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Ó Paulo, se é para dizer estas coisas, mais valia não teres vindo. A inflação voltou a subir.

São más notícias, Paulo.

Hoje são más notícias.

Como é que é possível?

Isto não tem estado fácil, não tem estado fácil nada.

Nada, nada.

Também para a economia.

Exato.

É, de facto, o número provisório do INE referente à inflação de setembro, que passou de 3,3% em agosto, para 3,6%. E obviamente que o que pesa aqui, o que está a fazer subir a inflação é o índice relativo aos produtos energéticos, que aumentou 15,4%. Em agosto tinha sido 12,2%, ou seja, aqui uma aceleração ainda por cima, um crescimento maior ainda desta classe de produtos energéticos. Quando olhamos aqui para o outro indicador importante, que é o dos produtos alimentares não transformados, os frescos, vá lá, frutas e legumes, a variação foi de 3,6, portanto, um alinhamento completo com a inflação. 3,6%, ainda assim, um aumento mais contido do que a energia, e mais contido também do que aquilo que estava a passar por esta altura já na anterior crise inflacionária, se quisermos, depois da invasão da Ucrânia. O número é provisório, mas, por regra, o INE em 99,9% confirma. Passado 10 dias, este número é o que vai acontecer, certamente. Desta vez, vamos ficar com mais detalhe depois quando o INE voltar a divulgar os dados definitivos.

E as prestações da casa também vão aumentar.

O Paulo já tinha prometido ontem.

A ameaça já cá estava. E agora com contas mais certas, seguindo aqui os cálculos feitos pela CNN Portugal, aquele empréstimo típico de 150 mil € a 30 anos com um ponto percentual de spread, e cá está, estamos no início de outubro e os contratos que vão ser revistos neste mês vão ter a seguinte evolução: aqueles que estão indexados à Euribor a três meses e, portanto, que são revistos de três em três meses, vão aumentar 23,5 € na prestação. As indexações à Euribor a seis meses vão sofrer um aumento de 47,24 € na prestação e os que estão indexados à Euribor a 12 meses, e portanto, não são revistos há um ano, no fundo, acabam por pagar de uma vez só, entre aspas, a revisão, vão subir para 86,25 €. Já é bastante dinheiro, já mexe bastante nos orçamentos familiares, com a agravante de, para já, não se ver uma luz ao fundo do túnel na estabilização de juros. O BC ainda pode subir novamente os juros este ano, talvez não em outubro, mas mais para o fim do ano. Vamos ver quais são os dados de inflação que chegam da zona euro hoje ou amanhã, e depois com mais detalhe daqui a uns dias. Vamos ver isso e vamos ver, sobretudo, como é que decorre a evolução do conflito no Golfo, que é aí que tudo está a nascer. Enquanto não se resolver isto, vamos continuar aqui num clima de mais inflação e mais taxa de juro.