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Caça ao Voto na Rádio Observador, o nosso podcast especial em tempo de campanha eleitoral, com a ajuda do Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, e Rui Pedro Antunes, o editor de política do Observador. Aferimos quem anda a ganhar e a perder votos. Eu sou o Ricardo Conceição. Miguel e Rui Pedro, bem-vindos. É 1 de outubro, a campanha eleitoral vai seguindo a toda a abrida. Afinal, quem ganhou e perdeu votos hoje, Rui Pedro? Se calhar começamos por quem ganhou.

Quem ganhou? Muito bem. Olha, Ricardo, para quem ganhou, eu diria que é Pedro Duarte. Entre o Caça ao Voto de ontem e o de hoje, há algo que é factual, que é uma sondagem sobre o Porto e numa altura em que estamos um bocadinho às escuras sobre qual é que é o rumo de cada campanha, é factual que ele teve uma sondagem positiva, sendo que as anteriores, apesar de esta também estar dentro do empate técnico, davam muitas vezes esse mesmo empate ou proximidade, mas davam também Manuel Pizarro à frente e, portanto, havendo essa inversão, não é má. E depois esta manhã também numa ação, se não numa resposta a uma pergunta da Mariana Lima Cunha, falou um bocadinho sobre a campanha e sobre a escolha de estar no Porto e Pedro Duarte disse, por exemplo, que se quisesse tinha continuado como ministro e que foi uma escolha de uma vida ir para o Porto. Eu acho que isso cai bem no eleitorado do Porto. Nós não temos essa experiência, porque Manuel Pizarro é verdade que já foi ministro, mas não deixou de ser ministro para ser candidato ao Porto. E eu creio que cai bem junto do eleitorado que alguém tenha saído da centralista Lisboa e abdicado desse cargo para ser candidato ao Porto. Nós sabemos, porque o próprio confessou, que ele não gostava muito da condição de ministro, mas mesmo assim saiu para ser candidato ao Porto, valorizando dessa forma o cargo a qual se candidata. Eu acho que ele puxar por isto é importante e portanto ganha votos por isso. Nós dizia que temos a experiência contrária porque Elisa Ferreira, quando concorreu contra Rui Rio, era uma aposta forte do Partido Socialista e na altura, não sei se vocês se lembram, ela dizia: "Estou disposta a abdicar da gamela de Bruxelas", mas estava disposta se ganhasse, ou seja, nunca saiu da eurodeputada para ser candidata à Câmara. Isso também não terá caído muito bem, segundo as sondagens da altura e o próprio resultado da Elisa Ferreira. Portanto, Pedro Duarte aqui é o contrário, ou seja, ele vinca que está ali porque quer, podia estar noutro Tacho mais lisboeta e centralista, mas tentou ir ao risco e ao desafio para conquistar a câmara da cidade dele. Por isto e por também ter voltado a dizer que não tem pudores a falar de segurança, que me parece também ser importante para não deixar fugir eleitorado para o Chega na cidade do Porto, eu creio que todo este conjunto coloca quem ganha votos acaba por ser o candidato do PSD à Câmara do Porto, Pedro Duarte.

Miguel Pinheiro, quem é que está a ganhar votos para ti?

Acho que quem ganhou votos foi a Alexandra Leitão, em Lisboa, porque pediu. Acho que uma pessoa para ganhar votos tem que pedir. Acho eu que a ordem é esta. Não devemos ficar à espera que Deus nosso Senhor Jesus Cristo nos envie os votos por sermos incríveis. E a Alexandra Leitão chamou a atenção para o facto de Carlos Moedas estar a fazer uma campanha à porta fechada. E de facto não se vê Carlos Moedas a fazer uma campanha digna desse nome. Hoje teve um almoço. Penso que teve um almoço e falou no almoço. Ontem também teve um almoço.

Comício com meia sala.

E a seguir o comício com a IU. Mas quero dizer, acho que não se ganham campanhas com almoços. Aí ganha-se peso, mas não político. E por isso se o objetivo de Carlos Moedas é fazer uma campanha discreta, pode não ser a coisa mais incrível do mundo.

Está a conseguir?

Está a conseguir ter uma campanha discreta, isso não há dúvida. Os meus parabéns. A Alexandra Leitão pelo menos está a esforçar-se, está a ir a sítios, está a pedir votos. Vamos ver se isto é só a fase inicial ou se vai ser mesmo este o objetivo de Carlos Moedas, aparecer o menos possível e ficar à espera do dia das eleições.

Rui Pedro, e quem é que em tua opinião anda a perder votos?

Olha, não foi combinado, mas é Carlos Moedas por algumas das razões que o Miguel falou e que tu foste complementando. Nós não temos, creio, uma sondagem sobre Lisboa desde o início de agosto. E nessa sondagem, Carlos Moedas está na frente, mas não tem uma vitória garantida. É dois pontos em intenção direta e seis, creio eu, com distribuição de indecisos. Não é uma vantagem confortável. Não sei se a AD, com a iniciativa liberal, a candidatura de Carlos Moedas, porque Lisboa tem sondagens que os deixam mais confortáveis, mas na verdade não está em condições de se retirar da corrida. Podem ser sempre acrescentados eventos, mas já recebemos os próximos dias de campanha e as coisas não melhoram, não há mais eventos por dia e hoje o único foi esse almoço. Eu sei que Carlos Moedas pode sofrer um bocadinho por não ter lá as televisões todas, porque andam mais preocupadas a acompanhar os líderes, mas na verdade ele tem que estar no terreno e tem que estar em campanha. Claro que ele pode ter uma agenda paralela não pública e andar pelas associações, pelos bairros. Claro que pode fazer isso, mas eu creio que isso não chega. Ele não pode estar deitado sobre a ideia de que está à frente nas sondagens, porque me parece que a distância, pelo menos das últimas que são conhecidas, é verdade que já não há algum tempo, não é assim tão confortável quanto isso. E eu diria que quem está a perder é Carlos Moedas, porque tem que aparecer. E se me permite, em 30 segundos, está quase tão desaparecido como quem está totalmente desaparecido, que é Mariana Mortágua, que é líder de um partido, que é verdade que não tem expressão autárquica, mas está constantemente a aparecer na televisão por outro tema, que tem com certeza a sua importância para o Bloco de Esquerda e para o eleitorado de esquerda, mas que ajuda zero o Bloco de Esquerda nestas autárquicas, principalmente em dois sítios em que o Bloco de Esquerda poderia ter hipótese: em Lisboa para ajudar essa grande coligação de Alexandra Leitão e no Porto para ajudar a eleição de Sérgio Aires, já que apesar da tragédia que foi para o Bloco de Esquerda nas legislativas, no Porto e em Lisboa, o Bloco ainda vai tendo alguma força, não tem a sua líder para ajudar a puxar por essa força e creio que por aí, não só Carlos Moedas, mas também o Bloco de Esquerda está a perder votos.

Miguel Pinheiro, quem é que está a perder votos?

Eu não sei se está a perder votos, mas está seguramente a perder candidatos. O Chega, hoje Gabriel Mithá Ribeiro desistiu da candidatura à Câmara de Pombal, vai ser substituído pelo seu número dois e ainda não foi devidamente explicado o que aconteceu. Não me parece que seja um princípio saudável um dirigente destacado de um partido desaparecer, simplesmente. Como se tivesse remetido a uma dacha como na União Soviética. Está algures ali numa dacha na Crimeia a repousar. O camarada Mithá Ribeiro está na sua dacha. Acho que isto não é uma boa forma.

Saiu do Parlamento agora.

Saiu do Parlamento onde pertencia à Mesa do Parlamento. Foi muito bem substituído por Filipe Melo, como sabemos, correu bem. Agora deixa a candidatura à Câmara de Pombal. Acho que isto tem que ser explicado de alguma maneira, acho que é o mínimo, é básico explicar aos eleitores o que se passa, se são razões pessoais, pode haver razões pessoais. Eu não sei mesmo. Pode haver razões pessoais absolutamente compreensíveis, mas quando as pessoas estão na política, tem que haver algum tipo de explicação. Se as razões forem políticas, mais ainda. Acho que o Chega está a passar por isto como se não fosse nada e não me parece que seja uma boa solução.

Obrigado, Miguel Pinheiro. Vamos avançar para a estrada, ao encontro dos jornalistas que estão a acompanhar as caravanas neste caça ao voto. E vamos ao encontro da Nadine Soares, que está a acompanhar Alexandra Leitão em Entrecampos, em Lisboa. Vou só aqui puxar a via da nossa Nadine Soares para que a possamos ouvir. Vou pedir aos ouvintes um pouco de paciência.

Quem esquente uma música enquanto não vem.

Isto às vezes acontece e já cá temos a Nadine Soares. Olá, Nadine, como é que está a correr a campanha de Alexandra Leitão?

Olá, Ricardo. É uma campanha dedicada muito à aproximação das pessoas, isto é, este foi um dia muito focado aos jovens, especialmente nos estudantes da parte da manhã. Alexandra Leitão dedicou a manhã a visitar o Caleidoscópio, que é um centro de estudos da Universidade de Lisboa, e reuniu à porta fechada com os estudantes da Associação Académica da Universidade de Lisboa, com o objetivo de ouvir então os problemas e as queixas destes estudantes. Almoçou na Cantina Velha da universidade, onde destaco este momento da candidata da Coligação Viver Lisboa, onde andou mesmo com uma estudante à procura para tirar a senha nas longas filas de alunos para conseguir almoçar. Como dizia, tem sido um dia de campanha de 100% contacto com a população. Estamos neste momento numa arruada pelas ruas de Entrecampos. Chegamos agora ao Jardim do Campo Grande, onde Alexandra Leitão para em cada mesa para cumprimentar, para distribuir flyers, para se dar a conhecer. E nota-se que esse tem sido o principal foco desta candidata, contactar o mais possível com as pessoas e ouvir diretamente os problemas. Aliás, até uma das grandes críticas, como ouvíamos há pouco, que marca este dia, Alexandra Leitão que acusa Carlos Moedas de fazer uma campanha que considera que é feita à porta fechada. Isto é uma crítica à ação de campanha do ainda presidente de câmara, que contou ontem, por exemplo, com a presença de Luís Montenegro e da presidente da comunidade de Madrid. É uma crítica de Alexandra Leitão a este tipo de ações. A candidata pela Coligação PS, Bloco de Esquerda, PAN e Livre prefere aproximar-se das pessoas, é o que diz aos jornalistas, e acusa Moedas de andar desaparecido, especialmente em relação ao programa. A candidata socialista reforça mesmo que é lamentável que o programa de Carlos Moedas ainda não seja conhecido e aproveita este momento para reforçar mais uma vez as medidas de coligação, que são bastante conhecidas, diz a candidata, e que faz questão de as reforçar nesta arruada, por exemplo, dedicadas aos jovens, mais residências, mais apoios para os estudantes. E diria, Ricardo, que o resumo deste dia de campanha para a Coligação Viver Lisboa e para Alexandra Leitão é muito marcada pelo contacto com as pessoas. Aliás, neste momento, Alexandra Leitão continua a cumprimentar pessoa a pessoa aqui em cada mesa deste jardim no Campo Grande.

Obrigado, Nadine Soares, a acompanhar a candidata do Partido Socialista, Alexandra Leitão, em Lisboa, em Entrecampos. Vamos agora ao encontro do António José Soares, jornalista do Observador, que está a acompanhar a caravana de João Ferreira. Como estão os ânimos aí na campanha da CDU, António?

Boa tarde, Ricardo. Para já muito calmo. João Ferreira ainda não chegou a esta arruada da juventude que estava marcada para às 17h30 da tarde aqui em Carnide. Neste momento encontram-se aqui cerca de uma dezena de jovens, um carro de apoio com a tradicional música de campanhas do PCP, que já acompanha este partido há dezenas de anos. Portanto, aqui uma espécie de stand-by, à espera que chegue o candidato à Câmara Municipal de Lisboa, que antes, ao início da tarde, esteve no bairro da Cruz Vermelha, no Lumiar, onde chamou a atenção para a forma como a autarquia gere os bairros municipais, dizendo que a Câmara é um mau senhorio, porque exige rendas, mas não mantém boas condições nas habitações destes bairros municipais. É este o ponto da situação neste momento, Ricardo. Aguardamos que a qualquer momento João Ferreira chegue aqui para dar início a esta arruada da juventude.

João António José Soares a acompanhar a caravana da CDU em Lisboa. João Ferreira ainda à espera do candidato para a ação de campanha desta tarde. Mas não é só de Lisboa se faz a campanha autárquica. Há outras campanhas autárquicas pelo país, nomeadamente no Algarve, onde o Chega aposta forte. Um dos candidatos mais conhecidos do Chega é Pedro Pinto, líder da bancada parlamentar do Chega, que concorre em Faro, onde está o jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, conta-nos como está a correr a campanha eleitoral aí em Faro.

Ricardo, ao longo do dia de hoje estivemos com três candidaturas numa corrida que está completamente em aberto entre as três, no mínimo. É o que se pode ler das sondagens que vão saindo. Três candidaturas: Cristóvão Norte, candidato do PSD, mas que representa uma coligação maior, também inclusive com o CDS, de António Pina do PS e de Pedro Pinto do Chega. O que se vai sentindo na rua, tanto nas conversas com as pessoas como com os próprios candidatos, é que essa corrida está mesmo em aberto e que todos tentam responder a uma certa sensação de abandono por parte dos políticos em relação aos habitantes de Faro, uma sensação de abandono que já terá tido efeito nos resultados das últimas eleições, quer seja legislativas ou até europeias. O Chega tem subido praticamente em quase todas. A dar apenas nota que eu agora estou na zona do Patacão a acompanhar também uma ação de campanha do PS e alguns barulhos que estamos ouvindo é também em reação ao deslumbramento do candidato. Mas como dizia, essa sensação de abandono teve efeito ao longo das últimas eleições e, por isso, o que se vai vendo também são as candidaturas a tentarem responder a isso por parte do PSD e do PS, uma mensagem que os partidos tradicionais ainda têm algo a dizer à população. Aqui há uma variação interessante, porque há pouco falava com o António Pina, que me dizia que os partidos tradicionais, o PS e esta candidatura devem resistir à tentação de mudar a mensagem, de mudar a abordagem para ir buscar votos e que dizer a verdade ainda é o melhor caminho. Todas estas ações de campanha aconteceram ao longo do dia. Cristóvão Norte dizia-me que é óbvio que os habitantes passaram uma mensagem aos políticos com o seu voto e que essa mensagem aliada à situação política internacional, com a direita radical a subir praticamente em todo lado, deve obrigar também os partidos a perceberem onde é que estão a falhar e a adaptarem talvez um pouco, não a mensagem, mas a maneira de fazer chegar essa mensagem. Também estivemos com o Pedro Pinto, que o que nos disse foi que neste momento só há dois caminhos: ou o da continuidade, e esse é votar PS e PSD, ou então o da ruptura e esse caminho será o do Chega. Pedro Pinto, que também é criticado por muita gente que aqui ouvimos mesmo na rua por vir de Lisboa.

Exato, como é que está a ser recebida essa candidatura, Vasco?

Era nesse ponto que ia tocar. A candidatura é bem recebida, ou seja, as pessoas na rua gostam do Chega, gostam até de Pedro Pinto, mas não se consegue livrar a 100% desse rótulo, e ponho entre aspas, claro, mas de paraquedista, ou seja, de figura que vem do poder central, que vem de Lisboa, mas que não conhece muito a situação de Faro. Eu há pouco falava, por exemplo, com uma senhora que dizia precisamente isso, mas que gostava muito de André Ventura e a mensagem que me quis passar foi que gosta do Chega, quer que o Chega continue a ter força, mas mais como força de oposição, porque continua a dúvida sobre se o partido tem ou não força para governar. Ao longo da tarde foi essa a mensagem que nos foi sendo passada, mas não há uma taxa de rejeição do Chega. Pode é haver uma desconfiança sobre se está pronto para dar esse próximo passo e governar.

Obrigado, Vasco. Vasco Maldonado Correia, jornalista do Observador, aqui em direto a partir da zona de Faro. Até ao final da campanha eleitoral, vamos ter na Rádio Observador, de segunda a sexta, entre as 17h30 e 18h, o Caça ao Voto. Afinal, quem anda a ganhar e a perder votos nesta campanha?