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Está conosco também em estúdio Bruno Vieira Amaral. Bruno, estas duas horas de início de manhã de terça-feira têm mostrado que, apesar da atuação da polícia, os manifestantes prometem voltar e continuar. Isto não fica por aqui, ainda vai continuar, ainda vamos ter mais episódios dessas manifestações?

Sim, mas terá a tendência a dissipar-se, porque de fato esses manifestantes são muito pouco representativos do sentir da população em geral. E mesmo os partidos políticos que normalmente associamos a esse tipo de protesto ou que tentam cavalgar esse tipo de protesto, não se irão associar muito nos próximos tempos, se continuar, se houver aqui tentativas de voltar aos protestos por parte desses grupos, porque são grupos que não são controlados pelos partidos e até partidos, por exemplo, como o PCP, são muito mais conservadores nos protestos que fazem e temem que de um momento para o outro isso adquira proporções que saiam do controle da organização. Portanto, alguns partidos beneficiam ou procuram tirar algum proveito dessas manifestações, atacando o governo, nomeadamente quando há uma resposta policial demasiado musculada, mas percebem também que são grupos que não são controláveis ou são dificilmente controláveis do ponto de vista político e, portanto, também não se quererão associar ou estar associados agora no futuro a novas manifestações. Eu acho que a polícia teve aqui o cuidado que poderá não ter tido naquela intervenção policial na Praça Dom João I na semana passada. O Miguel Pinheiro há pouco dizia que era preciso ainda conhecer os pormenores, mas o que fica são as imagens e aquela ideia de que houve um excesso do uso de força por parte das autoridades policiais e daí a resposta também até da população, das pessoas em geral a essa atuação. Não quer dizer que estivessem do lado dos manifestantes, mas a partir do momento em que há uma carga policial com aquela violência, independentemente de se conhecerem os pormenores, a reação das pessoas é dizer que são contra aquela repressão tão forte. E aqui houve um cuidado claro da polícia em garantir que isso não se repetiria, que era preservada a ordem, que os manifestantes seriam desmobilizados, que as tendas seriam retiradas, mas que não se produzissem novamente imagens daquele teor, porque jogam contra a polícia, jogam contra as autoridades, jogam contra as instituições. E o José Manuel também estava a dizer e é verdade, muitas vezes o objetivo dos manifestantes é provocar a reação da polícia, porque depois as pessoas perante confrontadas com aquelas imagens têm a tendência a ir contra a polícia e o excesso do uso da força e de alguma forma estar a favor dos manifestantes. Portanto, houve esse cuidado, mas também não se poderia prolongar indefinidamente este cuidado e esta tolerância da polícia, porque estamos a falar da ocupação indevida da via pública e não se poderia manter indefinidamente, tal como os manifestantes já tinham anunciado pretender fazer. Já diziam que queriam ficar até ao final do ano nas tendas. Isso não poderia continuar e tinha de se encontrar aqui um equilíbrio entre uma reação da polícia e também a tolerância para evitar certos excessos também policiais que jogam contra, nessas ocasiões, as autoridades e as instituições.