Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Ó sereia, vi quantas escamas têm as tuas feias. E quantas estrelas limpam as artérias. Do mar, onde eu não estou. Ó sereia, és a mulher que canta com as baleias. Que se lava no sal das suas teias. E vai onde eu não vou.

Branco é nosso convidado hoje no ao vivo da Rádio Observador. João Barbosa, muito bom dia. Bem-vindo.

Bom dia, obrigado.

Estamos aqui a escutar o remix da "Sereia" com a Rita Vieia, um dos teus últimos lançamentos. No entanto, o Branco, conhecido também por ter fundado os Buraka Som Sistema, mas que anda mais dedicado à sua carreira em nome próprio nos últimos tempos, vai estar esta sexta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa. Faz parte do Festival Santa Casa Portugal ao Vivo, que se tem dividido entre Lisboa e Porto. De resto, no site do Observador e também no YouTube do Observador, já podem ver um espetacular vídeo do Branco, bem lá em cima, no topo do Campo Pequeno. É um set de 12 minutos, mas Branco, vamos diretos ao assunto. Como é que vai ser esta sexta-feira? Já ouvi dizer que vais ter ali alguns convidados e até algumas estreias no palco.

Sim, a ideia é tentar que seja. Estamos todos tão sedentos de música ao vivo, incluindo eu, e de estar numa sala e de sentir a energia de uma sala, que eu vou dar tudo por tudo, seja convidados, com todo o espetáculo audiovisual que eu já há algum tempo que ando a apresentar, mas tenho vindo cada vez mais a apurar. Agora com alguma música nova, já conta com este remix da "Sereia", o Euclides também que irá fazer o "Tempo Torto", que é um tema que vai sair no próprio dia do concerto. Então a ideia foi tentar preparar aqui para o dia 20 uma espécie de coquetel de emoções audiovisuais e que as pessoas possam usar vários sentidos, para conseguir desfrutar do concerto.

Branco, além deste set que o Nelson referiu que fizeste no topo do Campo Pequeno, ainda há dias estiveste num topo ainda mais alto na Serra da Estrela. Também a gravar um vídeo, não é?

Sim.

Num set especial. De resto, o teu verão foi passado em viagens pelo país que foram sendo registadas em vídeo. É uma experiência bastante diferente de tocar num clube cheio de gente, obviamente.

Claro. Acabou por ser um bocado a minha reação automática e orgânica, não foi nada super planeado, nem uma super manobra de marketing. Foi mesmo uma reação àquilo que iria acontecer. Eu, na realidade, não ia ter concertos durante todo o verão, não ia passar os fins de semana fora, como de costume, e tentei transformar isso numas belas férias de família e aproveitar o máximo possível o verão aqui em Portugal.

E a polícia nunca te mandou para trás. Andaste de um lado para o outro e a polícia nunca te mandou para trás.

Nunca mandou para trás, felizmente. E fui conseguindo aproveitar, consegui arranjar um formato meio portátil do meu setup com que toco, que coube todo numa mochila e, portanto, basicamente acabei por andar aí a roubar bonitas paisagens de Portugal para servirem de fundo em pequenos DJ sets que depois fui metendo no Instagram TV e por aí.

E há um num balão da Arquento, não é? Essas imagens são incríveis. Não tiveste medo? O meu medo quando vi aquelas imagens foi: o material dele vai todo cair abaixo e ele vai ficar sozinho lá em cima.

O problema foi com o material, Nelson.

Sim, estava a meter a impressão aquilo: e se aquilo cai cá abaixo?

Eu acho que esteve mais em risco de cair cá abaixo semana passada no Campo Pequeno do que no balão, por acaso, porque no balão ainda conseguia estar um bocadinho abaixo do parapeito. Aqui no Campo Pequeno, como eu tive que pôr as coisas, tive que colar tudo com fita-cola, senão ia parar tudo cá abaixo. Com certeza.

Branco, deixa-me falar agora dos teus álbuns. "Atlas" é de 2015, "Nosso" de 2019. Esta sexta-feira vais lançar um novo tema. Fala-nos um pouco do tema e de quem é que traz como convidado.

O tema chama-se "Tempo Torto" e é uma colaboração com o Euclides, que é um vocalista, guitarrista e produtor também, e tem alguma música em nome próprio, ainda não muita, mas já está, sem dúvida, super bem lançado. Lançou há pouco tempo um tema com um vídeo incrível também chamado "Ira Para Quê?", que foi, no fundo, aquilo que acabou por me captar a atenção e que despoletou um pouco o contacto e a tentativa de colaboração. Obviamente, não estamos numa fase muito dada a colaborações, nem a grandes enchentes de estúdio. Como tal, é preciso escolher bem estas sessões e estas partilhas. E sem dúvida que tanto o Euclides como a Rita Vian, que por acaso até são os meus dois convidados para o concerto de sexta-feira, foram pessoas com quem tive o prazer de passar algum tempo no estúdio e confirmar que são mesmo das esperanças mais incríveis da música portuguesa para os próximos tempos. Tive a felicidade de trabalhar e de criar música com os dois, que vêm ainda coisas que vêm aí. No fundo, isto tudo são um pouco inícios de relações também para o futuro e estou muito feliz com isso.

Branco, como disseste, são tempos estranhos e altamente limitativos. E sendo assim, o futuro mais próximo passa por quê? Por lançamento de singles ou por trabalhos mais longos?

Não sei. No fundo, a minha forma de reação e aquilo que eu tenho sentido é que eu sinto que há muita falta de as pessoas conseguirem estabelecer ou fazer os caminhos que sempre fizeram para chegar à música nova, para chegar a ideias novas, a gêneros novos, a coordenadas musicais novas. Então, nesse sentido, eu confesso que mais do que álbuns ou singles, eu tenho estado a focar exatamente nestes sets como um veículo para isso acontecer. Seja estes sets mais curtos por Portugal fora, como alguns coisas como o set da Serra da Estrela, por exemplo, ou o set que eu fiz no fim do confinamento aqui no rooftop em Lisboa, que se calhar foram já sets com um pouco mais de produção. Isso eu sinto que esses sets, que são quase playlists, porque as músicas no momento nem sempre estão disponíveis, mas depois acabam por estar, também contam uma história interessante e acabam por pôr as pessoas à procura de música e de cultura e de relacionar um pouco com isso tudo. Portanto, a meu ver, acho que estou mais numa fase de que nem álbuns, nem singles, mas sets ou formatos alternativos de desafiar as pessoas para tentarem chegar à música nova, tanto minha como de outras pessoas e como dos artistas que estamos a trabalhar, neste momento, na Enxova.

Branco, ainda há bilhetes para sexta-feira?

Ainda há bilhetes para sexta-feira, sim.

Que lotação? Tens ideias? Estou curioso com isto. E se eu for, posso dançar?

A lotação da sala foi reduzida a 50% relativamente àquilo que é o normal.

É tudo sentado?

E é tudo sentado, exatamente. Bancadas e plateia.

Até é melhor, Nelson, porque assim não danças e não fazes vergonha aos outros espectadores. Além disso.

Mas eu acho que dá para dançar. Atenção, eu acho que há aqui, se calhar, uma...

Se te mantiveres no teu sítio.

Tive a sorte de tocar no Tivoli em julho e acho que vi muitos bons movimentos de braços, vi pequenas oscilações de anca para cima e para baixo na própria cadeira.

E as cabecinhas. E até o dedo a bater na perna às vezes.

Exatamente. Eu acho que existem bastantes formas e acho que acima de tudo, mais que não seja, eu acho que isto é o grande desafio, que é o mais válido aqui e acho que é um bocado também por isso que me faz sentido tocar agora, mais que não seja o desafio de experienciar um concerto em circunstâncias diferentes. Por que ouvir um concerto de música eletrónica sentado? Será que faz algum sentido? Eu acho que esse desafio também é interessante. Eu acho que aí, nesse sentido, convido mesmo toda a gente a vir, porque acho que vão sair um bocado rendidos.

Se faz sentido num balão dar quente, faz sentido num campo pequeno.

No balão dar quente não se estava a ouvir nada cá fora. Só se estava a ouvir os pontos.

Olha, queria só deixar aqui uns minutinhos desta "Tempo Torto", já que me dás a hipótese de quase fazer a estreia mundial. Esta canção sai apenas na sexta-feira. Vai ter estreia e participação do Euclides também nesse concerto do Campo Pequeno. Branco, nosso convidado hoje no ao vivo das manhãs 360. João, muito obrigado por teres passado e bom concerto para sexta-feira. Aguardamos mais novidades como esta "Tempo Torto".

Obrigado.

Um abraço, João.

Um abraço. Obrigado.

E já de seguida vamos olhar algumas das notícias que vão estar em destaque às 10.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.