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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado o social-democrata Duarte Pacheco. Bom dia, bem-vindo.
Muito bom dia.
Bem-vindo de volta.
É a segunda chamada.
É a segunda ronda.
É verdade. Há alguns aspetos que quisemos clarificar.
Esteve cá no dia 3 de julho de 2024, aqui na Comissão de Inquérito.
Já passou tanto tempo.
É verdade.
Isto é que eu estou velho.
Estamos todos. Nessa primeira vez que cá esteve, fez 10 pontos. Vamos ver como corre hoje. Esta semana, a Teresa Leal Coelho, da CNE, fez 16 pontos e ontem o Duarte Marques, o diretor de campanha de Marcos Mendes, fez 17. Vamos a isto?
Estou num campeonato difícil.
Vamos lá. Como se chama o podcast plus da Rádio Observador sobre as eleições de 1986?
As eleições mais loucas.
É quase isso. Só falta "de". É no singular, a eleição mais louca.
De? Sempre. Estava aqui a ver se-
A ver os meus sinais.
O que é que faz sentido ali.
Em 86, no final da segunda volta, os dois candidatos ficaram separados pela margem mais curta da história. Dia 8 de fevereiro também vai ser renhido, Duarte Pacheco.
Eu penso que vão ter que mudar o nome.
É a segunda eleição. Por isso é que estamos a passar esta semana outra vez.
Essas não podem ser menos loucas do que a anterior, sobretudo a primeira volta, porque na segunda volta as coisas estão relativamente perceptivas do que vai acontecer, mas na primeira volta foi o suspense praticamente até ao fim.
Já sabem quem vai votar? Desculpa. Já sabem quem vai votar?
Sim, eu já disse. Vou votar em António José Seguro.
E parece-lhe que estão mais claras para a segunda volta. Não tem muitas dúvidas de que os eleitores da direita, que escolheram outros candidatos na primeira volta, se dividam entre António José Seguro e Ventura.
Sim, vai haver divisão, mas vamos supor. Primeiro, eu não sou socialista, nunca.
Sim, nós sabemos.
Portanto, sempre estive do lado da direita. Os líderes com quem eu me identifico, quer cá dentro, quer lá fora, são pessoas de centro-direita, de Margaret Thatcher, ou Helmut Kohl, ou Ronald Reagan, George Bush. Quer dizer, não tenho problema nenhum. Agora, aqui a situação é diferente. Aquilo que eu acho que muita gente de centro-direita pensa é quem é que pode ser melhor e mais fácil para a governação do país, tendo o PSD governo. E aí eu não tenho dúvidas. António José Seguro é uma pessoa previsível e é uma pessoa confiável. Previsível porque não tem loucuras, como estávamos a falar de outros que têm lá fora, mas simultaneamente é confiável. Viu-se isso durante o governo da Troika, de Passos Coelho, com o acordo da Troika, em que muitas vezes foi preciso chegar a acordo com o Partido Socialista, liderado por António José Seguro, contra a vontade expressa do seu próprio partido. Mas ele até aí mostrava alguma independência e fixava. Estou-me a recordar o acordo para a descida do IRC, por exemplo, que logo a seguir António Costa rasgou. Mas que ele teve porque entendeu que era isso que era importante para a economia portuguesa, ou a viabilização do Orçamento de Estado, ou outras coisas que foram feitas, porque ele percebeu que o estado do país era o que era e que não havia outro caminho. Ora bem, esta pessoa confiável é aquilo que o Luís Montenegro neste momento precisa, não é precisamente uma alternativa muito mais imprevisível e tem um projeto político que vai querer matar o PSD se isso tiver hipótese para tal.
Então Luís Montenegro devia dizer que é esta pessoa que precisa ou não pode?
Aí é que está a questão. Eu acho que, primeiro, o presidente do partido poderia ter dito uma coisa mais fácil, que era o seguinte, e aliás, foi um pouco aquilo que disse a líder da Iniciativa Liberal: "Eu não posso tomar posição porque há órgãos próprios do partido que tomam as posições e, portanto, eu quando muito vou convocar os órgãos para definirmos qual é o nosso caminho." Depois até pode dizer: "Olhe, eu, o meu voto será neste ou naquele, ou não vou votar, ou não me quero pronunciar." Mas porque o PSD tem órgãos próprios e até o candidato a primeiro-ministro tem que ser votado em Conselho Nacional. Muitas vezes pode ser o presidente do partido ou pode ser outra pessoa. Por regra, tem sido sempre o presidente do partido, mas é só dizer, não é o presidente do partido: "Olhe, eu sou o primeiro-ministro" ao chegar a Belém. Não, teve que convocar os órgãos e o órgão escolher quem é que era o candidato a primeiro-ministro dentro do seu próprio partido. E, portanto, essa tinha sido a mais fácil. Agora, eu compreendo que ele vai ter que negociar durante os próximos anos de governação com as duas forças políticas que lhe garantem a viabilização de N medidas. E essas duas forças políticas são o Partido Socialista e o Chega, de onde emanam estes dois candidatos. Portanto, não afrontar nenhum dos campos pode ter sido sensato.
É um silêncio tático, então.
Tático, muito tático.
Muito bem. Cinco pontos, Duarte Pacheco. Vamos à segunda questão.
Começou bem, porque tinha 10 na outra, cinco já é bastante.
Agora vamos continuar.
Vai complicar.
Não necessariamente, vai ver que não. Vamos recuar no tempo também. Deixamos é de falar de eleições presidenciais, falamos de legislativas para lhe perguntar em que ano conseguiu o PSD a sua maior votação de sempre em legislativas.
91.
Certo, consideramos que sim. A percentagem foi, a de deputados 87.
Depois houve uma alteração à Constituição que diminuiu o número de deputados. Portanto, eu estava a olhar para a percentagem.
É sem dúvida, foi 91, claríssimo.
O que significa que Cavaco Silva, sete anos depois de governação, continuava a aumentar a percentagem de votos.
Renovou.
Renovou com mais.
Com uma maioria mais reforçada. Nessa altura, não havia dúvida sobre quem era o líder da direita. Neste caso concreto, a liderança da direita, a liderança política, pode estar em causa ou não?
É preciso ter cuidado, porque pode. Sinceramente, pode. Nós temos aqui esta situação caricata, que é: nós vamos ter dois vencedores no dia 8 de fevereiro. Um que é vencedor porque será presidente da República, tudo indica que pode ser António José Seguro, mas um outro, porque não sendo eleito, vai ter uma votação expressiva. Não tenhamos qualquer dúvida. O eleitorado da AD vai dividir-se. O eleitorado que votou em Cotrim de Figueiredo vai dividir-se. Quem votou no almirante Gouveia e Melo vai dividir-se. E, portanto, facilmente, André Ventura, em vez de 23,5, tem 30, 32, quem sabe se mais. E vai aparecer com um grande resultado eleitoral, o que lhe vai dar força. Agora, há aqui duas coisas que podem jogar em sentido contrário ou no mesmo sentido. Por um lado, muitas pessoas vão perder a virgindade. Pela primeira vez vão votar em André Ventura, coisa que se calhar não lhes passaria pela cabeça. E depois da primeira vez, é mais fácil fazer a segunda, a terceira e a quarta.
Isso é perigoso.
Isso é perigoso. Mas, por outro lado, também está identificado que há uma grande volatilidade nos votos. As pessoas hoje já não votam como há uns anos atrás, se o presidente do partido dissesse: "O meu candidato é este", 90% ia atrás daquilo que dizia o presidente do partido. Agora, não, o presidente do partido diz: "É este", mas depois votam em quem querem. Ora bem, isto significa que se a governação não apresentar resultados reformistas, que foi aquilo que era o slogan de campanha, por exemplo, de Cotrim de Figueiredo, "nós precisamos de reformas", se não conseguir apresentar reformas com resultados concretos na área da Justiça, na área da Saúde, na reforma do Estado, as pessoas dizem: "De fato, eles estão lá, mas não estão a fazer nada para mudar o país". E aí, já votaram uma vez, por que não votam uma segunda vez em André Ventura? Portanto, cabe ao governo mostrar resultados da sua governação para que as pessoas digam: "Não, senhora, ele está a trabalhar, ele está a fazer", e ficarem aqui ao mesmo.
Perante um bom resultado de André Ventura, estou aqui a olhar para os resultados da AD nas legislativas, 31,2% e 1.970.000 votos. São estes os limites, isto é, se Ventura estiver acima disto já pode reclamar esse estatuto de alguma maneira?
De todo, porque quando foi as últimas legislativas, não havia dois candidatos a primeiro-ministro exclusivamente. Se houvesse só dois sítios para se pôr a cruz, se calhar Luís Montenegro não teria tido 30%, teria tido 40 ou 45.
Esta comparação não pode ser feita.
A comparação não bate, porque estamos em duas voltas. Quando muito, pode-se comparar o da primeira volta. Aí sim, agora o da segunda volta, em que só há dois, há muita gente que pode votar em André Ventura, mas não votará nele pra primeiro-ministro. Portanto, eu repito, só seria comparável se tivéssemos há um ano dois candidatos e dois partidos a concorrer.
Então que resultado é que poderá dar a André Ventura esse estatuto de líder da direita?
Só depois de eleições legislativas. Ele hoje é líder da oposição, inequivocamente. Agora, temos que esperar pelas eleições para saber se será ou não será. Repito, vai lhe dar é lan e força. Aí não temos qualquer dúvida. Aliás, viu-se isso até já nesta campanha da primeira volta, que aquela pessoa que arrastou mais gente era claramente André Ventura, era por convicção. Muitos dos outros candidatos, as pessoas votaram de uma forma racional. "Sim, eu acho que é este ou acho que é aquele", mas André Ventura tinha mais do que a racionalidade, tinha a emoção atrás dele e isso já se evidenciou. E um bom resultado vai inchar completamente e pensar que é possível aquele seu sonho.
E isso pode acelerar o ciclo político.
Pode.
Eleições antecipadas.
Sobretudo se as condições econômicas, imaginemos que de repente, de fato, perante uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a Europa, as economias arrefecem. E quando arrefece a economia, sabemos que há repercussões, quer dizer, o desemprego tende a aumentar, as empresas exportam menos, etc. Havendo insatisfação, é o campo predileto para esses partidos de protesto, como é o Chega, crescerem.
Mas aí, nesse caso, o governo poderia virar-se para o PS, porque para haver uma crise política seria sempre necessário Chega e PS se unirem de alguma forma.
Vamos ver por quanto tempo é que o Partido Socialista assume esta posição de responsabilidade. Se perceberem que nas sondagens estão a crescer, se calhar também já estão disponíveis para esse confronto.
António José Seguro, caso seja eleito presidente, poderá ter aí um papel moderador, conciliador?
Eu penso que sim, porque ele já o provou no passado, é a favor da estabilidade e portanto poderá tar aquilo que muitas vezes o professor Marcelo Rebelo de Sousa fez. Em momentos de crise, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que pode ser criticado por muita coisa, mas tentou juntar as pessoas com conversas discretas, por exemplo, para a viabilização do Orçamento de Estado. Uma vez até um Conselho de Estado ele convocou para esse efeito, na lógica de pressionar os partidos a não provocar uma crise. António José Seguro pode fazer o mesmo. Com a incidente sobre o PS.
Vamos então continuar ainda no tema das presidenciais, a propósito de António José Seguro. Em que ano assumiu António José Seguro a liderança da Juventude Socialista?
Vamos lá fazer contas.
Esta é boazinha, não é? Esta é de amigo. Amigo paí.
Eu pensei que era a liderança do PS, já estava aqui a fazer contas.
Não, o Bruno gosta de dificuldade.
A Juventude Socialista, acho que foi depois dele ter saído Do Conselho Nacional de Juventude, CNJ.
Está a pensar mais ou menos em que data?
Eu estou aqui a pensar ali no final da década de 80.
Sim, anda perto.
Final, upa, upa.
Upa, esse final.
Não, eu estava a pensar entre os 80 e... Porque nos dias de 87 ainda era ele, ainda estava no CNJ. Portanto, por isso é que eu estou a pensar 88, 89, por aí.
Ou 90. Com esta ajuda.
Quem diz 89, diz 90.
Sim. Isto está a fazer o pleno já, vai em 15.
Isto está aqui o clima amigo. Espera lá.
As perguntas difíceis são a seguir.
Essas vêm depois. A esquerda em peso, entretanto, já anunciou o apoio a António José Seguro logo na noite eleitoral. Também tem havido muitos apoios manifestados à direita, incluindo o do Duarte Pacheco. António José Seguro vai sentir-se tentado a falar mais para esse eleitorado de esquerda?
Como é óbvio. É bom que as pessoas mais à esquerda, que desejam a vitória de António José Seguro, fiquem quietas. Porque caso contrário, estão a espicaçar efetivamente o eleitorado de centro-direita a dizer: "Não, de facto, eu não quero votar numa pessoa de esquerda, não quero dar alegria a esta gente, não quero votar, até vou ficar em casa."
Portanto, quanto mais a esquerda se envolver na campanha ou no apoio a António José Seguro, pior será?
Pode motivar a abstenção. Não quer dizer que sejam votos que se transfiram diretamente para o Chega, mas pode provocar a abstenção, porque há muita gente que diz: "Entre um socialista e um extremista, eu não escolho, eu não voto, fico em casa." Ora bem, com uma abstenção mais elevada, sobretudo ao centro-direita, os mesmos 1.700.000 votos de Seguro é tanto, mas 1.300.000 de André Ventura, de repente não são 23%, são já só por si 30%. E o António José Seguro já mostrou isso, ele já compreendeu isso. Viu-se no discurso da noite eleitoral em que ele não fez essa referência. Viu-se até na primeira volta, quando recebia determinados apoios e ele ok, ficava satisfeito, mas fugia logo do assunto. E agora essas pessoas é bom que não comecem a fazer campanha. Ontem o Bloco de Esquerda retirou votos a António José Seguro e, portanto, contenham-se.
Quando?
Na intervenção que o seu líder parlamentar fez, o líder parlamentar que é o único, fez uma forma tão extremista.
De colocar os colegas para dentro.
A democracia contra a ditadura. Primeiro, os jovens hoje já não ligam isso. Está mais do que evidente. E em segundo lugar, isso também não é verdade. Eu não considero o André Ventura antidemocrata, sinceramente. Quer rever o sistema? Vou dar um exemplo do meu partido. Há anos que Alberto João Jardim diz que o sistema precisa de uma reforma profunda. Ele é antidemocrático? Não, aceita as regras do jogo. Tem posições extremistas em algumas áreas, nomeadamente na justiça? Sim, mas do outro lado, e quem acha que o regime de Maduro é um regime ótimo, porventura aplicável a Portugal, o que é que é?
Então como é que António José Seguro deve lidar com esses apoios sem alienar também o voto da esquerda, porque vai precisar dele para ter uma vitória substancial na segunda volta?
O eleitorado à esquerda sabe perfeitamente que o António José Seguro fez toda a sua carreira política dentro do Partido Socialista e que, portanto, não é uma pessoa de centro-direita. Para além disso, já evidenciou algumas características de defesa de áreas sociais com a qual a esquerda se identifica mais prontamente e que até entra em clivagem desde já com o governo, por exemplo, no caso da reforma laboral. Portanto, as pessoas já sabem e essas pessoas não vão querer André Ventura no poder. Agora, o outro eleitorado, que é preciso que saia de casa e ao sair de casa para votar, é que tem que ser conquistado. E aí tem que ser sem alienar o passado. A pessoa não pode fazer uma vida num partido e de repente dizer que não tem nada a ver com o partido. Não, ele sabe o passado dele, etc. Mas simultaneamente mostrar a sua capacidade de diálogo ao centro, para que essas pessoas digam: "Sim, bem, entre alguém mais extremista e uma pessoa moderada, eu prefiro uma pessoa moderada, que até pode fazer o contrapoder com o governo, mas numa lógica de lealdade e de colaboração, que é aquilo que o país precisa."
Duarte Pacheco, vamos mudar agora de tema para mais uma pergunta. Vai aos 20, se acertar. Como se chama o primeiro-ministro do Canadá?
Estou a ver a cara dele. Não consigo pronunciar.
Não consegue pronunciar. Com ajuda, vai lá chegar.
Se me deres a ajuda, vai já.
Mark Carney, Justin Trudeau, John Turner.
O primeiro é Mark Carney.
Pois é. Ainda não nos habituamos, não é? Muitos anos de Trudeau.
Mas tem mostrado ser um líder muito consistente.
Sim, e está quase no teu discurso.
E o discurso dele de ontem à noite foi excelente.
Foi excelente. Reveio-se nesse discurso. Era por isso que gostávamos também de o ouvir. Até a necessidade de as médias potências se unirem, é por aí que nos devemos organizar na nova ordem mundial.
Completamente. As potências médias têm que se unir nesta ordem internacional. Como dizia Sil, já não estamos numa fase de transição, já estamos noutra fase. E quem pensar que ainda está na fase de transição e que ainda há uma hipótese de voltar atrás, está errado. Os países, nomeadamente europeus, mas não só os europeus, o Canadá, a Austrália, o Japão Países democráticos de cariz ocidental têm que se unir na defesa daqueles que são os seus valores normais e perceberem que neste mundo geopolítico têm que ter um espaço próprio, não dependente, neste caso, dos Estados Unidos. Os Estados Unidos deixou de ser um aliado confiável.
Então, um aliado não confiável não é um aliado.
Teoricamente é aliado, fazemos parte das mesmas organizações, só que a sua palavra deixou de valer. E, portanto, é melhor começarmos a aprender isso e trabalhar por nós próprios e não dependentes disso. O primeiro-ministro do Canadá, até agora com este acordo com a China, mostrou aos americanos que todos nós podemos ser independentes da América se o quisermos. E é esse o caminho que temos que traçar. A Europa está a fechar o acordo com o Mercosul. Quando eu digo está a fechar, está assinado, mas ainda falta a aprovação e a ratificação pelos parlamentos.
E agora vai ao tribunal.
E, portanto, sabe Deus quando é que isto sai, e isso mostra a incapacidade da Europa. Eu tenho dado muitas vezes o exemplo que nós precisamos reformular completamente a estrutura organizativa da União Europeia, porque isto não vai lá nenhum.
E tomar a decisão.
Tomar a decisão, porque isto não vai lado nenhum. O Mercosul demorou 25 anos. Era Jacques Delors o presidente da Comissão, era o engenheiro Guterres primeiro-ministro em Portugal. E agora sabe Deus quantos mais primeiros-ministros vão passar até que ele finalmente entre em vigor. Isto é uma loucura. Aqui todo o programa de resiliência para apoiar a economia portuguesa, que era para apoiar durante a pandemia, chegou cá já a pandemia tinha morrido há não sei quantos anos. Isto é uma loucura. Portanto, nós temos que mudar tudo. Mas a Europa ao se aproximar da América Latina, ou acordos muito próximos de ser fechados com a Índia, por exemplo. E aí, sem dúvida alguma, eu presenciei isso, a relação pessoal de António Costa com o primeiro-ministro Modi é fortíssima e pode levar a que facilmente se chegue a um acordo. A visita que fizeram, o presidente da Comissão e o presidente do Conselho, à China, mostrar que há outros mercados, porque se não partilhamos sequer neste momento a mesma visão do mundo com a América, então podemos também estar a negociar com outros que até não partilham a mesma visão do mundo conosco, porque estamos em pé de igualdade.
Muito bem, estamos a caminho da última questão. Vamos voltar aqui à nossa pátria.
17 já são 7.
Já estou ao lado da Teresa.
Não, está ao lado, a Teresa fez 16, está ao lado do Duarte Marques.
Duarte Marques. E vai a caminho de 22. Eu acho que esta é muito fácil mesmo. Desde 2015, portanto, desde o início da governação de António Costa, se quiser, quantos ministros da Saúde já tivemos?
Desde?
Desde 2015, o início da geringonça, se quiser.
Portanto, primeiro governo de António Costa.
Exatamente.
Marta Temido. Depois, já sai do Porto.
Miguel Pizarro.
Pizarro, dois. Do PS foi só esses dois.
Foi.
E agora fizemos uma, portanto, três.
Acha? Pensa lá bem.
Não exatamente pelo meio.
Como é que tudo começou?
Então, antes da Marta Temido?
Sim.
Exato.
Mas já sei, percebi que são quatro, pronto. Vocês perguntaram só os nomes.
Bem, são quatro, nós não perguntámos os nomes.
Está certo.
Então quem foi o primeiro?
Agora já não conta.
Já agora, não está agora.
Está bem, estou a pensar, mas não consigo.
Portanto, três mulheres, antes foi-
O Adalberto.
Exatamente.
Foi o primeiro ministro da Saúde de António Costa.
Adalberto Campos Fernandes, é verdade. Parece que era de outro governo, não é?
É isso que eu ia dizer.
Se ele nos estiver a ouvir, vai achar piada.
Estava a pensar, estava a pio, mas era de outro governo, não era daquele.
Exato. E agora vamos para a atualidade. A ministra da Saúde é o elo mais fraco deste governo.
Acho que sim.
Ou seja, vamos a caminho do quinto.
Primeiro, ser ministro da Saúde é sempre a pasta mais difícil, como nós temos visto. Aliás, até por esta rotação de ministros em 10 anos, prova que é uma pasta muito difícil.
Mas Marta Temido saiu com uma grande popularidade. É verdade que atravessou o período da pandemia.
Precisamente. Quer dizer, a popularidade de Marta Temido foi sobretudo-- nós temos dois ministros que saíram com popularidade. Marta Temido, e aí foi claramente a pandemia e o combate bem-sucedido à pandemia, e ficou evidente, quer ela, quer da diretora-geral de saúde e do almirante Gouveia e Melo, todo um trabalho conjunto para combater a pandemia, portanto, ela sai bem. E tínhamos tido outro, que também saiu, o Paulo Macedo, que saiu bem num momento muito complicado. Quer dizer, é quase contrário àquilo que estávamos a dizer, porque num momento de troika em que era preciso fazer cortes, ele conseguiu arrumar a casa e sair com uma áurea muito positiva do Ministério da Saúde. Agora, os problemas têm-se vindo a complicar e ainda não se viu resultados. E quando estamos ao fim de dois anos, se fosse uma legislatura normal, estaríamos a meio da legislatura. Se ela não tivesse sido interrompida, estávamos agora a meio da legislatura. Portanto, é natural que as pessoas digam: "Mas onde é que estão os resultados?" E eles não são visíveis, não são perceptíveis pelas pessoas. Ao não serem perceptíveis, ou há aqui algo que se diga: "Olha, é com esta medida, é com este programa", e já não vale a pena fazer anúncios para 50 dias ou coisa assim parecida, que já se percebeu, depois não acontece nada, ou há aqui algum resultado concreto, ou então, de facto, a impopularidade será insuportável.
E acha que Luís Montenegro deve começar a fazer contas a uma remodelação, então?
Eu penso que sim, ao fim de dois anos, olhando para estes resultados.
Está a falar das presidenciais.
Das presidenciais. Porque se o governo estivesse em alta O facto de o primeiro-ministro aparecer ao lado de um candidato arrastava automaticamente, independentemente das pessoas gostarem mais do candidato ou menos do candidato, votos para esse candidato.
O governo não está em alta então. A responsabilidade do resultado de Marques Mendes é também de Luís Montenegro?
É também do governo, porque o facto de tantos ministros aparecerem e nem assim se ter conseguido um resultado digno, para teres este resultado tão injusto para Luís Marques Mendes, é porque a avaliação que é feita do governo não foi assim tão positiva. E é nestes cartões amarelos que as pessoas depois mostram. Antigamente eram os autarcas, porque eram os autarcas só a meio do mandato. Agora não é a meio, foi três meses depois. Tiveram que ir a uma eleição onde as pessoas mostraram isso. Portanto, as pessoas têm efetivamente que sentir que as coisas estão a dar resultado. O PSD sempre foi um partido que quis ir para o poder para reformar o país, para mudar as coisas.
E não o está a fazer neste momento.
Pelo menos não se compreende isso, não se percebe isso.
A sua sensibilidade política diz-lhe que Luís Montenegro deve remodelar quando? Passam as presidenciais, no verão, antes do próximo orçamento, depois?
Eu diria que há aqui duas hipóteses: ou antes do verão, que eu acho que seria o aconselhável, para que o orçamento seja apresentado já com a equipa fresca e que os novos ministros se revejam no orçamento que está em causa, ou então só depois da votação do orçamento, caso o orçamento passe. Mas mais 10 meses a aguardar essa remodelação pode ser muito tempo.
Muito bem, vamos ver então.
Duarte Pacheco, de 10 passou para 19.
Está quase.
Está incrível. Da próxima vez faz os 25. Vamos combinar isso.
Vocês nem imaginam. Eu fui ver até qual era o posicionamento do Marques Mendes no voto. O número de votos.
Já tinha-me perguntado essa, do posicionamento do público no voto.
Até o número de votos exato. Mas depois pergunto, porque um milhão e tal, já tinha.
Sabia. Claro.
Muito bom, obrigada por ter aceitado uma vez mais. É sempre um gosto. Obrigada, Duarte.
Obrigado.