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De Torres Vedras a Lillestrøm separam-se quase 3.400 km. Foi a distância que o estreante Torriense teve que fazer para a primeira jornada da fase liga da Liga Europa. O emblema de Torres Vedras apurou-se no ano passado ao ter conquistado a prova rainha, a Taça de Portugal, no Jamor, e quase 100 adeptos deslocaram-se até à Noruega para conseguirem estar a apoiar esta estreia da equipa de Torres Vedras nesta segunda competição da UEFA. É um feito histórico só por si, o Torriense estar nesta Liga Europa e certamente muitos adeptos quiseram marcar presença neste momento histórico. Estou a falar com dois, nesta véspera. Neste caso, não era véspera, estamos a horas antes da partida. Estou a falar com Pedro Vaza e com André Santos. Pedro Vaza, que se deslocou também por meios independentes. Desde já, muito boa tarde, Pedro. Já falo com o André, mas Pedro, quando é que começou a ser planeada esta viagem?

Boa tarde. Assim que o sorteio saiu, nós começámos logo a planear vir. Temos sempre um grupo de amigos que acompanhávamos o Sporting, o Benfica e o clube da nossa cidade, do nosso coração, claro que não podíamos mesmo faltar. E assim que o sorteio saiu, começámos logo a planear a viagem.

E viram logo que era uma deslocação, certamente será a mais longínqua do Torriense em toda esta fase liga. Apesar de ser uma deslocação difícil, não só logisticamente, não deve fazer muito frio na Noruega nesta altura, mas deve certamente ser uma deslocação logisticamente difícil. Mesmo sendo a primeira viagem à Noruega, não desistiram.

Não, de maneira nenhuma, nem que fosse na China. Nós não podíamos falhar esta viagem para acompanhar o Torriense neste dia histórico, nesta fase histórica. Nós, nem nos nossos melhores sonhos, estávamos à espera de uma situação destas. Se há dois, três, quatro anos nos dissessem: "Olha, vais jogar na Europa", nós sempre habituados a ver o Sporting e o Benfica, que nós acompanhamos, os jogos do Sporting e os do Benfica, os nossos clubes amigos, íamos muitas vezes ver o jogo. Agora o Torriense não podia mesmo falhar de maneira nenhuma. E pronto, cá estamos com a melhor vontade.

Falo agora com o André Santos. André, mais uma vez, muito obrigado por estar também aqui com a Rádio Observador. André, para os mais desconhecidos, é antigo jogador de Sporting. André Santos é natural de Torres Vedras, mas neste caso nunca jogou pelo emblema da equipa da terra, propriamente dito. Mas pergunto-lhe como é que é ver o emblema da terra. Já viu, certamente, outros clubes e como já descreveu o Pedro, já tinha acompanhado Benfica, Sporting, Futebol Clube do Porto nas provas europeias, mas desta vez é a equipa da terra. É um sentimento especial, certamente.

Boa tarde. Sim, como o Pedro disse, é um sentimento especial. Nem nos nossos maiores sonhos contávamos que isto pudesse acontecer assim num curto espaço de tempo. E felizmente está a acontecer. Claro que já acompanhei, juntamente com o Pedro, ainda no ano passado, alguns jogos da Liga dos Campeões do Sporting. E é claro que não estávamos a contar este ano que o Torriense fosse à Liga Europa e o Torriense conseguir este apuramento. É claro que não podíamos falhar, porque isto é uma coisa que fica para a história. Eu e o Pedro daqui a 30 anos podemos contar que estivemos no primeiro jogo do Torriense na Liga Europa, que neste caso é hoje com o Lillestrøm.

E como antigo jogador, o que acha que está a passar pela cabeça dos atletas? Ainda há pouco, ontem na conferência de imprensa, vimos um dos jogadores do Torriense, André Simões, a dizer que daqui a 20, 30 anos se saberia certamente deste feito do Torriense. O que acha que os jogadores estão neste momento a pensar dentro do hotel e daqui a pouco dentro do balneário?

Sim, neste momento estão ansiosos que chegue o jogo, que comece o jogo. Deve haver aquele nervosismo, que é normal antes do jogo, de estar aquela ansiedade de quando é que começa e depois quando o árbitro apita, esse nervosismo fica de parte, porque vão fazer o que sempre fizeram, que é jogar futebol e dar o máximo pelo Torriense. E acho que neste momento a ansiedade é maior, porque estão a umas horas de estrear na Liga Europa muitos jogadores ou quase todos, e o clube, como o André Simões disse, daqui a 30 anos vão se lembrar onde é que foi a estreia, onde é que fizeram história com o Torriense, ganharam a taça. E é claro que neste momento há aquela ansiedade, que é aproveitar o momento e acho que é isso que têm que aproveitar neste momento.

Volto a passar esta entrevista ao Pedro, até porque tivemos informação do Torriense que vão ser cerca de 100 adeptos da equipa de Torres Vedras a marcarem presença na Noruega nesta tarde, noite. Eu pergunto-lhe se é uma mobilização, neste caso, que corresponde às expectativas que até os próprios adeptos tinham para a primeira jornada e para o momento histórico do Torriense.

Sim, sem dúvida. Toda a gente está muito entusiasmada. Desde que nós começámos no ano passado, de uma época para frente, quando começámos a acreditar que podia ser possível nós irmos ao Jamor e depois também a fase do playoff, aquilo mobilizou muita gente. Chamou muita gente de volta ao clube e o clube agora está muito estável, graças à estrutura que nós temos de organização, uma organização muito forte, muito boa. E pronto, já sabemos quando o clube ganha, está tudo bem, as pessoas aproximam-se. Começa a desmotivar, é normal. Agora as pessoas estão muito crentes no clube e na equipa. Estamos todos com alguma esperança de podermos fazer alguma coisa engraçada na Liga Europa, porque não é fácil. Sabemos de antemão que são todas equipas com orçamento muito superior ao do Torriense, é muito difícil, mas lá dentro das quatro linhas todas as coisas às vezes são diferentes, como foi com o Sporting, como também a réplica que demos com o Porto na Supertaça, perdemos 1 x 0 e demos muito boa conta. Estamos todos muito entusiasmados, na esperança que consigamos fazer alguma coisa bonita nesta Liga Europa.

O Torriense, no calendário desta fase de liga, ainda tem, em termos de deslocações, uma deslocação à Hungria frente ao Ferencváros, uma deslocação ao País Basco para defrontar a Real Sociedad e à Polónia para defrontar o Lech Poznań. Pergunto-lhe, nestes três restantes deslocações, qual é aquela que está mais ansioso e aquela que vai.

Nós vamos a todos, não vamos falhar. Desde que ficamos apurados logo no mês de maio, lá no Jamor, nós não temos o grupo de amigos, somos sempre seis ou sete que viajamos. Hoje só conseguimos vir os dois, por questões profissionais, outros não puderam vir, mas já temos tudo combinado para ir a todas.

Pela proximidade, se calhar a Real Sociedad terá a maior afluência.

Sem dúvida, o maior número de adeptos será esse jogo. Mas nós, particularmente, vamos a todos, temos tudo combinado já. Temos que aproveitar esta fase tão bonita do clube.

E para as partidas, vou dizer em casa, não são no Estádio Manuel Marques, mas são em Leiria, é um pouco mais perto, certamente, do que, por exemplo, no Algarve, como era a ideia inicial do clube. É um pouco mais em conta para os adeptos de Torres Vedras. Espera-se, neste caso, autênticas enchentes no Magalhães Pessoa?

Sim, também já sabemos que tudo depende dos resultados. Já sabemos quando a equipa anda bem, com bons resultados, toda a gente vai ao futebol, toda a gente enche os estádios. Quando aquilo não corre muito bem, já sabemos que as pessoas começam a desmotivar e sabemos que é mesmo assim. Mas não tenho dúvidas que, independentemente dos resultados, acho que vai muita gente mesmo. Torres Vedras tem muito público, quando a equipa está bem, o estádio esgota e apesar de não ser muito grande, mobiliza muita gente. E podemos ver pelo Jamor, onde estava a bancada cheia. Tudo bem que é uma final da Taça de Portugal, toda a gente vai, mas essa fase foi muito boa, que aproximou muita gente ao clube. Tivemos muitos mais sócios a inscrever. Foi uma fase boa, o clube está a atravessar um momento muito bom, em termos de clube em si, e penso que vai muita gente a Leiria, sim, penso que sim.

Volto novamente a conversa para o Pedro, muito rapidamente, até porque, como referiu também o Pedro Várzea, que neste caso a conversa para o André Santos, peço desculpa. Como dizia o Pedro há momentos, quando a bola entra, as coisas correm bem e os adeptos vão certamente ao estádio, mas quando a bola não entra, as coisas não ficam tão risonhas. Eu pergunto-lhe, atendendo ao calendário do Torriense, quais seriam as expectativas mais realistas para a equipa de João Tralhão?

É como o Pedro disse, é complicado. As outras equipas têm orçamentos maiores, jogam em primeira liga. O Torriense é a única equipa da segunda divisão no grupo e é claro que é sempre mais complicado. Acho que o que o Torriense tem que fazer é aproveitar o momento, pensar jogo a jogo e, como sabemos, surpresas podem acontecer, como aconteceu com o Sporting, ninguém contava. E é claro que o Torriense não pode meter pressão para passar, porque isso é complicado, mas é jogo a jogo, tentar somar pontos e depois no final fazer as contas e tentar fazer história com uma vitória, principalmente. Fazendo uma vitória na Liga Europa era mais um marco histórico para o clube. Acho que é isso que neste momento o Torriense tem que pensar: jogo a jogo e desfrutar da Liga Europa e aproveitar também os adeptos, que não começou tão bem o campeonato, mas sabemos que a cidade, quando aconteceu isto de ganhar a taça e ter acesso à Liga Europa, muitos amigos e gente da nossa zona de Torres Vedras falou que queria acompanhar o Torriense na Liga Europa, porque toda a gente sabe que isto pode ou nunca mais acontecer ou acontecer daqui a muito tempo e as pessoas acho que querem aproveitar este momento e acho que vai sempre haver muitos adeptos do Torriense a acompanhar a equipa em casa e fora.

O André foi médio-defensivo durante a sua carreira. Eu pergunto-lhe se neste momento o Torriense tem que encarar com muito pragmatismo todos estes oito desafios, de modo a quase como jogar na expectativa, nessa transição ofensiva mais forte, de modo a pelo menos conseguir garantir e pelo menos marcar pontos.

Sim, o Torriense sempre foi muito forte o ano passado em transição. O Mister montou sempre bem a equipa para defender bem e devido aos jogadores rápidos que tem na frente, o Torriense, toda gente sabe que era muito forte no contra-ataque e tem que aproveitar essas armas, aproveitar que as outras equipas são favoritas e têm que assumir o jogo, e aproveitar os erros e sair rápido no contra-ataque e poder criar perigo, e criando perigo, vai criar instabilidade na defesa contrária, na equipa contrária, nos adeptos

Porque há sempre mais pressão, porque olham para uma equipa da segunda liga e acaba por meter mais pressão e acho que o Torreense tem que ir por aí, aproveitar, tem que começar a ferir o adversário em contra-ataque, criar perigo e esperemos que consiga já fazer golos hoje, que é para começar bem a Liga Europa.

Vamos ver o que faz então os comandados do Luís Tralhão nesta primeira partida. André, peço-lhe, antes de passar novamente para o Pedro, neste caso, um resultado exato para esta partida.

Resultado exato para esta partida. Olhe, o Torreense ganhar 1 x 0. Era excelente, era muito bom.

Pedro, neste caso, a mesma pergunta agora para si. Um resultado exato para este desafio na Noruega.

Sim, não sofrer gols, que é sempre importante, e acho que vou com o Pedro também, que é 1 x 0, dar confiança à equipa e sair a ganhar é muito importante. Com uma vitória, 1 x 0, um gol em contra-ataque, seja cedo, como aconteceu com o Sporting ou no último minuto, vamos estar aqui a torcer por isso.

Mais uma vez, muito obrigado aos dois. Pedro e André, estes dois adeptos que estão na Noruega, ainda não estão em Lille. Estão em que cidade, já agora, neste momento?

Estamos em Oslo, estamos mesmo no centro de Oslo. Vamos agora para o meeting point, que é às 17h, que o pessoal se vai reunir lá e vamos agora apanhar o comboio.

E mais ou menos é quanto tempo de comboio?

15, 20 minutos.

É rápido, certamente.

É rápido.

Exatamente, vão para o meeting point do Torreense, depois vão se encaminhar para esse palco que vai sempre ficar na história do Torreense, porque é a estreia da equipa de Torres Vedras na Liga Europa, nas competições europeias. Mais uma vez, muito obrigado aos dois. Boa viagem também de regresso a Portugal e bom jogo para este desafio, esta estreia do Torreense na Liga Europa