O presidente da Câmara de Valença garantiu esta segunda-feira que o masterplan 2030, de renovação do concelho, planeia manter o mercado na atual localização, juntando-lhe um auditório e estacionamento na cave, considerando prematuro assumir a intenção como definitiva.

“Mercado haverá sempre. Só ainda é prematuro dizer se vamos conciliar as duas valências, de mercado e auditório no mesmo local, como ficou decidido no masterplan, ou se o novo mercado será construído noutro local”, explicou José Manuel Carpinteira, questionado pela Lusa.

Num e noutro caso, “quem quiser continuar [no mercado], continua”, assegurou.

“Mercado haverá sempre”, vincou.

O autarca explicou que apenas em 2027 vão ser abertos os concursos para os vários projetos previstos, e apenas nessa altura será possível “analisar casos concretos”.

Quando apresentou o masterplan, em julho, a Câmara de Valença, distrito de Viana do Castelo, avançou que o mercado ia ser “profundamente requalificado e transformado num moderno auditório multifuncional”.

O plano abrange toda a área central da cidade, desde o antigo Colégio Português ao Jardim Municipal, Campo da Feira, Mercado Municipal, Antiga Alfândega e frente ribeirinha, até à Senhora da Cabeça, de acordo com o município.

“A proposta pretende reforçar a ligação entre estes espaços emblemáticos, conciliando a valorização do património histórico com novas funções culturais, económicas e de lazer”, descreveu em julho o município, em comunicado.

Na ocasião, a Lusa noticiou que um museu ferroviário, um auditório multifuncional e a Antiga Alfândega vocacionada para a cultura, criatividade e empreendedorismo são algumas das intervenções previstas no masterplan Valença 2030.

A autarquia esclareceu que o documento traça a visão “para a transformação da cidade na próxima década”, definindo um conjunto de intervenções estruturantes para “requalificar os principais espaços públicos e criar uma nova centralidade urbana”.

Por outro lado, pretende-se “melhorar a qualidade de vida da população, reforçar a atratividade da cidade e impulsionar o desenvolvimento económico, social e turístico”.

A câmara identificou como “principais novidades” do plano a criação de um novo eixo urbano que articula o Fórum Intercultural de Valença, o Mercado Municipal e o Campo da Feira, “afirmando este conjunto como o novo coração da cidade”.

Quanto ao auditório a instalar “no piso de baixo” do mercado, a intenção é que se assuma como “um equipamento de referência para a realização de eventos culturais, sociais e económicos, em estreita ligação com a Praça da Feira e os restantes espaços públicos envolventes”.

O documento prevê igualmente um Museu Ferroviário e uma unidade hoteleira, “reforçando a capacidade de Valença para captar visitantes, investimento e novas dinâmicas económicas”.

Outra das “intervenções estruturantes” vai ser a valorização da Antiga Alfândega, que vai dar lugar à futura Alfândega Cultural, “um equipamento multidisciplinar vocacionado para a cultura, criatividade, empreendedorismo e valorização dos Caminhos de Santiago”.

Pretende-se, ainda, que funcione “como centro interpretativo do património imaterial e espaço de incubação de projetos”.

Nas previsões da autarquia está a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, “permitindo reduzir a presença automóvel junto da Fortaleza e libertar espaço para as pessoas, valorizando a paisagem urbana e patrimonial”.