A organização ambientalista WWF Portugal destacou, esta quarta-feira, os “sinais de mudança” no país na área da recuperação da natureza, mas alertou para “desafios significativos”, um deles a excessiva dependência dos combustíveis fósseis nos transportes.
O balanço é feito na edição portuguesa do sumário executivo do Relatório Planeta Vivo 2026, uma publicação bienal da WWF (World Wide Fund for Nature) que este ano se intitula “Ciência e Esperança” e que diz que 73% das espécies monitorizadas estão em declínio.
No relatório apontam-se casos de recuperação de espécies, com os números a indicarem que houve uma estabilização em relação ao relatório de há dois anos, e que muitas espécies não diminuíram e até aumentaram.
A WWF Portugal refere como positivo o regresso do lince-ibérico, a recuperação das populações de atum-rabilho e a recuperação da abundância da sardinha. O que demonstra que “políticas públicas, ciência, gestão adequada e ação concertada podem produzir resultados”.
A organização ambientalista salienta também que na transição energética existem progressos, com dados de 2024 a indicarem que as energias renováveis representaram 36,5% do consumo final bruto de energia e 65,8% da produção de eletricidade.
“O caso português reforça, assim, a mensagem de esperança central do Relatório Planeta Vivo: as soluções existem e já estão a produzir resultados, mas é necessário acelerar a sua implementação, eliminar incentivos prejudiciais e garantir que as transições energética, alimentar e financeira protegem simultaneamente a natureza e as pessoas”, diz, citada no documento, a diretora executiva da WWF Portugal, Ângela Morgado.
Mas há aspetos negativos. A WWF, além da questão dos transportes, fala da pobreza energética e das limitações na rede elétrica, ou da necessidade de transformar o sistema alimentar, porque se favorece ainda a produção e o consumo com impactos significativos no clima e na natureza. Ou ainda da existência de um setor financeiro onde a integração dos riscos associados à natureza e à biodiversidade continua insuficiente.
Desafios que as alterações climáticas tornam mais urgentes. “Entre 1980 e 2024, Portugal registou perdas económicas estimadas em 17,7 mil milhões de euros devido a fenómenos meteorológicos e climáticos extremos”, lembra. “Incêndios, secas, erosão costeira e cheias representam riscos crescentes para as pessoas, a economia e os ecossistemas”, alerta.
A WWF considera que as próximas conferências das Nações Unidas sobre biodiversidade e clima (COP17 este mês em Erevan e COP31 em novembro na Turquia, respetivamente) representam uma oportunidade para transformar compromissos em realidade.
Recorda que o Relatório Planeta Vivo surge numa altura em que a Comissão Europeia continua a avançar com “alterações que poderão enfraquecer a legislação ambiental da União Europeia que protege a natureza, a água e os ecossistemas saudáveis” e que ajudam o continente a adaptar-se a fenómenos climáticos extremos, tudo em nome “do reforço da competitividade”.
O Relatório Planeta Vivo “é mais um alerta para a Europa. É tempo de reforçar as soluções que ajudam a natureza a recuperar, em vez de enfraquecermos as salvaguardas de que tanto precisamos”, afirmou Ângela Morgado.
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