosso próprio corpo. E quando tu ligas as duas partes, é onde acontece a magia, por assim dizer. Então realmente eu acho que pode ser importante quem não tem esse conhecimento de procurar profissionais que ajudem, mas também questionar. Isso que eu estava a dizer, às vezes: "Vou ao médico e passaram-me uma pílula e não houve mais abertura". Ok, se calhar não é por aí, se calhar precisas de alguém que te consiga explicar outras formas, outras alternativas, porque elas realmente existem. Mas agora realmente as redes sociais também têm a parte negativa.
Exato, as redes sociais ajudam porque tens mais informação, mas ao mesmo tempo, tem o outro lado de, se calhar, vamos ver um reels e vamos tirar uma dica que se calhar está totalmente ao lado. Qual é o impacto disto? Principalmente nas gerações mais novas.
Exatamente. Pode ser o impacto, obviamente, de fazeres algo que não está todo adaptado a ti, e isso pode acontecer muito. É a mesma coisa que às vezes a suplementação. Alguém disse que faz XYZ.
E tu copias aquela rapariga que está a treinar, a fazer a mesma coisa que tu.
E tu não fazes a mínima ideia o que está por trás da vida dela. E isso, às vezes, como tu sabes bem, que ninguém mostra 100% da sua vida nas redes sociais. Ninguém às vezes mostra "ok, eu faço isto", mas como é que está a tua própria saúde? Dormes bem? Como é que está o teu ciclo menstrual? Como é que está a tua relação com a alimentação? Tudo isto é muito importante. Então é sempre importante nós termos consciência daquilo que vemos nas redes sociais, é uma pequena parte. E claro que idealmente tu deves procurar pessoas que vivem o estilo de vida. Ou seja, se tu realmente falas: "Dormir bem é importante", mas estás constantemente sempre com más noites de sono, então se calhar não é a pessoa para seguir sobre as melhores dicas de sono.
Tem que selecionar muito bem as pessoas que segue.
Sim. E cada vez mais, às vezes nós temos que fazer uma pequena limpeza nas redes sociais, porque se calhar segues 5 mil pessoas, se calhar não tens tempo para ver todas com muita atenção. Isso, na verdade, é um ponto muito importante de saúde mental, porque estás constantemente, às vezes já está a fazer isto, já está a fazer isto.
Em demasia.
E isto também te causa estresse e ansiedade. Não consegues filtrar e às vezes isso aí só te leva para tu nem te focares em ti própria.
O que tu achas sobre estas coisas Whoops, Apple Watchs para informação?
Ok, isso é interessante. Para algumas pessoas pode ajudar a ter um pouquinho mais de consciência numa fase inicial. Eu, por acaso, nunca tive esse tipo de aparelhos, porque eu acho que tu intuitivamente sabes o que tens para fazer. Tu sabes que tens que dormir melhor, tu sabes que idealmente devias dormir entre sete e nove horas, devias estar na cama. Tu sabes que idealmente deves fazer X movimentos, ou seja, tu sabes que passar um dia inteiro no sofá, a não ser que seja realmente um dia de descanso, se calhar não é o ideal. E eu acho que às vezes nós focamo-nos tanto nas informações que dizem lá, mas isso não te vai dizer: "Ok, mas a Mariana hoje está cansada porque teve uma semana de imenso trabalho, que está em X fase do seu ciclo", e às vezes tu ficas tão presa àqueles valores que de repente tu esqueces de olhar para ti e de ouvir o teu próprio corpo. Então eu acho que para algumas pessoas que se calhar podem encontrar motivação inicial nisso e pode ser um fator que despoleta: "Ok, eu quero realmente começar a dormir mais. Ok, isto está me a ajudar." Mas não ficares agarrada a isso, porque depois ficas sempre agarrada a determinadas coisas.
Entras naquele loop de calorias queimadas e calorias que podes ingerir.
Esse sempre foi um ponto muito importante, principalmente em relação à alimentação, porque, na verdade, como eu estava a te dizer, por exemplo, numa fase lútea, mais perto da menstruação, para quem se calhar não saber tanto, existe um aumento pela progesterona das tuas necessidades energéticas. Pode variar, mas pode ir até 300 calorias a mais.
Tens de comer mais? Tens necessidade de comer mais.
Sim, que o teu corpo poderá ou não necessitar. Cada mulher tem necessidades diferentes. Isso não equivale sequer a um pacote de chocolates. Então às vezes quando dizes: "Eu comi imenso porque tinha mais fome". Talvez pode estar relacionado com alguns défices nutricionais. Mas, por exemplo, essa tua necessidade. Se tu souberes isso, tu se calhar sentes: "Ok, nesta fase eu já sei que eu tenho mais fome e isto realmente faz sentido. Se calhar eu vou aumentar um pouquinho uma melhor fonte de, por exemplo, de gordura, de boas fontes de gordura que vão me ajudar a sentir mais saciada." Se tu não souberes isso, tu sentes só: "Eu tenho mais fome, nesta fase tenho mais vontade de doces, vou comer chocolates, vou comer alguma coisa", que depois só te vai fazer sentir pior contigo, frustrada, culpada.
Inchada.
Inchada.
Mal disposta.
Mal disposta. Tudo isso, e se calhar era só o teu corpo a necessitar. "Eu preciso se calhar de um pouquinho mais de repouso nesta fase, por estar um pouquinho mais cansada, mas também preciso que comas aqui um pouquinho". E depois, por exemplo, na primeira fase, na fase folicular e principalmente na ovulação, tendencialmente te sentes mais energética. Aí se calhar até podias potenciar algumas alterações em termos alimentares que não necessitas de tanta essa ingestão energética que precisas na outra fase. Lá está, conhecimento vai-te sempre ajudar. E quando não tens esse conhecimento, pensas só que precisas de comer as tuas emoções, como se costuma dizer.
E estás a falar da parte da alimentação, mas em termos de treino também achas que é preciso fazer essa gestão? Por exemplo, eu corro e sinto que na fase lútea eu tenho menos capacidade de corrida. Esses ajustes devem ser feitos, de fazer treinos se calhar mais leves, menos explosivos nessa fase?
Pode fazer todo sentido, sim. Mais uma vez, isso depois depende sempre de cada mulher e depois do tipo de treino. Se tu fores uma pessoa que faz um treino mais tranquilo, em que não existe também esta intensidade ou não tens assim um objetivo mais de performance, então aí se calhar realmente faz sentido tu veres com as tuas fases do treino. Mas efetivamente, por exemplo, quando existe, principalmente mais perto da ovulação, também existe um aumento em nós mulheres, na testosterona. Isto faz com que tu te sintas, por exemplo, com mais energia, com mais força, mais explosiva. E se calhar algumas mulheres que tenham este awareness e tenham algum objetivo, podem, por exemplo, em termos de treinos, fazer com que vão buscar mais cargas máximas. Neste caso, se calhar tu podes potenciar a treinos que realmente sejam mais intensos e nessa fase mais lútea, principalmente na parte menstrual, em que com o sangramento, não é suposto ficares anémica, mas essa perda de sangue, que se provavelmente não tiveres atenção a repor alguns minerais essenciais, tendencialmente vais sentir-te mais cansada, então se calhar não faz sentido fazeres treinos superintensivos nessa fase. Se calhar podes fazer, por exemplo, corridas a um passo mais lento, se calhar não é aí que vais fazer grandes distâncias, ou se calhar aí podes fazer mais movimento, tipo caminhar, ioga, pilates, podes fazer se calhar um treino não intensivo em que vais puxar cargas máximas. Isso pode fazer sentido, para tu não sentires que chegas lá e não consegues dar o mesmo que deste há duas semanas. Por quê?
É frustração, novamente.
Então é isso, é entender. Ok, pode fazer sentido. Se fores só, por exemplo, uma pessoa que só me quero mexer, quero me sentir bem comigo, mas não tenho assim um grande objetivo, então podes não sentir grandes diferenças. Agora, se tens realmente este objetivo, para treinar para isto, para atingires isto, então eu acho que pode valer a pena tu gerires aqui com o teu ciclo menstrual.
Eu estava a dar este exemplo do treino porque eu, como deixei de tomar a pílula, sinto essa diferença, mesmo em termos de ginásio. Por exemplo, eu comecei ginásio em janeiro e estive sempre a aumentar as minhas cargas. E depois sentia sempre que nessa fase pré-menstruação, que sentia sempre menos capacidade de levantar peso. E estava a comentar com essa minha amiga que sentia isto e ela: "Não, não sinto nada disso, estou sempre bem". Pronto, e ela está efetivamente a tomar a pílula, então ficava novamente: "Fogo!"
E é completamente diferente. São duas coisas completamente diferentes. O teu ciclo está a funcionar. Quem toma hormonas sintéticas, não só a pílula, não funciona, funciona sempre igual. Não há essa alteração, pois obviamente que o que tu sentes é superválido e por isso mesmo é muito importante tu saberes ver isso. E se calhar no teu relógio diz: "Não queimaste tantas calorias", porque se calhar naquela altura tu não conseguiste dar tanto de ti nos treinos, então o rendimento é um pouquinho diferente e tu pensas: "Bolas, não rendi tanto como rendi antes." E está tudo ok, e faz parte disso. Então por isso mesmo é que esta parte do conhecimento, mas também saberes te ouvir, é extremamente importante.
Sim, eu acho que no meu caso eu uso a Whoop muito para essa Parte de autoconhecimento. Eu comecei a usar quando comecei o processo de mudança há um ano atrás, e aí estava muito mais presa a números, a resultados. Imagina, acordava, estava no vermelho e dizia que eu tinha dormido mal: "Vou ter um dia péssimo, já nem vale a pena".
Isso é muito interessante. Tal e qual, ver como é que uma ferramenta que supostamente serve para te ajudar, já te pode colocar num mindset totalmente diferente para o teu dia, que na verdade, se tu te esqueceres isso, eu falo por mim, que tenho uma bebê de um ano e tenho dormido muito mal nos últimos tempos. Mas não significa que por acaso o teu dia seja com pouco rendimento, porque às vezes o nosso corpo até consegue superar-se e tu não tens necessariamente que ter um dia que estás super cansada, estás de mau humor, que te dói a cabeça. Até pode ser tranquilo, e depois consegues ir recuperando. Mas se calhar olhares para aquilo, estás no negativo, já te coloca a sensação de que vai ser um mau dia. E depois isso, em termos de emoções, isso vai mesmo despoletar emoções mais negativas, que vai te fazer sentir-te tendencialmente mais negativa, ou que as coisas não te correm tão bem, porque aquilo que nós acreditamos é um ponto essencial. É algo que às vezes não falo tanto, mas as tuas emoções, aquilo que tu sentes, vai fazer com que tu despoletes determinadas hormonas que depois vão te ter influência mesmo. Então por isso mesmo tu acreditares e pronto, diz: "Já vai correr mal", tendencialmente o dia vai correr mesmo mal.
Sim, eu acho que no meu caso, por exemplo, tinha uma corrida agendada e acordava e estava no vermelho, eu acho que nem vale a pena ir correr. E depois se eu fosse, ia correr mal na mesma, porque já ia com esse mindset de que vai correr mal.
E se calhar tu até acordavas: "Ok, mas eu até me sinto bem."
Sim, às vezes era assim: "Até estou bem, o que é que se passa?"
Lá está.
Mas hoje em dia acho que já estou muito mais equilibrada também em termos de mindset de treino, já não estou tão rigorosa comigo, já estou a aprender a ouvir mais o meu corpo. Por isso é que acho que este tipo de ferramenta hoje em dia já me ajuda mais do que me prejudica como no início. E não é só a nutrição que tem que estar alinhada, o desporto. Também a forma como nos vestimos impacta, pelo menos para mim, e muito, a forma como eu me sinto, como me apresento, a confiança que eu transmito cá para fora. E uma coisa que eu também fiz há uns tempos foi uma mudança no meu closet, que inclusive foi com uma grande ajuda desta plataforma que agora patrocina aqui o podcast, que é a About You, que é uma plataforma de multimarcas, tem imensa coisa diferente neste site em termos de moda, de roupa desportiva, todas as secções e mais algumas, e acaba por ser muito mais fácil, pelo menos para mim, quando eu quis fazer esta mudança de armário, de comprar novas coisas, comprar tudo online, poder experimentar em casa, poder devolver em 30 dias, ajudou a tornar todo o processo mais fácil, principalmente porque eu estava numa mudança de tamanhos, queria me sentir confortável em minha casa, poder experimentar, poder estar à vontade. Portanto, fica aqui a minha recomendação. Também tem a facilidade dos pagamentos, poderem fazer, por exemplo, não sei se conhecem o método da Klarna, que é basicamente poderem pagar em prestações ou poder pagar em 30 dias, e o pagamento à cobrança também está disponível no site da About You, o que facilita e muito. Portanto, fica aqui a minha recomendação. Eu tenho um código de desconto que é AYMARI20, que dá 20% de desconto na About You e vou deixar também na descrição todas as informações. E é isso, vamos então voltar ao episódio. Em termos de hábitos, falamos muito de treino e de alimentação, mas que outros hábitos é que variam também ao longo do ciclo menstrual? O estresse, por exemplo, os ciclos de sono, que impacto é que isso tem? E também falas muito dos ciclos circadianos, que eu também adoro, já estive a ler imenso sobre esse tema. De que forma é que isso impacta também o nosso ciclo menstrual e a saúde no geral?
Olha, impacta sempre tudo. O que eu te vou dizer impacta sempre tudo. A verdade é que a nossa saúde, tudo está interligado e às vezes nós tendencialmente vemos a saúde como caixinhas, tanto que há 1001 especialidades. Especialidade para isso, para isso, para aquilo outro. E às vezes as pessoas chegam até mim: "Eu já fui a três especialidades diferentes, ninguém se consegue conectar." Porque nós, na verdade, não funcionamos assim. Tudo vai influenciar. Se tu começas a dormir mal, não é por uma noite de sono, mas se tendencialmente tens ali um mau padrão de sono, dormes pouco ou a tua qualidade de sono não é positiva, isso vai te influenciar, por exemplo, em termos hormonais, vais provavelmente ter mais fome. Portanto, isso depois vai te influenciar, tu tens mais apetite, tens mais vontade de doces, que isto é uma coisa que é mesmo hormonal, depois vai fazer com que tu não te sintas tão bem, com tanta energia, se calhar mais mal disposta. Vais fazer escolhas menos inteligentes e menos positivas para ti em termos de alimentação, e isso vai te influenciar o teu humor outra vez, o teu sono, e sempre o teu ciclo menstrual. Sempre. O ciclo menstrual é sempre influenciado por isto. O estresse é um dos pontos essenciais que às vezes é um bocadinho desvalorizado. "Isso é estresse." O estresse é um dos fatores que te causam mesmo alteração também em termos hormonais, com também a própria elevação do cortisol, já deves ter ouvido falar. Cortisol também está um bocado na moda, mas o cortisol também vai influenciar a tua resposta à insulina. A tua insulina, tendencialmente quando estás numa fase mais crônica, ou seja, não é porque tiveste um pico de estresse, que começa a haver realmente, tendencialmente cortisol mais elevado, a tua resposta à insulina não é tão boa e isso vai te levar à resistência à insulina, isso vai te modificar em termos hormonais e vai influenciar a tua ovulação. E depois, de repente, temos aqui um padrão que tens um ciclo irregular. As pessoas não sabem porquê, isso faz parte de análises que eu peço, e a resposta está por aqui. A resposta está aqui, às vezes é: "Ok, mas isso estava dentro dos padrões, eu não me sentia assim." Mas lá está, o teu corpo já estava a funcionar no modo sobrevivência, e é isso que eu falo sempre. Ou seja, tu para realmente te sentires mesmo muito mal, às vezes alguma condição, o teu corpo já te dá sinais há muito tempo, por norma, só que nós não somos ensinadas a ver isso. E isso nota-se muito que sentes-te frequentemente cansada. Pronto, vais desvalorizando. E aliás, há um ponto muito interessante que é: nós hoje em dia, nunca foi tão fácil esconder, tapar, por assim dizer, este tipo de sintomas. Imagina, tu tens o cabelo fraco porque tens algum déficit nutricional, tipo ferro, ferritina embaixo, vitamina B12. Mas tu pintas o cabelo, metes umas extensões e consegues tapar isso. Imagina, tens também pele baça Muito seca, isso também esconde muitas vezes défices. Tu sentes-te cansada frequentemente, bebes café. Nós hoje em dia cada vez mais conseguimos esconder estes sintomas, mas se tu tiveres só a ouvir o teu corpo e sem depender dessas coisas externas, como a pílula, que na verdade vem tapar só alterações. Ninguém resolve uma alteração hormonal com uma pílula, porque a pílula não te vai resolver nada. Por que existiu essa alteração? Por que tens um ciclo irregular? É baixa produção de alguma coisa? Por que isso existe? Exatamente por isso é que nós vivemos numa fase muito fácil de esconder isso. Por isso mesmo é que nós temos que ter sempre esta consciência e perceber que vai sempre tudo ter impacto. Não dá para diferenciar só o sono que influencia, só o estresse, tudo vai sempre influenciar.
Então achas que, imagina, eu estou a ter um problema de queda de cabelo, ir a um médico específico para tratar isso não é a solução? Ou estou a ter um problema intestinal, por exemplo.
Intestino também por acaso nem tinha pensado nisso, mas o intestino é obviamente fundamental, o trânsito intestinal.
Por exemplo, eu sempre funcionei mal a nível intestinal e sempre assumi que eu sou assim.
Ok, não necessariamente. Aliás, o intestino é também dos pontos essenciais, sem dúvida, até porque ele faz uma regulação de estrogénio. Aliás, o intestino é dos principais que vai ajudar-te na parte de absorção de nutrientes. Portanto, se tiveres um intestino que não funcione bem, o trato gastrointestinal, a parte de estômago e intestino, então provavelmente já tens aí algum déficit nutricional. Depois, para além disso, o intestino também é muito relacionado com o sistema imunitário. Portanto, por norma, quando existe aqui alterações do sistema imunitário, vamos sempre ver também o intestino. E depois é dos principais responsáveis pela desintoxicação de estrogénio. Estrogénio que está relacionado com o teu ciclo menstrual. Portanto, alterações no trânsito intestinal estão sempre relacionadas com esta parte do ciclo menstrual. O que eu estava a dizer? Ok, tenho um problema relacionado com a queda de cabelo, o que quer que seja, vou ao médico. Mas para mim, aquilo que eu sinto é, se ninguém for pesquisar esta parte de análises, só te dar um xampú X ou algum creme Y, ninguém está a ver o que há por detrás. Porque às vezes a resposta poderá estar lá, de certeza que vai lá estar. E só dar uma medicação não te resolve nada.
Estás com acne, vais ao dermatologista, passa-te uns cremes ou uma medicação.
Sim. Imagina, por quê? Porque há um excesso de produção de androgénios. Então vamos trabalhar isso. Não significa que não possa fazer sentido agora tomares algo porque te vai ajudar em algum controle de uma sintomatologia que, por exemplo, está exacerbada. Mas se não houver tratamento da causa, tu vais ter sempre esse sintoma, mais cedo ou mais tarde. Olha, por exemplo, uma das coisas muito comuns é, por exemplo, anemia. Anemia, vais ao médico, suplementas e passado uns tempos, os teus níveis estão melhores. Mas se não se entendeu o porquê. Por quê? Por que houve um trânsito intestinal muito alterado, que faz com que não consigas absorver tanto? Existe alguma alteração do pH do teu estômago que também faz com que não haja uma boa absorção? Será que foi a toma da pílula durante anos que te potencia esses défices nutricionais? Porque senão, acontece que de ano a ano estás sempre no vai e vem sempre com isto. Então é pesquisar a causa, perceber o porquê e atuar aí, e não tanto nos pensos rápidos.
E achas que a medicina está a falhar nesse sentido porque não há tempo para isso? Porque estamos a resolver em vez de prevenir?
É assim, eu acho que sim. Eu acredito que existe muito isso, porque não há tempo para tu realmente estares com a pessoa, para tu ouvires o histórico, e exatamente para conseguir dar esse conhecimento. E não significa que os profissionais é que são maus, o sistema de ensino é que está mal, está errado. E acima de tudo, também perceber que nós não atuamos na prevenção. Eu às vezes costumo dizer que nós não somos propriamente profissionais de saúde, mas sim profissionais de doença, porque estás sempre a tentar resolver. Mas isto é algo que necessitava de muita alteração na própria educação e no próprio sistema de ensino, e de começar desde jovens a entendermos, a começar a perceber o que é o teu ciclo menstrual, por exemplo, nos casos das mulheres, como é que funciona, o que é que vai influenciar, para realmente tu própria já teres essa consciência. E eu acho que realmente, hoje em dia, não está feito para realmente dar-te esse conhecimento e tu realmente procurares resolver no teu estilo de vida estas pequenas coisas que têm essa influência. Então acho que realmente há muito trabalho a fazer nesse sentido.
Em termos de métodos contraceptivos, falamos muito da pílula e de outros métodos que também têm hormonas. Como é que nós podemos estar a par dos métodos que existem, qual é o melhor para nós?
Olha, eu na minha mentoria ensino sobre isso e tem sempre a ver, eu não acho que seja justo eu responder-te qual é o melhor, porque depende mesmo de cada pessoa e daquilo que ela procura. Por exemplo, se tu quiseres um método que não esteja sob a influência de hormonas, então significa que, das duas, uma, ou vais estar dependente, por exemplo, do preservativo, que é dos mais conhecidos, ou tens que estar dependente, por assim dizer, de conhecer o teu ciclo. Conhecer o teu ciclo requer tempo e requer que sejas responsável por ver a tua temperatura, por exemplo, estares atenta ao teu próprio muco vaginal. Precisa que tu queiras conhecer-te. Mas há pessoas que dizem: "Não é para mim agora. Portanto, para mim, eu estou ok em tomar algo externo, alguma hormona sintética". E então o que eu digo sempre é: eu gosto de dar informação. Existe isso, existe isto, existe prós e contras. Agora, o que é para ti mais importante? E isso é que é muito importante, as pessoas conseguirem se responder a elas próprias. Agora, sim, existe formas de até mesmo ser um método contraceptivo, nesse sentido, de não estares sobre hormonas sintéticas. O preservativo, e acima de tudo, conheceres o teu ciclo menstrual, saberes a tua janela fértil.
Mas também existe um DIU.
Sim, o DIU te cobre, mas o DIU, ou seja, o DIU hormonal, causa-te alterações no teu útero. E depois depende, até que ponto é que tu queres ou não queres? Há ali uma alteração, uma pequena inflamação uterina que faz com que realmente haja esse método contraceptivo.
Que é um elemento estranho lá dentro.
É um elemento estranho, liberta-te cobre, que é esse metal. E portanto, há uma alteração, não é natural nesse sentido, porque isso não existe naturalmente em ti. Literalmente, o que é natural é tu simplesmente conheceres o teu ciclo, saberes a tua janela fértil, as tuas temperaturas é das coisas mais importantes, estares a par, olhares para aquilo que nós vemos nas cuecas inicialmente, aquele muco, saberes conseguir interpretar para perceberes quando é que está perto da tua ovulação, porque nós, na verdade, não engravidamos sempre no nosso ciclo.
Mas isso não acaba por ser mais risco para quem não quer engravidar?
Não. O método quando é bem feito, funciona lindamente. Ou seja, tem uma taxa de sucesso acima de 95%. Aliás, eu também deixei de tomar a pílula já há muitos anos, que eu fui diagnosticada com a síndrome dos ovários poliquísticos também nos 20 anos, durante muitos anos também tomei a pílula. Também tive muitas alterações, síndrome pré-menstrual irritável, e houve uma altura que eu percebi que não fazia sentido. Ou seja, que eu andava um bocado a tapar as coisas e quando eu comecei a ganhar consciência e querer ser responsável pela minha saúde, pois também deixei a pílula. E até eu querer ter filhos, eu utilizei apenas esse método. O método funciona, mas tens que ser responsável por estes padrões, tens que querer ver. É a mesma coisa que, da mesma forma, a pílula não é 100% eficaz. Basta haver ali alguns esquecimentos, não é mesmo 100% eficaz. E há pessoas que engravidam com a pílula, engravidam com DIUs.
Mas todos os outros métodos, para além da pílula, o DIU.
Anel vaginal, por exemplo.
O anel, o implante.
Sim.
A nível hormonal é semelhante à pílula?
É assim, há algumas diferenças porque também está relacionado com a dosagem e com o tipo de hormonas que é utilizado. Mas o pensamento é sempre o mesmo, o teu ciclo menstrual é suprimido e vais funcionar nessas hormonas que esses métodos te dão.
Mas no fundo, para sabermos e estarmos a par disso tudo, é ir a um médico?
Idealmente, deveriam te ensinar sobre isto, sim. Tanto nas consultas de enfermagem, também se fala muito isso, só que precisa-se de tempo, precisa-se de ensinar. E o problema é que ensinar sobre este método natural precisa de tempo e precisa de acompanhamento. Então por isso é que não se fala sobre isto, porque realmente tu não dizes: "Ok, olha, vá só ver as suas temperaturas e vá para casa." Assim as coisas não funcionam. Então eu acho que cada vez mais é preciso esse acompanhamento, e é uma das coisas que eu faço, porque é preciso. Vão te surgir dúvidas, como é que tu interpretas, mas depois assim que tu percebes, ok, ótimo.
Aquelas aplicações ajudam nesse sentido?
Sim e não.
Se tu te baseares 100%, não é?
Se te baseares: "Ah, este vai ser o teu dia de ovular", se baseares assim, isso pode ser muito perigoso. Aquilo pode ajudar-te a tu meteres as tuas temperaturas, onde vais fazer o teu registo destes fatores, mas não guiar-te que vais ovular aquele dia. Tens que te guiar por estes padrões que nós estamos a falar. Posição do colo do útero, temperatura é o essencial, e acima de tudo, aquele muco que nós vemos, aquele líquido, é dos principais fatores.
Sim, no fundo é estarmos também a ouvir o corpo no geral, ver como é que nos sentimos e estar atenta a esses pequenos detalhes.
Tens que estar mesmo atenta. E depois quanto mais o teu ciclo começa a ser regular, que é isso que tu tens que procurar, mais tu vais conseguir perceber: "Ok, isto aqui já é o meu padrão, vou estar sempre atenta." Tens que sempre ver, porque tu nunca ovulas no mesmo dia. Um mês pode ser um dia X, no outro mês pode ser um dia mais tarde, ou dois dias mais tarde, porque ficaste doente ou foste viajar, e tens que ver sempre aqueles padrões. Ou seja, é algo que diariamente precisa de ti, e a pílula ou o anel vaginal não precisa de ti diariamente, tem esse pró e esse contra. Por outro lado, se não quiseres nada que te influencie de forma externa, que não te era natural, seja hormona, ou seja, o DIU, então realmente tens que aplicar estes conhecimentos em ti, tens que ser responsável neste sentido.
E todos estes métodos que estamos a falar hormonais, têm o impacto de suprimir o ciclo, mas a nível de longo prazo também têm side effects?
É assim, há sempre uma alteração. Imagina, a partir do momento em que o teu corpo não funciona, o teu hipófise, hipotálamo não está a enviar estes sinais aos teus ovários, está sempre alterações. Agora, imagina que tu utilizas isto durante um ano. Se calhar é diferente de utilizares durante cinco, 10 anos. E imagina também que começas a utilizar isto numa altura jovem, como por exemplo, 15, 16, 17 anos, que é mesmo ali o pico da tua idade reprodutora. Também é diferente de tu utilizares aos 25, 26, iniciares por aí, nessa fase. Mas há sempre alterações. Há sempre alterações que depois, para algumas mulheres, conseguem mais facilmente voltar a ser regulares. Também por esta base daquilo que faz no seu estilo de vida, da sua alimentação, da sua suplementação, do seu sono, do seu trânsito intestinal, do que outras. Por isso tudo vai estar sempre interligado.
Mas, por exemplo, eu que tomei sete, oito anos a pílula, dos meus 15.
Influencia.
Qual é o impacto hoje?
Muito impacto no sentido em que primeiro tu agora ainda não sabes bem como é o teu ciclo, se calhar. Quer dizer, já terminaste há três anos. Tu sentes que ainda é regular ou pouco regular?
É regular.
Regular, ok.
No início não era tanto.
Não era tanto, também é normal. Mas, por exemplo, essa questão que me estavas a falar, que "eu sinto-me louca", aí alguma coisa que tu podes e deves otimizar. Alguma coisa aí que provavelmente pode ter sido por estes anos todos da pílula, pode ser um déficit nutricional, pode ser o teu treino, então é uma coisa que tu tens que ver, mas vai sempre influenciar. Nós temos que perceber, é uma medicação. Isso por acaso às vezes as pessoas não têm essa noção. "Ai, eu tomo a pílula." Não, tu tomas uma medicação, uma terapia hormonal. Então, toda a medicação tem sempre algum efeito secundário.
Estávamos há bocado a falar de ciclos circadianos e ainda tinha aqui algumas perguntas para ti sobre este tema que eu adoro. Achas que existem pessoas diurnas e noturnas ou nós só estamos a viver enganados?
É assim, a nossa biologia não nos engana, ou seja, a nossa biologia é praticamente igual para todos. Agora, o que acontece é que às vezes tu já tens tanta desregulação que de repente tu começas a funcionar mais de forma noturna.
Habituas o teu corpo a isso.
Habituas um bocado o teu corpo a isso, mas depois isso tem as suas consequências, porque nós não podemos fugir a esta questão. O ciclo circadiano, o que é que vai influenciar diretamente? A luz solar é o que vai comandar, ou seja, estares perante a luz solar quando acordas e depois à noite quando o sol começa a desaparecer, a luz começa a diminuir e depois vai-te dar outros sinais. Então é a luz solar que te vai fazer esta regulação. Se tu começas a viver de uma forma oposta, isso vai ter alterações em termos hormonais, porque há certas hormonas que são libertadas na altura do sono, na altura noturna, e há certas hormonas que com a luz solar, com tu receberes esta radiação infravermelha nos teus olhos, que te vai potenciar, que te vai preparar para o dia. Claro que há pessoas que de certa forma habituam e aprendem a conviver com determinados sintomas, um bocadinho mais cansado, mas bebes mais uns cafés e está tudo ok. E de repente tu sentes: "Ok, até convivo bem". Mas a nossa biologia não vai alterar para mim e para ti esta resposta hormonal.
Que hábitos é que tu fazes de luz solar, que achas que têm impacto na tua saúde?
Das principais duas coisas que agora relacionado com a luz, como estavas a dizer, é: à noite, já viste aqueles óculos que bloqueiam luz azul? São uns óculos laranja. À noite, quando nós estamos no telemóvel, na televisão, num ecrã, essa luz que é emitida, mesmo destas lâmpadas, essa luz que é emitida vai bloquear a libertação de melatonina. E isso já faz alteração no teu próprio sono. Não só, às vezes, por exemplo, tens maior dificuldade em adormecer, mas na tua qualidade, porque às vezes tu até dizes: "Eu até dormi oito, nove horas", mas a qualidade de sono, de realmente sentires ser um sono reparador. Então uma das coisas que eu digo sempre, e que nós fazemos sempre em casa, é que quando começa a ver o pôr do sol, e depois também depende um bocado da altura do ano, a partir desse momento em que já não há luz, não há luzes fortes em casa, nós temos lâmpadas vermelhas mesmo, que é para te dar aquela luz vermelha que é a ideal. Não temos este tipo de luzes fortes. Utilizamos estes óculos que vão bloquear esta luz emitida dos ecrãs, se estivermos a ver a televisão, se estivermos a trabalhar no telemóvel, fazemos sempre essa utilização. E depois outras coisas muito importantes, que é quando tu acordas, idealmente tu deves, antes de ires para o telemóvel, porque aquilo lá está, luz às vezes azul, idealmente tu devias estar cinco minutos a ver esta luz do dia, porque exatamente é essa receção dessa radiação que vai realmente dizer ao teu corpo que: "Ok, eu já acordei". Isto depois em termos de cortisol também vai impactar. E então eu diria para tu começares o dia a ver a luz do sol, ou pelo menos cinco, 10 minutos era o ideal, e à noite não teres acesso a estas luzes artificiais. Isto ajudava muito nesta regulação. E estes óculos é algo que tu encontras facilmente na Amazon. São mesmo laranjas, vais ver as coisas muito diferentes. E depois é curioso, que isto é uma das coisas que eu ensino também na minha mentoria. E tu inicialmente vais estranhar, vais ver as coisas mais alaranjadas, mas depois assim que tu começas a te habituar, quando tu tiras, tu sentes mesmo que isto é demasiado, é demasiada luz e vai te fazer confusão, porque é realmente esta artificialidade que não existia há 100 anos.
Estás a treinar o teu corpo a precisar disso também, não é?
Sim, pode não ser intuitivo, mas depois vais te habituar e é algo que tu tens que pensar que é: "Ok, mas isto faz sentido. Isto faz sentido para potenciar esta libertação, principalmente de melatonina, para o meu próprio sono, que o meu sono vai ser super reparador e eu preciso deste sono para realmente, em termos hormonais, haver essa influência positiva."
Sim, eu acho que em todas as mudanças, pequenos hábitos que vamos mudando na vida, quando nós depois sentimos o impacto, depois começamos a sentir a necessidade. Com o treino é igual, com o beber água. Se calhar não tens sede no início, mas se te forçares a beber, depois o teu corpo vai te pedir mais água.
E uma coisa que por acaso é uma das coisas que eu falo muito, há bocado estávamos a falar de tóxicos, eu falei de fragrâncias, perfumes. As fragrâncias, os perfumes, é um dos maiores disruptores hormonais que existe.
A sério? Não usas perfume?
Não, eu desde o meu casamento, portanto 2021, 29 de setembro.
Eu nunca tinha ouvido essa.
É verdade. Nunca mais utilizei perfume, não tenho nenhum gel de banho, creme, nada. Tudo que tenha uma fragrância ou perfume, este tipo de nomes, é um disruptor endócrino. Isso vai fazer alteração em termos das tuas hormonas, é verdade.
Estou chocada.
É uma das coisas que às vezes as pessoas não têm esta consciência. E aliás, isto está ligado não só à parte da tua reprodução, mas também está relacionado mesmo, por exemplo, enxaquecas. Por exemplo, é uma das coisas que mais causam enxaquecas e também, cada vez mais se percebe que influencia a puberdade. Cada vez mais a puberdade é mais cedo e isso tem a sua influência. Isto está relacionado com os vários disruptores endócrinos, sendo que as fragrâncias são um dos principais, por causa dos ftalatos que estão presentes nas fragrâncias, no plástico. E se tu reparares, é que não é só o perfume. Tu utilizas perfume, que está diretamente em contacto com a tua pele. A tua pele é dos maiores órgãos, absorve tudo o que tu colocas. Depois é os ambientadores do carro, é as velas, é aquelas coisinhas que metes na casa de banho para cheirar bem, é os produtos. Mas sabes, isso é porque nós nos fomos habituando a esse cheiro. Porque se tu reparares, há uns anos isso não existia. Nós cada vez mais começamos a estar habituados a cheiros exóticos, a cheirar a rosa, mas isso não é o teu cheiro, isso não é o teu odor. Mas há um ponto muito importante que é: se tu tens um odor corporal, e eu trabalho com as minhas mulheres, tens um odor corporal bastante exacerbado, então é por norma alguma alteração hormonal Nas mulheres isso acontece muito. Eu vou te dar o meu exemplo. Há muito tempo atrás, eu dizia que eu tinha uma maior odor a transpiração que o meu marido, que era o homem e treinava. O meu marido vinha do seu treino e eu cheirava mais a transpiração do que ele. Eu sentia que eu tomava banho e parecia que tinha sempre um odor a transpiração. Utilizava tudo o que tinha aromas, os cremes, andava sempre com desodorizante na mala, andava com as toalhitas, porque eu tinha esse odor e isso era desregulação hormonal, principalmente tinha o trânsito intestinal bastante alterado e isso está relacionado com a eliminação de toxinas e a alimentação, principalmente. Eu, hoje em dia, não utilizo desodorizante. Já há uns dois anos que eu não utilizo nada de desodorizante. E tenho que te dizer que mudou-me muito. Foi quando eu comecei a fazer estas alterações. E depois acontece que, sabes quando começas a habituar-te a um cheiro, a um aroma, e parece que já não funciona em ti? Isso depois também está sempre a potenciar essas alterações hormonais. Então, uma das coisas que é muito importante, porque não é só um bocadinho, é a quantidade que tu utilizas ao longo do teu dia. Lavas a louça, alguma coisa tem aroma. Lavas o chão da tua casa, também tem aroma. Tudo isto, tu realmente começas a dessensibilizar-te a estes aromas. Eu, por exemplo, hoje em dia, um dos pontos que mais me causa dores de cabeça são perfumes. E às vezes nem é só ser forte, porque às vezes eu digo: um aroma suave é um aroma, não é neutro. Mas como já estou tão dessensibilizada, quando eu estou perto de alguém ou tem um perfume muito forte, ou estou num sítio com muita fragrância durante muito tempo, faz-me uma dor de cabeça enorme, mas não sou eu que estou errada. Nós é que nos fomos muitas vezes habituando. Tens uma dor de cabeça, tomas um Ben-Hurón, e estás sempre a colocar um penso rápido. Mas as fragrâncias, isso é uma das coisas, principalmente nós, mulheres, estamos muito mais predispostas a estas alterações hormonais, porque se reparares, a indústria está muito virada para nós, porque está muito virada para tocar-te no teu ponto fraco, não te sentires tão bem.
Sim, é o ponto de atração também, não é?
O quê? A parte da tua beleza física ou atração em termos de-
Supostamente, quando estás a conhecer alguém, o cheiro é um ponto que...
Também pode despoletar. O olfato também realmente é um sentido muito importante. Mas será que tu precisas de cheirar imenso a perfume ou cheirar a côca, cacau, para despoletar esse interesse? Sabias que a pílula e o teu ciclo menstrual influencia a quem te atrai?
Como assim?
Porque uma vez que na pílula tens aquela estabilidade hormonal e vês que quando não estás sobre a pílula, existe esta flutuação hormonal e esta parte da testosterona, os teus recetores são diferentes. Portanto, se calhar, alguém que tu própria sentires-te mais sensual ou mais atraente, tu sentires-te mais pronta para a caça, por assim dizer, isto está relacionado também com estas fases do teu ciclo menstrual.
Não, faz sentido. Porque na fase lútea, eu senti e vi já imensos TikToks sobre isto, as pessoas sentem-se mais feias.
Porque há maior inchaço, muito mais retenção de água, então tu sentes-te, se calhar, menos atraente, se calhar queres estar mais escondida, utilizas roupas mais largas.
Sim, já não é uma fase que tu vás sentir para sair à caça.
Mas isso é, porque repara, nós biologicamente somos feitas para a reprodução. Se ainda não sente uma escolha. Então, se sendo a ovulação o teu evento principal, a ovulação é o que te vai, tens que ovular para depois haver gravidez. Claro que existem várias coisas que vão influenciar, mas à medida que à altura, tanto que a tua libido aumenta, é suposto aumentar. Baixa libido também é um sinal que alguma coisa que tem que ser vista. Então tu ali, tendencialmente, tens mais libido e tendencialmente sentes-te muito mais pronta para explorar. E isso é realmente hormonal. Por isso é que quem toma a pílula e quem não toma pílula, ou outro contraceção hormonal, é diferente, funciona diferente, são como se fossem duas bestas diferentes.
Engraçado, nunca tinha pensado sobre isso. Ainda sobre alimentação, jejum intermitente para as mulheres faz sentido?
Essa temática é muito interessante e é complexa. Na teoria, o jejum intermitente é bastante interessante. Acontece que a esmagadora maioria dos estudos que são feitos, são feitos em homens. Eu gostava de ver um estudo super bem feito em mulheres que não estão sob o efeito de hormonas sintéticas para perceber esta influência. E o que nós conseguimos entender? Nós conseguimos entender que o jejum, muitas vezes, como ele é feito, em que a maioria das pessoas salta o pequeno-almoço e começa, faz o almoço, lancha, tem ali aquele período de horário em que muitas vezes vai acabar por jantar. Idealmente, em termos de ciclo circadiano, não é o ideal. Nós idealmente, as nossas hormonas a funcionar seria o oposto, em que, na verdade, a fazeres uma pausa maior, deveria ser mais no período da noite e não o contrário. E isto depois tem uma coisa muito importante que é: pode fazer aumentar o teu cortisol, principalmente em nós mulheres, por ser um aumento de estresse. E isso, dependendo às vezes da fase do ciclo, pode causar impacto na tua ovulação e ser um dos pontos pelos quais, por exemplo, a tua menstruação é tão irregular. Por quê? Porque não estás ali a ovular.
Mas estresse por quê? Porque estás com fome e não estás a comer?
Isso pode ser um, mas pode ser mesmo este aumento do cortisol, porque quando tu comes, isto vai dar sinais hormonais ao teu corpo, por exemplo, para reduzir o teu cortisol. E acontece muitas vezes que quando isto acontece, que é ou tens fome ou não é algo que funciona para ti, que te causa demasiado estresse com a alimentação, que começas a sentir-te demasiado controlada com a alimentação, "só posso comer a partir de X horas", isso vai também sempre aumentar o teu próprio estresse. E isso faz com que fisiologicamente o teu corpo, nós mulheres, não seja o ideal. Algumas fases que podem ser ideais, por exemplo, a fase da menstruação em que as tuas hormonas estão tendencialmente todas mais baixas, não tem tanta influência o jejum intermitente do ponto de vista negativo, mas também porque nós nos sentimos mais cansadas e não nos sentimos muito aptas para isso. Mas no início da fase folicular, podia ser uma fase que tu poderias potenciar, por exemplo, utilizar isso como um detox, em termos hormonais. Mas, no geral, eu não acho o jejum intermitente uma boa resposta para a esmagadora maioria das mulheres. Há sempre pessoas que se dão bem com tudo, e isso nós temos que saber interpretar. Mas se depois faz com que tu comas demasiado de noite, isso vai te impactar o teu sono, as suas escolhas alimentares, no geral, eu não acho o jejum intermitente interessante. Esse jejum pode fazer sentido, aquilo que tu estavas a falar, por exemplo, mais noturno, para um controle do apetite, para também uma boa resposta glicêmica, nos casos da tua sensibilidade à insulina, mas também há outras formas de nós lá chegarmos sem teres que fazer esse próprio jejum intermitente.
Esse regime militar.
E também é uma das coisas que é, isso não te vai ajudar a emagrecer só porque faz jejum, porque isso não significa que realmente vais potenciar um déficit calórico. E muitas vezes, nós já vimos isso muito na nossa equipa, muitas mulheres que fazem jejum intermitente não têm uma boa relação alimentar. Portanto, nós temos mesmo que saber interpretar isso, se é ou não é positivo para ti, se para ti funciona e pode funcionar em algumas alturas, alguns dias: "Ok, tudo bem, eu não tenho que me forçar sempre a comer se não tenho fome", mas perceber se também, por exemplo, a tua falta de apetite de manhã não é já essa alteração hormonal, principalmente no que toca ao apetite. Porque depois, de repente, chegas sempre ali a meio da tarde, final da tarde, noite, tens muito apetite, estás sempre a petiscar, então aquele jejum intermitente não está a ser de todo positivo.
Sim, é isso, não está a surtir o efeito. Tu estás a ingerir menos as calorias para depois ir dormir com-
Ou então, por exemplo, uma coisa muito importante que é: se passas a manhã a café, se passas só a manhã a café.
É, e aí fica uma vazio.
Pronto, isso aí também não é o ideal em termos de ovulação. Então há aqui muita coisa que nós temos que saber interpretar.
Meu Deus, tanta coisa.
Eu acho que é importante o conhecimento, mas também sermos um bocadinho gentis conosco. Eu, por exemplo, eu acho que às vezes nós não somos muito gentis e temos sempre: "Ó, está, tem que funcionar sempre assim durante todo o meu ciclo", e tu não funcionas sempre do mesmo modo.
Olha, uma curiosidade minha, creatina é para as mulheres, sim ou não?
Sim, eu sou muito fã.
A sério?
Sei que tomas creatina. Eu gosto muito de creatina. A creatina não é só para quem treina. A creatina cada vez mais tem se vindo a perceber que tem impacto positivo na parte cognitiva. E uma das coisas que eu gosto muito é principalmente para quem tem privação de sono. Por que o que acontece? A creatina vai te ajudar na produção de energia, produção de ATP. É como se fosse uma moeda energética. E isso em termos do nosso desenvolvimento cognitivo e do nosso cérebro, é importante. Então eu acho que nós conseguimos, nós, através de alimentos, nós conseguimos ingestão de creatina, o nosso próprio corpo produz creatina, mas são quantidades diferentes. Portanto, eu acho que é um suplemento válido. Claro, depois depende sempre de cada pessoa. É importante também perceber a tua alimentação, o teu contexto também, mas eu sou fã de creatina, sim. Neutra.
Como assim?
Neutra, ou seja, sem aromas. Aromas, adoçantes artificiais, é um ponto que nós vimos mesmo, eu não vou dizer a palavra eliminar, para não me chamarem extremista, mas reduzir ao máximo.
Então és contra aquelas proteínas em pó de chocolate, avelã, essas coisas?
Sim, não acho que sejam ideais. Acho que nós devíamos mesmo ir para as neutras. Isso em termos de paladar, é algo que nós vamos, lá está, habituando. Olha, é um bocado como os perfumes. De repente, estás sempre à procura de sabor doce. E depois, a questão é que, em termos de adoçantes, é algo que mexe com a tua microbiota intestinal. E uma das coisas que eu vejo muito, quem tem, por exemplo, o síndrome do intestino irritável, que é muito comum, ou mesmo essas alterações, constantemente inchada, com flatulência, ou seja, gases, uma das coisas que costuma estar lá sempre é: excesso de adoçantes. As pastilhas, os pudins proteicos, as proteínas em pós, as aveias com sabores, a suplementação com esses sabores falsos, no geral, isso realmente é um excesso no teu intestino.
E hoje em dia, na sociedade em que vivemos e neste mundo do fitness, é o que mais se vê, são essas coisas.
E é uma das coisas que é, o fitness-
Barrinhas proteicas.
Sim, isso também é uma das piores coisas. E eu tenho que te dizer isto porque eu há muitos anos atrás também, eu sempre fui muito gulosa, não sei quanto a ti, mas eu sou muito gulosa.
Eu sou super.
Não sei se estás no mesmo nível que eu, nós costumamos dizer que eu sou um nível mesmo muito gulosa, e isto foi uma coisa que eu fui trabalhando. Então, o que eu costumo dizer? Este meu trabalho foi muito importante para nós estarmos sempre à procura do doce. E eu tive uma altura, quando isto tudo surgiu, os molhos zero, sabes? Aqueles xaropes zero, para tu colocares. Eu utilizava tudo isso.
Parece que é uma maravilha, porque não tem calorias e tem o doce.
Mas isso não é nada bom para o nosso paladar e para a nossa saúde. Isto é uma coisa que nós conseguimos ir contrabalançando, mas tens que reduzir, mesmo. Tens mesmo que reduzir.
Terapia de choque? É terapia de choque?
Poderá ser, como poderá ser uma desabituação. Imagina que tu utilizas proteína em pó, a creatina com sabor, proteína em pó, as aveias com sabores, os pudins, os iogurtes proteicos com sabores. Se tirares tudo, se calhar pode não te ajudar a seres consistente. Mas se tu reduzires, por exemplo, só utilizares proteína em pó com sabor, já reduziste muito. Mas é sempre trabalhar para não precisar disso. Isso é sempre o ideal.
Isso eu acho que é um ponto que eu preciso trabalhar. Porque tu estás a dizer, imagina, pudins proteicos eu adoro, iogurtes com sabores, a proteína de avelã.
Aquilo é feito para estares sempre à procura do sabor doce. Ou seja, aquilo é também, de certa forma, uma questão tipo dopaminérgica. Estás sempre à procura de algo saboroso. Por exemplo, os pudins proteicos surgiram muito até como um doce fit. Certo?
Sim, é a sobremesa fit.
Sobremesa fit, mas por que nós precisamos sempre de uma sobremesa todos os dias?
Só me vem acabar o dia com a refeição com o docinho.
Então imagina, e por que, por exemplo, um quadrado de chocolate, por que nós não poderíamos comer um quadrado? Por que também nós crucificamos tantas vezes tu comeres um quadrado de chocolate, que existem chocolates que têm tipo cinco ingredientes, não é nada do outro mundo, e fomos buscar produtos tão processados.
Porque é também a ideia de estares sempre a atingir os níveis proteicos.
Ok, então nós vamos buscar proteína, produtos ultraprocessados, quando podemos conseguir buscar em alimentos reais que te vão ter uma resposta completamente diferente na tua saciedade. E eu sei isto por experiência pessoal. Eu estava sempre à procura disso. Mas se tu fores buscar, se tu baseares sempre a tua alimentação em alimentos pouco processados, aquilo que nós sabemos.
Sim, é assim, há uns tempos, há um ano atrás, que eu estava com uma nutricionista, e no plano tinha mesmo, imagina, no jantar, comia menos, porque me ia deitar e era tipo uma sopa com ovo e um pudim proteico. E eu quando comia o pudim proteico, eu sentia culpa de o estar a fazer, porque sabia que era um produto ultraprocessado.
Sim.
Mas ao mesmo tempo sabia que estava a comer a proteína e a atingir esses níveis, e tinha sido passado pelo nutricionista.
O que eu posso dizer sobre isso? Existem opiniões para tudo. Na nossa equipe, aquilo que nós trabalhamos muito é: nós não vamos aconselhar pelos ultraprocessados em detrimento de alimentos reais, só para atingir a questão proteica. Aliás, isso é uma coisa muito importante e é muito perigosa. A alimentação não é só sobre calorias, nem é só sobre macronutrientes, porque a resposta que tu tens aos alimentos é diferente. É diferente, por exemplo, tu comeres uma sopa, um ovo e um pudim proteico. Não tens que fazer um jantar com um prato supercheio, porque vais dormir, mas podes comer perfeitamente carne, peixe, uma boa fonte proteica, que também vai te buscar outros minerais, outras vitaminas, que os pudins proteicos não têm, que é completamente diferente. E a questão é: esses produtos surgiram há pouco tempo, ou seja, isso é algo que não faz mesmo sentido na nossa alimentação. E nós temos que entender que, OK, num dia que aconteceu comer algo mais processado.
Sim, ser uma exceção.
Sim, ser uma exceção, mas também não faz sentido nós irmos buscar algo na nossa alimentação através de um pudim que tu conseguias com carne, com peixe, com mais ovos, se tu quisesses. Nós vemos muito isso, que é, por exemplo, teu pequeno-almoço ter fiambre de aves. O fiambre é um produto ultraprocessado. E eu cheguei a ter pessoas na minha mentoria que disseram, por exemplo: "Eu sou muito fã de ovos, é um dos alimentos que eu mais gosto por vários fatores". E às vezes, uma mulher trabalha comigo, que estava com problemas hormonais e a parte da alimentação não fazia todo sentido, tinha muitos produtos ultraprocessados. E a questão era porque o fiambre era menos calórico do que ovos. E eu costumo sempre explicar que o nosso corpo precisa de determinada ingestão calórica, ingestão energética, mas chega uma altura que o nosso corpo, por muito déficit calórico que tu faças, nunca sentiste que: "Eu não consigo emagrecer mais"?
Sim, quanto mais emagreces, depois mais difícil continua essa perda.
Também existe essa adaptação, mas por quê? Porque o teu corpo precisa de determinadas vitaminas e minerais para funcionar. E isso é diferente das calorias. Ou seja, nós temos que realmente ver a alimentação como um todo nesse sentido, e não só baseado: "Isto porque tem 20 gramas de proteína, ok, já tens esta parte das gramas de proteína por dia, ou essa parte calórica". Nós temos que entender que o teu corpo vai funcionar de forma diferente com este tipo de respostas. E depois, cada mulher, por exemplo, cada vez mais surge mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos, com endometriose, com ciclos irregulares, sem ter necessariamente um diagnóstico, com hipotireoidismo. E nós temos que saber interpretar isso e conseguir ajustar a alimentação para isso mesmo. Então eu acho que esta questão do fitness pode se tornar muito perigosa se nós estivermos só dependentes desses alimentos ultraprocessados.
E não sabemos ainda qual vai ser o impacto a longo prazo, que era isso que tu estavas a dizer, surgiram agora os alimentos.
Sim. Às vezes a premissa é: estas quantidades são seguras, mas tudo, todos os dias, em várias fontes, isso não é estudado. Essa quantidade, esse efeito cumulativo, que é algo muito importante, isso é muito difícil tu conseguires dizer. Aliás, se há coisas que já surgiram muito, é algo que é considerado hoje como seguro, daqui a um ano virem te dizer: "Olha, sabemos que este ingrediente tem estes potenciais cancerígenos, temos que retirar tudo do mercado". E tu: "Ei, pá, bolas, disseram que isto era seguro, eu andei a fazer isto". E isso é a parte muito importante que é o bom senso. E é importante nós sabermos ler, interpretar evidência científica, mas termos bom senso. Faz sentido eu comer um ultraprocessado todos os dias para atingir algo que eu conseguia com alimentos reais? Se calhar, não faz tanto.
Sim, mas isso eu acho que, novamente, é falta de informação. Lá está, eu o ano passado comecei com um plano nutricionista e acho que não estava informada neste momento. Faço outro tipo de escolhas, mas é um processo e tens de ativamente procurar querer te informar para conseguir tomar essas decisões mais conscientes e ter o bom senso que tu estás a falar, não é?
Claro. Nós não sabemos todos o mesmo, nós não vimos todos da mesma área e isso também é importante. Não é propriamente culpa tua de: "Olha, mas eu não sabia, eu fiz o que me disseram para fazer. Portanto, eu confiei que estava correto". Mas de certa forma é engraçado como em ti, isso era tão intuitivo, fazer essa escolha, por alguma razão é.
Sim, o meu organismo sentia. E que em mim não está bem certo.
Sim. Então, realmente, lá está, o ouvires esse teu bom senso, essa tua intuição, que é isso: "Será que faz assim tanto sentido? Sim, não?"
Não tinha pensado sobre isto, mas tu bebes álcool?
Se eu bebo álcool? Muito raramente. Eu gosto de um copo de vinho, gosto de saborear. Eu não gosto de beber. São coisas diferentes. Ou seja, eu não gosto de beber álcool. Aliás, eu vou te ser sincera, eu nunca apanhei uma bebedeira na vida.
A sério?
Nunca apanhei uma bebedeira na vida, porque nunca me fez sentido eu ter que tomar algo, perder um bocado a minha consciência, o saber que depois no dia seguinte-
Sem estar a prestar atenção.
Sim, e para me divertir. Então, intuitivamente, nunca tomei, nunca apanhei uma bebedeira, nunca fumei nada, nunca tomei assim nada. O meu marido diz que eu sou a mais pura que ele encontra. Mas realmente, de vez em quando, eu gosto de apreciar, lá está, um copo de vinho, mas acaba por ser esporádico, porque também gosto de qualidade, ou seja, gosto de beber algo que tenha qualidade. Isso não faz sentido, se calhar, todos os dias, não faz de todo, nem se calhar vai calhar todos os fins de semana. E depois então na minha gravidez acabei por me desabituar muito. Mas o álcool, na verdade, também tem impacto, também não é algo assim muito positivo para o nosso corpo, mesmo em poucas quantidades, há sempre algo que o teu fígado está sempre a tentar eliminar ao máximo. Mas nós temos que, lá está, OK, pode fazer sentido uma vez, por outra. Nós não temos que viver enclausurados, fechados na nossa cápsula, isso é importante, mas temos que saber que também, se calhar, todos os fins de semana ir beber copos e apanhar bebedeiras não é de todo ideal para o nosso corpo, porque o nosso corpo está sempre o quê? A recuperar. Tu acabaste de recuperar, já estás noutra. Então o teu corpo está sempre nisso.
Sim, eu sinto que o álcool, para mim, é o que mais me afeta. E o ano passado deixei de beber, bebo muito de vez em quando, mas deixei assim mais de beber como bebia regularmente todos os fins de semana quando ia sair. E senti uma diferença muito grande, porque, lá está, sentia sempre que o corpo estava sempre a recuperar de algo. E mesmo em termos de treino e tudo, sentia que nunca conseguia estar lá com a minha performance no máximo potencial máximo por causa de estar em recuperação de álcool.
Tal e qual. E essa questão do treino é muito interessante, que é, como estavas há pouco a falar, isto de repente trouxe-me consciência que tu começas a treinar mais. Começas a querer ter mais rendimento, começas a ter mais atenção ao sono, percebes que o álcool realmente impacta nos treinos. Então isto tudo acaba por ser uma piscadinha de rabo na boca para tu começares o teu estilo de vida mais saudável. Suponhamos que fores uma pessoa sedentária, que não tem tanto essa consciência, se calhar acordas à segunda-feira ainda com uma dor de cabeça, meio ressacada, não com tanta energia.
Estás habituada a isso.
Começas a habituar-te a esse padrão. O que acontece é quando começas a experienciar a tua saúde, a tua vida, as tuas hormonas mais otimizadas, tu já sabes como é que tu podes funcionar. Então tu já sabes.
Já sabes o que é bom.
Já sabes o que é bom, já sabes. "Bem, olha, estou neste sítio, vou beber um bocadinho." Nós sentimos muito isso. Nós bebemos um copo de vinho ao jantar, nós já sabemos no dia seguinte, a noite para mim fica muito mais quente, não durmo tão bem. Então eu sinto logo que o meu descanso é logo colocado em causa. Então eu já sei o que me afeta. Quando tu não estás a tentar nada, tu nunca sabes nada do que te afeta. Então por isso é que é interessante tu quando procuras este caminho, tu saberes: isto é aquilo que eu posso funcionar, isto é aquilo que funciona bem comigo, é assim que eu me sinto bem. Tudo o resto, ok, já sei que isto vai acontecer, não vou dormir tão bem, eu escolho isto. Agora é parte de lá estar a consciência.
Faz muito sentido. Quando tu descobres um ponto que é positivo e que te faz sentir bem, tu depois vais querer manter aquilo sempre e estar à procura sempre daquilo.
Claro.
Da máxima sensação de bem-estar, não é?
Sim, e isso, obviamente, nós somos feitos para estar bem, para nos sentirmos bem. Só que era aquilo que nós estávamos a dizer, nós às vezes não sabemos o que isso significa. Nós não sabemos o que é. Principalmente nós, mulheres. Eu oiço tantas vezes que as mulheres foram a um profissional e queixaram-se dos sintomas e disseram que é normal. Não é normal tu sentires-te assim. É normal é tu sentires-te bem, com energia, com uma libido adequada, não sentires-te sempre cansada, com os pés frios, com as mãos frias, com o cabelo fraco, a pele flácida, pálida, com o teu ciclo irregular. Isso não é normal. Então é comum, mas não é normal.
Faz muito sentido. Olha, estamos aqui a chegar ao fim. Só tenho aqui mais duas perguntas para ti.
Ok.
Já falámos de imensa coisa, imensos mitos aqui que estivemos a desconstruir, mas qual é que é para ti o principal mito que gostavas que fosse desconstruído sobre a saúde feminina?
Ok, sobre a saúde feminina tenho o clássico, que é aquele que chega mais até mim: a pílula não regula ciclos. Isto é aquela coisa que: "Ai, deram-me a pílula para regular o teu ciclo." Não, deram-te a pílula para suprimir o teu ciclo. Tu não regulaste absolutamente nada. E se não tiveres em consideração isto, quando tu deixares a pílula, por que razão seja, vais sentir de volta tudo. E depois, de repente, o que tu pensas é: "A pílula era espetacular, porque eu sentia-me bem." Mas, na verdade, era só um penso rápido, então a pílula não regula ciclos. Isso é mesmo muito importante saber. Pode fazer sentido em algum contexto, alguma condição, mas entender que isso não é cura. Isso é um dos maiores mitos da saúde feminina que eu recebo.
E se tiverem aqui raparigas a ouvir que querem começar a perceber melhor, entender melhor o seu corpo, qual é que seria o primeiro passo que tu dirias para esta caminhada?
Posso começar por dizer para me seguirem, que eu vou dando sempre conteúdo e isso é sempre bom, porque vou tocando em certas coisas que, como estavas a dizer, as fragrâncias sintéticas, não fazia a mínima ideia. Mas sem dúvida que eu começava por olharem mais para tentarem entender mais do seu próprio corpo, daquilo que elas estão a sentir. E acima de tudo, o ponto essencial que eu dizia é que se não sabes nada, que é isso que estavas a dizer: "Ok, eu não sei onde é que vou, não sei onde é que vou ver a informação", é perceberes que esse tipo de sintomas que eu estava a te dizer, este tipo de alterações, começares por entender: isto não está certo. E a partir daqui, começar a procurar ajuda, porque este é o ponto. Quando tu não entendes isto, quando tu achas que isto é normal, tu passas uma vida um bocado adormecida com esse tipo de sintomas.
No fundo, tudo aquilo que nós já falamos, nada é normal. Não é normal teres uma fome emocional louca e estares descontrolada. Não é normal sentires-te louca.
Sim.
Tomar a pílula. Não é normal estares sempre a sentir-te cansada.
Não.
Portanto, no fundo, é tentar descobrir de onde é que aquilo que não te está a fazer bem, vem.
Exatamente. Tentar entender a causa. Tem que haver alguma resposta a isso. E depois é procurar soluções para isso. E entender muito que o nosso estilo de vida influencia mesmo a nossa saúde, por muito que nós não queiramos. Claro que nós não temos que ser extremistas, mas aquilo que tu consomes em termos de alimentação, aquilo que tu consomes nas redes sociais, como tu dormes, o teu trânsito intestinal, o teu treino, tudo isso vai sempre influenciar quem tu és e da forma como tu te podes expressar. Se podes expressar o teu máximo potencial ou não.
Acho que ficou um perfeito resumo para esta conversa. Adorei. Saio daqui muito mais informada e espero que ajude também muita gente que certamente também não está a par destes temas. Obrigada por teres aceito o meu convite.
Obrigada eu por também me dares possibilidade de falar sobre isto e acima de tudo, de poder ajudar nem que seja uma mulher a entender que eu preciso de fazer algo por mim. E esse é o ponto da minha mentoria, o ponto que eu falo é: o conhecimento é poder. O que eu faço é empoderar outras mulheres a realmente serem a sua melhor expressão, basicamente.
Obrigada, Carolina. Adorei.
Obrigada eu, Mariana.
Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?