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Já está conosco o Pedro Lino. Pedro, vamos falar dos ETFs. Parece que não se fala de outra coisa, pelo menos nas redes sociais, quando se fala de investimento. O que são, antes de mais, os ETFs e o que pensar sobre isto?
Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, os ETFs estão na moda e fala-se por todas as redes sociais, em podcasts, jornais financeiros, YouTube, etc. O que é um ETF? ETF é uma sigla em inglês que significa Exchange Traded Funds, ou seja, um fundo de investimento que é negociado em bolsa.
Está cotado em bolsa e negociado.
Está cotado.
Como uma ação.
Como uma ação. Os fundos de investimento tradicionais estão nas sociedades gestoras ou nos bancos e só podemos comprar uma vez por dia e o preço de compra ou venda é exatamente o mesmo. Estes fundos que estão cotados negoceiam como uma ação, ou seja, eles podem ter vários preços durante o dia, porque oscilam consoante os ativos subjacentes que oferecem.
E a oferta e a procura, não é? Sendo que, já agora, nos fundos de investimento, o valor da unidade de participação é definido pela própria entidade gestora diariamente em função do montante da carteira, do valor da valorização da carteira.
Da valorização da carteira. Por isso, existe uma cotação diária que serve pra comprar e vender, que é o resultante, como disseste bem, da valorização dos ativos. Aqui, não. Aqui os ETFs compram-se e vendem-se como se fossem uma ação. Por isso, normalmente um ETF não é uma empresa, é um cabaz de empresas ou um cabaz de ativos, que podem ser ações, obrigações, uma carteira. E por isso, quando estamos a comprar um ETF, estamos a comprar um conjunto de ativos. E os conjuntos de ativos podem ser não só ações, mas ações, obrigações ou até matérias-primas. E os exemplos mais conhecidos são o S&P 500, no fundo, estamos a comprar as 500 maiores empresas, o MSCI World, são mais de mil empresas globais, ou, por exemplo, o Euro Stock 50, que são as principais empresas europeias. Por isso, com uma compra ou com uma venda, eu estou a transacionar centenas ou milhares de títulos, o que em termos de compras e vendas é muito eficiente, porque estamos a expor vários títulos sem ter que comprar um a um.
Certo. No fundo, replica aquilo que é a composição do índice.
Exatamente.
O ETF. E, portanto, dizes tu então que com uma única compra, estamos a diversificar automaticamente. E por que eles se tornaram tão populares?
As principais razões, a primeira é esta, é a diversificação. Ou seja, não depende de uma empresa, no fundo, é a possibilidade de com uma ordem estamos a diversificar. Os custos são extremamente baixos. Ao contrário dos fundos de investimento, que têm normalmente taxas de comissão de gestão, que são superiores a 0,5%, muitos aproximam-se dos 2%, até há fundos com mais de 3%, aqui nos ETFs, muitos ETFs têm custos inferiores a 0,2%, ou seja, um décimo.
Porque também não exige grande trabalho de gestão. É só replicar.
Replica o fundo, até uma máquina consegue fazer isso.
Exatamente. Aqui estamos a falar de uma máquina que consegue fazer, enquanto nos fundos de investimento de gestão ativa, não. E depois é a simplicidade. É muito simples hoje poder-se comprar um ETF e não se precisa de escolher os melhores ETFs. Há ETFs para tudo. Por isso eles são populares, porque ouvimos falar em matérias-primas, há um ETF. Ouvimos falar em inteligência artificial, há um ETF. Banca, há um ETF. Há setores, países.
Temáticos, setoriais, claro, geográficos.
E por isso é que eles se tornam muito apelativos, porque é fácil.
Apelativos.
Depois temos também os ETFs ativos e passivos. De alguma forma falamos já aqui dos passivos, não é?
Já. Os ETFs passivos são aqueles que replicam, não há trabalho nenhum a fazer.
Tanto pôr, se entra uma empresa, sai outra, o ETF logo a seguir vai vender e comprar a outra.
Exatamente, replica exatamente isso. Depois existem os ETFs ativos, que já exige uma gestão e uma gestão, como o nome diz, ativa. Ou seja, existe uma entidade gestora que seleciona os ativos e que tem uma metodologia de gestão. E por isso, cada vez também existem mais ETFs ativos, porque as pessoas não querem só replicar o índice. Muitas vezes querem ETFs temáticos, que exigem mais alguma atividade por parte da gestão e por isso também começa a existir mais essa oferta, porque há essa procura.
Uma diversidade maior, claro.
É uma diversidade maior. E também referir o seguinte: os ETFs não são todos iguais, atenção. E aqui é um erro comum. Muitas vezes as pessoas dizem: "Ah, eu invisto em ETF", mas isto não nos diz nada.
É a mesma coisa que dizer: "Eu invisto em ações".
Sim, invisto em ações, mas podemos ter um carro. O carro pode ser muito bom ou pode ser muito mau.
Claro.
Por isso existem ETFs de ações globais, obrigações, de imobiliário, de ouro, petróleo, as matérias-primas, agora com a crise do Médio Oriente, temos vindo a assistir muita procura disso, ETFs de criptomoedas, de países, setores. E o risco entre cada um deles muda completamente. Por exemplo, um ETF de petróleo varia muito mais de um ETF de um S&P 500 ou de um índice mundial.
Como temos visto nas últimas semanas.
Como temos visto. E por isso é preciso ter cuidado, porque eu estou a investir em ETFs, estou bem. Não, há riscos.
Claro. E como se compra um ETF?
Hoje é relativamente simples. Os bancos vendem, as corretoras ou em plataformas digitais. Por isso até plataformas de pagamentos, muitas pode-se chegar lá e comprar ETFs.
Como os outros ativos.
É muito fácil, mas antes de se comprar, devemos perguntar: quanto é que custa? O que o ETF que eu estou a comprar replica? É físico ou sintético? Ou seja, tem ações ou obrigações, ou tem futuros, o que significa que tem contratos, não tem ativos reais, distribui dividendos ou acumula. Isto é muito importante por causa do efeito fiscal. E depois, em que moeda é que está denominado. Ou seja, estas cinco perguntas ajudam-nos a escolher quais são os ETFs mais adequados pra mim, sendo que, por exemplo, a questão fiscal é importantíssima, porque se eu escolher um ETF que distribua dividendos, eu vou ter sempre uma retenção.
Os 28%.
28%. Se ao invés escolher um ETF que acumula, então eu vou ter o efeito de capitalização, porque ele está a reinvestir.
Sem pôr logo uma parte de lado pro Estado.
Sem pagar pro Estado, exatamente. Por isso o dinheiro que ia pro Estado está a continuar a capitalizar.
Isso é mais vantajoso. Pedro, para fechar, duas ou três ideias, então.
Sim, os ETFs são muito importantes, são das maiores inovações nos últimos 20 anos e serviram pra democratizar o investimento. Ou seja, nunca foi tão fácil investir quanto é hoje. Hoje qualquer pessoa, se quiser, também com €10, €20, consegue investir. Mas esta facilidade não significa que não exista risco. E eu acho que é isso, precisamente, que nós vamos pegar no próximo episódio, porque nem todos os ETFs são aquilo que parecem e há que separar o trigo do joio, como em tudo.
Muito bem. Próxima semana, então, continuamos com esse tema dos ETFs. Pedro, mais uma vez, obrigado. Bom fim de semana e até à próxima.
Obrigado. Bom fim de semana a todos.