Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o "Aprender a Comer" da Rádio Observador, sempre com a nutricionista Mariana Chaves e uma vez por semana a responder a dúvidas dos nossos ouvintes. O Diogo enviou um e-mail para marianachaves@observador.pt, já sabe que pode fazer o mesmo, com uma pergunta muito interessante, Mariana. Eu que gosto de água com gás, vou querer saber também a resposta a esta pergunta do Diogo. A água com gás hidrata mais do que a água lisa? É fácil esta resposta ou não?

Esta resposta é muito fácil. Obrigada, Diogo. Facilitou-nos aqui a vida. Sim, a resposta é não. A água com gás não hidrata nem mais, nem menos do que a água sem gás, ou seja, a água com gás é igualmente hidratante, é água. Portanto, temos que pensar que é uma alternativa à água, que tem um potencial de hidratação equivalente. Já percebemos que o Diogo também gosta de água com gás. E é engraçado, porque eu acho que muitos homens gostam de água com gás, também algumas mulheres, mas eu acho que os homens realmente têm essa preferência.

E as crianças? É prejudicial ou não?

Não, não é prejudicial.

Estou a sair do tema, desculpa.

Não faz mal. Eu acho que nas crianças há aqui um grande tema que são os refrigerantes. E portanto, eu vejo a água com gás como uma alternativa aos refrigerantes para as crianças.

Melhor que um refrigerante será, não é?

Sem dúvida, é melhor do que um refrigerante, não há qualquer dúvida.

OK. Há aqui uma questão que surge muito quando se fala de água com gás, é a ideia de que mata mais a sede do que a água dita normal. É verdade?

Olha, é assim. Uma coisa é a hidratação, outra coisa é a sensação de sede. A água com gás pode dar uma sensação maior de matar a sede, como estamos a dizer, porque dá mais saciedade, isso não há dúvida. Aquele gás que lá está vai preencher mais o estômago. E, portanto, na verdade, vai te dar aqui uma sensação, porque há aqui uma mistura. Nós temos sede, mas há muitas pessoas que dizem que bebem pouca água e não conseguem beber mais. Há outras que precisam de muita água pra se sentir hidratadas. Agora, há claramente aqui uma perceção do estômago, que é quando estamos mais cheios, parece que: "De certeza que já estou aqui completamente sem sede, porque já estou muito cheio de água". E realmente, por exemplo, há pessoas que sentem que matam mais a sede com água gelada. O fato de a água estar muito fria, que lhes tira aquela sede. Na verdade, até tira a fome. Que é um truque antes da refeição, um copo de água gelada. Mas isso não quer dizer que hidrate mais. Nós quando falamos em sede, é a nossa perceção de sede, é o nosso mecanismo cerebral para nós garantirmos que fazemos uma função muito importante no nosso organismo, que é nos hidratarmos. Todos nós precisamos de determinada quantidade de água por dia mínima. Já falámos aqui até em vários programas como calcular essa quantidade de água. E, portanto, não é opcional, é uma coisa que temos todos que fazer, adultos e crianças. E a nossa sensação de sede na idade adulta, temos, na idade de crianças também, nos idosos a partir dos 65 vão perdendo um pouquinho essa capacidade, têm que estimular mais. Mas também é importante nós dizermos que nós adultos às vezes também não estimulamos o suficiente. E até há pessoas que tantas vezes têm sede, não reagindo a isso, não hidratando, que depois acabam por ficar cada vez com menos sensação de sede. Mas esta história do matar a sede, pra aqueles que têm muita sensação de sede, tem que ser interpretada de realmente têm que beber água e têm que beber água suficiente para chegar aos seus objetivos e realmente se hidratarem.

Mas essa questão da saciedade que falavas, ela pode ser boa ou pode aqui atrapalhar?

Olha, vai depender muito sobre a pessoa, porque algumas pessoas, água com gás é a melhor forma de beberem água, porque há pessoas que odeiam água lisa, água sem gás. E isso é ótimo, porque têm que beber água. Portanto, pra essas pessoas é ótimo beberem água com gás. Mas, realmente, há pessoas que o fato de beberem água com gás vai fazê-las beber menos água. Por esta questão.

Ficam mais satisfeitas, ficam mais saciadas, depois estão mais tempo sem beber água.

Exatamente. Portanto, muitas vezes para essas pessoas, aquilo que é aconselhado é: não pense que a sua água toda tem que ser bebida com água com gás. Faça aqui uma divisão, deixe, se calhar, por exemplo, pras refeições ou pra um final de refeição, porque se não reduzirem essa quantidade, depois não chegam ao objetivo, e o objetivo é beberem água.

Eu também tenho aqui uma dúvida que é: há diferença entre uma água que é naturalmente gaseificada e outra que tem gás adicionável?

Olha, não tem diferença, não há impacto, principalmente na hidratação, que o Diogo nos perguntava, não existe diferença absolutamente nenhuma. É verdade que algumas são naturalmente gaseificadas, vem de fonte mineral, e outras que é adicionado industrialmente, mas não vai ter impacto, realmente.

Há quem diga que a água com gás pode prejudicar os ossos, descalcificar os ossos. Já ouvi falar disto, não sei se é verdade. E até os rins. Há evidência disto?

Olha, não. E cá está mais um mito da nutrição.

Vamos desfazê-lo.

Exatamente. Água com gás é um alimento seguro, não há evidência que cause nem perda de cálcio nos ossos, que é esse o tema que se fala muito.

É verdade.

Ou seja, alterar aqui um pouquinho a nossa densidade óssea. O risco da alteração da densidade óssea está associado ao consumo excessivo de refrigerantes açucarados. Portanto, é isso que os estudos vieram mostrar. E às vezes há estas confusões. Que vem um estudo mostrar que o refrigerante açucarado Cá está, que tem gás, sobretudo as que têm ácido fosfórico e cafeína, que vão alterar a densidade óssea. E de repente, por alguma razão, associou-se à água com gás, que não tem nada a ver. E até há estudos, por exemplo, numa idade da mulher mais determinante, em que temos que ter mais cuidado com a saúde óssea, que são as mulheres pós-menopáusicas, a beberem diariamente e regularmente água carbonatada, e não houve qualquer impacto negativo na saúde óssea, nem na excreção de cálcio na urina, que é isso que acaba por acontecer nas situações dos refrigerantes.

Mito. Está desfeito. Na prática, é cada um decidir aquilo que mais gosta de beber, mas há aqui algum truque para sabermos se estamos bem hidratados?

Sim, há. Há o truque da urina, que é ensinado nas escolas, e nós adultos temos que nos lembrar. Sim, tem que ser translúcida, tem que ser muito clara. Portanto, água é água, o melhor é a pessoa beber a água que quiser.

E já falamos de água também noutros episódios. Recorda-me, porque eu acho que alguns deles até foram recentemente.

Sim. Um é quanto de água podemos beber por dia. E o outro é se podemos beber água depois de comer melancia. Este episódio está muito giro. Mas as pessoas têm que ir ouvir para perceberem melhor sobre isso, porque é um mito muito português.

A água com gás hidrata mais ou menos do que a água lisa? Foi a pergunta que respondemos hoje no "Aprender a Comer". Foi enviada pelo Diogo para marianchaves@observador.pt e foi aqui respondida nesta edição extra, que está disponível sempre no site do Observador e também nas plataformas de podcast. Já temos tema para a próxima semana?

Temos. Temos que falar de um tema que foi muito falado em janeiro, e eu deixei que toda a poeira assentasse para virmos aqui falar nós também, sobre a nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos.

Mas é só deles?

Foi um aconselhamento interno para o país deles, porque eles acham, e é verdade, que têm um grande problema de saúde pública associado à obesidade. E portanto, decidiram implementar uma nova pirâmide, umas novas recomendações para as escolas, para a população em geral, para ver se dão uma volta à saúde dos americanos. Mas vamos interpretar um pouco à nossa luz. E como isto ficou espalhado nas redes sociais, é importante os portugueses perceberem do que se trata e se faz sentido para nós ou não.

Vamos olhar para essa nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos no próximo "Aprender a Comer". Acompanhe-nos sempre no nosso site e nas redes sociais, também na Rádio Observador. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está sempre a nutricionista Mariana Chaves. Até para a semana, Mariana.

Até para a semana, Nelson.