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Está na hora da Boa Moeda, Má Moeda. Deixe-me só encontrar aqui. Vamos à boa, não é, Paulo?

Vamos à boa moeda, começamos sempre por mulher. Vocês são daquelas que nas refeições deixam o melhor pro fim?

Sou.

Pronto, então temos que passar a inverter isto.

Ainda bem que me faz essa pergunta, Paulo.

Mas pra mim, as piores notícias são pra dar logo e deixar as melhores pro fim.

Um dia destes mudamos isto e começamos pela má moeda.

Aqui funcionamos assim.

Pra acabar em alta sempre.

Então, mas qual é a boa de hoje?

A boa moeda de hoje é o adiamento, decidido pelo governo, de seis meses da entrada em vigor de uma nova taxinha.

Taxinha?

Uma taxinha. Taxas, taxinhas.

Essa taxinha é má moeda?

Já foi má moeda. Agora a boa moeda é o adiamento por seis meses da taxa sobre as embalagens de plástico de comida.

Ah, essas.

Exatamente. Quando levamos pra casa nos restaurantes ou quando fazemos um pedido para entrega em casa. Os sistemas de takeaway ou entrega em casa. Ora bem, esta taxa tinha sido decidida no ano passado e deveria ter entrado em vigor em janeiro. Terá o valor, porque mais tarde ou mais cedo ela virá. Terá o valor de 30 cêntimos por embalagem de plástico, que é pago, obviamente, pelo cliente, pelo consumidor. E assim, com este adiamento de meio ano, só vai entrar em vigor em julho. Mais meio ano de borla neste ponto. E o motivo deste adiamento é, obviamente, o contexto de pandemia e as regras que ainda se aplicam aos restaurantes e que vão atrapalhando um bocadinho.

Paulo, 30 cêntimos, se a inflação não chegar aqui, também não é assim tanto.

Não é assim tanto. Mesmo numa refeição que venham três embalagens, são 90 cêntimos. E a questão ambiental justifica isto, que é evidente. Não é uma fortuna, mas grão a grão, 30 cêntimos aqui, mais 50 ali. Só pra terem uma ideia, o Orçamento de Estado para 2022, que foi chumbado, mas tinha lá a previsão de receita desta taxa, 10 milhões de euros no ano todo.

Se entrasse em vigor em janeiro.

Se entrasse em vigor em janeiro, 10 milhões de euros.

Será que reduz pra cinco?

Se nós fizermos aqui, de fato, a proporção, podemos contar, eventualmente, com cinco milhões de euros de receita no segundo semestre.

Andamos a encomendar muito, mas também depende.

Se vocês pensem, provavelmente, naquilo que fazem, desde pedidos em restaurantes, quando sobra comida e se leva pra casa, o que eu acho uma ótima prática. Perdemos a vergonha de fazer isso nos últimos anos, até os pedidos de encomendas em casa, através das plataformas.

Nós não sabemos se o próximo governo vai manter esta taxinha.

Claro, obviamente. Pra já, houve um adiamento.

Sim.

Se mudar de governo, se calhar, há muita coisa que vai cair, como é habitual.

Mas pra já, fica assim. Seis meses.

Só pra termos a ideia de que os 10 milhões de euros previstos, os 30 cêntimos são pouco, de fato, mas são 10 milhões que saem do bolso das pessoas para o Estado.

Por isso é que as taxinhas dão tanto jeito.

Exato.

Taxinha em taxinha. Vamos à má moeda.

Má moeda. Por falar em bolsos, basicamente, e contas das economias familiares. Os juros estão a começar a subir, temos falado muito disso por aqui. O ciclo de subida está aí. E começam agora a fazer-se contas, uma vez que se consolide esse ciclo, ao impacto que isso pode ter nos bolsos das pessoas, neste caso concreto, os portugueses. A Deco fez umas contas e as contas são as seguintes: se a taxa Euribor passar dos valores atuais, que anda ali ao volta do meio ponto percentual negativo, portanto -0,5%, as taxas estão negativas. Se passarem daqui para 1%, e tendo em conta basicamente o número de contratos que estão ativos, crédito habitação, o saldo médio da dívida e os prazos médios, todos os meses as famílias portuguesas pagariam mais. Pequena coisa pra cada um, mas depois, no global, um montante grande. Os portugueses pagariam mais 61 milhões de euros pelas prestações de crédito habitação. Atenção, por mês.

Por mês, mas estás me a dar aqui um número muito assustador, 61 milhões de euros, porque é o montante global, mas depois, por famílias, deve haver cálculos pra um contrato tipo.

Exato.

Como é que isto fica?

Contrato tipo com que a Deco trabalha, 150 mil euros de crédito, de empréstimo, se quiserem, pelo prazo de 30 anos, indexado à Euribor a seis meses, com, se prevê, a tal margem para o banco de um ponto percentual. Neste caso, a prestação atual é de 445 euros e se a Euribor subir um ponto, passa pra 514. Só aqui estamos falando de uma diferença de quase 70 euros.

70 pepas.

Exatamente. Se a subida for de dois pontos percentuais, isto é, a Euribor passar de -0,5% para 1,5%, então a prestação passa para 590 euros.

Mais 144.

Cento e cinquenta e quatro.

Cinquenta e quatro? Quarenta e quatro.

Não, tens razão, 144.

Nós somos bons nisso. Eu sou muito boa a matemática. Ainda bem que verificas isso. 144.

Portanto, passa de 445 euros pra 590. É um salto muito grande por mês.

Péssima moeda. Péssima moeda esta, Paulo Ferreira.

Péssima moeda, está garantido.

Passamos da boa moeda pra péssima moeda. Boa moeda, má moeda, sempre com o Paulo Ferreira, depois das 17h30, amanhã, à nova edição.