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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda. Paulo, o preço das casas continua a desacelerar.
A desacelerar. Atenção, não é a cair.
É estar sempre a aumentar.
Continua a aumentar, exatamente, mas aumenta cada vez menos. E julho foi, de facto, o oitavo mês consecutivo em que o preço das casas desacelerou. Há aqui uma série, não é um episódio centrado num ou dois meses isolado. São dados do Idealista, a partir dos preços por metro quadrado dos anúncios colocados na plataforma. Em julho, o preço médio aumentou 8% em termos homólogos. Ainda é bastante, 8%. Nós estamos com a inflação à volta de 6%, mas no mês anterior tinha sido 9,3%. E se recuarmos até novembro de 2025, os tais oito meses, nessa altura registava-se um aumento mensal homólogo de 14,4%. Tem vindo a desacelerar desde novembro do ano passado, destes 14,4% até aos 8% registados no mês passado. As casas continuam a aumentar de preço, o aumento é cada vez mais baixo. Isto, se continuar assim, obviamente vamos tender para zero de aumento, esperando que depois comece a haver um sinal de menos antes da percentagem de variação que signifique que estão a cair.
Começarem a ficar mais baixos.
Exato, a caírem mesmo. Pode.
Estou a sentir um certo ceticismo do meu lado esquerdo, uma certa amargura.
Se for proprietária, esta situação é muito favorável.
Claro, mas será um mau sinal, ou não?
Se caírem? Depende da velocidade da queda e da intensidade. Se for um crash forte durante poucos meses, vai ser muito complicado para muita gente, para o mercado, nomeadamente para os bancos, que têm as garantias nos imóveis. Se for uma queda suave ao longo de algum tempo, para desinflacionar aquilo que tem acontecido nos últimos anos, pode até ser saudável, um reequilíbrio do mercado.
Muito bem. Saudável é o preço do petróleo que está a baixar.
Exato.
Isso é que dá muita saúde.
Parece que Donald Trump aproveita as sextas-feiras ou os sábados para dizer qualquer coisa ou anunciar qualquer coisa que provoque depois na segunda-feira, na abertura da semana, uma queda das cotações. E assim aconteceu mais uma vez esta semana. Petróleo em queda, estamos a falar do Brent do Mar do Norte, que é aquele que mais importa para os combustíveis em Portugal. Ontem foi um dia de forte queda na noite de domingo. Assim da noite de domingo para a manhã de segunda, passou dos $90 para os $82. Ontem andou ali todo o dia entre os 82 e os 83, agora está nos 84. Bem abaixo daquilo que estava na semana passada. A grande dúvida é se isto é ou não sustentável, isto é, amanhã vêm mais uns mísseis, haverá mais problemas no setor, o mundo lateja para outra vez. Mas é essencial perceber até que ponto e a que nível é que o petróleo vai estabilizar, porque esses dados são essenciais para perceber que inflação vamos ter nos próximos meses e, a partir daí, o que é que os bancos centrais, nomeadamente o BCE, vai fazer já na reunião de setembro. Não vai ser uma decisão fácil, porque os dados são tão frágeis e são tão voláteis, andando aqui às voltas com as declarações de Trump, que não é fácil, mas vamos ter que esperar.