A crise da habitação em Portugal não surgiu agora. E o grave é que nem sequer estabilizou ao longo dos anos, pelo contrário, tem vindo a agravar-se dramaticamente. Também não foi causada por um único governo. É o resultado de décadas de políticas erradas e de uma realidade simples: os portugueses empobreceram relativamente ao custo de vida.
Nas últimas décadas os salários cresceram poucochinho, enquanto o custo de vida não pára de aumentar. Hoje, aquilo que uma família conseguia pagar com esforço há vinte anos, tornou-se um luxo para uma grande parte da população. Comprar casa é cada vez mais difícil. Arrendar tornou-se uma jornada épica de obstáculos. E construir um projeto de vida em Portugal é, para muitos jovens, uma missão quase impossível.
Mas a verdade é que não existe mistério nenhum. Não há falta de diagnósticos. Há falta de coragem para admitir as causas.
Durante décadas, o Estado foi absorvendo uma fatia cada vez maior da riqueza gerada por quem trabalha. E quando falamos de trabalhadores, falamos de todos: de quem é empregado e de quem emprega e assume riscos. Somos todos nós, que sustentamos o país, os que pagam a conta.
O resultado está à vista. Menos poder de compra. Menos poupança. Menos investimento. Menos capacidade para adquirir habitação.
E enquanto Portugal continua preso aos mesmos debates ideológicos de sempre, há países que fizeram diferente e obtiveram resultados diferentes. A Irlanda é um exemplo, apesar de incómodo para muita gente. Após a crise de 2008, encontrava-se numa situação extremamente difícil. Mas, em vez de penalizar quem trabalha, quem investe e cria emprego, apostou em políticas económicas mais competitivas, atraiu investimento, criou riqueza e aumentou os salários, que são hoje dos mais elevados do mundo.
Perante isto, a pergunta impõe-se: é preciso inventar uma solução revolucionária para Portugal? Não. É preciso ter a humildade de copiar o que funciona. Não copiar cegamente. Mas adaptar à realidade portuguesa as políticas que provaram gerar crescimento económico, melhores salários e mais prosperidade.
Porque a habitação não é apenas um problema de casas. É também um problema de rendimentos. E nenhum subsídio, nenhum programa estatal e nenhuma medida avulsa resolverá o essencial enquanto os portugueses continuarem a ter salários que não acompanham o custo de vida.
A crise da habitação não se resolve empobrecendo ainda mais quem trabalha. Resolve-se criando condições para que os portugueses possam ganhar mais, poupar mais e para que tenham capacidade para investir, construir património e criar riqueza. E Portugal precisa de parar de castigar quem cria riqueza.
Para isso não é necessário inventar a roda. Basta olhar para os países que tiveram sucesso e ter a coragem de seguir o exemplo.
Porque quando as pessoas ganham mais e têm mais oportunidades, conseguem pagar uma casa, sem sacrificar o resto da vida. É dessa tranquilidade que é feita a Felicidade.