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Os 20 de agora não são os 20 que eu vivi. A tua mentalidade para uma pessoa com 27 anos é a mentalidade que eu estou a atingir agora com 42. Se calhar virei-me mais para dentro, porque sempre fui mais virada para fora, para os outros, e depois levei tanta cacetada que às tantas pensei: "Não, se calhar é melhor é começar a cuidar de mim."
Tu achas que é preciso sempre chegarmos a esse limite?
Queres vestir um biquíni, queres vestir um vestido mais justo, queres vestir qualquer coisa que não aperta, então aí começas a pensar: "Não, se calhar temos que fazer alguma coisa."
Tiveste algum momento em que isso te bateu ou alguma coisa que aconteceu com a Marla?
Foi o ano passado. Eu tive uma gravidez ectópica e tive que ser operada de urgência. Entre descobrir que estava grávida e ser operada de urgência, foram 24 horas. Eu sofri durante anos de compulsão alimentar. Eu agora já estou na fase em perceber quais são os gatilhos que me levam a isso, mas mais do que perceber quais são os gatilhos que me levam a isso, é perceber o que eu posso fazer para não cair ali outra vez. Como é que se pode sair deste buraco? Muitas vezes parece que não vês uma luz. É muito cabeça. "Quando pensares em comer, vai fazer uma caminhada." Não, isso para mim não resulta, não funciona. Se tiveres uma consulta, metes na agenda, se tiveres uma reunião, metes na agenda e não falhas. Com o treino tem que ser igual. Quarenta e um anos a tratar mal um corpo que no fundo só quer o meu bem. Eu acho que isto tem que ser um compromisso conosco. Ok, isto pode demorar o tempo que demorar, mas é isto que eu quero para a minha vida.
Acaba por ser um loop de desenvolvimento pessoal. Tu entras neste mundo, sentes que estás constantemente a falhar, porque tu queres ler todos os dias, queres treinar todos os dias, queres comer bem todos os dias, beber água e de repente começa a acrescentar à lista. São muitas coisas que tu queres fazer e se tu não consegues fazer tudo, tu sentes que estás a falhar.
É estar num estado de consciência tão tranquila e tão consciente daquilo que eu quero para a minha vida. Nada do que aconteça me abala e eu serei sempre o melhor para mim e para os outros. Isso para mim é ser a minha melhor versão.
Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. Hoje trago aqui a Sílvia Pinto Pereira, que é a fundadora da Marla, uma das marcas portuguesas, que eu me lembre, das primeiras marcas portuguesas a aparecer há muitos anos atrás. Já acompanho a Sílvia há muitos anos, desde a criação da Marla, desde todo o percurso dela também no digital, que ela começou na altura dos blogs. E hoje em dia a partilha dela passa muito também por desenvolvimento pessoal, porque ela tem compulsão alimentar, já falou sobre isso, e abordamos neste episódio também um bocadinho sobre alimentação, sobre todo este processo de passar por 1001 dietas e sobre o processo de nos reencontrarmos através de terapia, através de encontrarmos ferramentas certas, como a escrita, como termos as pessoas certas ao nosso lado, impormos limites. Falamos de todo este processo e também das crises que vão acontecendo ao longo da vida, porque a Sílvia tem 42 anos e estamos aqui a comparar as formas como nós nos sentimos, eu com 27 e ela com 42. Foi uma conversa muito interessante e eu espero muito que vocês gostem. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume? Há quanto tempo é que tu me começaste a seguir?
Olha, eu comecei-te a seguir há muito pouco tempo, porque tu começaste-me a aparecer no TikTok.
Já tivemos esta conversa quando fui à tua loja.
Sim, porque eu estive meses a estudar a plataforma do TikTok.
A sério? É que eu nem sequer estou muito presente lá.
Sim, mas foi lá que tu me apareceste. Eu estive muitos meses a estudar a plataforma para perceber se tinha interesse, como é que funcionava. Percebi que o algoritmo era fortíssimo lá. Basta estares um minuto retido num vídeo que depois só te vai mostrar aquelas coisas.
Coisas desse gênero, exato.
Pronto, e depois começamos a criar conteúdos para lá, tanto no meu pessoal como no da Marla, e tu foste-me aparecendo. Eu: "Esta miúda tem umas coisas." Eu nem sei se era aos cortes do podcast, eu só sabia mesmo coisas tuas, mas comecei a achar-te piada e pensei: "Olha, vou procurar no Instagram." Que é a plataforma onde estamos mais tempo. Ali é um bocado entertaining para mim. É aquela coisa que eu vejo à noite. Durante o dia eu não estou lá e à noite vou mais ao TikTok, naquela coisa do entertaining, e estou lá um bocadinho. Eu pensei: "Não, vou procurar no Instagram." E na altura tu ainda estavas em Lisboa, tu estavas na transição de sair de Lisboa para o Porto. Eu apanhei-te nessa fase, ainda moravas em Lisboa.
Mas é super recente, um tema de três meses.
É recente. Percebi que eras do Porto, porque cheguei a apanhar tu a vires a casa e a falares disso, e depois apanhei tu a dizeres que ias voltar para o Porto.
Sabes que eu te sigo há muitos anos.
Pois, eu fiquei a saber.
Sílvia, mas tipo quase do início da Marla, que acho que é antes.
Fogo, isso é incrível.
Sabes que eu tive uma marca de roupa?
Sei. Apercebi-me depois, agora que te sigo, que fizeste há uns tempos um "mega". Eu fui lá tentar também comprar uma bolsinha daquelas, mas não cheguei a tempo.
E a Marla era uma grande inspiração para mim durante todo o processo da Flash. Juro!
Tão bom.
Por isso é que eu te acompanhava, a marca Marla, mas também o teu perfil e toda a parte do empreendedorismo e tudo mais, que depois mais tarde transitaste um bocadinho para desenvolvimento pessoal e hoje em dia também é muito focado nisso, que eu adoro, tem as duas vertentes. E é engraçado, nós temos idades bastante diferentes, mas identifico-me com muita coisa.
E eu contigo. Nós temos quase uma década que nos separa. Ou mais.
Estás com quanto?
42.
42, eu tenho 27.
Pois.
E eu falo aqui muitas vezes, e queria já começar por aqui. Falo muitas vezes da crise dos 20 e estou sempre a bater nos 20. E há imensa gente que me segue nos 30 e 40 e que se identifica com muita coisa que eu vou dizendo. Achas que estas crises que nós vamos falando aqui são cíclicas, vão acontecendo ou acontecem em fases diferentes para pessoas diferentes?
Não, eu acho é que há uma evolução diferente atual Das idades. Ou seja, os 20 de agora não são os 20 que eu vivi há 20 anos.
Não, os 30 são os novos 20?
Eu acho que tem a ver com a realidade que nós vivemos hoje em dia, mesmo este imediatismo das redes, esta coisa desta informação constante de nos querermos reinventar. Imagina, a tua mentalidade para uma pessoa com 27 anos é a mentalidade quase que eu estou a atingir agora com 42. Então eu acho que é tudo muito mais rápido vocês chegarem a esse tipo de coisas que eu não tinha nos meus 20. Não me preocupava comigo, era aquela coisa, não havia redes sociais.
Passavas muito tempo a viver para o trabalho.
Sim, era trabalho, faculdade. Não olhávamos para nós, para dentro, era as relações para fora. Às vezes penso nisso, que não é mesmo igual. Então eu acho que acabo por me identificar agora com pessoas que sigo muito mais novas que eu, porque eu estou a chegar lá agora, mas vocês já chegaram com a idade que têm. E eu acho que isso é incrível. Não sei depois como é que será o desenvolvimento disso quando chegarem, por exemplo, aos 40.
Sim, eu acredito que vá acontecer outra vez algumas crises.
Mas acho que sim, que vai acontecer depois outras situações, inevitavelmente. As coisas que nos acontecem na vida também nos levam a estas situações. Eu, se calhar, virei-me mais para dentro porque sempre fui mais virada para fora, para os outros, e depois levei tanta cacetada que às tantas pensei: "Não, se calhar é melhor é começar a cuidar de mim." Porque também se nós não cuidarmos de nós, não conseguimos também oferecer o melhor ao outro. E se calhar, às vezes, as coisas que nos acontecem também, inconscientemente, mesmo não querendo, se calhar até acabam por ser provocadas por nós.
E houve uma coisa que tu disseste no teu Instagram, fazendo um paralelismo, fala um pouquinho de emagrecimento, mas pode ser um paralelismo para tudo na vida, que é: o que tomaste para emagrecer? Ou o que apanhaste para emagrecer?
Um susto.
Tu achas que é preciso sempre chegarmos a esse limite para haver uma mudança em nós?
Eu acho que sim. Ou seja, eu acho que não é preciso chegar a esse limite quando se tem uma consciência corporal, quando não há uma distorção daquilo que vemos ao espelho, que muitas vezes acontece. E muitas vezes eu olho-me ao espelho quando eu saio de casa e penso: "Eu estou mesmo gira.", mas depois alguém me tira uma fotografia e diz: "Que horror!" Então eu acho que há muito esta coisa da distorção também de imagem que nós vemos ao espelho, porque é aquilo, se calhar, que queremos ver. E nós próprios sabemos, quando temos a câmera virada para frente e abrimos e de repente levamos com a nossa cara.
Quem é essa pessoa?
Quem é esta pessoa? É mesmo isso. Mas eu acho é que para haver um compromisso a sério, é duas situações: ou é por uma questão de saúde, em que bates naquele ponto em que já não dá mais, temos que tomar uma atitude, ou é mesmo porque efetivamente olhas ao espelho e já não te reconheces. E no meu caso, ali, aquilo era uma foto do meu casamento. No meu caso, ali, eu posso dizer que eu nunca imprimi as fotografias do meu casamento, revelei, porque não me consigo identificar em nenhuma. E lá está, e naquele momento eu não sentia que estava assim.
Quando estás nesse ponto, não sentes que até te impede de viver a tua vida, de fazer coisas, vestir coisas que tu queiras?
Sim, completamente.
Realmente, muita coisa. Parece que não consegues ser tu a 100%, estás ali sempre a esconder uma parte de ti, não é?
Sim. E eu sou ótima a disfarçar, porque muitas vezes eu ponho os antes e depois as pessoas dizem: "Não, impossível. Isso é Photoshop o antes, não é o depois." As pessoas nunca dizem, porque eu sempre tive muita consciência de quais eram os meus pontos fortes no meu corpo e sempre me consegui vestir de forma a disfarçar aquilo que eu queria. Então se calhar por isso é que depois protelava muito as situações, mas depois chega a um ponto em que realmente queres vestir um biquíni, queres vestir um vestido mais justo, queres vestir qualquer coisa que não aperta, então aí começas a pensar: "Não, se calhar temos que fazer alguma coisa."
Então para ti, a mudança acontecer parte por não te identificares com o que vês ao espelho e a nível de desenvolvimento pessoal, de queres cuidar mais de ti, pôr mais limites.
Isso começou há muito pouco tempo, muito mesmo. Tanto que agora acaba por ser um processo que leva o tempo que levar, porque eu sempre tive aquela coisa do imediatismo e era por uma parte estética. Muitas vezes tinha que ir fotografar uma campanha, tinha que perder uns quilinhos. Agora vamos fotografar um biquíni, tenho que estar aqui muito mais regrada. Então era sempre para fora, para o outro, pela imagem. E só quando eu comecei a olhar mais para mim, para essa questão do desenvolvimento pessoal, comecei também a ser acompanhada por médicos que ligam mais essa parte da longevidade e da saúde, é que comecei a perceber que não, isto realmente é por mim. E também tive o meu pai que morreu de cancro e muitas vezes os cancros estão associados à má alimentação. Meu pai era magríssimo, mas comia todos os dias fora, fritos e coisas que a gente sabe que não são muito boas para o organismo. E muitas vezes nós sabemos que os cancros estão associados à má alimentação, muitas vezes nem é genética, são coisas que efetivamente o corpo vai gerando e que acaba por despoletar numa doença dessas. E eu acho que foi mais quando eu comecei realmente a preocupar-me comigo, que comecei: "Ok, isto tem que ser por mim e pela minha saúde."
Mas tu tiveste algum momento em que isso te bateu ou alguma coisa que aconteceu com a Marlo, algum momento na tua vida que te fez parar para tu pensares?
Foi o ano passado. Eu tive uma gravidez ectópica e tive que ser operada de urgência. Foi assim, entre descobrir que estava grávida e ser operada de urgência, foram 24 horas. Eu depois até partilhei no meu Instagram, foi uma coisa muito dura, porque o meu corpo avisou-me de tudo. E eu estava atenta aos sinais e por isso é que fui fazer o teste e depois tive a sorte de apanhar uma médica, que foi um anjo, que não olhou para mim só como um número, percebeu logo que havia ali qualquer coisa que não estava bem e não descansou enquanto não confirmou que era uma gravidez ectópica. Desculpa, é a minha ignorância. Gravidez ectópica é uma gravidez que nasce fora do útero e tu corres risco de vida, podes morrer. Se ela explodir, há uma hemorragia gigante e se não fores tratada a tempo, morres. E eu descubro isso na quinta-feira e eu sábado ia fazer os Caminhos de Santiago. Então se eu fosse, eu hoje podia não estar aqui. E o meu corpo avisou-me de tudo e foi nesse momento que eu tomei consciência que eu maltrato tão mal o meu corpo, a comer o que não devo, a não fazer exercício físico, a estar sempre a xingá-lo, tipo: "Estou gorda, estou isso, estou aquilo." Sim, eu discuti. E ele avisou-me de tudo. Ele é a minha casa e ele avisou-me de tudo. Ele curou-se por ele próprio. Depois temos esta coisa fantástica que é o corpo humano, e principalmente o corpo da mulher, que passa por tantas alterações. E eu estou sempre a maltratá-lo, a dizer isto e aquilo, a não cuidar bem dele. E ele avisou-me de tudo, ele foi o meu melhor amigo. E eu acho que para mim esse foi efetivamente o meu ponto de viragem. E como é que depois conseguiste dar a volta por cima? Terapia? Sim, eu já fazia terapia. Aquela primeira semana pós-operatória, tu não te podes mexer. E imagina uma pessoa como eu não se poder mexer, é literalmente estares uma semana a olhar para o teto. Foi muito duro, porque é muitas emoções que acontecem ali. Lidar com as emoções e também estar o trabalho parado. Estar a sentir essa depressão também. E que tu nem sabes de onde é que aquilo está a vir. E naturalmente também, embora não fosse uma coisa planeada, e eu sempre disse que não queria voltar a engravidar, é também o processo da perda, que não te apercebes logo. Naquele momento, para mim, o meu maior choque foi perceber que se eu não tivesse tido uma médica como tive, eu podia ter morrido, porque imagina aquilo rebentar e aquilo estava a evoluir de forma muito rápida, porque o teste que eu faço, que eles veem aquela questão das hormonas, o primeiro que eu faço vai em 6000 e quando eles me fazem depois já na maternidade para perceber se eu podia fazer um medicamento ou tinha que ir para cirurgia, já está em 12.000. Isto numa questão de menos de 24 horas. Ou seja, aquilo estava a evoluir de forma muito rápida. Depois é a retirada também de uma trompa. Não sinto que seja menos, até porque também não quero engravidar novamente, então não é uma questão para mim. Ficas com marcas, naturalmente, com cicatrizes, que ainda estava a comentar, que agora ponho o biquíni e sempre disseram: "Isso vai ficar disfarçado" e não sei o quê. E eu achava que o meu biquíni ia tapar, mas não tapa, então pronto, tens ali aquelas marquinhas que te vai lembrar sempre a situação. Mas sim, a terapia é fundamental também para isso e também tentares perceber por que essas coisas também te acontecem. E eu acho que no meu caso também, independentemente de tudo, também foi um bocado isso. Foi 41 anos a tratar mal um corpo, que no fundo só quer o meu bem. E a tratar mal por quê? Porque as prioridades estavam trocadas? Sim. Achas que sempre foi muito foco no trabalho? Eu faço dietas desde os 16 anos. Foi a primeira vez que eu fui a um endocrinologista, que a minha mãe me levou, foi aos 16 anos. E eu já fiz todas as dietas e mais algumas que existem. Já pesei 50 quilos, já pesei 82 na gravidez, que foi uma estupidez também, engordei imenso. Mas ando sempre assim, para cima ou para baixo. E quando eu digo maltratar é nesse sentido, é não haver efetivamente um compromisso. Que eu acho que isto tem que ser um compromisso conosco de: "Ok, isto pode demorar o tempo que demorar, mas é isto que eu quero para a minha vida." E pode haver realmente um desleixo, um jantar aqui, um almoço ali, mas há uma consistência. E achas que aconteceu uma mudança de mindset em ti? Sim, nessa altura, sim. Claro que eu não gosto de dizer isto agora, porque eu estou a tratar essa parte, então acho que quando a gente afirma, acaba por trazer. Mas eu sofri durante anos de compulsão alimentar e isso foi uma coisa que também, mesmo nesse episódio, eu agora já estou na fase em perceber quais são os gatilhos que me levam a isso, mas mais do que perceber quais são os gatilhos que me levam a isso, é perceber o que eu posso fazer para não cair ali outra vez. Para não ser o teu mecanismo de escape. Sim. Agora eu estou nessa fase, então eu já não posso. Teve uma amiga minha que me proibiu. "Tu não podes dizer isso." Proibiu de dizer: "Tu não tens compulsão alimentar." Por acaso eu digo sempre. Apesar de sentir que já tratei uma boa parte disso, eu digo sempre que tenho. Mas não devemos. Não, faz sentido. Porque é como ela diz, se tu não tens, porque se tu tivesses compulsão alimentar, tu estavas todos os dias a fazer isso. E no meu caso, não, eram episódios, era qualquer coisa que tinha funcionado mal no trabalho, qualquer situação que me causasse mais estresse, uma discussão com a minha mãe, mesmo que leve, uma coisa assim, que me despoletasse isso, era logo ali que eu me ia refugiar. E o cansaço Muitas vezes, não sei se as pessoas têm consciência disso, mas a hora em que as pessoas mais se queixam de não conseguir controlar é à noite. É aquele fim de tarde em que estamos a chegar a casa, preparar jantar, jantar, noite. E eu muitas vezes estava a ir para casa, eu não tenho nada dessas coisas em casa, mas tive o azar de morar sempre ao lado do supermercado. Então eu: "Oh, Glovo!" Ia comprar e tinha o meu momento. Mas muitas vezes, se eu botasse a mão à consciência, era só cansaço. E se eu me deitasse e descansasse um bocadinho, se calhar quando eu acordasse já não se passava nada.
Acho que às vezes também é aborrecimento. Vou pensar, vou pôr aqui uma série.
Não. No meu caso nunca era aborrecimento. Mas sim, acontecia muito também estar a ver televisão e puxar.
Puxar por isso.
Mas, no meu caso, eu sentia muitas vezes que era isso. Eu estava cansada, então era aquela coisa: "vai me dar um conforto no estômago, vou ficar aqui aconchegadinha e depois durmo." Quando podia só ir descansar. Por exemplo, uma das coisas que causa imensa fadiga é falta de vitamina D, e apesar de morarmos neste país maravilhoso a nível climático, toda a gente tem falta de vitamina D e ninguém tem essa noção. Eu faço suplemento de vitamina D, mesmo assim estou sempre nos mínimos, porque é uma coisa que efetivamente nós temos todos muita falta. E é uma coisa que está muito associada a isso também.
E muitas vezes nós achamos que é só comida, mas não é só comida.
Nunca é só comida.
Há muita coisa por trás. E neste momento tu dizes que estás nesse processo de trabalhar a parte alimentar e como é que passou por isso? Para além de terapia, para ajudar ansiedades e lidar com cabeça, porque muitas vezes vêm perguntar sobre isso também, como é que se pode sair deste buraco? Que muitas vezes parece que não vês uma luz.
Não, eu acho que é isso, é chegar realmente a algo na tua vida que acontece, lá está, ou saúde, ou efetivamente não consegues mais. Mas acima da alimentação, acima do exercício, aquilo que é mesmo preciso é mentalidade. É muito cabeça. E por isso é que muita gente procura ajuda junto do nutricionista e acho ótimo, porque há esse acompanhamento.
Mas não é um plano de uma nutricionista que te vai salvar.
Não, mas tens aquele acompanhamento, aquele compromisso de saberes que tens ali uma pessoa a quem responder. É um bocado isso, que quando não temos, não temos propriamente-
Tens um controlezinho.
Exato. Mas eu sinto que o que as pessoas sentem falta é mesmo de um acompanhamento quase diário. Mas depois eu acho que as pessoas também não partilham o suficiente. Por exemplo, eu criei uma comunidade há pouco tempo, agora como tive uma alteração na Marla, tive que deixar cair algumas bolas e essa foi uma delas. E eu não sei se foi pela questão da plataforma que eu escolhi para fazer a comunidade, e eu tinha lá quase 100 mulheres subscritas e ninguém falava.
Qual é a comunidade?
Era no Circle, que é mesmo uma plataforma para comunidades, e nós tínhamos quase 100 pessoas subscritas na comunidade e estávamos a fazer um desafio que tinha a ver com isso, alimentação, exercício físico, leitura.
É da Maker Girl Club, era isso?
Sim. E eu não sei se aquilo, se fosse no WhatsApp, toda a gente, como é uma coisa que tu estás ali, todos os dias usas, vais lá quase de hora em hora e as pessoas partilham. Não sei se foi pela plataforma ou se é mesmo uma coisa das pessoas também. Porque eu sinto que as pessoas precisam desse apoio e dessa mão quase amiga. "Olha, bora, tu consegues, vamos lá." Ou se, por outro lado, quando estão nesse momento de partilha, não se sentem à vontade suficiente para fazer essa partilha, porque muitas vezes acontecia. Às tantas eu já estava: "Poxa, já não consigo, mais um dia." E se tivesse ali alguém a motivar, tipo: "Já fiz a minha corrida, já fiz meu exercício, já fui dar a minha caminhada, olhem o meu pequeno-almoço," se calhar aquilo, e era como eu encarava aquilo, todos os dias alimentava aquilo dessa forma para inspirar essas pessoas.
Tu criaste isso para isso também? Para tu também teres essa comunidade?
Também, mas também precisava que me alimentassem dessa forma. Que também me dessem essa força, que muitas vezes não temos. Todos os dias não acordo com vontade de comer saudável.
Sim, e não é porque acontece a mudança, e porque fazes terapia e tudo mais, que de repente todos os dias vão ser perfeitos. Eu acho que isso é a maior dificuldade. É acharmos que a partir daí, o caminho é sempre a subir.
Não. E nunca é só subir. É um jogo infinito.
É isso, mas quando vimos que há baixas, pensamos: "Ei, de repente já voltei tudo atrás." E é o pensamento 8 ou 80.
Sim, mas não voltaste tudo atrás. Também já tens um caminho feito. E é um jogo infinito, vão sempre haver altos e baixos.
Queria perguntar também sobre o conceito que agora se usa muito da melhor versão. O que tu achas sobre isto?
Olha, eu pratico muito essa expressão da melhor versão, mas eu não considero que a nossa melhor versão seja termos um corpo descultural, termos uma alimentação incrível. Eu acho que a nossa melhor versão é mesmo sermos o melhor para nós e para o outro. Isso é o que eu considero ser a minha melhor versão. É estar num estado de consciência tão tranquila e tão consciente daquilo que eu quero para a minha vida, que nada do que aconteça me abala E eu serei sempre o melhor para mim e para os outros. Isso para mim é ser a minha melhor versão, mas eu sei que há uma pressão gigante, até por esta questão de agora tudo são makers, toda a gente faz, toda a gente precisa ter um negócio, toda a gente precisa de ser empreendedor. Eu acho que as pessoas começam depois a ficar num sufoco tal que não conseguem, criam ali uma ansiedade entre elas. Eu própria tinha muito essa coisa de encorajar as pessoas a fazer, sair da zona de conforto, mas as pessoas fazerem e saírem da zona de conforto não quer dizer que elas tenham que ir criar alguma coisa ou fazer alguma coisa por conta própria. Tu podes fazer muito mais por ti e sendo a melhor no teu cargo, numa empresa. Se tu gostas de estar ali, tu consegues ser a melhor. Esforçares-te para isso. Isso também é fazer acontecer. E eu tinha muito essa coisa, e eu tenho esta coisa dos sonhos e de achar que toda a gente deve seguir os seus sonhos e arriscar, mas muitas vezes o sonho não quer dizer que tu tenhas que largar tudo. E hoje eu tenho essa consciência. Eu fiz isso e correu bem, mas eu acho que há muita ansiedade nesse sentido hoje em dia, de toda a gente tem de fazer. E eu já não tenho tanto esse discurso, já tenho mais o discurso de primeiro ser o melhor para ti e para os outros, porque depois também a vida acaba por se encarregar de abrir as portas que tenha que abrir e das oportunidades que vão surgir.
Sempre acho que isto acaba por ser um loop do desenvolvimento pessoal. Tu entras neste mundo e depois tu sentes que estás constantemente a falhar, porque tu queres ler todos os dias, queres treinar todos os dias, queres comer bem todos os dias, beber água, e de repente começa a acrescentar à lista. E são muitas coisas que tu queres fazer e se tu não consegues fazer tudo, tu sentes que estás a falhar.
Entras em ansiedade. Sim.
Por isso é que eu acho que às vezes, e eu própria dizia muito "a melhor versão", constantemente, e parei porque percebi que podia ser uma ansiedade para pessoas que, se calhar, associam isso a um trigger de eu tenho de ser melhor, porque hoje em dia eu ainda não sou boa. Percebes? Acho que é mais este raciocínio que eu comecei a fazer e que para mim faz mais sentido. Por exemplo, também falas muitas vezes de 1% melhor todos os dias, de ser em pequenos passos, e que nós nunca estamos num patamar abaixo do que estávamos antes, mesmo que seja num low. O low vai ser um low mais alto do que o que foi o anterior.
Sim, era o que eu estava a dizer há bocado. Nunca é voltares para o início, porque já tens um caminho, então tu também já percorreste alguma coisa. E lá está, hoje se calhar eu não bebi um litro e meio de água, mas se calhar li 20 páginas. Pronto, olha, não fiz tudo, mas fiz alguma coisa das que estavam supostamente na lista do ser a minha melhor versão. Mas lá está, eu acho que isto das redes tem muito de bom e tem depois esta parte.
Que nos consome, de compararmos constantemente.
Que nos consome muito, de nos compararmos, sim.
Mas acho que também tem o lado bom, lá está, da comunidade, que eu acho que é super importante. A ti também te deve ter ajudado o partilhares o processo, não é?
Sim. E sempre que partilho ou que comunico: "Olha, agora vou começar isto," e as pessoas estão ali a dar força e inspiram-se. E aliás, sempre que eu ponho qualquer coisa de vou começar qualquer coisa, as pessoas pedem mesmo para eu criar um grupo tipo do WhatsApp ou do Telegram, para as pessoas também entrarem e também fazerem parte, porque se inspiram e lá está, quando estamos todas para o mesmo, corre tudo muito melhor. É como ires correr ou ires fazer um desporto qualquer. Se fores acompanhado, o compromisso é outro, a vontade é outra.
Mesmo, por exemplo, a relação com a alimentação, eu senti muito isso quando me abri desse tema, que muita gente também se identificou e gerou ali muita conversa num tópico que eu acho que muitas vezes nos sentimos muito sozinhas, porque sentimos que é só conosco e aqueles pensamentos intrusivos.
Sim.
E é difícil sair deste loop quando não falamos com pessoas à nossa volta. Eu acho que isso também é muito importante, estavas a falar há bocadinho. Tu conseguiste sempre facilmente falar abertamente sobre este tema com pessoas à tua volta?
Não, imagina. Eu era capaz de, um exemplo, tenho um ataque desses, eu vou comprar um pacote de batatas fritas, um pacote de bolachas, um chocolate, pão, mil coisas. Eu depois escondo os pacotes todos, que nem sequer vão para o caixote do lixo, para ninguém ver, e fica tudo escondido. Percebes? Eu não conseguia há um tempo atrás. Agora eu já falo disso abertamente com algumas pessoas, porque para mim, lá está, já não é um tema.
Já não é vergonha.
Mas era quase como tu teres um vício daqueles mesmo pesados e que ninguém podia saber.
Uma droga.
Uma droga, porque é uma droga, o açúcar é uma droga. E então para mim era tabu. E eu tenho isto desde muito cedo, desde muito cedo que eu me lembro de não tinha essas coisas em casa, mas de ir comprar ao supermercado e eu derretia um sortido de bolachas assim em cinco minutos.
Até te sentir mal.
E depois, lá está, eu dizia que eu era bulímica, a única coisa que eu não fazia era vomitar a seguir, por isso é que depois ficava tudo cá dentro. Eu tinha muitas vezes esta expressão mais nova comigo mesma. Não falava com ninguém, era a expressão comigo mesma para o meu diário, que na altura tinha um diário. E então, agora não. Agora como é uma questão realmente que eu estou a tratar, que já encarei, faz parte de mim, mas é algo que eu quero que deixe de fazer, e estou a trabalhar para isso, então é quase tipo Alcoólicos Anônimos. Quando fazes um mês, é: "Um mês!" e um ataque de compulsão alimentar.
Sim, estamos nos a rir, mas isto é mesmo real.
Mas é real.
É real. Eu também tenho na minha cabeça a última vez que tive e consigo lembrar-me disso também.
Sim.
Mas o essencial é isso, é passar pelo processo, é perceber quais são os triggers e arranjar outras ferramentas. Que ferramentas é que tu tens hoje em dia que te sirvam de escape, que não seja a comida?
Olha, eu comecei a fazer journaling, não fazia Mas lá está, em miúda, sempre tive diários e sempre escrevi em diários, sempre tive essa coisa. E agora voltei um bocadinho a isso, à escrita de coisas que estão cá dentro, que não saem para ninguém. Dizerem para quando estiver a dizer que me vai fazer uma caminhada. Não, isso para mim não resulta, não funciona. Mas tento arranjar coisas que me distraiam a mente, porque como isto para mim é uma coisa muito de mente e de mentalidade, eu tenho que arranjar estratégias que me ocupem a mente. E então ou faço desenhos, ou vou pintar, agora estou a comprar coisas para um hobby que quero começar a desenvolver, que é pintar, que eu sempre adorei pintar e durante muito tempo deixei. Agora com meu filho, voltei um bocadinho a essa brincadeira de pintar. Por exemplo, jogos que eu esteja ali tão focada, de desenvolver no telemóvel, coisas de desenvolver que nem pensas.
Para o teu cérebro ir para o outro lado.
Ir para o outro lado, que eu acho que está a funcionar, neste momento está a funcionar, que é esses jogos de estratégia, qualquer coisa que a tua mente está ali tão ocupada com aquilo, porque lá está, ler já não funciona nesses momentos.
Não, porque o teu cérebro vai para o outro lado.
Está sempre ali, ver televisão muito menos. Então tem que ser coisas que ocupem as mãos e a cabeça.
Ok, isso é uma boa estratégia. Nunca pensei nisso. Imagina, eu acho que para mim é correr, porque o meu cérebro quando estou a correr, não consigo estar focada noutras coisas, porque estou em sofrimento. Eu só estou a pensar naquilo que estou a fazer. Então acho que acaba por ser um escape nesse sentido.
Sim.
Para mim foi isso que me ajudou.
Eu odeio correr, mas eu adoro a sensação que a corrida me dá. Eu ia correr de manhã e a energia com que eu ficava para o dia, nos dias que eu corro, não tem comparação. Só que eu comecei a correr, acho que foi o ano passado ou no início deste ano, tive logo uma lesão muscular. Depois parei, porque sentia que sempre que corria, piorava. Depois, como não curei, cheguei ao ponto de ter mesmo que ir ao hospital levar uma injeção para desinflamar aquilo tudo. E agora ainda não voltei, como tenho medo.
Pois, eu também passei por esse processo.
Então agora tem que ser devagarinho outra vez. Estou com as caminhadas, daqui a mais, se calhar, corro um quilómetro e vejo como é que me sinto, e vou aumentando assim, porque lá está, eu já estava a fazer aquilo mesmo direitinho. Era quase todos os dias eu saía de manhã, já fazia parte da rotina.
Sim, depois até que começa a fazer falta, não teres isso.
Sim, muito, o corpo sente muito. Eu acho que sente mais com a corrida, pede mais do que quando é, por exemplo, um treino de ginásio. Isso eu sentia isso.
E tu sempre conseguiste priorizar fazeres desporto, teres tempo para ti, mesmo com a loucura de estar a construir a Marla?
Não, eu durante muito tempo não fiz desporto. Aliás, eu em 2019 cheguei a perder 13 quilos e sem fazer...
Só dieta?
Nada, só dieta, porque eu odeio fazer exercício físico, eu sou a pessoa que odeia. Quando eu estou na cena, eu gosto e adoro o activewear e aqueles conjuntinhos todos, adoro tudo isso.
O lifestyle.
O lifestyle. Mas eu odeio fazer exercício físico, mas lá está, se eu estiver naquele humor de ir.
Só custa começar, não é?
É muito isso, é quando o corpo depois começa a sentir o próprio corpo, lá está, como estamos a dizer, vai pedir. Mas foi em 2023, se não estou em erro, eu andava sempre atrás de uma amiga minha, que é PT, a Sara, para ela me treinar. Eu estava sempre: " tens que me treinar". Porque eu sentia, e eu já tinha tido imensos PTs antes dela, mas eu sentia que só ela é tipo aquele bruto meigo, sabes? Que é de género.
Sim, tem a autoridade para...
"Consegues o quê? Mas não consegues o quê? Estás tola? Mas claro que consegues, ainda vais pôr mais carga", deste género, mas que depois eu fartei-me de chorar em treinos com ela, ela era tipo a minha terapeuta, que eu na altura não tinha terapeuta. Eu acho que ela foi mais minha terapeuta que PT. E quando eu comecei a treinar com ela, foi em 2023, em janeiro, porque eu ia fotografar pela primeira vez um biquíni na Marla em março, ou seja, nós tínhamos três meses para ela transformar o meu corpo. Então nós treinávamos duas vezes por semana e isso foi a primeira vez que eu comecei a colocar os treinos na minha agenda. É como se fosse uma reunião, é um compromisso e eu não posso falhar. Se tiveres uma consulta, metes na agenda, se tiveres uma reunião, metes na agenda, se tiveres a gravação de um podcast, vais meter na agenda e não falhas. Então com o treino tem que ser igual. E nos dias que não treinava com ela, comecei a correr. E então a junção das duas coisas foi incrível. E foi uma altura que eu estive mesmo ali muito regrada. Cheguei a julho com corpo espetacular. Acho que foi mesmo a altura em que estive na minha melhor forma, foi em julho desse ano. E pronto, depois a vida aconteceu.
E temos um negócio gigantesco para gerir. E como é que isso tudo aconteceu? Eu estive a ouvir a história toda da Marla e também a ler o teu livro, que também conta um bocadinho de como começou só com T-shirts personalizadas, toda do início. E conta também que estavas na altura desempregada e foi uma necessidade.
Foi.
E tiveste de mudar, que também tinhas o sonho da televisão, tiveste de lidar com "isto não está a acontecer, vou por outro caminho". E como é que se lida com isto? Com a vida dá muitas voltas e de repente vai-me para outro caminho completamente diferente e se calhar estou a deixar de lado este sonho. Como é que foi na altura lidar com isso?
O sonho da televisão, se não estou em erro, foi em 2007, que estive no casting do Curto Circuito. Cheguei às semifinalistas e depois quando não passei às finalistas, fiquei mesmo chateada e zangada. E eu pensei: "Não quero mais isto. Não quero estar mais nesta coisa dos castings." Eu vinha a imensos castings a Lisboa e pronto, era sempre nãos e nãos, lidei com muitos nãos na vida E o Curto Circuito, na altura, foi o único que eu senti que eu tinha ali mesmo uma boa oportunidade. Acabou por ganhar uma grande amiga minha, a Diana Bossa Nova. Fiquei feliz, pelo menos ganhou alguém que era da área e que fazia aquilo realmente com gosto. E na altura eu tive muitas propostas até de produtoras que acompanham esses castings e veem ali pessoas com algum potencial, mas era tudo aqui em Lisboa. Eu acho que foi 2009, não foi 2007, foi por aí o que eu fui. Mas eu sabia que se eu quisesse vingar nessa área, eu teria que vir pra Lisboa, eu lá em cima não tinha grande hipótese no Porto. Então eu disse: "Não, eu não quero mais televisão, isto é muitas desilusões, eu não tenho estaleca suficiente pra lidar com isto." Mas é um sonho, sempre foi, acho que sempre vai ser, porque adoro comunicar, adoro falar pras câmeras. E eu acho que foi também essa parte tão genuína minha de comunicar e de falar pras pessoas, que acabo por conseguir construir ingenuamente esta comunidade que me acompanha desde o início, desde a marca, porque eu já tinha um blog. Então quando a minha marca nasceu, eu também já tinha uma voz no digital. E depois entra o Facebook e depois o Instagram, e cada vez estás mais próximo das pessoas. Na altura, foi uma decisão que eu tomei mesmo por mim, porque eu sabia que não queria vir morar pra Lisboa e sabia que no Porto ia ser muito difícil conseguir vingar nessa área. E então foi quando eu me comecei a dedicar ao marketing, porque o meu curso também tem essa variante, também era uma coisa que eu gostava, e sou apaixonada por marketing também. E acho que nas redes sociais e na marca, consegui encontrar um bocadinho desse sonho que eu tinha, que é: eu posso falar pras pessoas, eu posso comunicar pras pessoas.
E tens a liberdade criativa de fazer aquilo que bem quiseres.
Que bem quiser. E então acho que foi juntar um bocadinho o útil ao agradável e sem querer, perceber que estava realmente ali do outro lado alguém que também se identificava e gostava e que foi ficando. Tudo de forma muito naïf e ingênua.
Sempre foste assim muito de ir atrás, porque também contaste que em três anos mudaste pra 12 vezes de emprego, que não é fácil pra malta nova, principalmente agora, fala-se muito na mudança de emprego, ser alterações de currículo, ser um processo complicado, deixar furos no currículo. Há muito medo de mudar, muito medo desta mudança. Sempre foste assim muito de vou fazer por mim, vou fazer aquilo que me apetece?
Eu sempre fui muito de onde eu não estou bem, eu não fico. Eu mudava de empregos e eu deixava tudo pra trás. Eu não recebia os meus direitos, eu saía. Eu quero sair, eu só tinha que ter outra à espera, porque tinha responsabilidades, e tinha que pagar contas. Ou seja, eu sabia era que tinha que ir trabalhar novamente, não podia dar ao luxo de ficar em casa. Mas hoje em dia isso não existe. Quando alguém não está bem no emprego, acaba até por prejudicar todo o ambiente da empresa, por esse mal-estar que é causado só por essa pessoa. Só não, porque há empresas que efetivamente causam mal-estar nos funcionários e depois aquilo acaba por ser ambientes muito tóxicos, em que eu também trabalhei. Mas se eu não estava bem, em primeiro estava sempre a minha sanidade mental. Então se eu não estava bem, eu preferia sair, eu preferia saltar fora e não olhar pra trás, porque eu também percebia que não era naquele ambiente que eu ia evoluir ou progredir profissionalmente. Então nunca fui muito de olhar pra trás.
E achas que hoje em dia na Marla é das maiores dificuldades gerir pessoas?
É um dor de cabeça. Muito grande.
Pois é, que passaste agora pro outro lado.
Sim, muito grande.
Porque também tens que estar a gerir-te a ti, tens que estar bem tu e garantir que as pessoas também estão bem.
Sim. E gerir egos é muito difícil.
Acredito. Qual foi a maior dificuldade que já tiveste na Marla?
Foi mesmo com a equipa. Foi mesmo um episódio que se passou em 2023, que foi o período em que eu vim pra lá baixo, porque eu sempre trabalhei em sítios muito tóxicos e nunca sonhei um dia ter uma empresa e ter funcionários, mas sempre tive a máxima de que se um dia eu tiver funcionários, eu jamais faria isto aos meus funcionários. E então eu sempre tentei ser aquela pessoa que era tipo amigos, era família, era estamos todos pra o mesmo e somos todos para o mesmo. E percebi que as pessoas também não viam isso assim, apesar de mostrarem isso.
E isso levou que tu também quisesses fazer a mudança de prioridades na tua vida, de pôr limites, tirar pessoas.
Sim, não tenho quase estrutura nenhuma porque não quero mesmo. Porque não quero, porque não sei gerir, então prefiro não ter.
Tipo pra te resguardar a ti também.
Sim, porque a nível mental foi um período muito duro pra mim mesmo.
Acredito.
Pra me reabilitar, foi muito difícil.
E foi isso que depois gerou o processo de queres também mudar.
Sim.
E a nível de futuro agora pra marca e pra aquilo que tu estás a fazer no digital, o que que tu imaginas seguir mais um percurso agora de desenvolvimento pessoal? É difícil dissociar a Marla da Sílvia também?
Sim.
E estás no processo de tentar fazer um bocadinho isso, pelo que eu percebi?
Sim, eu já tentei. Aliás, no ano passado eu tentei, quando saí de frente das câmaras e pus uma manequim e quis um bocadinho separar essas águas para começar a trabalhar a minha marca pessoal, sendo que eu já trabalho a minha marca pessoal desde o tempo do blog. Eu é que não sei isso, mas agora como se fala muito disso, eu achei que tinha que fazer alguma coisa, mas efetivamente a minha marca pessoal também eu acho que foi um bocadinho o que levou a Marla onde chegou. Eu gostava de dizer que sim, que era possível, mas eu chego à conclusão que não é. E a grande prova disso é que eu agora voltei a tomar conta das redes sociais, não era eu até então que estava, e eu noto uma diferença gigante. E não é porque ninguém faz como eu, é porque se calhar ninguém comunica a minha marca como eu e sabe aquilo que as pessoas se identificam e responde na hora. Não deixar ninguém à espera de-
Não, eu identifico-me totalmente. Na altura quando tinha a Flare era muito isso. Quando era eu a pôr a energia, as coisas eram diferentes.
É diferente. E às tantas, tínhamos uma miúda que era incrível e era a designer, e eu passei-lhe essa pasta, que para mim foi muito difícil, porque achei que nunca iria conseguir. E às tantas tu queres estilizar a tua marca e fazer uma coisa mais estética e não sei quê, porque vês as outras marcas e fica cool, mas depois isso não funciona. Não funciona quando a tua marca não foi associada a isso. Sim, não funciona quando a tua marca não foi associada a isso, nem nunca cresceu assim. E eu levei algum tempo para perceber isso.
Mas como é que fazes a gestão do teu pessoal, aquilo que tu queres partilhar, que não queres partilhar? Porque tu dizes que agora estás numa fase mais de olhar para dentro. Eu também sinto totalmente isso. E sinto que é difícil às vezes quando eu quero olhar para dentro, mas a minha vida é para fora. Como é que se faz esta gestão?
Olha, no meu pessoal, na Marla, eu compro um plano. Ponho as publicações lá, sou eu que faço, mas tento todos os dias, uma vez por semana, sentar-me e planear logo as publicações todas para não estar presa a isso todos os dias e aquilo sai direitinho agendado, a menos que haja alguma alteração e eu precise de mudar ali algum post ou porque vai sair uma peça nova ou porque há uns portes grátis, aí pronto, tenho que ir mexer na hora. No meu, eu não ligo a nada, eu não ligo às melhores horas para publicar, eu não ligo ao algoritmo, eu não ligo à música que está trending, eu não ligo a nada disso.
Eu digo mais no sentido de partilharmos tanto, quando estamos numa fase tão introspeção.
Desculpa, e eu acabo por partilhar aquilo que às vezes me vem. E eu sinto muito isso de, se calhar, eu não quero partilhar tanto, porque lá está, porque eu estou num processo para dentro, mas as pessoas também estão habituadas a esta partilha e também é com esta identificação que elas vão ficando aqui e vamos alimentando também isto. Então eu acabo por partilhar aquilo que eu também acho que vai acrescentar às pessoas, nomeadamente isso: "Olhem, hoje já fui fazer a minha caminhada." Por exemplo, eu comecei também a ler devocionais há quase um ano e era uma das coisas que nós tínhamos lá na minha comunidade, no Circle, eu fazia a leitura dos devocionais todas as manhãs para quem quisesse ouvir, e fosse crente. Mas às vezes são essas partilhas, ou de livros, ou disto, ou daquilo, ou de algum exercício que fazemos que efetivamente foi bom para nós e que pode ser bom para o outro. Então eu foco mais as minhas partilhas nisso e se calhar, no passado ou há pouco tempo, a minha partilha não era tanto essa, era mais pessoal, era mais a minha vida. Eu, por exemplo, agora é raro colocar alguma coisa muito pessoal.
É definires melhor os teus limites. Eu também sinto que faço muito melhor isso. E tendo um propósito, é: "Estou aqui para inspirar pessoas."
Exatamente.
Não é para partilhar a minha vida ao minuto.
É isso, não preciso estar a partilhar que fui almoçar aqui, fui jantar acolá, que fiz este arroz de bacalhau, que o meu filho se portou mal, que tenho a casa toda arrumada ou desarrumada. Eu deixei um bocadinho isso de lado, embora isso também as pessoas gostem de ver, mas às vezes deixo essas partilhas mais para o meu canal do Instagram, essas partilhas mais pessoais.
Para proteger também e proteger os teus.
Sim, e porque também sei que quem está ali, e ainda disse isso esta semana, quem está ali está porque quer e porque gosta no canal, não é porque está a ver o que eu estou a fazer.
Olha, e a definição de sucesso, eu sei que falas agora também muito disto de abundância, redefinição de sucesso, de ser rico, de ter muito dinheiro. Tu sentes que já tiveste alguma fase na tua vida em que chegaste lá e não era tudo isso?
Sim, quando a Marla atingiu assim-
O que é sucesso para ti hoje?
...um pico. Hoje, para mim, sucesso é ter liberdade. É ter liberdade para acordar à hora que eu quero, mas acordo todos os dias às 6:00 da manhã. Ter liberdade, por exemplo, para vir para Lisboa gravar isto e estar hoje de manhã na esplanada do hotel a trabalhar, é ter liberdade para sair de manhã, ir trabalhar para um café, porque nem escritório tenho atualmente. É mesmo voltar ao zero, não ter estrutura, não ter este peso em cima de mim. Isso para mim é liberdade hoje em dia. Sucesso.
Sucesso.
Que é liberdade.
Olha, estamos aqui a chegar ao fim, mas antes disso eu queria só entrar aqui num tema que é manifestação, que eu sei que tu falas muito e eu também. Estou a dar assim os pequenos passos, a tentar perceber de que forma é que isto pode entrar na minha vida, que eu acho que tenho um bocadinho de dificuldade em manifestar e em visualizar. Se achas que manifestaste a vida que tens hoje?
Eu acho que inconscientemente manifestei. Por exemplo, eu hoje moro numa casa que jamais ousaria, se calhar, pensar em morar, mas sempre disse que queria morar em frente à praia, e hoje moro. Eu acho que ninguém é feliz a 100%, mas eu acho que quando tu estás bem contigo e com a tua vida, podes dizer que és feliz, é a coisa mais importante. Tens saúde, tens família, tens comida na mesa, hoje em dia, que há tanta gente que não tem. Acho que posso dizer que sou feliz nesse aspecto. E se calhar, os meus primeiros quadros dos sonhos, que para mim, a minha manifestação é muito a partir dos quadros dos sonhos e tenho um curso sobre isso. Se calhar, tinha muitas coisas materiais lá. Tipo um relógio disto, uma carteira daquilo. E hoje em dia não, hoje em dia é um pasto com cabras.
É paz. Calma, não chateiem.
Manter aquilo que eu tenho, e se mantiver aquilo que eu tenho, está ótimo. Porque acho que a abundância vem mesmo de dentro e não é clichê. A abundância tem mesmo que vir de dentro, não de fora.
E de que forma é que a manifestação entra no teu dia a dia?
Olha, eu ando muito preguiçosa nisso. Mas eu normalmente faço um quadro dos sonhos no início do ano.
Mas é uma espécie de mood board?
É. São fotografias ou coisas que tu já tens. Por exemplo, eu tenho muita coisa, como eu estou neste mood de "estou bem". Não é uma questão de não ser ambiciosa, mas eu estou bem, então também daqui para cima não sei o que é que há. Não sei se quero descobrir, porque quanto mais sobes, também maior é a tua responsabilidade, e eu já percebi que eu não quero estar nessa responsabilidade. Então eu uso muito no meu quadro dos sonhos aquilo que eu já tenho, numa perspectiva de manter aquilo que eu já tenho. E depois coloco algumas coisas que acho que gostava de atingir, mas são muito, hoje em dia, experiências. Por exemplo, desde o Natal do ano passado, todas as minhas prendas são experiências. Eu deixei de dar coisas materiais às pessoas, porque acho que tem muito mais sentido. E eu acho que isto tem tudo a ver com esta mudança.
E as pessoas gostam muito mais de receber.
É, e depois é mesmo diferente. E tenho isso, experiências e coisas assim com amigos. Eu faço sempre isso no início do ano, e depois às vezes faço as cartas, que é escrevermos a nossa realidade como se ela já existisse. Isso também é muito bom para a manifestação.
Mas usas isso também para visualizar ou só mesmo a parte da escrita?
Escrita. Muitas coisas que nós temos no nosso inconsciente, o nosso consciente não acede a elas. Muitas coisas que nós pensamos, se estiverem sempre ali e nós tratarmos delas como se elas já fossem a nossa realidade, o universo não distingue se é um pensamento, se é algo que é concreto. E então tu estás a emitir sempre essa energia.
Preparar o teu cérebro, sintonizar no que é necessário.
Sim, por exemplo, eu lembro-me um exercício, uma altura que eu fiz uma formação, que tinha a ver com a mentalidade também, e um exercício que nós tínhamos que fazer era precisamente ir visitar dois apartamentos de luxo. E eu fui. Tinha que fazer o TPC, eu fui. Eu pensei: "Nunca na vida". Mas é a forma do teu subconsciente aceder a coisas que a tua realidade não acede. Ou comires a um hotel cinco, seis estrelas, só almoçares ou tomares um café. Tu estás a permitir que a tua mente-
Entrar nesse ambiente.
...nesse ambiente, aceda a realidades que não são do teu dia a dia, mas que o teu subconsciente não percebe se são ou não, porque é uma experiência. E a verdade é que pouco tempo depois de eu fazer essas visitas, surgiu a oportunidade de comprar a minha casa e depois tive a oportunidade de estar com a minha formadora cá em Lisboa e de lhe dizer: "Eu não fui fazer o test drive", porque ela também nos obrigava a ir fazer um test drive. "Eu não fui fazer o test drive porque eu já tinha o carro." Não era dos meus sonhos, mas na altura tive que comprar um carro e surgiu a oportunidade de poder escolher o carro que eu queria. Mas eu fui fazer isto das casas e realmente agora surgiu a casa que eu nunca sonhei.
Que, para a tua realidade, é um sonho.
Sim.
Por acaso, eu acho que tenho dificuldade em fazer isso. De pôr os sonhos por escrito.
Não é pôr. E foi engraçado, porque durante a formação, ela obrigava-nos a escrever essas cartas todos os dias, durante um período. E depois quando as coisas se materializaram, eu fiz fotografias do que eu escrevia, porque batia tudo certo com o que eu estava a viver nisso, de eu dizer: "Hoje acordei em frente à praia, fui fazer uma caminhada", longe de imaginar. Eu sempre morei ali em Canidelo, perto da praia, mas não morava ali mesmo.
É que imaginaste a vida que tens.
Sim. E acabei por fazer um curso que sempre quis fazer do quadro dos sonhos e surgiu depois daquele episódio que falamos há pouco, porque eu estava sempre à espera. Ou seja, o que eu sentia? Eu estava sempre a dizer às pessoas: "Comecem com o que têm, façam com o que têm. Não é preciso ter etiquetas, não é preciso ter isto, não é preciso ter aquilo, não é preciso ter o melhor cenário". Estava sempre a pregar isto para as pessoas, mas depois não gravava um curso porque não tinha uma câmera, não tinha um microfone, não tinha um cenário. Então um dia, pouco tempo depois desse Desse episódio, chamei uma amiga minha, maquilhadora: "Maquilla-me." Fui eu que a boleirei.
Mais terror.
Mas foi literalmente, Mariana. Eu pus-me no meu escritório com o meu telefone, com um tripé, sem microfone e vendi centenas de cursos. E é mesmo isso. Às vezes estamos tão preocupados com estes preciosismos.
Deixamos o síndrome do impostor sempre aqui.
Sim, de "não, precisas disto, precisas daquilo". E eu estou a sentir isso agora, porque eu quero também lançar uma mentoria e tenho tudo na minha cabeça e no papel, mas estou: "Não, mas tem que ser uma coisa em condições, tem que ser uma coisa bonita, tem que ser bem feita." E se calhar é só olhar para a câmera e falar e as pessoas vão se identificar.
Sim, é isso que tem resultado até então, é seguir o mesmo caminho.
E nós temos muito essa coisa que às vezes está ali.
Também sinto que estou um bocadinho nessa fase.
Aquele exercício do elástico, que vais e o PT está-te a puxar e tu queres ir. E às vezes é mesmo isso.
É só go for it. Olha, estamos aqui a chegar ao final, só duas perguntas finais. Tens um livro que nos queiras recomendar?
O meu.
Mostra aqui.
Olha, o meu.
Pode ser o teu.
Pode ser o meu, porque eu acho que fala muito disso, de fazer acontecer sem todos os meios e mais alguns. Hoje também vemos muito isso, as pessoas quando começam, já começam lá em cima, porque têm essas possibilidades e está tudo certo, mas para quem não tem, pode também começar com o que tem e fala um bocadinho desse meu percurso. Já tinha história para escrever outro.
A sério?
E vou sugerir o "Às terças com Morrie", que é um livro que eu amo e saiu agora com uma nova capa que está linda do quer.
Não conheço esse livro. É sobre o quê?
É um professor que está em fase terminal de vida, com a doença da Ela, esclerose coiso, uma doença neurológica muito grave, e que é entrevistado todos os dias por um jornalista e dá-nos as maiores lições de vida que podemos ter.
Intenso.
É muito bonito, eu chorei imenso a ler. Já o li três vezes, porque é daqueles livros que também consegues ler em diversas-
"Às terças", como é que é?
Com Morrie.
Com Morrie.
Porque ele ia sempre às terças ter com ele. É muito bonito, é um livro mesmo muito bonito, que não é desenvolvimento pessoal, mas acaba por ser, porque te dá muitas lições e chapadas.
Dá-te que pensar.
De pensar. E então, acho que é uma boa sugestão agora para o verão.
E a nível de um conselho que tu tenhas recebido recentemente e que tenha marcado, que queiras deixar por aqui?
Não é um conselho que eu tenha recebido, mas é um conselho que eu tenho praticado.
Ok.
Que é: não faças a ti o que não gostavas que fizessem contigo. Porque muitas vezes nós temos aquele lema do não faças aos outros o que não gostavas que fizessem contigo, mas acabamos muitas vezes por nos anular e fazer coisas a nós próprios que não gostaríamos que outros fizessem conosco.
É o discurso interno mais uma vez.
Sim.
A forma como nós falamos para nós próprios tem todo o impacto.
Porque quando tu estás bem e quando cuidas de ti, não há como não conseguires cuidar do outro e estares bem com o outro.
É isso. Olha, resumo perfeito para a nossa conversa. Obrigada. Adorei estar aqui.
Obrigada, Mariana, eu também.
Continua a ser a inspiração que és.
Tu também.
Para todos nós. Obrigada. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?