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Olá, bem-vindo ao "Brainstorming" da Rádio Observador, o programa de rádio com a mania que é podcast, onde a criatividade e o marketing se cruzam com a atualidade, mesmo quando esta atualidade parece um reality show judicial com argumentos duvidosamente afinados. Esta semana voltamos ao universo fascinante da justiça portuguesa, onde os cantores não cantam, processam, e os humoristas parece que voltaram à escola e têm que justificar as piadas ao diretor de turma. Só que agora o castigo, em vez de ser um recado a vermelho na caderneta, pode ser a módica quantia de 1150 ordenados mínimos nacionais. Joana, desculpa a usurpação, mas desta vez é para ti.

Calma, jovem. Se o mundo se virar ao contrário, fazemos uma vaquinha para pagar esse dízimo aos fofos querubins.

Mas como nem só de hinos nacionais maltratados vive o mundo, esta semana, para nos mostrar o caminho da estrutura, da sensatez e da construção de mentes saudáveis, convidámos Inês Pinheiro Torres, business manager da The Lisbon School, para uma conversa sobre formação, pensamento crítico, empatia e como tudo isso contribui para preparar os líderes de amanhã para um mundo cada vez mais exigente. E ainda nesta edição do "Brainstorming", uma pérola como nunca a viu, o empowerment no feminino e uma lasanha que se prepara para bater recordes. Vai valer a pena. Vamos a isto?

Ir de férias para ficar à sombra? Ou andar de um lado para o outro.

Começamos pela Fuel, que assina a nova campanha de promoção da Madeira, mostrando o arquipélago como um destino completo e adaptado a todos os perfis de viajante. O filme, produzido pela Trix e protagonizado por Afonso Lopes, convida à descoberta entre praia, montanha, cultura e tranquilidade. Tudo com linguagem humana e emocional. A campanha vive nas redes sociais e no YouTube, mas também no ar com spots de rádio, digital out of home e decoração de lojas. A Madeira quer, assim, estar para o turismo como a Joana Marques está para o humor: surpreendente, viral e nas bocas do mundo.

Madeira é tudo o que apetece.

Agora, a seleção feminina de futebol, que apesar de já ter feito as malas depois da sua curta incursão pela Suíça no UEFA Women's Euro 2025, ainda dá que falar no mundo da publicidade.

E outra grande mulher cheia de garra. E por trás dessa grande mulher, estão outras grandes mulheres.

Para assinalar esta participação, a Federação Portuguesa de Futebol lançou uma campanha com assinatura da Judas e produção da 78 Films. O objetivo: desconstruir o velho ditado "atrás de um grande homem" e substituí-lo por algo mais justo. "Por trás de uma grande mulher, está sempre outra grande mulher". Com futebolistas como Carla Couto, Edite Fernandes e Paula Cristina, o filme celebra a força coletiva.

E por trás desta equipa de grandes mulheres, está um país inteiro.

E apesar de não ter corrido bem na Suíça, meninas, muita força, o futuro está aí à frente. Futuro esse que, de resto, se quer inspirador e também muito mais mobilizador do que um arranjo alternativo do hino nacional, com um sonoro "boom, boom, boom", a fingir que são canhões. Estranho, no mínimo. Nesta edição do "Brainstorming", temos o prazer de conversar com Inês Pinheiro Torres, business manager da Lisbon International School. Inês, seja muito bem-vinda aqui ao nosso programa. É um gosto receber-te, principalmente para falarmos sobre uma escola que ainda não abriu portas, portanto, ainda é, de alguma forma, um segredo, mas abre portas já em setembro. Vamos começar a nossa conversa pelo início. Para quem ainda não leu o artigo que já publicámos no site do Observador, que escola é esta de que estamos a falar? É um segredo bem guardado?

Não, de todo. Antes de mais, muito obrigada pelo convite. É um grande prazer estar aqui a partilhar mais sobre este novo e tão entusiasmante projeto e capítulo da história da The Lisbon International School. Não está de todo guardado. Aliás, espero que já nos tenham visto nas redes sociais. Estamos a falar de uma escola, The Lisbon International School, um colégio internacional independente, que abrirá em Alcântara, no centro de Lisboa, já dia 1 de setembro de 2025.

Ok. É uma escola internacional, já percebemos isso. O que é que tem de diferente das outras escolas internacionais? Vão aqui querer marcar a diferença de que forma? Porque sabemos que há muitas escolas, há muita escolha para pais, para crianças. O que é que vos vai diferenciar enquanto escola?

Boa pergunta. Eu acho que aquilo que nos realmente diferencia é a visão que temos da educação como algo profundamente enraizado no espírito de comunidade e propósito.

Ok.

O que isso significa?

Sim.

Não preparamos apenas alunos a nível académico, mas queremos ajudá-los a descobrir quem são e como é que podem fazer a diferença neste mundo. É nisso que acreditamos para o futuro deles. Aproveitamos também ao máximo Lisboa como ambiente de aprendizagem. Nós usamos muito uma expressão que é: "a cidade vai ser a nossa sala de aula" e vamos utilizar todas estas facilities e espírito da cidade.

Então quer dizer que vão sair de dentro de portas para dar a conhecer as crianças à cidade e a cidade às crianças?

Nem mais, exatamente. Eu acho que vou ter a oportunidade de explorar melhor isso, mas a ideia é mesmo promover este ambiente onde os alunos se ligam e aprendem na escola E em toda a comunidade à volta. Temos uma data de parcerias com clubes, espaços, centros nas proximidades. Alcântara é uma zona, não só pela proximidade ao rio, mas que tem tudo ali à volta e, portanto, sim, vamos tirá-los das salas de aulas, tirá-los das quatro paredes do colégio e fazer esta sala de aula crescer além disso.

Já disseste aqui a zona em que a escola vai ficar situada ou já está situada, em Alcântara. Para quem conhece Lisboa, fica ali na antiga Fábrica Napolitana, em Alcântara. Pelo que sei, também pretendem preservar a herança do edifício, respeitando-se também essa zona da cidade, integrando-se de forma quase orgânica. Como é que estão a fazer isso, na realidade?

Sem dúvida. Preservar o património histórico da Napolitana, uma fábrica que funcionou durante muitos anos neste edifício, é uma parte fundamental da visão. E é um entusiasmo ver diariamente aquele edifício a crescer, porque estamos a dois meses de entregá-lo e, portanto, há fases finais da construção que se vão acontecer.

Já fizeram aquelas montagens do desenvolvimento da obra e essas coisas?

Sim, os vídeos em timelapse. Sim.

Vou querer ver isso.

Vemos o edifício não apenas como um espaço, mas é mesmo um símbolo da história industrial e cultural naquela zona, porque Alcântara é um espaço interessante por isso. A renovação arquitetónica do edifício foi muito cuidadosamente planeada, mantém elementos originais essenciais, tem uma fachada icónica, quase única naquela zona, em tijolos, mesmo bonita, todos os vãos e janelas foram mantidos, obviamente reabilitados, mas mantidos. E até a estrutura original do edifício foi também preservada. Conseguimos ver nos corredores e nas salas de aula pilares metálicos originais do edifício.

Isso dá mais personalidade também à escola e ao espaço.

Imenso. Aliás, se virem no nosso website e algumas fotografias que temos no próprio edifício, nós já estamos a fazer visitas, que podem ser marcadas por qualquer pessoa que tenha interesse em explorar mais, mas adaptámos mesmo o espaço para que a aprendizagem permita ser moderna, mas num espaço com muita história. E usamos muitas fotografias do tempo em que o edifício era fábrica, porque consegue-se perceber e sentir o edifício que será uma escola.

Ok, e isso também vai ao encontro daquilo que tinhas falado há pouco, a cidade e, neste caso, também o edifício, são, só por si, uma sala de aula e um momento de aprendizagem. Pelo que sei, têm princípios, três pilares, se assim podemos dizer, que se personificam numa sigla boa, que quer dizer, pelo que sei, belong, own e act, ou seja, pertencer, atuar e own, tornar próprio, de alguma forma. Pertencer, tornar próprio e agir. Como é que se implementa estes princípios dentro e fora da sala de aula, neste caso?

Sempre. Isto é o que vai moldar a cultura da escola. Não nos podemos esquecer que isto é uma oportunidade quase única de permitirmos criar uma cultura de início. Tudo aquilo que estamos a fazer é tudo novo. Toda a nossa comunidade é nova, de professores, de alunos. Com eles queremos mesmo criar esta cultura. O que isso significa? Belong, no sentido em que queremos que cada aluno sinta, desde o primeiro momento, o forte sentido de pertença, não só à escola, mas também à comunidade alargada, não só ao sair, mas ao sentido de comunidade para partilhar e usar os serviços e as pessoas e a própria comunidade da zona. Own significa assumir a responsabilidade pela sua aprendizagem, pelas escolhas e pelo crescimento. Dar aos alunos o sentido de pertença e de responsabilidade, com o apoio, obviamente, da equipa e de um percurso que é desenhado à medida de cada aluno. Act traduz em aplicar os conhecimentos e valores de forma muito significativa. Como é que eu dou valor à minha aprendizagem? E a aprendizagem que cada um de nós recebe é posta em prática de formas muito distintas. E é dar-lhes esse espaço. Coisas através de projetos comunitários, aprendizagens à volta da cidade, ou até coisas simples como demonstrar simplesmente competências que tu tens no dia a dia, de liderança ou outras, mas permitir explorá-las e permitir dar aos alunos espaço para pô-las em prática. E não queremos que isto sejam só princípios para estarem na parede. Estes princípios vão mesmo orientar, e já orientam, porque o currículo está preparado e planeado para começar a ser entregue, orienta a forma como ensinamos, como nos relacionamos e como queremos crescer em conjunto. E não posso deixar de dizer que boa é a forma como Lisboa termina e boa é uma palavra muito positiva.

E está mesmo no coração da Lisboown. Pelo que sei, são várias as atividades que vão ter disponíveis. Gostava de perceber que atividades são estas e depois também como é que se integram no vosso plano pedagógico e como é que fazem parte destes três pilares do belong, own e act. Que atividades são essas?

Claro, o nosso programa curricular, que já está montado, chamamos-lhe um programa cocurricular, porque isto, na prática, integra e complementa o nosso programa académico. É pensado para que os alunos possam, depois do seu programa académico, que será exigente, explorar as suas paixões, os seus gostos, desenvolver competências que vão ser essenciais para a sua vida e conectar-se, mais uma vez, com o mundo que os rodeia. Este programa tem atividades relacionadas com artes, música, teatro, desporto, programação, debate e até projetos de sustentabilidade que conseguimos implementar, mais uma vez, com parceiros, muito perto do colégio. O que torna este programa mesmo especial é a forte parceria com estes clubes e centros na zona de Alcântara, desde o Rio até Monsanto.

E estão a preparar-se para receber crianças de que idades?

Muito bem. A The Lisbon tem capacidade para alunos dos 3 aos 18 anos, que é o equivalente, em Portugal, dos 3 ao 12º ano. No primeiro ano, vamos abrir apenas dos 3 aos 14, equivalente ao nosso nono ano. Já temos alunos inscritos e continuamos com as inscrições abertas. Volto a reforçar que temos visitas ao colégio e apresentações do nosso currículo a acontecer semanalmente. Quisemos abrir, não na sua capacidade total, de forma a que possamos criar mesmo este espírito de cultura, e vamos crescer com os alunos. A expectativa é que, crescendo com os alunos que começam agora no nono ano, em 2028 estejamos a entregar e a formar os primeiros alunos do 12º.

E sendo uma escola internacional, o ensino vai ser feito em inglês, em português, vão ser utilizadas ambas as línguas? Como é que vai funcionar?

O currículo é totalmente internacional, é um currículo de Cambridge, inglês, britânico, dos 3 anos até ao final do ciclo. No secundário, nos dois últimos anos, entregamos o diploma IB, um diploma muito reconhecido e muito conceituado no mundo das escolas internacionais. No entanto, todos os nossos alunos, a partir dos 3 anos, terão língua portuguesa todos os dias, entre uma a três horas, dependendo da idade, mas a ideia é que tenham contato com a língua da comunidade onde estão inseridos.

Até para dar vida ao programa "A Cidade é a Nossa Sala de Aula", para além do trabalho com a língua portuguesa, como é que isso se vai materializar junto dos alunos? Pretendem valorizar ainda mais a comunidade em que estão inseridos?

Exatamente. Queremos mesmo tirar parte significativa do usar Lisboa, não só na utilização de espaços e serviços na zona em que estamos inseridos, mas através de museus, centros de ciências, até empresas. A zona de Alcântara tem-se vindo a desenvolver muito e há empresas locais com quem já estamos em contacto para criar parcerias win-win.

Ou seja, criar um ecossistema, praticamente.

Isso. Poder levar os nossos alunos que estão próximos de se formar a viver um dia dentro de uma empresa ou a ajudar uma comunidade, um lar de idosos que se localiza também muito próximo, é dar contexto ao meio em que estamos inseridos.

Ok. Já aqui falámos, só vão abrir as portas em setembro. Quais é que são as expectativas?

Estamos, obviamente, muito entusiasmados, super otimistas. A expectativa é construir desde o primeiro dia esta comunidade forte e unida, onde os alunos tenham um verdadeiro sentimento de pertença e que a sua curiosidade seja alimentada todos os dias. É para isso que vamos trabalhar. O nosso objetivo é lançar as bases desta escola para crescer com propósito e com alma.

Ok, já sabemos as expectativas para setembro e já que estamos a olhar para o futuro, olhamos um pouquinho mais longe. Daqui a três ou cinco anos, onde é que vês a Lisbon?

Nos próximos três, cinco anos, o nosso objetivo, obviamente, é crescer de forma gradual e muito consciente. Crescer em número de alunos, crescer nos anos de escolaridade, para fazermos este crescimento do nono até ao 12º.

Crescer com outros espaços, noutras cidades, também?

Quiçá, sim, eventualmente, ser o primeiro colégio do grupo na Europa e usar Lisboa como a porta para esta Europa e crescer assim é possível. A The Lisbon é um colégio internacional, mas queremos torná-la uma escola de referência em Lisboa, em Portugal e na Europa, com excelência académica, com fortes ligações à comunidade e com esta abordagem muito centrada no aluno. Comecei por dizer isto, mas terminava também a dizê-lo, é isto que nos distingue, é o centrado no aluno e é isto que também vai ser muito positivo no facto de começarmos do zero, com o ambiente mais controlado, e construir esta comunidade que tanto estamos entusiasmados para ter.

Imagino que devam ficar com pele de galinha quando pensam nesse início de setembro e em finalmente abrires as portas da Lisbon e das salas de aula e receberes naquele espaço as pessoas, ainda que pequenas, mas para as quais está a ser preparado. Fiquei muito curioso para conhecer mais acerca da Lisbon. Posso fazê-lo através do vosso site, já sei. Posso também contactar-vos para visitar o espaço, não é?

Claro que sim. Serás muito bem-vindo.

Tenho aqui ainda, Inês, um desafio. Não é uma pergunta, é um desafio para te fazer, para terminarmos a nossa conversa, como fazemos sempre aqui no "Brainstorming". Quero perguntar-te que música é que associarias à The Lisbon International School e por quê.

Não vou mentir, já vinha preparada. Eu acho que escolheria o "Here Comes the Sun", dos Beatles. É uma música que nos fala sobre novos começos, é uma música que eu acho que é muito otimista e que nos dá a sensação de algo muito positivo que está para surgir, que eu acho que é exatamente o que vai acontecer. É o espírito da The Lisbon, e é este espírito que queremos que os nossos alunos sintam a partir do momento que pisarem as nossas instalações enquanto alunos.

E ficam aqui deixados os votos para que tenham muito sucesso, para que contribuam também para construir não só uma comunidade, mas também um mundo melhor. Inês Pinheiro Torres, Business Manager The Lisbon International School, muito obrigado por teres vindo ao "Brainstorming" e até breve.

Muito obrigada.

Quase no final do "Brainstorming" e para celebrar 30 anos em Portugal, o Lidl vai tentar bater o Guinness World Records da maior linha de lasanha do mundo. Isto vai acontecer dia 20 de julho, em Lisboa. A estrela é a lasanha da marca Chef Select, feita com a receita de sempre: molho cremoso, sabor tradicional e camadas mais bem montadas que um processo judicial por causa de notas duvidosamente cantadas. Mais do que uma ação promocional, a marca quer celebrar com as comunidades e provar que, à mesa como na publicidade, vale tudo, menos faltar molho e sabor. E assim termina mais um "Brainstorming". Para a semana, há mais. Se gostou, partilhe. E se sorriu e ficou inspirado, então missão cumprida deste lado. Este episódio fica disponível em todas as plataformas de podcast e na próxima semana há uma nova edição com estreia garantida na Rádio Observador, terça-feira, às 15h30. Este, de resto, foi o "Brainstorming" onde ficou provado que o feminino está mais forte, que nem todos os percursos são óbvios e nem todas as lasanhas cabem no forno lá de casa. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia da Mariana Sousa Aguiar, eu sou o Hugo Silva e até à próxima edição, lembre-se: a justiça pode tardar, mas se o mundo ainda fizer algum sentido, a punchline vai continuar a entrar sempre no timing certo.