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Está no ar a Boa Moeda, Má Moeda, hoje com o jornalista da editoria de economia do Observador, Edgar Caetano. Bom dia.

Olá, bom dia.

Bem-vindo às manhãs.

Muito obrigado.

Edgar. O gosto é nosso. Edgar, vens falar-nos dos recordes no preço do ouro. É uma boa moeda ou uma má moeda?

A julgar pela evolução recente das cotações, acredito que podemos dizer que nunca foi tão boa. De facto, nós publicámos há uns dias um texto bastante extenso no Observador que tenta explicar porque é que o ouro está nestes preços record. E coincidência, há dois dias vimos a cotação superar pela primeira vez o patamar dos 3.500 dólares, que é então o novo máximo histórico.

Alguém leu o teu texto. Não, estou a brincar.

Nunca presumiria isso. Há que notar que estamos a medir a cotação do ouro em dólares, o que é muito relevante, porque estamos a falar sobre boas moedas e más moedas, e uma parte desta subida do ouro deve-se precisamente às dúvidas sobre se o dólar ainda é uma moeda tão boa quanto era.

Mas o dólar já não é uma boa moeda, é isso que estás a dizer?

Nos últimos meses temos visto Donald Trump a exercer uma pressão absolutamente inédita sobre o Banco Central dos Estados Unidos para que este baixe as taxas de juro. Agora está também a tentar demitir uma governadora que foi nomeada pelo antecessor, por Joe Biden, no fundo, tentar substituí-la por um republicano e tentar garantir uma maioria de governadores que lhe sejam mais leais. Tudo isto pode significar que o banco central pode ter a independência em risco, que nos próximos anos poderá estar pressionado a baixar as taxas de juro e ter uma política mais expansionista, mais permissiva do que devia, dado o estado da economia. E perante isto, o ouro parece cada vez mais uma alternativa mais sólida. E é em parte por isso que temos visto muitos bancos centrais a comprar mais ouro, a diversificar as suas reservas, no fundo, limitando a exposição ao dólar e optando por outras moedas.

Mas vamos a contas, Edgar. Quanto é que o ouro subiu nos últimos tempos?

O preço do ouro em dólares, lá está, praticamente duplicou em menos de dois anos. E isso tem sido uma ótima notícia para quem tem investimentos em ouro, seja instrumentos financeiros ligados ao ouro, que são bastante acessíveis, seja no próprio ouro físico, que é um bem altamente escasso e cada vez mais valioso.

Portanto, Edgar, trazes boas notícias para quem investe em ouro, mas também trazes boas notícias para quem tem poupanças em Certificados de Aforro, porque aí os juros estão novamente a subir, não é?

Sim, são boas notícias para quem investiu nesse produto de poupança do Estado. Será uma notícia menos boa para quem é contribuinte e terá de pagar os impostos que será necessário cobrar para pagar esses juros. Mas de facto, terminou o mês de agosto e já é possível calcular a taxa de juro que vão render os Certificados de Aforro neste mês de setembro. Essa taxa é calculada usando a taxa Euribor, que também serve para calcular as prestações de crédito à habitação, aqueles com taxa variável.

Bem nossa conhecida.

Certo.

E essas taxas têm subido ou têm descido, Edgar?

As taxas Euribor caíram muito, como as pessoas sabem, a partir do início do ano passado, mas nos últimos meses essa descida estabilizou e até têm subido um pouco nas últimas semanas. Por isso o reflexo nos Certificados de Aforro é uma pequena subida da taxa, é 2,028. Essa é que é a taxa que irá vigorar em setembro. No fundo, é uma interrupção de vários meses consecutivos em que a taxa vinha a cair de forma consecutiva. A série que está atualmente em comercialização é a série F, que é menos vantajosa do que a anterior série E.

Tu não aguentavas, Edgar. Tinhas de elogiar a antiga série E só porque é a inicial do teu nome.

Era, de facto, mais vantajosa, muito mais do que esta série F, de Paulo Ferreira. Espero que o Paulo Ferreira não esteja a ouvir isto. Mas apesar de esta série F ser menos vantajosa, ainda assim, os Certificados de Aforro continuam a ser mais vantajosos do que a generalidade dos depósitos a prazo, que rendem, em média, cerca de 1,5%. Apesar dessa diferença, a realidade é que, segundo os últimos dados, estão investidos mais de 195 mil milhões de euros em depósitos a prazo e só 38 mil milhões em Certificados de Aforro.

Pois, nem sempre vamos atrás das melhores moedas, não é, Edgar?

Exatamente.

Edgar Caetano, da editoria de Economia do Observador, muito obrigada por teres vindo às manhãs 360. Volta sempre, a porta está aberta.

Muito obrigado.

Obrigada. Amanhã temos o Boa Moeda Poupar com o Miguel Ferreira, da Nova SB, que nos vai falar de fraudes, quais são as mais comuns e como evitá-las.