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Hoje no Tratar da Saúde, com o doutor João Marques Santos, trazemos uma dúvida que quase toda gente que toma a pílula já teve, pelo menos uma vez na vida: "Doutor, estou a tomar antibiótico, a pílula vai deixar de funcionar?" Devo ouvir isto com muita frequência.

Sim. Bom dia, Maria João.

Bom dia, doutor.

Sim, sem dúvida, é um dos receios de quem não quer engravidar e está a tomar a pílula. A resposta para a grande maioria destes casos é que a pílula não perde a eficácia por culpa dos antibióticos, pelo menos aqueles que são mais comuns. É um dos mitos mais enraizados e, de facto, as crianças não são filhas dos antibióticos.

É sério, mas é bom sempre dizer para ter cuidado extra quando se toma um antibiótico.

Sim, é verdade, mas a evidência científica é muito clara neste sentido. Antibióticos habitualmente prescritos para as infeções respiratórias comuns, como por exemplo a amoxicilina ou azitromicina, não afetam o efeito das hormonas da pílula. A única exceção comprovada nas classes dos antibióticos é a rifampicina, que é um medicamento que é muito utilizado, por exemplo, na tuberculose, não é comum.

Sim, mas de onde é que vem este receio? Porque há relatos de mulheres que engravidaram a tomar a pílula e antibióticos ao mesmo tempo.

Sim, a culpa raramente é do antibiótico em si, mas de algumas alterações associadas aos antibióticos no nosso organismo ou até à própria doença. Podemos pensar nas alterações gastrointestinais, que são o verdadeiro problema. Quando estamos doentes e temos vómitos ou diarreia, o intestino não vai conseguir absorver a pílula e, por isso, a eficácia fica comprometida.

Ou seja, o comprimido nem chega a entrar no corpo.

Exatamente. Para ter uma ideia, um estudo de milhares de mulheres a tomar a pílula, cerca de um quarto das gravidezes indesejadas foram em mulheres que tinham tido sintomas gastrointestinais na altura da conceção. É um risco real e muitas vezes é desvalorizado.

Doutor, o pior é que estes sintomas acontecem antes de se ir ao médico. O que se deve fazer se tivermos uma gastroenterite ou vomitarmos depois de tomar a pílula?

Uma forma muito simples, se vomitar nas primeiras duas horas após a toma da pílula, vamos assumir que ela não foi absorvida e vamos tomar um novo comprimido. Se houver diarreia ou vómitos continuarem, deve-se usar um método adicional, como por exemplo, o preservativo. Enquanto permanecerem estes sintomas e também nos sete dias seguintes a desaparecerem por completo. No fundo, encarar esta fase como um lapso na toma ou um novo início sem ser na fase menstrual.

Portanto, esclarecida a questão dos antibióticos e das gastroenterites, mas há outros medicamentos que cortem mesmo o efeito da pílula?

Sim, isso há. Há alguns medicamentos para epilepsia, por exemplo, alguns tratamentos para o HIV, e atenção aos produtos naturais. Por exemplo, a erva de São João, que muitas pessoas tomam para ansiedade ou para o sono, vai acelerar o metabolismo das hormonas, vai reduzir a eficácia da pílula.

Erva de São João?

Erva de São João. Neste caso concreto, é preciso usar o preservativo, não só durante a toma deste produto natural, mas até 28 dias depois de o terminar. Isto vai ficar muito tempo no nosso organismo.

Doutor João, para terminarmos, qual é a mensagem principal para quem nos está a ouvir?

Então, muito rapidamente. Se tiver vómitos, diarreia ou se começar um medicamento novo, seja com receita médica ou até mesmo um produto natural, confirmar sempre com o médico ou com o farmacêutico, quais as indicações e se isto interfere nos contraceptivos. E muitas vezes está escrito na própria embalagem da medicação. Com a toma de antibióticos frequentemente mais prescritos, se não houver sintomas gastrointestinais, à partida a pílula não perde eficácia. Ainda assim, na dúvida, usar o preservativo.

Excelente conselho, é o melhor. Muito obrigada, doutor João, até amanhã.

Obrigado, até amanhã.