O Comando Metropolitano do Porto revelou hoje à Lusa “não ter, de momento, informação relativamente a qualquer previsão de encerramento de esquadras” em vários concelhos da periferia do Porto, situação revelada na quinta-feira pelo presidente da Câmara de Gondomar.
Em declarações à Lusa sobre o eventual encerramento da esquadra da PSP em Valbom, Luís Filipe Araújo afirmou ter tido “conhecimento que está a ser equacionado, não apenas em Gondomar, mas, também, nos municípios à volta, o encerramento de esquadras, porventura, à conta da diminuição dos efetivos e da incapacidade da PSP de servir as populações, como é necessário que aconteça”.
A PSP do Porto respondeu esta segunda-feira “não ter, de momento, informação relativamente a qualquer previsão de encerramento de esquadras”.
Por seu lado, o presidente da União de Freguesias de Gondomar, que abrange as freguesias de São Cosme, Valbom e Jovim, António Braz, revelou no mesmo dia que no último ano, em Valbom, “com alguma frequência, tem havido períodos diurnos e noturnos em que a esquadra fecha devido à falta de efetivos”.
Também questionada sobre os motivos e quantas vezes o encerramento ocorreu, o Comando Metropolitano respondeu, não sobre o passado, mas para dizer que “a eventual necessidade de proceder ao fecho pontual da esquadra de Valbom — a acontecer — será sempre por razões internas inevitáveis e de força maior”.
Luís Filipe Araújo revelou na quinta-feira que o encerramento da esquadra da PSP na freguesia de Valbom está a ser equacionado pelo Governo a quem vai expor o seu inconformismo.
A esquadra da PSP de Valbom foi inaugurada em julho de 1979, no mandato de José Luís Araújo, pai do atual presidente da autarquia, revelou António Braz, indicando que, desde essa data, a esquadra funciona nas instalações da junta de freguesia.
A esquadra de Valbom pertence à Divisão de Gondomar, que é composta por “cerca de quatro dezenas de efetivos, sendo que cerca de uma dezena estão, normalmente, em Valbom”, contou o presidente da união de freguesias.
Luís Filipe Araújo disse não se conformar com a situação, que atribuiu “à redução do número de efetivos, nos últimos anos, em Gondomar” e advertiu que “a resposta não é fechar esquadras, mas repor os números necessários para que a população tenha a segurança que merece“.
Na reunião que teve na semana passada com o comandante da Divisão de Gondomar da PSP, o intendente Manuel Fernandes, o autarca revelou que “não foi avançada nenhuma data” para o encerramento da esquadra.
“A PSP ficar com menos agentes e a resposta ser encerrar as esquadras, desculpem lá, é ver tudo ao contrário. Não, a resposta é reforçar os agentes. Temos de trabalhar para que isso seja possível”, criticou o autarca que defende uma reflexão sobre o que se “quer para os serviços essenciais do Estado”.
A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, revelou na semana passada ter recebido a garantia de que os 200 novos polícias que vão reforçar, em dezembro, o comando metropolitano da PSP do Porto vão ser distribuídos de forma equitativa pelos concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Luís Filipe Araújo disse que vai “estar atento à sua concretização”.
O autarca de Gondomar pediu, entretanto, audiência ao ministro da Administração Interna para dar-lhe nota da situação que se passa em Gondomar”.
Questionado sobre qual é a realidade de Valbom em matéria de criminalidade, o autarca defendeu que, “mais do que os números, importa acompanhar situações concretas que causam alarme e insegurança numa ou noutra comunidade local”, frisando que há que “estar à altura de debelar de imediato essas situações”.
“Precisamos da PSP e da GNR, que têm sido absolutamente decisivas nas nossas comunidades e não podemos abdicar da ajuda deles. (…) Mesmo em situações mais difíceis para nos pronunciarmos como é a questão dos vencimentos, que são baixos para a vida que eles têm, para os riscos que correm e para aquilo que cada um de nós exige das forças de segurança”, acrescentou.