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Esta sexta-feira está conosco, como habitualmente, o Pedro Lino. Pedro, há uma pergunta que muitas pessoas fazem que é: tenho algum dinheiro para investir, tenho aqui dois caminhos: ou invisto tudo hoje ou então vou investindo aos poucos. Há uma boa prática sobre isto?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É uma decisão que costuma ser difícil para algumas pessoas, porque o problema não é financeiro, é um problema psicológico. Nós temos medo de investir hoje e amanhã, se os mercados caírem, pensamos rapidamente: "se eu tivesse esperado mais uma semana, ou se eu tivesse feito isto ou aquilo", e o se é o pior problema que podemos ter na nossa cabeça. Mas também existe o risco contrário que já abordamos, que é esperar por uma queda que nunca chega. Há pessoas que estão à espera das correções há cinco anos e elas não acontecem. Por isso, eu ao longo da minha carreira conheci muitas pessoas que estão à espera do momento certo. O momento certo era uma bola de cristal que nenhum de nós tem. Eu gostava de ter, mas também não tenho. Por isso, o maior risco nem sempre é investir antes de uma queda, é muitas vezes nunca chegar até investir.

Claro. Então existem aqui dois caminhos, duas estratégias.

Sim, existem duas estratégias, uma primeira que é investir tudo de uma vez. Em inglês chama-se lump sum. Eu faço uma entrega e o dinheiro começa todo imediatamente a trabalhar. Claro que há um risco, que é no dia seguinte as bolsas corrigem e eu estou a perder relativamente ao capital inicial. Historicamente, é a estratégia que, como está investida há mais tempo, é aquela que gera mais rentabilidade, porque o dinheiro permanece investido todo e durante muito mais tempo.

Durante mais tempo, claro. E, portanto, está a capitalizar.

Sim, e o mercado privilegia a capitalização.

Claro. Depois há então a alternativa, que é investindo aos poucos.

A segunda é investir aos poucos, é aquilo que a maior parte dos nossos ouvintes já ouviu e que se chama dollar cost averaging, ou seja, no fundo, fazer preço médio. Por exemplo, eu tenho €24 mil. Em vez de investir tudo hoje, como na primeira opção, invisto €2 mil por mês durante um ano. Desta forma, quando os mercados sobem, compro mais caro, quando os mercados descem, compro mais barato, mas principalmente reduz-se o risco de entrar num só momento e isto pode ser importante para algumas pessoas pela questão emocional.

Claro. Tudo pesado, há aqui alguma estratégia melhor que a outra ou não?

Às vezes pergunta-se qual é a melhor estratégia. A estratégia depende menos do mercado e mais da pessoa. Se tem muita experiência e consegue aceitar oscilações, ou seja, se é um investidor mais amante do risco e que gosta de muito risco.

Que não perde sono perante a queda do mercado.

Não perde sono. Exatamente. Não é tanto o risco, é mais não perder o sono, então investir tudo uma vez pode fazer sentido. Para outros investidores que têm mais receio do que pode acontecer e têm mais uma componente emocional que lhes pesa mais, então o custo médio ou dollar cost averaging é uma vantagem muito grande, porque pode permitir dormir mais descansado.

Dá um certo conforto emocional e psicológico para quem não gosta muito.

Agora o problema muitas vezes é se não temos aquilo planeado, este dollar cost averaging, se não é planeado, podemos pensar: "ah, isto agora está a cair, tenho medo, já não faço outra vez".

E aí perde-se a oportunidade.

E depois perde a oportunidade. Ou seja, quando decidimos por uma estratégia, depois temos de a cumprir. A disciplina, todos os meses, independentemente das notícias, da inflação ou do BCE, é como costuma recompensar os investidores. Por isso, a disciplina é muito importante.

Além destes dois caminhos, existe também uma alternativa.

Eu acho que sim, pode sempre existir a terceira solução, que é o misto. Ou seja, naquele exemplo, tenho €24 mil. Se em vez de investir €2 mil por mês, posso pegar em metade, 50%, 12 mil, e posso investir tudo hoje, esses 50%. E pelo menos já tenho uma grande parte do patrimônio investido. Os outros 12 mil, posso dividir pelos próximos seis meses e investir €2 mil por mês. Ou seja, já estou parcialmente investido e mantenho aquela liquidez que vou usando mensalmente para reforçar. E se os mercados subirem, ainda bem, estou a comprar mais caro e significa que nos €12 mil iniciais já estou a ter mais-valia. Se descerem, também é bom porque significa que a opção certa não era colocar o dinheiro todo inicialmente.

Mas colocaste uma grande parte.

Coloquei uma grande parte e agora estou a fazer custo médio.

E estás a aproveitar mais uma parte da subida. E há aqui um erro também que muita gente comete, não é?

Sim, ao longo dos últimos meses, nós falámos de guerras, inflação, taxas de juros, máximos históricos, inteligência artificial, e apesar de tudo, os mercados continuam a criar riqueza a longo prazo. Por isso, o verdadeiro erro não costuma ser escolher entre investir hoje ou dentro de três meses. O verdadeiro erro é deixar passar três anos, cinco ou 10 anos à espera do momento perfeito. Por quê? Porque estas volatilidades e estas notícias menos positivas e que originam correções nos mercados, nós vamos ter sempre. Por isso, o problema é que quando, por exemplo, no caso do custo médio, se nós esperarmos muito tempo ou se com receio retirarmos aquela ordem de compra que temos mensalmente, nós vamos deixar passar três ou cinco anos e depois vamos deixar de investir. E como vemos, os mercados a longo prazo sobem.

Aí a oportunidade foi embora. Notas finais sobre este tema, Pedro.

Sim, uma última reflexão. Muitas pessoas perguntam qual é o melhor dia para investir. Ora, eu tenho outra pergunta: durante quantos anos é que pretende permanecer investido? Porque, mais uma vez, quem pretender estar investido até seis meses ou um ano, se calhar é melhor ir pro cassino, não é nos mercados financeiros. No final, os mercados financeiros privilegiam e recompensam o investidor de longo prazo. É o tempo que conseguimos estar investidos. Por isso, os mercados recompensam, mais uma vez, a paciência muito mais do que a capacidade de adivinhar o momento perfeito, que por muito que gostássemos, Paulo, nenhum de nós sabe.

Sabe, sem dúvida. Muito bem, ficam aqui os conselhos do Pedro Lino. Pedro, bom fim de semana. Voltamos para a semana. Obrigado.

Obrigado, bom fim de semana. Até para a semana.