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Olá, vamos a mais um "Brainstorming", aquele espaço onde as ideias não precisam de confirmação do Tribunal Constitucional, mas também não fogem às urnas. Esta semana falamos de eleições presidenciais, naturalmente, da importância de votar, mesmo quando o boletim parece mais confuso do que uma campanha no TikTok. E falamos de uma corrida renhida, onde ninguém sabe muito bem quem passa à segunda volta. Para além disso, falamos de outsiders, porque em Portugal, quando há eleições, há sempre espaço para criatividade, às vezes até criatividade involuntária. Entre propostas improváveis, como a criptonota de Santo António, promessas visionárias e campanhas que parecem briefings mal aprovados, vale a pergunta: o que é comunicação política eficaz? E, afinal de contas, o que é só barulho? Para nos ajudar a pensar em tudo isto, também temos conosco Ricardo Conceição, subdiretor da Rádio Observador, alguém que acompanha a política todos os dias, mas que ainda acredita que uma boa ideia pode ganhar votos. E a seguir, as notícias da semana que nos ajudam a ligar eleições, marcas e cabras. Sim, cabras. E é assim que começamos com a Vodafone, que arrancou 2026 com a sua primeira grande campanha omnicanal. Quem é Vodafone sabe que tem 5G Goat. O filme é protagonizado por Jessica Athayde, que contracena com uma cabra, exatamente, porque goat é cabra, mas ao mesmo tempo é greatest of all time. E nada comunica confiança tecnológica como um animal que mastiga tudo com ar de quem sabe o que está a fazer. A campanha fala de velocidade, fiabilidade, milissegundos e gigabytes, mas no fundo, fala de uma coisa simples: liderança. Somos os melhores e pronto, é o que diz a Vodafone. Criada pela VML, com produção da Grumpy Panda, está em todo lado: televisão, digital, redes sociais, ponto de venda e vai reforçar a ideia que, segundo a ANACOM, a Vodafone cobre 99% do território nacional. E aqui a ponte com as presidenciais faz-se rapidamente. Numa eleição renhida, quem comunica liderança, estabilidade e confiança, parte sempre na frente, mesmo que seja montado numa cabra. Ou então não. Muita gente me pergunta: "Joana, onde é que paras de fazer pouco das pessoas?" E eu respondo sempre o mesmo. E agora olhamos para a Staples, que entra no novo ano com uma campanha de regresso ao trabalho, que aposta forte no humor. O material tem sempre razão, é o que diz a Staples. O rosto é de Joana Marques, que estabelece uma analogia perfeita entre o material que recebe para as suas rúbricas e também o material de escritório que a Staples vende, no caso. O conceito foi cocriado com a própria Joana, que escreveu os guiões de TV e rádio, e é uma campanha que brinca com uma verdade absoluta. Quando o conteúdo é bom, o trabalho aparece feito. A marca aproveita também para reforçar o seu posicionamento no universo de trabalho híbrido, flexível e descentralizado. O escritório, afinal de contas, é onde um profissional estiver. E é assim também que se prova que o humor continua a ser uma ferramenta poderosíssima de comunicação. Aproxima, humaniza e gera empatia. E às vezes diz mais sobre a realidade do que aqueles discursos solenes de 40 minutos. Mais uma edição do "Brainstorming" e nesta temos o prazer de conversar com Ricardo Conceição, subdiretor da Rádio Observador e que diariamente também lhe faz companhia de segunda a sexta-feira na tarde política. Ricardo, seja aqui muito bem-vindo. Não sei se posso dizer bem-vindo à Rádio Observador. Tu és um dos fundadores, ao fim e ao cabo, deste projeto.
Fui o primeiro funcionário da rádio. Atenção.
E tens lá uma medalha em casa com este título, certo?
Tenho. Há uma fotografia minha daqui da redação em que só estou eu sozinho na mesa da rádio. É engraçado isso.
E essa fotografia é de que ano?
Essa é de 2019. Nós viemos aqui para Alvalade no final de 2018.
Portanto, começar um projeto do zero é sempre um desafio. Um projeto que em seis anos, nem tanto, já conseguiu conquistar o público português, pelo menos pelo que dizem os dados de dezembro do baremo da Marktest. A Rádio Observador voltou a bater recordes. A audiência acumulada de véspera subiu de 2.3 para 2.5. Ultrapassamos pela primeira vez, e este é um marco também no que diz respeito às rádios de informação, ultrapassamos a TSF em share. Somos a quinta rádio mais ouvida em Lisboa. Ricardo, como é que olhas para esta evolução, sendo que, como já percebemos, começámos mesmo do zero?
Sim, e há uma outra nuance aqui. Eu não quero incomodar muito os nossos ouvintes com estas explicações, mas às vezes as pessoas perguntam-nos: "Por que eu não consigo ouvir no Algarve?" ou "Por que eu não consigo ouvir no Alentejo?" Devido à Lei da Rádio que temos, nós somos uma rádio local, portanto, nós estamos a competir num mercado que é nacional, com rádios regionais e nacionais. Isto tem tudo a ver com a potência de difusão das antenas. E nós somos uma rádio local.
Somos muitas rádios locais, no caso.
Exato. Costumo comparar para as pessoas perceberem, por exemplo, uma rádio nacional tem um emissor, vamos imaginar, com 10 a 12 kilos de potência. Nós temos um e meio. Portanto, a diferença é nesta ordem. Portanto, esta evolução é muito gratificante para nós, é fruto de muito trabalho e de muito empenho de uma equipa incrível. Isto não são balelas de subdiretor, as pessoas trabalham muito e gostam Muito de fazer parte deste projeto e de levar este projeto. Isso depois nota-se no produto, na rádio, que vamos ouvindo. E é incrível como este crescimento, passo a passo, sempre a crescer, é reflexo desse trabalho e do produto que vamos fazendo, que as pessoas querem.
Eu também sou um bocadinho suspeito, porque faço parte do projeto, mas a Rádio Observador acabou por trazer um bocadinho de volta o bichinho da rádio também para os ouvintes?
Sim, acho que sim. Novamente, não vou maçar os ouvintes com grandes teorias sobre rádio, é um assunto sobre o qual eu gosto de falar durante horas. Mas sim, recuperamos um certo grau de entusiasmo e de elasticidade que as rádios foram perdendo por excesso de formatação ao longo dos anos.
Ou seja, somos ágeis para reagir quando está a acontecer alguma coisa.
Sempre. E isso é fundamental. E conseguimos criar no subconsciente dos ouvintes, que quando acontece alguma coisa, as pessoas sabem que se ligarem para a Rádio Observador, nós vamos estar a falar sobre essa coisa.
E é uma agilidade que também é favorecida e amplificada pelas plataformas que temos à nossa disposição, não é?
Sim, claro. Nós partimos deste princípio, que é estar onde estão as pessoas. Não vale a pena estarmos a tentar parar o vento com as mãos. "Não, agora vamos ser um produto FM, só FM, depois pomos três ou quatro podcasts." Não, nós na nossa vida não funcionamos assim. Nós vamos à procura do conteúdo e o conteúdo tem de estar na plataforma que nós usamos habitualmente. Eu posso usar uma, tu usas outra, e nós temos que estar presentes em todas essas plataformas. E no fundo, o que essas plataformas vieram fazer foi alargar a possibilidade de ouvir a Rádio Observador. Como dizíamos no início da nossa conversa, nós temos uma capacidade de difusão em FM bastante limitada quando comparada com os nossos concorrentes diretos. E a escuta online, através dos telemóveis, dos computadores, veio mitigar essa situação.
E, portanto, aquilo que estavas a dizer há bocado não é 100% verdade. Quem está no Algarve, quem está no Minho também nos consegue ouvir. E ouve.
Não consegue ouvir a FM, pela escuta tradicional, mas os carros já têm ligações Bluetooth, há muita gente que ouve no carro através do telemóvel. Os carros agora, a maior parte já permite isso, já é muito mais fácil ouvir a rádio. Eu estou no estrangeiro e estou a ouvir a Rádio Observador. É normal, ainda bem para todos, não só para nós, para todas as marcas, isso é bom. E claro, isso permite à Rádio Observador expandir-se e chegar a mais público.
E, portanto, o caminho para o crescimento continua a ser a aposta neste multiplataforma.
Claro, sim, sem dúvida.
Não apenas na rádio.
E depois temos o áudio, temos o vídeo. Além da nossa emissão estar toda disponível em podcast, uma coisa que se passou ao meio-dia, é possível ir ouvir dois ou três dias depois, ou nesse dia à noite. Toda a nossa emissão, vou passar essa imagem, está fatiada em podcast. É só procurar o conteúdo e perceber o que é que passou, mas também estamos em vídeo. A emissão, grande parte, e os nossos principais programas estão disponíveis em vídeo no YouTube. É possível ver também o que se passa na rádio. O "Contra-Corrente" é um exemplo. Há muitas pessoas que não ouvem na rádio, nem ouvem em podcast e veem no YouTube o "Contra-Corrente". Portanto, o que faz sentido é estar onde as pessoas estão. Esse é o nosso princípio.
E nós que somos apaixonados pela rádio, a imagem não tira a magia da rádio?
Pode tirar um bocadinho.
Mas ganhamos outras coisas também.
Obrigam-nos a trazer uma camisa para fazer as emissões.
É um preço baixo a pagar para estar disponível em mais plataformas.
Não vejo isso como um problema. Claro que o vídeo que nós temos, isso também é uma discussão interessante, nós não estamos a fazer televisão. Nós estamos a fazer rádio. E quem está a ver o vídeo, não vê ali pessoas muito direitinhas, com cenário.
Materas.
Não, está o microfone à frente da cara, estamos a fazer gestos. É uma emissão de rádio normal, que há muita coisa que se passa na rádio com o microfone aberto e sobretudo com o microfone fechado.
E muitas vezes esquecemos que estamos a ser filmados.
Muitas vezes. Às vezes demais, diria.
Temos muitos possíveis bloopers. Queria também olhar para a história do Observador, do qual a Rádio Observador é filha. O Observador nasceu 100% digital, expandiu-se para a rádio passado pouco tempo do seu início. Parece que a rádio também veio reforçar a identidade do Observador, que já tinha um nome bem estabelecido no mercado como marca de informação. O facto de a rádio ter aparecido veio solidificar ainda mais esta identidade.
Acho que sim. A rádio herdou a cultura do Observador, de irreverência, de capacidade de criar novos formatos.
A agilidade que tu também falavas há bocado.
A agilidade, a vontade de escrutinar, ou seja, os valores do Observador foram incorporados na rádio Eu tive a grata oportunidade de viver isto e é muito interessante, porque a rádio é um meio velho. A rádio é um meio centenário.
Mas que se foi reinventando também, como já aqui percebemos.
Mas que tem esta capacidade incrível e elástica de se reinventar e adaptar. E a transição foi algo que nos preocupou na altura. Deixa-me só contar-te isto rapidamente. Eu trabalho em rádio há 26 ou 27 anos, é melhor não ir por aí. E vivi, no início da carreira, a transição do meio tradicional rádio para o digital. Criar a página de internet, enfim, tudo aquilo tinha uma resistência gigante. Há sempre uma resistência gigante às mudanças. E aqui vivi exatamente o inverso, que foi num meio jovem, digital, toda a gente com os portáteis e telemóveis, não há telefones fixos, não há computadores fixos.
Não há fax.
Não há fax, não há impressoras. Transformar isto tudo numa rádio, que é um meio que apesar de tudo, tem algum peso. Isto é pesado, obriga a ter computadores, obriga a ter telefones, obriga a ter microfones. Como é que se faz esta transição? Isso foi uma preocupação grande. Felizmente, aqui, e porque tínhamos essa preocupação, essa transição foi suave.
Orgânica.
Sim, e isso foi muito interessante e acho que é uma das razões do nosso sucesso. É essa capacidade de integrar um jornal digital, irreverente, novo, a fervilhar de vontade e de ideias, num meio que é tradicional, antigo, que é difícil às vezes de quebrar. E essa integração foi muito bem feita e eu acho que é uma das razões do nosso sucesso.
Chegámos então a 2026 com ótimos resultados. Para o ano que está agora a começar, há prioridades estratégicas para a Rádio Observador que possas aqui revelar? Não queremos também saber tudo.
Sim, exato. Nós adoramos o que fazemos. Nós temos a sorte de poder fazer uma coisa que adoramos e que vivemos, e isso transparece. E nós temos uma constante, confesso às vezes cansativa, vontade de fazer coisas novas, de criar novos formatos.
Por isso também é importante definir prioridades.
Exatamente, de responder. E por isso nós temos as áreas do podcast, e sobretudo os podcast Plus. Continuamos a acreditar que os podcasts são uma fatia muito importante, por um lado, da comunicação, por outro, de uma nova forma de financiamento dos projetos.
Para quem nunca ouviu um podcast Plus, são podcasts narrativos. Eu costumo dizer que é um género de Netflix, mas em áudio.
Sim. Temos esse, que são produtos hiper premium, são produtos incríveis, são mesmo bons.
E também, por serem premium, os nossos assinantes têm acesso antecipado a uma variedade de conteúdos.
Todos os assinantes do Observador têm acesso, por regra, são seis episódios de cada série, têm acesso logo a todos os episódios. Os ouvintes que não são assinantes têm de esperar uma semana.
Têm de ouvir à antiga.
Não, ouvem. Mas o acesso é gratuito.
Sim, o acesso é sempre gratuito.
Mas os podcasts e o vídeo eu diria que são grandes preocupações nossas.
Melhorar, ter mais, é isso?
Sim, porque a componente vídeo é muito importante. Com os Instagrams, enfim, nós percebemos essa experiência enquanto utilizadores, que muitos dos programas ou dos conteúdos a que temos acesso, por exemplo, no Instagram, estamos a fazer aquele scroll, estamos ali a deslizar para cima e para baixo, e os conteúdos vão surgindo. É importante também investir nessa área. E claro, consolidar esta capacidade de resposta que temos de, perante um acontecimento, conseguir responder e estar lá quando os nossos ouvintes percebem que aconteceu uma coisa e ligam a rádio. E sim, nós estamos a falar disso. Demos um exemplo, por exemplo, no sábado, quando os Estados Unidos fizeram a intervenção na Venezuela, estivemos em emissão especial, que arrancou ali por volta das 21:30, 21:30, estivemos em emissão especial, eu diria, até ao fim do Benfica. O Benfica jogou nesse sábado. E estivemos em contínuo, não parámos.
Tem sido recorrente, recordo-me do início da invasão da Ucrânia, que inclusivamente, e recordo-me deste episódio, um streamer que estava a jogar Counter-Strike, um daqueles jogos de guerra, e que estava a acompanhar a emissão da Rádio Observador e que transmitiu a emissão da Rádio Observador no Twitter. Vários episódios destes que foram marcando a história da Rádio Observador e que também mostram que estamos sempre presentes, aconteça o que acontecer, como diz o nosso claim. O ano começou, já vimos com estes bons resultados, já percebemos também os eixos estratégicos que nos vão levar a seguir O projeto da Rádio em frente. Queria também falar acerca de uma das novidades deste início de ano. O Pedro Benevides é uma das novas caras da rádio. Já fez parte da equipe do Observador. Volta, por assim dizer, a casa. Esta será a primeira de muitas novidades também no que diz respeito às caras e às vozes que os nossos ouvintes vão poder ouvir e com os quais vão poder contactar.
É uma novidade. Estamos sempre à procura e com vontade de ter mais novidades, mas o Pedro é uma novidade e uma boa.
Não sei se te disse, o Pedro dá a voz agora à História do Dia, um projeto que também saiu um pouco da tua cabeça ou muito da tua cabeça.
Bastante da minha cabeça e do corpo, deixa-me dizer. A História do Dia é um dos nossos podcasts de referência. No mês passado, no mês de novembro, salvo erro. Novembro ou dezembro, já não sei. É um dos podcasts do Observador mais ouvidos.
Estamos a falar de milhões de audições, certo?
É um produto de rádio, mas é um produto podcast que também passa na rádio e é um formato muito interessante em que olhamos para um tema ou para uma pergunta e tentamos ali em 10, 15 minutos, que é em teoria o tempo de uma viagem de comboio, ou uma viagem de metrô, ou a viagem até ao trabalho, em que olhamos para um tema com maior profundidade e com maior calma. E o Pedro Benevides é agora o rosto da História do Dia. É importante, o Pedro é um jornalista muito experimentado, com grande qualidade e com boa capacidade também, é um conversador e alguém que se interessa muito e isso transparece nas conversas e na forma como faz a História do Dia. Portanto, é uma das novidades que temos aqui na Rádio Observador e no Observador. É claro, vamos ter outras, mas a seu tempo.
Ricardo, acho que podíamos chegar aqui a conversar por horas acerca de rádio, que é uma paixão que nos une.
Tenho a certeza, íamos maçar os nossos ouvintes.
Mas a rádio é feita de conversa, de notícias, mas também de música.
É verdade.
E por isso, tal como faço a todos os nossos convidados, faço também o desafio, e sei que certamente não é fácil: qual é a música que para ti soa a Rádio Observador?
Há centenas ou milhares de canções. Acho que até podíamos fazer um álbum. Não sei, ainda agora fazem álbuns?
Até daquelas que não passam na rádio.
Até as que não passam na rádio. Até temos um programa que se chama Isto Não Passa na Rádio. Porque a Rádio Observador é cosmopolita, é fresca, é rigorosa. Nós somos bem-dispostos, alegres na forma como falamos e como estamos em antena, mas sem nunca sacrificar o rigor e a seriedade dos programas.
Para falar em coisas sérias não temos que ser taciturnos.
Não, de maneira nenhuma. Nem ter aquele peso institucional, aquelas vozes. Não. Essa não é a nossa escola. Mas acho que a melhor forma de resolver este problema, este dilema que tu aqui me arranjaste, escolher uma música, sempre tenho grande dificuldade nisso, é chamar uma música de Samuel Úria, uma canção, porque o Samuel Úria teve a incrível gentileza de, no dia do arranque da rádio, 27 de junho de 2019, no dia em que a rádio começou, vir tocar uma canção ao vivo. A primeira canção, a primeira música que passou na Rádio Observador foi cantada ao vivo pelo Samuel Úria, ainda no estúdio exíguo, e ele lá se conseguiu arrumar um cantinho e teve essa gentileza conosco.
Também ele a assumir o risco.
Sim, de resto, o Samuel Úria tem colaborado conosco em vários momentos e por isso acho que a "Carga d'Ombro" é uma canção que eu gosto do Samuel Úria. Acho que é uma boa. É uma forma de homenagear a ele e à Rádio Observador.
"Carga d'Ombro", Samuel Úria, a escolha do Ricardo Conceição, subdiretor da Rádio Observador, que esteve aqui neste arranque de ano para olharmos para o que aí vem também aqui na nossa rádio. Para fechar, falamos menos de campanhas e mais de princípios. Os jornalistas da revista Visão lançaram um crowdfunding para angariar 200 mil euros. O objetivo é comprar o título em leilão e garantir a continuidade da publicação. Depois do colapso da Trust in News e do despedimento coletivo, 12 jornalistas decidiram continuar a trabalhar sem sede, em teletrabalho, com o apoio de colaboradores pro bono e também com o público ao lado deles. A ideia, simples e poderosa, é manter a Visão independente, livre e feita por quem a faz e por quem a lê. Num ano de eleições presidenciais, esta é uma notícia que nos lembra também algo essencial: é que não há democracia sem jornalismo e não há jornalismo sem condições mínimas para existir. Vamos todos aderir a este crowdfunding? Força, Visão. E assim chegamos ao fim. Num país em campanha permanente, votar continua mesmo a ser o gesto mais simples e mais poderoso que temos à nossa disposição, mesmo quando a escolha é difícil, e mesmo quando surgem outsiders improváveis, e mesmo até quando há propostas que parecem saídas de uma sessão criativa mal mudrada. Entre cabras que simbolizam liderança, humor que constrói marcas e jornalistas que lutam pela independência, fica claro: comunicar bem é hoje tão importante quanto governar bem. Quanto ao nosso "Brainstorming", já sabe, vai para o ar todas as segundas-feiras depois das 21h30. E todas as edições, incluindo esta, estão disponíveis em podcast, no site e na app do Observador, também no YouTube e nas principais plataformas. Com a ajuda à produção da Inês Neto e a sonoplastia do Bernardo Almeida, eu sou o Hugo Silva. E até à próxima edição, lembre-se: em momentos em que tudo soa a campanha, talvez a melhor opção seja desligar o ruído e ligar o certo. Vamos a isso? Até para a semana.