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Brainstorming e se as voltas que aqui damos forem passíveis de enjoo, nada temam, meus santos ressacados e populares. Hoje é sobre o Goronzán, essa instituição da cura da ressaca, que vamos falar com o Rui Rios Ferreira. Primeiro, esgotam-se os stocks e nasce o novo filme da Barbie, e quando o fim chegar, nada será em vão e tudo será em Fão, perto do Porto. É para onde vai o destaque da semana, com um cartaz publicitário que pude testemunhar ocularmente. Primeiro, uma história de ferro, um bocadinho de plástico e fogo. É com a BIC e com o Snoop Doggy Dogg, o mesmo, o da Califórnia. O rapper norte-americano da Califórnia é a nova cara da BIC, numa campanha que promove os novos isqueiros Easy Reach, em parceria com a apresentadora de televisão norte-americana Martha Stewart. Num conjunto de várias rábulas que vão apresentando este isqueiro, vemos que um isqueiro pode servir para muitas coisas. Snoop Dogg é famoso por usar um para acender coisas que nesta campanha não se nomeia, rodeiam-se, mas elas ficam sugeridas. "Yo, Martha, I didn't know you was into this."

"You mean smoking a turkey? It's simple with my BIC Easy Reach Lighter."

"It's perfect for hard to reach places. You know, this BIC Easy Reach Lighter would be good for lighting..."

"Candles? It sure is. And it helps keep my fingers away from the flame."

E assim se vai fazendo nos Estados Unidos a nova campanha da BIC para a promoção do isqueiro Easy Reach. Agora, da Snoop Doggy Dogg para o mundo mais cor-de-rosa, há quem chame até Barbie World. "Come on, Barbie, let's go party". "Come on, Barbie, let's go party". E já agora, embora também daí Barbie gastar o stock mundial de um tipo muito específico de cor-de-rosa, o novo filme da Barbie promete não demorar muito a chegar aos cinemas. Certa que para dar cor à produção, o mundo imaginário de Barbie terá gasto neste nosso mundo concreto toda a tinta existente no mundo de uma tonalidade rosa específica da marca Rosco. O que seria se todos gostássemos de cor-de-rosa? Seria uma tragédia, mas para quem gosta, a Rosco promete repor os stocks desta cor num futuro bastante próximo. Tragédia, tragédia. Era depois destes dias de Santos Populares esgotar o stock nacional de Goronzán. Jamais vai acontecer, por isso digam olá ao Rui Ferreira. No Brainstorming de hoje temos o prazer de conversar com Rui Rios Ferreira, Marketing Director da Jaba Recordati Portugal. Rui, começamos pelo princípio, até para situarmos os nossos ouvintes. Como e quando é que o Goronzán começa a fazer parte do portfólio da Jaba Recordati?

Olá, boa tarde. O Goronzán é um produto que está na Jaba Recordati desde 1968, portanto, um ano de muita controvérsia e de muita movimentação a nível internacional e nacional. E a grande novidade em Portugal para a Jaba Recordati foi, de facto, o lançamento do Goronzán em 68.

E todos nós conhecemos o Goronzán para cuidar de ressacas, vamos admitir. Mas, na verdade, este medicamento não foi concebido inicialmente para nos salvar desse flagelo moderno. Verdade, Rui? Quer contar-nos aqui um pouco mais sobre a história deste medicamento, que tem mais conteúdo?

Sim, é verdade. O produto foi lançado em Portugal como um desintoxicante hepático, fundamentalmente para as pessoas polimedicadas, ou seja, as pessoas que tomam muitos medicamentos, tomavam muitos medicamentos e, como tal, havia uma subcarga hepática grande, e o produto era fundamentalmente para essas pessoas para aliviar a carga hepática, ajudando uma desintoxicação. E foi assim durante muitos anos, era um produto de prescrição médica. Portanto, só podia ser promovido aos profissionais de saúde, imediatamente aos médicos, e eram eles que prescreviam normalmente o produto aos seus pacientes.

E quando o Goronzán deixa de ter o estatuto de medicamento sujeito à receita, como dizia Rui, há uma reviravolta na comunicação e no marketing do medicamento, que depois passa tudo a ser um pouco diferente, Rui. Enquanto Marketing Director de uma farmacêutica e tendo como exemplo o Goronzán, diga-nos o que é que muda em termos de comunicação quando o medicamento passa a ser não sujeito à receita médica. Ampliam-se as possibilidades?

Sim. Muda-se muita coisa, altera-se muita coisa, mas antes de dizer o que é que se altera, deixe-me só contar aqui uma história que tem alguma graça relativamente a esta mudança. O Goronzán, quando ainda era um medicamento sujeito à prescrição médica obrigatória, já era um medicamento que, não na parte oficial, mas na parte informal, era muito utilizado como um produto pra ressaca, particularmente pra ressaca alcoólica. E quando o produto passa a ter o tal estatuto de medicamento não sujeito à receita médica, aquilo que houve foi a possibilidade, de facto, de começar a promover o produto nessa indicação. E isso levou a que todo o mix promocional fosse orientado para uma comunicação direta com o consumidor, tendo a ressaca, e particularmente a ressaca alcoólica, um bocadinho como o core da comunicação, uma vez que é uma área que, ainda hoje, é uma área bastante rebelde e que cria muita simpatia.

Irrevente.

Irrevente, exatamente. Será a palavra mais correta E foi isso, mais ou menos, que aconteceu.

E agora a marca, depois de se ter auto nomeado como monstro, ou ter falado em monstro da ressaca, faz um restart e aproveita o dia, tinha todas essas questões, também o revitaliza. Agora a marca pretende posicionar-se como desintoxicante, um desintoxicante completo, capaz de minimizar qualquer ressaca, não apenas de bebida, mas de excessos vários, como a ingestão de comida ali no Natal, tabaco, o mal que ainda tolhe muitos, medicação, estresse, cansaço. Como é que se trabalha também este novo posicionamento em termos de comunicação e de marketing? Começam a abrir-se as possibilidades, flui melhor a criatividade, acredito.

Sim, claramente. O que aconteceu foi a marca quis acompanhar os seus consumidores. Os seus consumidores foram amadurecendo, foram-se tornando mais maduros, portanto, a ressaca alcóolica começou a ser insuficiente para aquilo que são os objetivos da marca e quisemos regressar um pouco às origens. E regressar um pouco às origens, à parte desintoxicante, à parte em que o produto pode ser utilizado não apenas nesta componente da ressaca alcóolica, mas também nas outras componentes que têm os mesmos mecanismos de ação. O cansaço pelo excesso de trabalho, a alimentação irregular, o excesso de tabaco, todos os excessos que nos sobrecarregam o nosso fígado. Para tudo isso, o Gronzán é, de facto, um desintoxicante que permite aliviar os efeitos destes excessos. E dentro dessa lógica, nós começamos a reposicionar o produto naquilo que era o seu posicionamento inicial, o de desintoxicar. E com isso nós procuramos atingir um público mais vasto, não só quem comete alguns excessos alcoólicos, mas todos aqueles que, como nós, hoje em dia, temos uma vida ativa intensa, cometemos alguns excessos.

Não há ninguém que não seja excêntrico um bocadinho em algum parâmetro da vida, Rui. E certo é que podemos então olhar para o Gronzán como uma espécie de suplemento, uma ajuda. Que cuidados é que devemos ter ao tomar? É totalmente seguro? Como é que atua?

Sim, o produto é totalmente seguro e é um produto que pode ser utilizado diariamente. Nós até recomendamos, de facto, a toma diária do Gronzán. O único cuidado a ter em conta é que ele tem cafeína na sua composição e, como tal, nós recomendamos que depois da hora do almoço não seja tomado. Ou seja, seja tomado sempre no período da manhã. Um a dois comprimidos, mas sempre no período da manhã.

E em que medida é que o público-alvo do Gronzán está a reagir a este posicionamento? Começa a haver essa procura por este novo posicionamento? Ele é uma resposta? Qual é exatamente o público-alvo do Gronzán? É uma coisa mais alargada, pelo que eu vi.

Sim, hoje em dia podemos dizer que o público de Gronzán são todos os adultos que têm uma vida ativa e mesmo sem vida ativa, aqueles que tomam outros medicamentos, por exemplo.

Aqueles que querem, se calhar, ativar alguma coisa para a vida.

Todos nós somos o público-alvo para Gronzán. Mas de facto, notamos hoje que o consumo de Gronzán já se afastou um bocadinho do inicial da ressaca pura e dura e passou a ser um produto utilizado como uma componente muito mais de suplemento diário do que propriamente como um SOS, como era utilizado anteriormente.

E se houve um reposicionamento, houve também, de certa forma, desde então, uma grande abertura dos canais pelos quais se comunicam. Hoje são muito diferentes, acredito. Onde é que mais comunicam? Quais é que são as principais diferenças, Rui?

Sim, nós começamos no digital já há uns anos, mas com a pandemia, obviamente, o digital teve um incremento bastante significativo. E o Gronzán, como uma marca que procura sempre estar dentro daquilo que é a tendência dos tempos, também utilizou o digital e começou a comunicar de uma forma mais abrangente nos canais tradicionais e nos canais digitais, envolvendo uma estratégia omnichannel, onde o patient journey, portanto, a jornada do consumidor, ao longo da jornada do consumidor, existem diversos touch points em que o consumidor vai encontrar o Gronzán. E portanto, hoje em dia, pensamos que comunicamos a marca de uma forma muito eficiente e muito adequada aos tempos que correm.

E entretanto, mais recentemente, o Gronzán teve também um novo elemento na família, o GronEnergy. O que é que se distingue e o que é que distingue este GronEnergy do Gronzán normal, propriamente dito?

O GronEnergy surge de uma utilização que nós sabíamos acontecer com o Gronzán. Ou seja, os desportistas utilizavam e utilizam muito o Gronzán para terem um boost na sua capacidade e na sua pujança física. Nós quisemos, com o GronEnergy, desenhar um produto que fosse mesmo de encontro a essa necessidade. E o GronEnergy distingue-se fundamentalmente do Gronzán, porque tem uma componente de taurina e de um complexo de vitamina B, que automaticamente dá uma sensação logo de energia a quem o toma. Tem vantagens a esse nível, portanto, como boost de energia, mas também tem vantagens no sentido do descanso e da recuperação muscular ser mais rápida. E portanto, aí posicionamo-lo fundamentalmente para quem precisa desse complemento.

Dirige-se sobretudo a esta era de muito trabalho físico, ginásio, também para atletas, é o principal público-alvo deste novo produto.

Sim, exatamente.

E qual é a diferença da comunicação do GronEnergy e Do Gronzã há diferenças fundamentais aqui, até porque aqui há um que canaliza mais para um público.

Claro. No caso do Gronzã, nós utilizamos uma comunicação, como eu referi anteriormente, muito mais abrangente e uma comunicação omnichannel em todos os diferentes mix de comunicação. No caso do Gron Energy, nós somos mais dirigidos ao tal público que pratica desporto ativamente, que vai ao ginásio e que faz as maratonas, faz todo esse tipo de atividade e que necessita, de facto, desse boost.

Uma vida ainda mais que ativa, neste caso.

Ainda mais ativa, exatamente. E aí nós recorremos muito aos influencers, recorremos muito à internet, fundamentalmente.

E para terminarmos aqui, temos um desafio para o Rui. Se tivesse de associar uma música ao Gronzã e outra ao Gron Energy, qual seria e por quê, para cada uma delas? Não sei se é fácil, é sempre difícil esta.

O Gronzã eu acho que é extremamente fácil. Eu diria que o "I Feel Good".

Eu estava à espera do "Eye of the Tiger", então podia ser qualquer coisa assim do gênero.

Também podia ser. "Eye of the Tiger" talvez mais para o Gron Energy. Agora para o Gronzã, claramente, o "I Feel Good" do James Brown, acho que ilustra bem o que é o sentimento da pessoa que toma o Gronzã. Para o Gron Energy, não sei, se calhar, talvez o "Give It Away" dos Red Hot Chili Peppers.

Ok, fica bem. Eu agora estou a imaginar as mais básicas do desporto, aquela do Balboa também, qualquer coisa assim do gênero.

Claro que o Balboa também funcionava bem.

E se lhe pedíssemos, Rui, para criar agora, assim de repente, vindo à cabeça, um spot promocional para o Gronzã, para passarmos a Rádio Observador, como seria? Também pode ser do Gron Energy, é à escolha aqui.

Do Gronzã eu diria que o seu fígado não sabe o bem que lhe fazia.

Ok, fica bem. E falar um pouquinho com o fígado, que é uma coisa que falta, pedir às pessoas que falem um pouco mais com o seu fígado. Tivemos o enorme prazer de receber aqui Rui Reis Ferreira, Marketing Director da Jaba Recordati. Estivemos a falar aqui da instituição chamada Gronzã. Um grande abraço, Rui, e até à próxima.

Obrigado e até à próxima.

Antes de acabarmos o programa desta semana, antes de sentirmos a grande ressaca da ausência deste nosso querido boletim, o Gronzã, que cura esta nossa condição, é muito simples e não anda nada longe do Porto. Não acabamos em vão, mas acabamos em Fão. Vamos ao destaque da semana. Ora, o programa de hoje fecha com uma campanha que me saltou literalmente aos olhos numa breve viagem de carro. É um cartaz de autoestrada que pode ser visto por quem venha de Viana do Castelo rumo ao Porto. É muito perto da saída para Fão. É um cartaz da Betania. E meus amigos, se há método publicitário que aqui nos derrete o coração, esse método é o do pequeno trocadilho com o nome de uma localidade. Mesmo à chegada desta vila do concelho de Esposende, pode ler-se num grande cartaz: "As tuas apostas não serão em Fão". Se não quiser apostar em Fão, pode apostar noutra terra qualquer. E não é em vão que aqui nos despedimos. Outras campanhas hão de chegar para a semana. Até lá.