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Seja bem-vindo ao "Aprender a Comer", edição extra. Todas as semanas a Mariana Chaves responde a perguntas de ouvintes, a dúvidas de nutrição. Envie as suas para marianachaves@observador.pt. Foi o que fez a Ana. Obrigado, Ana, pela sua pergunta. Ela pergunta se existem alimentos que podem ajudar a minimizar o zumbido nos ouvidos. É uma questão muito específica, Mariana. Olá.
Olá, Nelson. Verdade, muito específica, pertinente. Percebo perfeitamente a preocupação.
Também tens, de quando em vez, zumbido.
De quando em vez, também. Mas o zumbido no ouvido, tecnicamente, que se chama tinnitus, é mais comum do que se pensa. Pensa-se que cerca de 10% a 15% da população adulta, em algum momento da vida, possa ter. E realmente, às vezes, é perturbador. Até que há pessoas que têm de forma contínua, e isso então ainda mais perturbador é. Mas é importante esclarecer desde já que eu não sou especialista em otorrinolaringologia.
Uhum.
Só nutricionista e, portanto, o que eu fui fazer com a dúvida deste ouvinte, porque todas as dúvidas são importantes, foi fazer as minhas pesquisas. E nas minhas pesquisas encontrei um estudo muito interessante que analisou a relação entre alimentação e problemas auditivos em geral, mas em que incluíam o zumbido. E este estudo foi feito no Reino Unido com mais de 34 mil adultos, com idades entre os 40 e os 69 anos. E os resultados são apenas indicativos, ou seja, não há aqui uma prova de relação causa e efeito, mas mostram associações interessantes que eu acho que vale a pena conhecer.
Relação com os nutrientes, é isso?
É isso mesmo. O estudo identificou aqui algumas associações muito curiosas. Por um lado, por exemplo, encontraram que pessoas com uma maior ingestão de vitamina B12 tinham cerca de 15% menos probabilidade de ter zumbido no ouvido.
Uhum.
Esta vitamina B12 é essencial tanto para o funcionamento do sistema nervoso, em geral, do nosso corpo, do sistema nervoso central, e o ouvido interno tem aqui uma rede nervosa muito delicada. Aliás, Nelson, nós fizemos um programa só dedicado à vitamina B12, que se chama "Vitamina B12, essencial à nossa saúde e energia". Podem encontrar lá, onde explicamos quem é que são, por exemplo, as pessoas que estão em maior risco de ter valores de vitamina B12 baixos. Que neste caso, por exemplo, seria um fator de risco. Mas olha, Nelson, pra além disso-
E podem saber também quais são os alimentos mais ricos em B12.
Exatamente.
Por isso vão lá escutá-lo.
Só falámos sobre isso. E hoje importa incluir aqui outras coisas pra que a informação saia completa. Portanto, por outro lado, também foi surpreendente, mas maiores ingestões de cálcio e gordura total estavam associadas à maior probabilidade no zumbido. Atenção, isto não significa que devemos evitar estes nutrientes. Pelo contrário, porque eles são essenciais. O cálcio é essencial à vida e nesta idade adulta, mais essencial é, por exemplo, nas mulheres, na prevenção da osteoporose. Portanto, não é isto que o estudo está a dizer. Ele está só a mostrar alguma relação. Há relações que fazem sentido nós estarmos mais atentos e outras que não tanto, como é o caso do cálcio. Acho que não vale a pena estarmos atentos a isto. O que nos mostra é que o equilíbrio é essencial. Mas depois fala aqui de outra vitamina, que é a vitamina D, a famosa.
Essa é a do sol, não é?
É a do sol. E há aqui uma associação. Isto mostra aqui a associação de vitamina D e menos dificuldades auditivas em geral. Ou seja, que a vitamina D é essencial também pra saúde auditiva. Sabemos que tem funções anti-inflamatórias importantes e, portanto, poderá ser por aí que se explica essa relação.
Esse estudo fala de padrões alimentares?
Olha, acaba por falar, porque neste estudo que foi analisado, foi feita uma análise da qualidade alimentar. Um questionário das 24 horas anteriores, do que a pessoa se alimentou em várias alturas do estudo e, portanto, acaba por se ter uma ideia de um padrão. Então, os resultados aqui falam-nos de quê? De pessoas que seguiam uma dieta rica em proteína, tinham menos 10% de probabilidade de ter o zumbido no ouvido. Ou seja, é consumir a proteína que todos precisamos de consumir ao longo do dia. Para as dificuldades auditivas em geral, havia aqui dois padrões que se mostravam protetores. Um era uma dieta rica em frutas e vegetais, com os consumos considerados saudáveis de dieta rica em frutas e vegetais. E outro, que era uma dieta rica em proteínas, mas baixa em gorduras. Ou seja, o padrão contrário, uma dieta rica em gorduras, estava associada a 16% mais probabilidade de dificuldades auditivas. Portanto, é importante sublinhar que isto são, novamente, só associações observadas no momento específico. Não podemos afirmar que a dieta vai curar de todo. A dieta não vai curar nada Mas é importante perceber-se isto, em termos destes nutrientes.
Mas tens conselhos práticos para quem sofre deste problema? Também aqui olhando para o que nos diz este estudo.
Sim, fundamentalmente. Este Aprender a Comer hoje é uma interpretação deste estudo. Portanto, fundamental, primeiro que tudo, consultar um otorrino para investigar as causas de um zumbido. Esse é o primeiro passo, porque pode ter causas diferentes. Depois do ponto de vista nutricional, aquilo que a pessoa pode fazer por si só, baseando-se nestas associações que encontrámos, há algumas estratégias que vale a pena.
Aumentar a B12, por exemplo.
Certo. Que encontramos no peixe, carne, ovos, já estamos aqui a dizer, mas, por exemplo, os vegetarianos têm sempre que suplementar e analisar. Mas se calhar faz sentido realmente ver se tem esse problema, uma análise da vitamina B12. Importante dizer que nós armazenamos a vitamina B12 no nosso fígado e nós não podemos fazer uma suplementação de forma contínua sem vigiarmos por análises com um profissional de saúde. Mas depois a vitamina D também. Verificar se é necessária ou não suplementação, se temos os nossos valores em valores normais, em valores ótimos, essa também temos que acautelar. Depois, o padrão que eles falavam realmente associado de forma positiva, dieta rica em vegetais e frutas, se calhar ter um objetivo aqui dos 500 gramas diários. Muito importante. E consumir as proteínas, o peixe, o frango, os ovos, e ter cuidado nas gorduras totais, não é eliminar totalmente a gordura da nossa alimentação, até porque o nosso cérebro também precisa de gordura, mas se calhar é escolher as melhores gorduras, até como já falámos aqui no programa, substituir a manteiga pelo azeite, ou seja, escolher as gorduras que nos são benéficas, porque aqui eles juntaram todas as gorduras e acaba por ser uma observação que é pouco específica. E quando é pouco específica, não vale a pena tirarmos conclusões.
Claro, não tiramos grandes conclusões disso também.
Sim. Agora, alimentos ricos em antioxidantes, como frutos vermelhos, vegetais de folha verde-escura, o chá verde, faz tudo sentido. O estudo sugere que uma dieta que seja rica nestas vitaminas e antioxidantes também possa ser importante, mas volto a reforçar, são dados apenas indicativos e cada caso deve ser avaliado, principalmente por um especialista.
"Qual é a relação entre a alimentação e o zumbido nos ouvidos?" Foi uma questão que nos foi enviada aqui pela Ana para Marianachaves@observador.pt. Pode enviar as suas questões de nutrição para este e-mail. Respondemos uma vez por semana aqui na Rádio Observador às questões dos nossos ouvintes. E já agora, vamos falar sobre o quê no próximo programa, Mariana?
Fruta da época, vamos continuar e vamos falar sobre o melão.
Já fizemos um lance, ou não?
Já fizemos, sim, senhor.
Então vamos lá ao melão no próximo Aprender a Comer. Siga-nos nas redes sociais. O nosso programa está sempre disponível também em observador.pt e nas plataformas de podcast. Até ao próximo programa, Mariana.
Até ao próximo programa, Nelson. Obrigada.