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Car 7, 60.

A 17 de julho de 1978, 124 reclusos de Vale de Judeus fugiram por um túnel de 50 metros com luz e ventilação. A prisão de Alcoentre era considerada uma das mais seguras do mundo, mas isso não travou esta fuga em massa, considerada a mais espetacular de sempre, em termos de façanha.

É o nosso Prison Break?

É o nosso Prison Break.

Ok, vamos a ele.

Com menos tatuagens, imagino.

No rescaldo do 25 de Abril, a cadeia de Vale de Judeus foi palco de uma das maiores fugas de presos da história. Foi a 17 de julho, 124 dos 200 que viviam nesta cadeia. Eles fugiram através de um túnel. Naquela altura, era considerada uma das mais seguras da Europa, mas ainda assim eles lá conseguiram cavar 50 metros de comprimento, 80 centímetros de diâmetro, numa tarefa que durou cerca de três meses.

A fuga, que aconteceu precisamente há 45 anos, bonita idade, foi apelidada à época pela imprensa de espetacular. Deram por ela na contagem do turno das 10h30 da noite. As celas vazias da cadeia penitenciária de Lisboa, em Vale de Judeus, fizeram soar os alarmes, guardas a correr, helicópteros nos ares e tudo focado na caça aos homens, porque eram muitos. Tinham-se evadido por um buraco estreito, onde até luzes e uma ventoinha instalaram. Isto lembra "A Grande Evasão", o filme.

Já vais ver. Não estragues o resto.

Não digo, está bem. Eles vinham de uma cela no Pavilhão C, até ao exterior da cadeia, e as toneladas de terra retiradas foram escondidas num sótão.

Primeiro saíram seis, os cérebros da operação. E agora tenho que ler os nomes, porque vale a pena. Zé da Tarada, Isidro, Dragão, Dedé, Muleta Negra e Manuel Alentejano. Mais de uma centena de outros presos que aproveitaram o túnel e vieram a seguir. O grupo principal demorou dois dias até chegar a Lisboa. A maior parte dos restantes foi detida nos dias seguintes, lá nas imediações, após uma operação que movimentou todas as forças policiais e muitos meios militares. As estações dos comboios exibiam fotografias dos fugitivos, qual filme americano.

Mas os presos espalharam-se precisamente por estações de comboios. Nos dias seguintes, a maior parte foi capturada. A Grande Evasão, é assim que ainda hoje é considerada esta que foi a maior fuga coletiva de sempre no nosso país.

E a referência ao filme, que era o meu preferido quando eu era miúdo.

Tens que explicar que filme é que é, não é?

Já vou explicar. A referência não é coincidência, porque esta fuga de Vale de Judeus ocorreu poucos dias após a televisão ter transmitido A Grande Evasão, que é a história de um grupo de prisioneiros aliados que escapa de um campo de concentração nazi após escavarem um túnel. Filme com Steve McQueen, Charles Bronson, entre outros.

Ainda hoje, escapar de algum lado é dar uma de Steve McQueen.

Steve McQueen.

Exatamente.

E estes conseguiram emular Steve McQueen e os seus companheiros. Nessa noite, na sala de televisão da cadeia, portanto, na noite em que o filme foi transmitido, alguns presos riam-se a bandeiras despregadas. A ficção das imagens estava a mostrar aquilo que alguns dias mais tarde haveria de ser realidade.

Dois jovens reclusos da prisão-escola de Leiria fizeram o favor de, há uma semana, tentar ressuscitar este clássico, o clássico método buraco escavado na parede da cela. Conseguiram sair da prisão, mas falharam o objetivo final porque foram logo capturados.

Mas esta última fuga, protagonizada por rapazes imitadores dos velhos escapistas, envolveu pouco engenho, quando comparada com aquela que estávamos a falar há pouco.

Exatamente.

Heitor Silva foi um dos protagonistas da Grande Evasão. Era militante do Partido Revolucionário do Proletariado quando foi detido por causa de um assalto a um banco ao serviço do partido.

Com certeza.

É preciso referir isto para não haver dúvidas. Foi condenado a mais de 20 anos de prisão e colocado na cadeia de Vale de Judeus. Quando lá chegou, o plano da evasão já estava em marcha.

Após a fuga, viveu 14 anos na clandestinidade, no estrangeiro. Em 1992, depois do indulto presidencial de Mário Soares, regressou a Portugal.

Isto dos indultos não era só com o papa, o Mário Soares também ajudou.

Era o papa.

Os presidentes da República tiveram sempre indultos na altura de Natal.

Sim, é verdade.

É como o que se dá ao Peru, não é?

É, exatamente. Mas isso é nos Estados Unidos.

Mas é só um Peru.

É só um Peru.

Bem, viajamos até 17 de julho de 1978, dia em que 124 reclusos fugiram de Vale de Judeus por um túnel de 50 metros. Bem, eu fui viajar neste 1978. Ainda bomba com fartura o disco Sound em 78 e os hits que saltaram das salas de cinema para as pistas de dança.

"Stayin' Alive" dos Bee Gees foi o grande sucesso do ano e era número um no dia 23 de fevereiro de 1978, uma data.

Uma palma data.

Uma palma data.

Isto apesar de a canção fazer parte do filme Febre de Sábado à Noite, que é de 1977. Mas há mais Travolta e Travoltices no top das mais ouvidas de 78. "You're the One That I Want" com a Olivia Newton John, do filme Grease, ficou no segundo lugar, numa tabela que tem YMCA, dos Village People, em terceiro, e Rivers of Babylon, dos Boney M., em quarto.

A fechar o top cinco, voltamos a Travolta e aos Bee Gees com "Night Fever", mais uma de Febre de Sábado à Noite. Revolta também com fartura no cinema. "Grease" foi o filme mais visto em 78 nos Estados Unidos, à frente de "Superman", o primeiro com Christopher Reeve, Gene Hackman e Marlon Brando, numa pequeníssima aparição pela qual cobrou cerca de 3,7 milhões de dólares, mais 11,7% dos lucros do filme. Coisa pouca, perto de sete milhões por 13 dias de trabalho.

John Williams?

John Williams, banda sonora. Eu confundo todas essas, Star Wars, Superman.

Como assim? Tu até confundes com Star Wars?

Não, mas é parecido. É John Williams. Não sei quanto é que o Brando levou no "Apocalipse" ou era o "Plutão"? Não, agora estou a confundir. Era no "Apocalipse" não.

No "Apocalipse" não, mas aqui cobrou mais.

Aqui foi caro.

Aqui são só três minutos.

Eu acho que proporcionalmente só o Sean Connery, que tem uma aparição no final do "Robin Hood: Príncipe dos Ladrões", é que cobrou mais.

Faz de Ricardo.

Regressa e aparece para aí, nem chega a um minuto e cobrou também uma pipa de massa. Neste ano de 78, nas cerimônias de prêmios, um dos grandes vencedores do ano foi "O Caçador", com Robert De Niro, Christopher Walken e Meryl Streep. Ganhou o Oscar de melhor filme, melhor realizador para Michael Cimino e melhor ator secundário para Christopher Walken, que ficou célebre, isto em 79, ganhou no ano seguinte, na cerimônia do ano a seguir, por aquela célebre cena da roleta russa. Quanto ao Oscar de melhor banda sonora original, foi para um dos favoritos do Cassete 60.

Eu adoro esta música.

Isto é Duran Duran, brother? Você é do Express também.

Vocês sabiam o que fazia o Marlon Brando no filme do "Superman"?

Era o pai.

Era o pai, era o Kal-El.

Qualquer coisa. Era El, qualquer coisa.

El Kal-El.

Isso. Bem, voltamos ao disco sound. Começamos no disco sound, vamos acabar no disco sound. Para o Oscar de melhor canção, foi para Donna Summer e para "Last Dance". Pertence ao filme "Thank God It's Friday", que é mais ou menos o lema.

Quase sexta-feira.

Graças a Deus é sexta-feira.

Devíamos passar esta música. Todas as sextas-feiras passávamos esta música.

Ou então o outro, "Friday I'm in Love".

Também pode ser.

Aliás, o filme é precisamente o musical dedicado ao disco sound e àquela febre do motown. Vamos fazer de conta que é sexta-feira com a Donna Summer. Fica por aqui o Cassete 60 de hoje, que viajou a 1978.

Cassete 60. Rádio Observador