Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Pedro Lino, bom dia. Bem-vindo mais uma vez. Os mercados de ações estão em máximos históricos e a pergunta que muita gente faz é: isto está tão lá em cima, será que vale a pena investir neste momento? Entrar em alta, entrar neste momento?

Olá, Paulo. Olá a todos, muito bom dia. É verdade, essas expressões são as que ouvimos mais frequentemente. Será que devo esperar por uma correção? Já é tarde, isto subiu demasiado. Mas nós desde o início do ano que temos vindo a falar recorrentemente desta situação, que é os mercados subirem. E quando ouvimos a expressão em máximo histórico, parece que estamos perante um acontecimento excepcional, ou seja, parece que estamos a comprar no pico, no máximo. E o que é que acontece? Temos receio de que no dia seguinte o mercado baixe e que comecemos a perder. Mas na realidade, isto não é um acontecimento excecional. Aliás, este ano tivemos inúmeros dias de máximos históricos.

À medida que o mercado vai subindo, sabe ter um novo máximo.

Exatamente. E isso faz sentido por quê? Porque a economia cresce, as empresas continuam a inovar, a produtividade aumenta, a população cresce, a inflação, também já abordamos, continua e está a aumentar, os lucros aumentam e isso faz subir o valor das empresas. Ora, se a economia cresce ao longo do tempo e se as empresas conseguem aumentar os lucros, seria estranho é que as bolsas não fizessem regularmente novos máximos.

Claro. E apesar do contexto muito incerto, e nós já falámos disso, sobretudo com os acontecimentos geopolíticos, tal e por aí fora, a verdade é que os mercados continuam a subir, por que isso acontece?

Sim, os mercados sobem, basicamente, existem alguns fatores que ajudam a explicar. O primeiro são os resultados das empresas. E mais uma vez, esta época de resultado, de apresentações de contas nos Estados Unidos, voltou a mostrar que os lucros das empresas estão acima das expectativas e continuam a crescer. O segundo tem a ver com o evento da inteligência artificial, ou seja, o investimento em centro de dados, em semicondutores, continuam muito elevado e mesmo as empresas como a Microsoft, a Google, estão a investir e não recuaram nos seus investimentos. Depois, a outra novidade é que, mais recentemente, este último mês, desde junho, julho, fim de junho, início de julho, tivemos o que se chama uma rotação de setores. Antigamente falava-se nas sete magníficas, que eram aquelas que nunca paravam de subir. Hoje vemos um bom desempenho na indústria, na saúde, na defesa, na banca. A banca europeia está em máximos desde 2008.

Quem diria que ia usar o número, claro.

É verdade, quem diria? Por isso, isto é saudável, porque significa que a subida do mercado está mais abrangente e não está tão dependente daquelas magníficas sete. E significa também que um mercado forte não é aquele em que sobem apenas sete empresas, é aquele em que há um crescimento generalizado espalhado pelos vários setores da economia.

Certo. E nestes contextos, há muita gente que faz aquela pergunta: OK, mas não será demasiado isto? Será que os mercados não estão a subir e a tornar-se demasiado caros?

Paulo, eu já ouço esta desde 2021, depois da pandemia, e estava sempre caro. E o que é facto é uma preocupação legítima, mas as empresas estão a apresentar algumas avaliações exigentes, mas importa perceber que os mercados olham para o futuro, não é para o passado. Quando nós compramos uma ação, não estamos a comprar o lucro do ano passado, estamos a comprar aquilo que acreditamos que a empresa vai ganhar nos próximos anos. E é por isso que as empresas muito inovadoras estão a negociar em múltiplos elevados. É natural, mas isso também significa um maior risco caso as expectativas não sejam cumpridas. Por isso é que as épocas de resultados são muito vistas por todos nós, porque qualquer abrandamento no crescimento pode originar uma correção nos títulos.

Claro, e então é essa a pergunta que muita gente faz: será que devemos esperar essa correção, essa queda?

Pois, essa é a outra pergunta que é a mais repetida. A história dos mercados dá-nos uma resposta que é muito interessante. Quem ficou constantemente à espera da próxima correção, e vimos isto também mais uma vez depois da pandemia, porque os mercados corrigiram muito, depois recuperaram de uma forma muito rápida.

Depois houve a Ucrânia também, um movimento semelhante.

E houve muitas pessoas que ficavam à espera da correção. Ora, à espera até hoje.

À espera da correção, isto é, ficar fora do mercado, prevendo que ele vai cair.

Exatamente.

E, portanto, se ele vai cair, eu vou aproveitar quando ele cair para comprar as ações mais baratas. O problema é que muitas vezes ele não cai.

Pois, e o problema é quem ficou constantemente à espera da correção desde 2021, acabou por perder anos de valorização. E estes anos foram de valorizações muito expressivas. E é claro que as correções existem e vão sempre existir, é normal, mas só que nenhum de nós consegue prever quando é que começam, quanto tempo duram e nem a dimensão. Vimos o ano passado que os mercados corrigiram 20% quando Donald Trump anunciou as tarifas, este ano caíram 10% quando foi a intervenção no Médio Oriente, mas esperar pela correção perfeita, isso significa uma bola de cristal que nenhum de nós tem.

Claro, é evidente. E isso também leva-nos um bocadinho a pensar na importância de fazer reforços regulares no investimento.

Sim, e eu acho que aqui é que entra a questão da estratégia, que é muito simples, que já abordamos várias vezes, que é em vez de tentarmos descobrir qual é o momento perfeito, que nenhum de nós sabe, os reforços regulares, todos os meses, todos os trimestres ou todos os anos, são uma forma muito importante para reduzir as emoções. Ou seja, desta forma, conseguimos comprar quando os mercados sobem, quando os mercados descem, e reduzir o risco de entrar num momento só, porque às vezes o que as pessoas têm medo é: ok, eu tenho 10 mil euros, se eu investir tudo de uma vez, se amanhã o mercado baixar 1%, eu fico logo a perder. Mas esta disciplina dos investimentos recorrentes costuma vencer a longo prazo e, principalmente, mitiga aquelas emoções que nós temos dos medos.

Aquela coisa do ter uma fézada, quase. É agora, vou entrar agora porque o mercado agora vai subir. Reflexão final aqui neste tema.

Sim, muitas pessoas perguntam: será que este é mais uma vez um momento bom para investir? E talvez a pergunta deveria ser outra, que é: será que os meus objetivos terminaram? Ou seja, eu já comprei casa, já preparei minha reforma, já ajudei os meus filhos, já construí o patrimônio que queria? Quer dizer, eu acho que o que nós vemos é provavelmente a resposta a algumas destas perguntas, até porque nós queremos sempre, ambicionamos mais e viver melhor, é provavelmente continuar a investir durante os próximos anos, e muitos e longos anos. E durante esses anos, nós vamos ter sempre máximos históricos. Ou seja, os máximos históricos não são o fim de um ciclo, são muitas vezes uma etapa na criação de riqueza ao longo do tempo.

Muito bem. E muita paciência.

E muita paciência, sem dúvida.

É evidente. Pedro Lino, obrigado mais uma vez. Bom fim de semana, até para a semana. Obrigado.

Obrigado, bom fim de semana. Boas férias.