As falhas de funcionamento que afetaram os aeroportos britânicos no início de setembro foram provocado por um “defeito de software”, avança o serviço nacional de tráfego aéreo do país (NATS, no acrónimo original). O chefe executivo da entidade reguladora de aviação, Martin Rolfe, descartou que o incidente estivesse relacionado com os “problemas técnicos” que afetaram o sistema de planeamento de voos do Reino Unido em 2023 e a especulação que sugeria algum tipo de intervenção militar.
“Tratou-se de uma falha de software numa parte específica do nosso sistema de dados de voo, cuja origem identificámos numa pequena subsecção do código”, continuou o responsável. “O problema foi identificado e estão a ser aplicadas medidas de mitigação enquanto uma solução definitiva passa por testes de segurança e é implementada.”
O relatório preliminar explicou que os erros registados no software do Sistema Nacional de Espaço Aéreo, dia 8 de setembro, impediram a atribuição de códigos automáticos aos voos previstos para os dias seguintes. Os códigos em causa permitem identificar as aeronaves em circulação através de radares, uma prática fundamental para manter a segurança no tráfego aéreo. Quando a interrupção no sistema de atribuição de códigos foi retomada, o defeito no sistema não permitiu resumir a atividade de forma correta, pelo que o resultado saiu corrompido. “Isto aconteceu num espaço de um milissegundo“, lê-se no comunicado do NATS.
As restrições no trânsito aeronáutico que se registaram no início do mês foram impostas a fim de manter a segurança dos viajantes, e incidiram sobre todo o território britânico — ainda que apenas os voos monitorizados pelo centro de controlo londrino tenham sido afetados pelo erro técnico. Deste modo, foi possível reiniciar o sistema e repor a normalidade nos dados corrompidos. Como resultado, mais de 2.000 voos foram cancelados e centenas de milhares de passageiros obrigados a ficar em terra — uma disrupção que demorou dias a resolver.
O relatório do NATS foi requisitado pela secretária de Estado dos Transportes, Heidi Alexander, que considerou a situação “completamente inaceitável”, tendo pedido esclarecimentos às entidades competentes. O incidente pôs em causa a resiliência dos sistemas do NATS, tendo algumas companhias aéreas questionado a legitimidade de Martin Rolfe à frente do serviço nacional de tráfego aéreo.
“Gostava de desculpar-me de novo, muito sinceramente, a todos os que foram afetados na semana passada”, disse Rolfe. “É o nosso trabalho levar as pessoas onde querem ir, rapidamente e sem atrasos, e ficamos devastados quando isso corre mal. Contudo, o nosso papel principal é manter os nossos céus em segurança e todos aqueles que neles voam. Em nenhum ponto, na semana passada, a segurança foi posta em causa“.
Muitos passageiros mostraram-se revoltados devido à falta de apoio que receberam das companhias aéreas, que não recompensaram os queixosos devido às circunstâncias extraordinárias na origem do problema. Desde o início, o Governo britânico descartou a possibilidade de ciberataque, tendo o ministério da Defesa recusado culpar uma aeronave militar pelos falhas registadas.