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Este é o som da boa moeda, má moeda, Paulo. Temos de celebrar. Os combustíveis vão ter uma forte queda.
Até perder.
Vamos pôr-nos aí nas rotundas à volta, sempre. Não, não façam isso por causa do ambiente, quanto mais não seja. Mas é verdade.
Até porque para a semana pode ser completamente diferente.
Para a semana, exatamente, vai fazer falta aquele que acharam agora. O gasóleo e a gasolina, de facto, estão a descer esta semana 10 cêntimos por litro, preços indicativos. As previsões do mercado no final da semana passada, na sexta-feira, apontavam para uma descida de cerca de 12 cêntimos, mas depois o governo atualizou o desconto no ISP, o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, que funciona em contraponto com os preços. Quando os preços sobem, o governo reduz o imposto para não ganhar com o IVA, e quando os preços descem, volta a repor o imposto para manter, basicamente, a receita do IVA neutra em relação à estabilidade de preços. Isso condicionou a descida e, portanto, a descida passou de cerca de 12 cêntimos para volta de 10 cêntimos.
Ainda assim, longe dos valores antes do início do conflito.
Basta vermos o gasóleo. Depois destas contas todas, esta semana, o preço de referência do gasóleo deverá andar em média nos 1,85 e a gasolina 1,92.
Mesmo assim, já é abaixo dos €2, já não é mau.
Exatamente, já é abaixo dos €2, mas quando isto tudo começou, no final de fevereiro, com a intervenção americana no Irão, andávamos com preços na casa de 1,60 a 1,70.
O gasóleo, não é?
Exatamente. O gasóleo mais barato, a gasolina mais caro. Voltámos a ter agora essa relação de preço entre um e outro, que é a normalidade em Portugal, preço de gasóleo mais barato. E obviamente que esta evolução de preços tem a ver com a evolução do petróleo na semana passada, com as perspetivas de acordo. Nós sabemos como é que isto tem andado. Há perspetivas de acordo, o petróleo baixa. Quando essas perspetivas se desfazem, o petróleo volta a subir.
Que é o que está a acontecer agora, precisamente. Já está a subir cerca de 2%, porque há esta incerteza sobre se vai haver ou não acordo.
É isso. E a questão da abertura ou fecho do Estreito de Ormuz é fundamental. Na semana passada, o Brent fechou a semana e durante o fim de semana manteve-se mais ou menos à volta dos 92 dólares.
Está nos 93.
Noventa e três. Lá estão os 2% quase a subir. E é isto, vamos andar agora assim durante muito tempo.
A inflação manteve-se em maio.
Manteve-se. Atenção, o que significa que os preços não se mantiveram. Vamos lá esclarecer isto. A inflação em abril era de 3,3%, o que significa que os preços, em média, subiram 3,3% face a abril do ano passado e em maio manteve-se a inflação nos 3,3% também, o que significa que os preços continuaram a subir em maio, em relação a maio do ano passado, e mantiveram a taxa de crescimento de 3,3%. Olhando aqui para as componentes do cabaz medido pelo INE, estes são números do INE, na sexta-feira, é um número preliminar ainda, que vai ser confirmado daqui a cerca de 10 dias úteis. Os preços da energia, a pesarem muito aqui, subiram 13,2% em maio, em termos homólogos. E atenção, aqui aceleraram. Isto é, em abril, a taxa de crescimento destes produtos tinha sido 11,7%, passou para 13,2% em maio, portanto, houve aqui uma aceleração ou uma subida da inflação destes produtos concretos. Isto foi compensado por uma travagem, uma descida mesmo, na taxa de crescimento dos produtos alimentares não transformados, estamos aqui a falar essencialmente de produtos frescos, frutas e legumes, que passou de uma taxa de crescimento de 7,5% em abril para 5,7% em maio. Portanto, uma coisa compensou a outra.
Exatamente.
E por isso a inflação manteve-se em média nos 3,3%.