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Este é o som da nossa comissão de inquérito. Esta quarta-feira é nosso convidado Rui Tavares. Dispensa apresentações. Bom dia, bem-vindo.

Bom dia.

Está bem-disposto?

Agora estou mais bem-disposto do que na rua, que está frio.

Aqui está com as orelhas quentinhas. Já disse há pouco que os fones ajudavam.

E isto ainda vai aquecer mais.

E já sabe o que é o esternocleidomastoideo, não é?

Já sei, essa já dá pontos.

Ainda não. Sabe como é que isto funciona, Rui Tavares?

Acho que sim.

Sim? Então, ontem, só para ter uma ideia, a Eva Brás Pinho fez 19 pontos.

É lá?

É lá. São 25 em jogo.

A Eva é esperta, é inteligente.

Conta que se preparou muito.

Ah, é? Estudou. Então estou tramado.

Vamos lá. Vamos começar com uma muito fácil, Rui. O Rui Tavares foi considerado, em 2015, o político português mais influente do Twitter. Lembra-se dessa distinção? Quem é que ficou em segundo?

Havia uma rede social com esse nome?

Havia em 2015. Quem é que ficou em segundo lugar nesse ranking?

Acho que foi o João Galamba, se não me engano.

Acho muito bem. Cinco pontos.

Estes rankings são importantes, afinal.

João Galamba foi o meu esternocleidomastoideo.

Mudou muito, já não há Twitter. O João Galamba, na altura, era deputado do PS, já foi ministro e agora também não é nada. Mas a política, neste momento, tem que se fazer mesmo com redes sociais. E isso mudou a forma de fazer política também.

Eu no antigo Twitter, porque estava lá desde 2007 e não tinha nada a ver com política e basicamente era a rede social onde eu me divertia mais, ia mandando as minhas bocas, tenho à volta de 110 mil seguidores e noutras redes sociais muito menos. Portanto, eu tenho que estar onde estão as pessoas e tenho que chegar às pessoas. Se bem que várias mudanças que o Elon Musk fez ao Twitter, que agora se chama X, faz com que aquilo nos comentários muitas vezes seja só um jogo de ver até que ponto é que, e muitas vezes motivados por pessoas que têm perfis falsos ou bots, ou coisa assim do gênero, ver se desencorajam os comentadores para o tipo de diálogo que dantes tínhamos.

E já ponderou sair do X, agora?

Por esta razão, quer dizer, ponderar, pondero, e evidentemente que muitas vezes uma pessoa se pergunta se está a alimentar aquilo que é um projeto político pessoal. Não é só uma rede pessoal, uma plataforma neutra, mas um projeto político pessoal do homem mais rico do mundo que detém a rede. Por outro lado, há uma obrigação de, ainda por cima sendo deputado, estar em contacto com o máximo número possível de pessoas que são nossos concidadãos e de o fazer através das redes sociais também.

Mas sente que é eficaz essa comunicação, sente que chega aos seus eleitores ou potenciais eleitores?

As redes sociais tornaram-se, em boa medida, campos de batalha mercê também da desregulação que impera nesse meio e portanto faz com que muitas vezes os projetos políticos partidários de poder em competição tentem sabotar-se uns aos outros nas redes sociais de uma maneira que não seria possível na imprensa que tem outro tipo de regulação. E isso vemos, acho que o exemplo extremo daquilo que se passou foi agora na Roménia, com a candidatura presidencial de um candidato que tinha à volta de 4%, 5% nas sondagens e de repente tem 22% e que muito provavelmente iria até ganhar da Presidência da República da Roménia. Mas repare-se numa coisa. De repente, há um algoritmo no TikTok, que é o caso de outra rede social ainda.

Já tem TikTok, Rui Tavares?

Eu tenho para pequenos vídeos, olhe, de coisas como esta.

Estamos no TikTok? Estamos no TikTok.

Não sei.

Só se correr bem.

Exatamente. Se perguntarem pelo esternocleidomastoideo. Mas repare numa coisa. O algoritmo do TikTok fez com que aquele candidato fosse muito mais visto do qualquer outro. Isso não seria possível numa televisão, não seria possível num jornal.

Mas isso é suficiente para impugnar as eleições, para dizer: "Isto não valeu"? Não é um caminho perigoso?

O impugnar as eleições, a primeira volta das eleições na Roménia, e estamos aqui os dois a falar provavelmente sem ter lido o acórdão do Tribunal Constitucional Romeno que determinou isso. Portanto, com essa devida distância, parece-me a mim ser casa arrumbada, trancas à porta. O que é preciso é, a montante disso, a União Europeia regular as redes sociais e procurar que elas tenham os mesmos critérios de equilíbrio e de tratamento igualitário, proporcional das campanhas, que têm os jornais ou televisões, porque senão há uma concorrência desleal entre o jornalismo tradicional, que apesar de tudo nasceu com a democracia e nos dá os fundamentos, os alicerces para que nós tenhamos a democracia que temos hoje, e vir uma rede detida por alguém da República Popular da China e dominado pelo Partido Comunista Chinês, que diz: "Agora este senhor vai ter 200 ou 300 ou 400 ou milhares de vezes mais visualizações do que todos os outros e vai entrar num eleitorado em que os outros não entram e podemos meter-lhe um turbo artificial." Aí qualquer potência estrangeira pode começar a fazer isso.

Sim, mas as potências estrangeiras, como a China, por exemplo, investiram em setores estratégicos nos países europeus e isso se calhar é mais importante do que essa capacidade das redes sociais desses países também influenciarem as eleições, ou parece que são coisas diferentes?

Quer dizer, eu não sei, a China por ter o Porto do Pireu em Atenas ou perto de Atenas, não consegue ainda comprar candidatos presidenciais ou o primeiro-ministro na Grécia.

Portanto, é mais importante a influência que podem ter nessas redes sociais.

Vocês estão nos média, são jornalistas, não precisam que eu vos explique a importância que a informação tem nos dias que correm. O que eu creio é que quem tem muito poder económico, seja uma ditadura como a China, seja o homem mais rico do mundo Tem esse poder, mas isso não lhe deve dar o direito de comprar governos, presidentes da República e legislaturas de outros países, ou até dos seus próprios países, porque isso significa que a partir daí a legislação passa a estar enviesada a favor apenas ou de um regime estrangeiro ou de um homem mais rico do mundo e aí é a própria democracia que se transforma em oligarquia. E nós já estamos numa luta global entre preservar a democracia ou soçobrar perante vários tipos de oligarquias.

Vamos em frente. Começa com cinco pontos.

Ok.

Quase no TikTok. É vereador na Câmara Municipal de Lisboa. Conhece bem a cidade?

Eu nasci em Lisboa, passei a minha infância no Ribatejo, numa aldeia, e o meu pai era chofer de praça, como ele próprio dizia, nas horas vagas.

Em Lisboa.

Em Lisboa. Mas ela achava que eu não conhecia como deve ser.

E a bandeira, conhece bem?

A bandeira de Lisboa, sim.

Que inscrição faz parte? O que é que se pode ler?

"Muy noble e sempre leal cidade de Lisboa".

Que maravilha! Tinha eu aqui várias Vai aos 20. Aos 25, vamos ver se não vai aos 25.

Calma.

Rui Tavares, no próximo ano temos autárquicas. O LIVRE defendeu uma frente de esquerda, em particular em Lisboa, mas publicamente ainda não teve respostas, além da CDU, que já tem um candidato próprio. Vai continuar à espera dos outros partidos?

Não, nós tivemos respostas públicas, no sentido em que as reuniões foram públicas e elas tiveram sempre declarações, no fim, que foram positivas em relação ao repto que lançámos e que também vem na sequência de outros reptos que já foram lançados pelos partidos de esquerda.

Então vai haver frentes de esquerda?

Agora, estamos atrasados. É o meu diagnóstico. Ou seja, estas reuniões foram tidas no primeiro semestre do ano ou no início do segundo semestre. Acho que a última foi em julho. Nas conferências de imprensa que foram dadas a seguir pelos vários partidos, houve sempre esta ideia de que era muito importante a união, até porque temos que ser pedagógicos neste ponto. A lei eleitoral autárquica é muito diferente da das legislativas e, às vezes, as pessoas acham que se a esquerda tiver maioria numa determinada cidade, ou se a direita tiver maioria numa determinada cidade, pode depois das eleições fazer uma geringonça.

Nas autárquicas, quem ganha, governa.

Nas autárquicas não há geringonças, ou seja, não há coligações pós-eleições. A lista que tiver um voto a mais do que as restantes tem o presidente da Câmara e o presidente da Câmara, com uma delegação de competências que seja suficientemente ampla, governa. E nós vemos isso em Lisboa. Há 10 vereadores à esquerda, há sete vereadores à direita, o presidente da Câmara é Carlos Moedas, e isso é a legitimidade que a lei eleitoral autárquica lhe dá. Não dá para ser negligente se achamos que a cidade está mal governada e, com muito pesar meu, porque tenho uma boa relação com o presidente Carlos Moedas, que já vem de antes das eleições e que eu preferia dizer que o mandato dele está a ser um sucesso também como lisboeta, mas não está. Se achamos que é importante mudar de rumo em Lisboa, isto tem que ser feito com tempo e com mobilização da população. Ou seja, não basta os partidos chegarem uns meses antes das eleições e dizerem: "Tomem aqui os candidatos e as candidatas e estão cá".

Estão atrasados. Quer dizer que o LIVRE vai continuar à espera do PS até quando para um candidato?

O LIVRE vai continuar a fazer o que já faz desde o início do mandato, que é um esforço de mobilização da população em Lisboa e de criação de um debate público sobre coisas, como por exemplo, foi polêmica a ciclovia da Almirante Reis desde o início, porque o presidente Carlos Moedas disse que era para acabar com ela. Depois apresentou um plano que era um plano dispendiosíssimo de alterar todas as saídas do metrô da Almirante Reis, mudá-las para outras ruas, provavelmente nem daria para fazer. E o LIVRE apresentou uma contraproposta em que as ciclovias seriam encostadas aos passeios, em que arborizaríamos a Almirante Reis, em que diminuiríamos algum estacionamento para poder ganhar, porque alguma coisa tem que ser.

O espaço é finito.

A Almirante Reis não alarga, isso já foi tentado fazer, mas era preciso fazer arcadas pela Avenida afora, o que não é possível, não podemos mudar aqueles prédios de lugar. E a verdade é que hoje em dia o plano que o presidente da Câmara apresentou é parecido com aquele que o LIVRE apresentou no primeiro ano de mandato, só que perderam-se três anos. Este tipo de mobilização, se a multiplicássemos, e aí, de fato, era importante ter os outros partidos, um só não a consegue fazer. Se a multiplicássemos por 10, por 20, por 30 concessões nas Juntas de Freguesia todas com a população de Lisboa.

Mas não está a acontecer.

Não está a acontecer e é um risco, porque os lisboetas, como os coimbrões, como os portuenses, não querem só que se lhes apresente os candidatos e que sejam chamados a votar. As pessoas estão muito implicadas na vida da sociedade. Os temas hoje em dia da qualidade de vida, da despoluição, da arborização da cidade e combate às alterações climáticas são coisas que dizem muito às pessoas e as pessoas querem estar implicadas nelas.

E essas são sem dúvida. Enfim, chegaremos a eles. Vamos avançar, Rui Tavares, para mais cinco pontos. Vamos ver.

Vamos lá.

Qual foi o país que Marcelo Rebelo de Sousa mais vezes visitou enquanto presidente da República, somando os dois mandatos?

Ok, eu esta aqui vou arriscar.

Ou quer ajuda para excluir?

São três hipóteses.

Arrisco.

Então arrisque.

O risco é bom.

O país que mais vezes visitou.

Quer dizer, aqui as hipóteses mais fortes, vou eu fazer a minha própria lista. Os países que são mais fortes para uma coisa deste género seria ou a vizinha Espanha, ou o Brasil, ou se fosse primeiro-ministro diríamos certamente Bélgica e Bruxelas.

Se bem que aí se calhar não conta.

Eu vou dizer Brasil. Espanha.

Era Espanha.

Não posso falar.

Estou tão bem.

Fazer um ano não é?

Com as ajudas acertava.

Pois eu estava a cascar o Brasil.

Visitou Espanha 17 vezes, França 16 e Estados Unidos 10. Foram os Três países mais visitados por Marcelo. O Brasil não esteve lá.

Desculpem.

Vamos falar um pouco de presidenciais, porque o assunto não tem saído da agenda. O LIVRE deve ter um candidato próprio? Porque o seu nome aparece nas sondagens à frente de outros, como Santana Lopes, por exemplo.

Eu acho que o que é importante é que Portugal tenha um ou uma presidente da República que no próximo mandato leve muito a sério as questões do Estado de Direito, da democracia e dos direitos fundamentais. As coisas não estão fáceis em nenhum país europeu, já falámos aqui de alguns casos, e o ou a presidente da República, podemos ter uma presidente da República mulher, é a nossa válvula de segurança do sistema. E portanto, é a última garantia de que se alguma coisa correr mal, há ações, há um diálogo direto com os cidadãos que pode e deve ser tomado, e já o foi no passado também. Isso é o mais importante. É importante que as pessoas que sentem que correspondem a esse perfil, que avancem, que sejam claras perante o país. Claro que se está a discutir isto com muita antecedência, mas Portugal é um pouco assim. Nós começamos a discutir o orçamento seis meses antes do orçamento. Depois ainda estamos na especialidade do orçamento e começamos a discutir presidenciais um ano e tal antes.

É cedo ainda para haver candidatos, Rui Tavares?

Não sei se é cedo, porque isso depende do que emerge da sociedade civil. E eu acredito que os partidos aqui devem ir atrás do que forem as vontades individuais das pessoas que sentirem esse peso da responsabilidade.

Mas podem dar um empurrãozinho, os partidos, às vezes, não?

No LIVRE o que temos feito, com duas eleições presidenciais desde que o partido existe, é esperar que haja candidaturas da sociedade civil e do campo político progressista, que é o nosso, genericamente, e depois fazer uma consulta e um referendo interno, que deu o apoio a António Sampaio da Nova em 2016, que foi um candidato que teve 23% e de quem hoje pouco se fala. É um dos melhores, senão o mesmo melhor resultado à esquerda em eleições presidenciais recentes. E a Ana Gomes.

Também ficou em segundo.

Que ficou em segundo e que fez uma candidatura que eu sei que foi, do meu ponto de vista, de patriotismo democrático. Foi uma candidatura feita também com grande espírito de sacrifício, porque queria impedir que o candidato da extrema-direita ficasse em segundo e isso foi conseguido. Em ambos os casos, com o apoio do LIVRE e sem apoio, por exemplo, do PS. Com isto quero dizer que o LIVRE não necessariamente pode ou não apresentar um candidato do seu campo político, mas não será o partido a apresentar, será o partido a apoiar, mas tem conseguido posicionar-se no apoio aos candidatos que em ambos os casos ficaram em segundo lugar por parte da esquerda, quando os outros partidos ficaram ausentes.

Dos nomes que andam por aí agora, sobretudo nas sondagens, encontra alguém com perfil de um candidato ou candidata que pudesse ser apoiado pelo LIVRE?

Há, certamente. Há sempre nomes que aparecem que estão na metade mais progressista do espectro político nacional. Há espaço para que se apresentem ainda outras pessoas e o LIVRE fará a sua avaliação. Evidentemente que se a certa altura faltarem alternativas, pode haver.

O Rui Tavares pode avançar. Resposta de sim ou não. Estamos com muito pouco tempo. Essas caretas ainda não conheço.

Estas caretas, vou ser muito franco, significam que não é uma eleição para a qual eu sinta que seja necessário que deva avançar agora, mas infelizmente a situação do país tal como é, pode evoluir muito rapidamente, e nos últimos anos evoluiu muito rapidamente, e a gente não pode faltar ao país, mas espero sinceramente que não venha a ser esse o caso.

A líder da bancada parlamentar do LIVRE pode ser Isabel Mendes Lopes.

Certamente, a Isabel é uma excelente líder parlamentar, é uma pessoa que tem um estilo muito diferente de falar e de estar na política, é uma pessoa que eu tenho visto que tem muito respeito por parte de muita gente que eu vou encontrando, que vem falando comigo. E também é muito importante a política ter esses perfis diferentes. E eu acho que a Isabel, tanto do ponto de vista como técnica e como profissional na área dos transportes, sempre sabe da maneira como só gosta de falar daquilo que efetivamente estudou e conhece. E pelo respeito, a educação, mas a firmeza na defesa de valores que ela tem, claro que é um excelente quadro político e portanto também poderia ser capaz de ser uma boa candidata à presidência da República. Mas, neste momento estamos principalmente à espera que de fora da área dos partidos, haja quem se apresente.

Muito bem, e que formalize. 10 pontos, Rui Tavares. Vamos continuar.

Ainda há em jogo.

Do orçamento para 2025, que referiu há pouco. Este orçamento bateu o recorde de propostas de alteração apresentadas pelos deputados no Parlamento. Quantas foram essas propostas que acabaram por ser votadas? Podemos arredondar aqui à dezena.

À dezena?

Sim.

Eu pensei que íamos arredondar aos três zeros. Foram cerca de 2000 emendas.

Sim, vamos considerar. 2160.

Fica por aqui.

É um aos largos.

Exato. Vamos a isso. Se tivesse olhos fechados a olhar para este orçamento, sem saber quem o apresentou, conseguia distingui-lo entre um governo do PS ou um governo da AD, neste caso?

Conseguiria, porque há menos enfoque social neste orçamento.

Apesar das pensões, do CSI e por aí fora.

Sim, mas, por exemplo, não há um aumento robusto do abono de família, como nós propusemos, embora aí, para ser justo, também já nos orçamentos do PS, tivemos que ser nós a propor esse aumento do abono de família. É muito importante para combater a pobreza infantil, tal como o CSI, que acabou de mencionar, é importante para combater a pobreza entre os seniores. Mas também tem medidas que do nosso ponto de vista Que são regressivas em termos de justiça fiscal. Nós achamos que a diminuição no IRS Jovem acaba por beneficiar os maiores rendimentos entre os jovens e preferiríamos, como dissemos desde logo, com um custo menor, a criação de um sistema de herança social em que as pessoas entre os 18 e os 35 anos tivessem acesso a uma conta poupança aberta pelo Estado no seu nascimento, provavelmente com certificados de aforro, e que poderia dar a possibilidade às pessoas de completar um ciclo de estudos, de montar um negócio com os seus sócios que também tivessem acesso à mesma herança social, um casal dar a entrada para uma casa, isso cria mais oportunidade econômica, torna a nossa economia também crescer e traz justiça àqueles que não têm os mais altos rendimentos entre os jovens. E, portanto, do ponto de vista de querermos que os jovens fiquem no país e se sintam valorizados, achamos que um sistema de herança social seria melhor do que um sistema de diminuição ainda mais do IRS Jovem.

Muito bem. Vamos à última pergunta. Temos só mesmo tempo para a resposta. Qual é o salário bruto de um eurodeputado?

Eu não sei, porque já fui eurodeputado há muitos anos e entretanto há de ter mudado.

Quer uma ajuda?

Posso ajudar. Eu creio que andará à volta dos €7.000 atualmente.

Muito bem. O salário bruto é de €10.075,42.

Pronto, falhei.

O Livre votou recentemente contra a reposição dos vencimentos dos políticos, da reposição daquele corte de 5%. Por quê?

Ainda bem que me faz essa pergunta. Não temos é muito tempo.

Sim, uma resposta rápida.

O Livre considera que os representantes eleitos devem ser mais bem pagos e que, nomeadamente os autarcas que estiveram na primeira linha contra a pandemia, devem ser mais bem pagos. Agora, nós não achamos que nós devamos votar, apesar de ser o fim de um corte e não um aumento, o nosso próprio aumento. E, portanto, achamos, e eu disse isso às outras lideranças de partidos, e dissemos, a Isabel também às outras lideranças parlamentares, que deveríamos votar a reposição do salário por inteiro de deputados após o mandato. Ou seja, devíamos dar às pessoas o direito de nos julgarem a nós e depois de julgados, então os próximos deputados e deputadas veriam esse corte revertido. E que a mesma coisa se deveria fazer para os autarcas e para os outros cargos eleitos, sempre a partir da próxima eleição. Em coerência com esse princípio, e eu sei que isto foi uma coisa que até levou a algumas críticas que a mim me surpreenderam, até porque não é novidade, eu com o salário de eurodeputado-

Tinha foi criado uma bolsa.

Fiz uma bolsa de estudo com uma parte do salário, e aqui o que nós dissemos é: se nós votamos contra por esta razão de princípio e se achamos que não nos devemos, entre aspas, porque não é um aumento, aumentarmos a nós mesmos, então-

O grupo parlamentar do Livre decidiu também canalizar esse valor para uma bolsa de estudos.

É uma decisão unicamente do grupo parlamentar e não do partido. Foi entre nós, unanimemente, os quatro deputados e também o deputado que está em licença parental, o Jorge Pinto, substituído aqui pela Filipa Pinto do Porto, que decidimos fazê-lo, porque achamos também que é uma maneira de manter a nossa coerência e fazer algo que é socialmente positivo. Também há alguma pedagogia aí, pelos vistos, até por algumas respostas que gerou, não é tão hábito em Portugal que indivíduos ou instituições criem bolsas de estudo e eu não vejo porque é que isso há de ser uma coisa de mal. Acho que uma bolsa de estudo é sempre uma coisa boa. Fi-lo no passado com algum sucesso, fico contente quando me encontram às vezes em algum evento e dizem: "Olha, minha tese de mestrado foi com uma parte do seu salário de eurodeputado", é uma coisa que aquece o coração e vamos ver se agora também conseguimos fazer.

A explicação.

Rui Tavares, sai daqui com 15 pontos, mas nunca pediu ajuda, portanto, é um bom resultado. Ainda bem que decidiu arriscar. Não, era um bom resultado lá ser dois e meio, na Espanha, 17 e meio. Obrigada, por ter aceitado o nosso convite. Obrigada.

Vontade de ter só pela Eva Brás Pinho e dizer também.

Obrigada.