Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E começa agora mais uma Boa Moeda, uma moeda das manhãs. 360. Paulo, vamos olhar hoje para as hipotecas. No ano passado ainda pagámos mais.

É verdade. Quando olhamos para todo o ano, ainda estamos naquela fase em que vão chegando estatísticas que nos dão uma fotografia, se quisermos, ou o filme de todo o ano de 2024. Muitas vezes, assuntos que vamos vendo dia a dia, ou semana a semana, ou mês a mês, dependendo do tipo de estatísticas. E quando olhamos para todo o ano de 2024, dados divulgados ontem pelo INE, vemos que a prestação média da casa ao longo de todo o ano, no ano passado, ainda subiu em relação a 2023.

A Carla está a dizer que sim com a cabeça.

Eu sei bem.

Eu sei.

A média toda. É que nós passámos o ano quase todo, porque as taxas de juro começaram a descer.

Nós íamos comparando com o mês anterior ou o ano passado.

Exatamente. E mesmo o gráfico. Se nós olharmos para uma reta descendente, que foi aquilo que se passou em termos de taxas de juro e da prestação correspondente ao longo do ano, ela foi descendo ao longo de todo o ano. Mas como começou muito cá em cima o ano, porque tinha subido ao longo de todo o ano de 2023, e a subida foi muito forte, começou muito cá em cima e mesmo apesar da descida ao longo de todo o ano, quando fazemos a média do ano todo e comparamos com 2023, a prestação média ainda é superior. E então, números concretos. O ano passado, em média, durante todo o ano, os portugueses pagaram uma prestação de 404 € por mês pelo crédito à habitação. A média mensal de toda a gente. E isto significa um aumento de 42 €. Estes 404 € são mais 42 € do que tinham pago, em média, os portugueses todos pela hipoteca no ano anterior. Houve aqui um aumento, números muito redondos, de 10% na hipoteca. Isto apesar de, de facto, ter sido uma subida menos intensa do que a que se tinha verificado em 2023. Em 2023, a prestação média tinha aumentado 94 € face a 2022. Aí é que foi, de facto, um aumento maior, mas aumentou muito menos. A taxa de juro média no ano passado subiu ainda para 4,45%. O que aconteceu é que ao longo do ano, como foi descida, este ano já entrámos muito abaixo daquilo que entrámos em valores de taxas de juro e de prestações do que entrámos no ano passado em janeiro. Portanto, este ano, mantendo-se a tendência daquilo que se espera ser a evolução das taxas de juro ditadas pelo BC, vamos ter uma queda média das hipotecas. Lá está, se não houver nenhum fenômeno ao longo do ano que faça disparar os juros, alguma surpresa inflacionista que obrigue os bancos centrais novamente a subir taxas de juro, vamos ter este ano, então, em termos médios, uma comparação.

A Carla está dedos cruzados.

Eu já estou aqui a ver que viagens é que vou fazer com o que vai sobrar.

Aproveitar a diferença. Sim, mas já se nota, obviamente.

Mas até Sintra de comboio.

E voltas, dá pra voltar já.

E como Sintra é perto do caminho.

Uma queijada.

Não, tens que ficar lá. E, portanto, o ano passado ainda foi durinho em termos médios. Este ano já vai ser seguramente melhor, certamente.

Paulo, ontem falámos sobre o preço dos combustíveis, que subiu. Hoje falamos do governo, que vai avaliar se reduz ou não os impostos dos combustíveis.

O preço dos combustíveis é aquele indicador, aquele barómetro muito sensível que quando há uma subida fora do normal, foi o que aconteceu ontem, na casa dos 0,03 € ou dos 0,05 € e meio, no caso da gasolina, quando há uma subida fora do normal, entra a política, como é evidente, porque as pessoas são sensíveis a esse preço, como é evidente. E a questão aqui é, de facto, se o governo há de, no fundo, voltar a fazer aquilo que o governo anterior, o governo de António Costa, fez há cerca de dois anos, que é reduzir os impostos, e o Estado tem muita margem para isso, porque mais de metade do preço de um combustível são taxas e taxinhas, se quisermos. Há três impostos, é a taxa de carbono, é o próprio imposto especial sobre produtos petrolíferos e é o IVA. Mexer nesses impostos para que quando as matérias-primas sobem e ditam um aumento final do preço dos combustíveis, o governo reduz a parte dos impostos para compensar esse aumento da matéria-prima. O que o governo anterior fez, até para o Estado, isto é um bocadinho perverso, como o IVA, por exemplo, é uma percentagem sobre um valor não final, mas o valor pré-final, antes da venda ao consumidor, o Estado também ganha com o consumidor dos combustíveis. Ou seja, o IVA que incide sobre um litro de gasolina de 1,5 €.

Não é o mesmo.

É menor, exatamente, que quando a gasolina está a 2 €, o Estado também ganha na mesma proporção com o IVA. E, portanto, o que o governo anterior fez foi reduzir, pra não estar a mexer no IVA, foi reduzir o ISP.

Portanto, deixou de ganhar.

Deixou de ganhar. Isto é, criou ali um estabilizador, se as matérias-primas subiam, o imposto descia na mesma proporção, o ISP descia para que o Estado, pelo menos, não ganhasse com o IVA. Vamos ver, a discussão está a começar agora, eu acho que vai depender muito daquilo que for a evolução nas próximas semanas dos combustíveis. Se esta subida não for duradoura e vier aí agora uma queda nas próximas semanas, a discussão acaba. Se começar a passar de 1,70, 1,80, 1,90, 2 € por litro, vamos voltar à velha discussão.