Um homem a vestir uma farda com a bandeira de Israel estampada no braço esquerdo está a bordo de um barco. Em vídeos publicados nas redes sociais, o suposto militar é filmado a apontar para o tom vermelho vivo da água em que estão a navegar, que está também repleta de peixes e golfinhos mortos.
Nos comentários de uma das publicações, vários perfis relacionam o suposto desastre a um “mau presságio” e a “punições divinas”, apontando serem as águas do mar da Galileia, o maior lago de água doce de Israel, que é mencionado em várias passagens da Bíblia.
A história ganhou força porque o mar da Galileia de facto já esteve vermelho – e não há muito tempo. Em agosto de 2025, as águas daquele lago amanheceram com uma coloração viva, que lembrava sangue. Na ocasião, o Ministério do Meio Ambiente de Israel afirmou aos meios de comunicação social locais que a tonalidade foi causada pela proliferação da microalga Botryococcus braunii. Ao jornal The Jerusalem Post, as autoridades afirmaram ainda que era seguro nadar naquele sítio mesmo durante este período e que não havia registos de alergias causadas pelas algas.
As centenas de peixes e golfinhos que aparecem no vídeo mortos não são, no entanto, verdadeiros. O conteúdo em vídeo pode ter sido gerado através de ferramentas de Inteligência Artificial. Há peixes no mar da Galileia, mas não há golfinhos naquele lago de água doce.
Conclusão
São falsos os conteúdos em vídeo que exibem centenas de peixes e golfinhos mortos num mar vermelho vivo enquanto soldados de Israel navegam sobre as águas. Há peixes e golfinhos no mar Mediterrâneo, na costa daquele país, mas não há registos oficiais recentes de casos de animais mortos em grande quantidade nem de gravações destas feitas por militares. Por outro lado, não há golfinhos nas águas do mar da Galileia, que poderá estar retratado nas imagens dos posts divulgados.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.