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Ao vivo, na Rádio Observador. Tu, um só final. Que eu vi no momento errado e tu igual, mas afinal, it's now. Pois o tempo que passou, não trouxe calma ao coração. E tudo o que é clichê, vai ter de entrar nesta canção. It's true, somos um só lado a lado. My boo, o meu boo. Sim, és tu. Se o amor me eleva, então nem vou pensar, és tu. No mundo, uma bolha onde só estou eu e tu. Dançar numa nuvem, baby, sem pousar, it's true. Se o amor eleva, então eu vou ficar, és tu. Um só final and it's now. E agora eu e tu, já somos um clichê. E este nosso amor, até do céu se vê. It's true, sei que um mais um vai dar três. With my boo. Sim, és tu. Se o amor me eleva, então nem vou pensar, és tu. No mundo, uma bolha onde só estou eu e tu. Dançar numa nuvem, baby, sem pousar, it's true. Se o amor eleva, então eu vou pensar, és tu. Se o amor me eleva, então nem vou pensar, és tu. No mundo, uma bolha onde só estou eu e tu. Dançar numa nuvem, baby, sem pousar, it's true. Se o amor eleva, então nem vou pensar, és tu.
"Um Só Final", tema do disco "Música de Elevador", o novo da Margarida Campelo, que é nossa convidada para o ao vivo desta semana. Bem-vinda, muito obrigado. Muitos parabéns, este disco está a ter ótimas críticas, pelo menos aqui no site do Observador.
Muito obrigada.
Na playlist da nossa rádio também.
Que bom, muito obrigada, Nelson, e obrigada pelo convite pra estar aqui.
Olha, a música de elevador é subvalorizada?
Eu acho que sim e não. Mas existe muita música que é considerada música de elevador, que eu acho que é subvalorizada.
Tem uma função nobre, não é? A música de elevador.
Eu acho que sim, música de ambiente e música de elevador, tudo que é música de fundo, pode ter um poder sobre as pessoas, bom, também mau, mas a premissa é boa. É trazer boa disposição às pessoas e, nesse sentido, espero que o meu disco faça a mesma coisa.
Foi por isso que escolheste este nome?
Sim, eu escolhi este nome. Na verdade, quem me deu esta ideia foi uma pessoa não fã, que comentou no YouTube a minha música do Festival da Canção. E disse que a minha música do Festival da Canção parecia música de elevador. E eu adorei o conceito, meio que estava desaparecido, eu nunca mais tinha ouvido este termo. E depois comecei a pensar o que isto queria dizer, o que é a música de elevador pras pessoas e por que este termo era tão mal connotado. E na verdade, aquilo que há uns anos era visto como música de elevador, alguns estilos musicais e alguns artistas, eram e são artistas que eu adoro. Então comecei a desconstruir este conceito, dizer por que música de elevador ou música de fundo ou música ambiente é naturalmente considerada uma música menor.
Sim.
E de alguma forma, eu sou grande fã de música ambiente boa e que me traga boa disposição. Ponho grandes discos como música ambiente, discos que se podem ouvir como música de fundo, mas que são altamente complexos e que têm alta qualidade.
A simplicidade, às vezes, é o mais difícil.
Exatamente. E então comecei a brincar com este conceito do que seria um álbum que tivesse isto por trás. Música que traz boa disposição às pessoas e que pode ser ouvida como música de fundo, porque não tenho nenhum problema que as pessoas ponham a minha música num jantar ou num elevador. Ou num centro comercial, ou num lobby de hotel. E se isto também tivesse a sua complexidade.
E acho que isso é conseguido com estas canções que estão neste "Música de Elevador". Quais são as principais diferenças para o disco anterior, o "Supermarket Joy"? Uma nova abordagem, se calhar, que tiveste ou na composição ou na própria produção do álbum?
Sim, eu acho que as diferenças são orgânicas na medida em que eu sou uma pessoa um bocadinho diferente do que era quando fiz o "Supermarket Joy". É um segundo disco, portanto, já tenho mais método, já tenho mais forma, já tenho mais confiança também. Foi um disco feito pós-"Supermarket Joy" e no espaço de dois anos. Enquanto o "Supermarket Joy" foi um disco que foi sendo feito ao longo de vários anos. E então eu acho que tenho a minha identidade um bocadinho mais vinculada neste momento. Acho que a apresentei com aquele primeiro disco e neste disco já não tive questões, ou seja, houve um monte de questões de identidade e de confiança que eu já não tive neste disco. Então, nesse aspecto, foi muito mais fácil de fazer. E depois, a outra grande diferença é que eu tomei as rédeas integrais da direção musical, na medida em que eu produzi, eu arranjei, eu compus tudo. Igualmente, como no disco anterior, letras em parceria com a Ana Cláudia e com a Beatriz Pessoa, mas assumi o controle de tudo e isso teve os seus desafios e as suas vitórias.
É engraçado porque não teria tempo para relembrar todos os projetos onde já participaste ou outros artistas que acompanhaste. Mas como é que se dá este momento para uma música em nome próprio, em que assumes também, de alguma forma, a frente do palco do projeto. Há aqui uma mentalidade que tem que sofrer alguma mudança ou essa voz própria já estava pronta a sair há algum tempo?
Não, não estava. Eu acho que só esteve mesmo pronta a sair quando eu fiz o "Supermarket Joy". Esse disco é mesmo um reflexo de que eu tinha encontrado uma vontade e uma identidade mesmo, porque durante muito tempo eu estive imersa em vários projetos, todos que eu adorava, e todos com estilos de música que me preenchiam e que me preenchem imensamente. E de alguma forma eu não conseguia bem encontrar qual era o meu, qual era o meu espaço na música e o que eu queria mesmo fazer. Antes de fazer o primeiro disco, tinha várias ideias na gaveta e todas soavam a outra coisa qualquer. E às tantas, quando começou a soar uma coisa mais específica e que eu tinha mesmo vontade de lançar e que eu sentia que me definia, mesmo que fosse naquele momento, mas que eu acho que acabou por definir aquilo que eu sou. Eu acho que faço várias coisas diferentes a nível musical, mas aquele primeiro disco foi uma boa amostra daquilo que eu gostava de fazer. E eu precisei de chegar a esse sítio, não foi óbvio para mim. Tinha medos, não sabia aquilo que queria fazer, não sabia se inglês, se em português.
Continuas a misturar as duas línguas, às vezes na mesma canção.
Às vezes na mesma canção, sim. Uso algumas expressões porque eu acho que eu e a Ana Cláudia e a Beatriz Pessoa gostamos de fazer letras com poucas barreiras. E então vamos às vezes recorrendo a outras línguas quando o português, não é que não seja suficiente, mas achamos graça a esta ideia de poder misturar algumas línguas. Mas é um disco inteiramente em português, embora tenha uma ou outra expressão em inglês e neste disco em francês. Mas eu precisei de fazer este caminho e acho que ainda bem que esperei pra lançar o primeiro disco em 2023, porque se tivesse feito antes, acho que não teria sido com a maturidade e com a confiança com que foi.
E que agora está ainda mais patente, na minha opinião, neste "Música de Elevador". Falavas aí da colaboração nas composições com a Ana Cláudia e com a Beatriz Pessoa. Não tens nenhum dueto propriamente dito neste disco. Já estavas a dizer há pouco também que era um projeto muito pessoal, em que assumiste uma série de rédeas na sua produção, na sua feitura. Vou te confessar uma coisa, uma altura encontramo-nos por acidente num sítio em que estava o Samuel Úria também, e tu e ele estavam numa conversa sobre a música "Moonlighting" do Al Jarreau, que era da série "Modelo e Detetive". Por que ainda não fizeram uma versão dessa canção com o Samuel Úria?
É uma excelente pergunta. Eu acho que eu e o Samuel temos muitas coisas, muitas expressões de música para mirar.
Porque também se ouve neste disco, em algumas canções, esse lado meio genérico de sitcom anos 80 e 90 que a mim, particularmente, me cai no gosto.
Super. E há uma das músicas que tem uma introdução altamente roubada ao Al Jarreau. Eu não vou dizer qual é. Roubadíssima. Desculpa, esqueci-me da pergunta.
A questão dos duetos. Por que não aconteceu e por que também não tens nenhum neste álbum?
Olha, eu inicialmente tinha a ideia de fazer duetos neste disco e depois fui desistindo. Ou seja, as músicas foram nascendo e nunca nenhuma eu pensei: "Uau, isto ficava mesmo bem com..." Porque depois são coisas que são
Ia ser forçado.
Era um bocadinho forçado, eu senti. E então esperei para que esse momento, eu estou à espera e sei que vai acontecer, que esse momento surja de uma forma um bocadinho mais natural, em vez de estar a ser forçado.
Se não for com ninguém, pareceu-me que o Samuel Úria estava interessado na ideia.
Eu também.
Olha, 16 de outubro, pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apresentação do "Música de Elevador". Mas sigam também a Margarida Campelo nas suas redes sociais. Mais concertos vão surgir e estão já marcados para apresentar este disco, que já está cá fora. "Elevator Love" é outra das canções do álbum, que vamos ouvir agora aqui neste ao vivo da Rádio Observador. Muito obrigado por teres vindo.
Muito obrigada, Nuno.
Muitos parabéns pelo disco e também pela reformulação que deste aqui numa versão mais minimalista que estás a trazer aqui ao ao vivo desta semana. Parabéns, obrigado.
Muito obrigada. "Bom dia, hello, it's such a sunny day, tão bom. Já chamei para o oitavo andar. A música que toca neste elevador. Sou good. Dá vontade de dançar. E tu afinal pra onde vais? Diz-me em que andar é que tu sais. Baby, I've got nothing on my mind. So it's up to you to spend my time. Não dá, coisas pra fazer, louça pra lavar, muita roupa pra arrumar. E nem paguei o IVA, nem o IMI. Oh no, oh no. Oh no, oh no. Make it better now. E tu afinal pra onde vais? Diz-me em que andar é que tu sais. Baby, I've got nothing on my mind. So it's up to you to spend my time. Mas tu afinal pra onde vais? Diz-me se eu já falei demais. Baby, I've got nothing on my mind. I would love to take you on a ride. Estamos a chegar ao meu andar. Vou ter de sair pra trabalhar. Baby, I've got nothing on my mind. Elevator love is such a vibe."
Ao vivo na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.