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Boa moeda, má moeda. Esta semana os combustíveis subiram, mas, Paulo, a guerra ainda não é responsável. Ainda não houve tempo pra isso.
Muita confusão daqui. Na próxima segunda-feira vamos já falar disso. Mas esta semana os preços subiram e subiram bastante pra aquilo que é a média. Na segunda-feira, o tal preço de referência.
A Carla diz que sim com a cabeça.
Diz que sim. É o consumidor a sentir o bolso.
Eu nunca não tenho carro pra testar.
Pois, exato.
Eu também não.
Os nossos carros estão na oficina, foram ao mesmo tempo.
Foram à clínica. O gasóleo simples na segunda-feira subiu 3,4 cêntimos e a gasolina subiu 3,7 cêntimos. É bastante para aquilo que é normal. Mas atenção, estes preços de referência que são anunciados à sexta-feira, por regra, para a semana seguinte. E nós sabemos que o ataque foi ao sábado. Ou seja, já havia tensão na zona, o petróleo já estava a subir, mas não foram os tiros e os mísseis de sábado que fizeram subir. Agora, e Ana Suspiro já escreve isso n'"O Observador", aliás, está em manchete ou em homepage, pelo menos, a notícia: para a semana preparem-se então para o grande embate, porque o gasóleo pode subir-
Como dizia a Carla há pouco no jornal
...exatamente 15 a 20 cêntimos, porque os refinados estão a subir mais do que o petróleo. A gasolina, em princípio, vai subir menos. Vamos ver também qual a evolução dos preços agora ao longo da semana, até sexta-feira, hoje ainda é quarta-feira, pode haver algum alívio, será pouco provável, ou então o alívio pode ser curto, mas preparem-se então para uma forte subida dos preços, sobretudo do gasóleo, na próxima segunda-feira.
Portanto, é encher os recantes esta semana.
Exato. Amanhã lá em casa.
Sim, com as consequências todas que vêm a seguir. Já vimos isto. O que estás a dizer, Paulo, isto pode ser semelhante ao que vimos com a reação que houve a seguir à invasão da Ucrânia.
Com algumas diferenças. Na Ucrânia havia um problema muito focado no gás e não no petróleo. Aqui o gás também está a subir, nós damos pouca importância a isso porque-
Porque se fala mais do petróleo naquela região
...exatamente, e dos combustíveis para os automóveis do que propriamente o gás para aquecimento, que é muito utilizado, sobretudo no centro da Europa. E o nosso frio também não é por aí além. Na Ucrânia houve algum impacto, obviamente, também no gás e sobretudo nalguns produtos agrícolas, porque a Ucrânia é um produtor importante desses produtos. Aqui estamos muito focados na questão da energia, que obviamente depois tem impacto numa série de outros setores por causa dos transportes. Se isto vai levar a uma subida geral de preços, que se vai fazer sentir na inflação, é cedo ainda pra dizer. Vamos ver quando é que esta bolha, de alguma forma, vai arrebentar e os preços voltam a uma certa normalidade. Vai depender muito, obviamente, do conflito, da passagem dos petroleiros pelo Estreito de Ormuz e por aí fora. Portanto, agora prolongando-se isto durante algumas semanas, seguramente vamos começar a sentir no supermercado.
As prestações da casa, essas continuam estáveis, pra já.
Pra já, lá está, estáveis, porque as Euribor ainda não mexem, obviamente, por causa do conflito, porque o BC também não mexe taxas de juro. Lá está, tudo isto depende da durabilidade desta anormalidade de preços dos combustíveis. Prestações estáveis, não falámos disso antes, porque estávamos distraídos precisamente com outros impactos, mas no início do mês é a altura de se fazer essas contas, e aqui seguimos as contas feitas pela CNN. Prestação a três meses, naquele caso típico, cai €2,25, a prestação a seis meses sobe €4 e a prestação a 12 meses ainda cai €14. Portanto, vamos ver. Não havendo descida nas taxas de juro do BC, vão continuar a flutuar à volta dos valores atuais.