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Paulo, confirma se a inflação desceu para os 3%?
É verdade, dados do INE confirmados ontem, depois da estimativa rápida que é divulgada logo nos últimos dias do mês ou no início do mês seguinte. Os preços cresceram em média 3% em julho, isto em termos homólogos, e portanto a inflação caiu duas décimas em relação à inflação do mês anterior. E agora também temos detalhe das classes de produtos, neste caso, que mais subiram ou aquelas que são mais importantes pra essa volatilidade. Os produtos energéticos aumentaram 8,7%, em termos homólogos, muito acima daquilo que é a média dos 3%. Ainda assim, desaceleraram em relação a quatro décimas em relação ao crescimento de preços que tinham registado em junho. E os produtos alimentares não transformados, os frescos, frutas e por aí fora, que também são daquelas classes que mais reagem quando há uma subida maior de preços, tiveram uma variação de 3,7%. Muito mais próxima, esta variação, daquilo que é a média da inflação, e bem abaixo daquilo que tinha ocorrido em junho, que era de um crescimento de preços de 5,1%. Temos aqui uma certa normalização dos preços, depois daquele aumento mais rápido, logo depois da intervenção dos Estados Unidos ali no Golfo, no Médio Oriente. Com isto tudo, a inflação subjacente, que é aquela que retira estes produtos mais voláteis, energia e os alimentos frescos, que também é mais importante nas contas do BC, foi de 2,6%. Uma certa normalidade aqui. No fundo, esta reflete tudo o resto que não são estes mais voláteis, e é um indicador que o BC olha bastante, não só o português, como é evidente, mas depois o agregado à zona euro. Vamos ver o que é que acontece nas próximas semanas, agora no verão, também para tentar perceber o que é que o BC depois em setembro vai fazer com as taxas de juro, que isso é muito importante.
Damos agora um saltinho até à Alemanha, porque há medidas pra atenuar as reformas baixas no futuro.
Exato. Isto não tem a ver diretamente com nosso bolso, isto aplica-se aos alemães ou às pessoas que vivem na Alemanha, mas é pra se perceber o que é que alguns países estão a fazer. Nós temos uma perspectiva, embora haja um grande debate político sobre isso, de uma segurança social que para se manter sustentável, vai ter que pagar reformas cada vez mais baixas à medida que o tempo vai passando. Se antes o governo alemão aprovou esta quarta-feira, ontem, um projeto de lei que se chama Pensão de Início Precoce. E o que é isto? Todas as crianças do país vão receber, a partir dos seis anos, €10 mensais do Estado para a reforma. O Estado vai entregar às crianças e jovens, se quisermos, entre os 6 e os 18 anos, €10 mensais, que ficam numa conta, que ficam a ser capitalizados.
Que não pode ser mexida?
Não pode ser mexida, claro. A ideia é a mesma reforma.
É a reforma.
Não é pra eles irem comprar gomas logo a seguir. Desculpa?
Desculpe, falei em cima de ti. O Estado a fazer poupança dos seus.
Em nome dos próprios, sem dúvida. No fundo, é para incentivar o Estado a dar o exemplo, está aqui um primeiro contributo do Estado para essas crianças, para dizer às famílias também, e aos pais e às próprias crianças, já agora, e jovens, que a poupança é um assunto que deve começar a ser tratado cedo na vida das pessoas. Quando se chega aos 50 ou 60 anos. Isto é, de fato, para reforçar o sistema de pensões alemão. Depois, obviamente, que isto pode ser complementado com contribuições dos próprios pais para uma conta individual que possam criar para os filhos, aí dependendo da capacidade e da vontade, obviamente, das famílias. O que o governo alemão diz em relação a isto? Diz que desta forma os jovens vão acumular um patrimônio próprio ao longo destes anos, vão aprender desde tenra idade como funciona a previsão financeira e a precaução financeira, e também como funcionam os mercados de capitais, porque obviamente esse dinheiro depois tem que ser investido sempre numa perspectiva de longo prazo ou longuíssimo prazo até. Atualmente, essa pedagogia, se quisermos, depende com demasiada frequência da situação econômica da família. Há aqui também uma medida de cariz social, isto é, não deixar isto dependente só da capacidade dos pais e da família. E o governo alemão diz que essa desigualdade ao longo da vida e quando as crianças são pequenas, prolonga-se depois, frequentemente, até à velhice. Há aqui um efeito bola de neve, que nós conhecemos até da observação diária. E o governo alemão quer mudar isso. Depois, os pais poderão também abrir uma conta de investimento complementar, mediante contribuições voluntárias, e a partir da maioridade, a conta passa então para o sistema de previdência, para a reforma, tem vantagens fiscais, também, que estão em vigor no país. O capital só pode ser levantado a partir dos 65 anos, quando as pessoas chegarem aos 65 anos, que é a idade da reforma.
Interessante.
E vai ser interessante perceber que estes €10 por mês, que para muita gente não são inacessíveis, uma poupança de €10 por mês, vai ser interessante perceber que ao longo de 40 anos, por exemplo, uma capitalização normal, imaginem com o rendimento anual de 4%, 5%, não é nada de extraordinário, vai acumular largos milhares de euros. Um dia destes podemos fazer essa conta.
Pois é, isso era giro.
É uma conta fácil de perceber, começando aos seis anos, quando chegar aos 65 anos, €10 por mês, quanto é que aquela criança, então já sénior, quando chegar aos 65 anos, terá uma taxa de rendimento anual.
Pode ser uma inspiração pra quem não vive na Alemanha.
Isso está se passando na Alemanha, nós cá continuamos a discutir um bocadinho o sexo dos anjos, e a saber se a segurança social é sustentável ou não.