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Começa agora mais uma Boa Moeda, Má Moeda das manhãs 360 e hoje, Paulo, falamos sobre a internet.
Internet, mais precisamente sobre a tarifa social da internet. Sabemos agora que quase um ano depois esta medida falhou, pelo menos nos moldes em que está no mercado. O governo prepara agora mudanças, quem pode ter acesso e como deve estar desenhada esta medida. Vamos ver o que está. Esta tarifa foi criada há cerca de um ano e é aquela que permite o acesso dos consumidores mais vulneráveis, portanto, pessoas com menos rendimentos, a um conjunto chamado de serviços mínimos de internet e a um preço muito reduzido. Recordando então que esta tarifa social de internet tem uma mensalidade de € 5 mais IVA e é um serviço de acesso à internet em banda larga, em casa, com velocidade mínima de 12 MB/s de download, isto é, a velocidade com que descarregamos as coisas da internet, basicamente. E tem um plafond de tráfego mensal de 15 GB. A quem se destina ou destinava esta medida quando foi desenhada? Destina ainda, porque ela continua em vigor, às pessoas que, de facto, não têm rendimento para pagar aqueles típicos pacotes que têm acesso à internet, têm não sei quantos canais de televisão, telefone e por aí fora.
Isto já é uma necessidade básica, não é? É um serviço básico.
Absolutamente, tal como a tarifa social de energia e de eletricidade, foi criado também com esse objetivo. Quem é que pode beneficiar desta medida? Basicamente, todas as pessoas que já são beneficiárias de uma série de apoios sociais. Por regra, é um conjunto semelhante àqueles que beneficiam da tarifa social de eletricidade e pessoas que têm o complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção, quem está no desemprego e tem o subsídio de desemprego ou recebe o abono de família, por aí fora. Portanto, uma série de pessoas já com apoios sociais e agregados familiares com rendimento que seja igual ou inferior a €5.808. Agora, feito o balanço, chega-se à conclusão, de facto, que ele é muito fraco. Reparem só, o objetivo era chegar a uma larga parcela das 800 mil famílias que cumprem estes critérios. Portanto, o objetivo, uma fatia de 800 mil famílias. Passado quase um ano, actualmente há pouco mais de 500 pessoas que aderiram. Portanto, uma adesão muito fraca. São contas feitas pela DECO Proteste, que também alertou há um ano que isto iria falhar nos moldes em que foi anunciado.
A questão é: isto pode-se entender como um bom sinal. Há menos pessoas a precisar deste instrumento.
Ou então precisam, mas não é este o apoio necessário. Qual é o problema aqui identificado pela DECO? É que este pacote básico só nos coloca, de facto, internet em casa. Não tem televisão, nem tem telefone. E as pessoas também não precisam disso, de alguma maneira, também é um serviço básico ter acesso a canais. As pessoas fazem contas e percebem que têm que subscrever outro pacote que não é barato. A única coisa que ganhariam neste é, de facto, um acesso à internet mais barata, nos €5. Portanto, tudo somado, acaba por não ser um bom negócio. Isto é, provavelmente ganhariam alguma coisa, mas não aquilo que leva as famílias a aderir. A DECO diz ainda que para as pessoas terem a televisão, só se aderissem à TDT, que é gratuita, mas nós sabemos que é limitada no número de canais e tem, por vezes, ainda muitas deficiências de receção. E portanto, há aqui um falhanço desta medida. O governo já o assume, já diz que está a ter reuniões de trabalho com os operadores de telecomunicações, no fundo, para criar, para estudar várias alternativas de melhoria desta tarifa social de internet. Vamos ver o que as próximas semanas dão sobre isto.
Então qual é a outra má moeda, Paulo?
A má moeda é aquele tema recorrente nalgumas semanas das segundas-feiras. Andamos aqui com olho nos combustíveis novamente, porque começam a ser novamente um motivo de preocupação com a subida dos preços. E hoje o preço do gasóleo sobe mais €0,04. A gasolina, pelo contrário, cai €0,01.
Um cêntimo?
É verdade.
Vou já às compras.
Uma loucura, não é? Se calhar foi por causa disto que o Júlio ficou no Porto esta semana. Coitado.
É que não tenhas dúvidas.
Ninguém te tira daí. Enquanto não baixarem o gasóleo, tu não sais daí. Ele está à espera da próxima semana.
Olha que não tenhas muitas ilusões ou esperanças, Júlio. Isto provavelmente vai continuar a subir. Fica aí amarrado em casa e nunca mais sais.
Não sei se não és preciso aqui em Lisboa.
Vê lá isso. Os preços de referência. Diz.
Eu não sabia. Eu ouvi agora a Simões dizer que a Carla Fazendas era só para lhe dar os parabéns.
Obrigada. Podes continuar. De 10 em 10 minutos dás-me os parabéns. Eu voltei das férias para isto.
Voltas amanhã de férias.
A minha prenda já está decidida: um cheque de €10 de gasóleo. É gasóleo ou gasolina?
Prefiro gasolina.
Então é gasolina.
Obrigada, Júlio.
E se meteres esta semana, vais pagá-la a um preço de referência de 1,86, a gasolina. Preço de referência.
Ainda melhor.
E o gasóleo?
O gasóleo anda ali já próximo dos 1,76. E vai subir, Júlio, cuidado.
Ai, ai.
Portanto, dispara.
Eu não tenho dúvida nenhuma.
A pressão para a subida é grande, a cotação do petróleo tem subido nas últimas semanas.
É porque no verão aumentou, por causa do aumento da procura.
E as refinarias também, com as ondas de calor, não funcionaram a 100%, como era supuesto, portanto, houve falta de abastecimento. E agora o que está a acontecer é que a Arábia Saudita está a fazer aquela gestão. Os jogadores de futebol têm que ser pagos de alguma maneira. E portanto, eles cortaram a produção, renovaram esse corte por mais três meses e obviamente que o preço vai subindo por aí fora.
Paulo Ferreira e o Boa Moeda, Má Moeda. Amanhã há mais novidades.