O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, recebe esta semana em Montreal os líderes da União Europeia (UE), António Costa e Ursula von der Leyen, numa cimeira destinada a reforçar a cooperação económica, tecnológica e de defesa entre os dois blocos.
“O mundo está mais perigoso e dividido. Em resposta, o Canadá e a UE estão a aproveitar os pontos fortes de cada um, de forma deliberada, sistemática e rápida, para formar uma nova aliança ambiciosa”, afirmou Mark Carney, citado num comunicado do Governo canadiano divulgado no domingo à noite, a propósito da reunião agendada para 29 e 30 de outubro.
Na mesma nota, o chefe do Governo canadiano defendeu uma aliança suficientemente forte para garantir a autonomia das decisões dos dois parceiros, mas aberta à participação de outros países, num contexto de crescente instabilidade internacional.
A agenda da reunião com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, terá como pontos prioritários o comércio, a segurança, a energia, os minerais críticos, a Inteligência Artificial, as tecnologias quânticas e a indústria espacial.
Segundo o Governo canadiano, a cimeira pretende traduzir a aproximação entre Otava e Bruxelas em benefícios económicos concretos, nomeadamente novos mercados de exportação, maior concorrência e oportunidades de mobilidade para estudantes e trabalhadores.
A UE é o segundo maior parceiro comercial do Canadá em bens e serviços, com trocas comerciais avaliadas em cerca de 178 mil milhões de dólares canadianos (114 mil milhões de euros, ao câmbio atual) em 2025, de acordo com os dados divulgados por Otava.
O bloco europeu representa igualmente a segunda maior origem de investimento direto estrangeiro no Canadá, depois dos Estados Unidos, com um valor acumulado estimado em 219 mil milhões de dólares canadianos (140 mil milhões de euros), enquanto o investimento canadiano na UE atingiu 315 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 200 mil milhões de euros).
A cimeira dará continuidade à Parceria Estratégica para o Futuro Canadá-UE e à Parceria de Segurança e Defesa, estabelecidas em 23 de junho de 2025, durante o anterior encontro bilateral, realizado em Bruxelas, destacou ainda Mark Carney.
Em fevereiro passado, o Canadá tornou-se o primeiro país não europeu a aderir à iniciativa SAFE (Security Action for Europe), um instrumento europeu destinado a apoiar investimentos na indústria da defesa e a reforçar as capacidades militares dos países participantes.
Segundo o executivo canadiano, esta participação abriu oportunidades comerciais avaliadas em centenas de milhões de dólares para empresas nacionais, incluindo o acesso a contratos de fornecimento de equipamentos militares destinados ao mercado europeu.
Em junho, a empresa Marconi Technologies, sediada em Montreal, assegurou um contrato para produzir no Canadá rádios táticos ORION destinados ao comando de ciberdefesa da Polónia, no âmbito da cooperação estabelecida através daquela iniciativa.
O primeiro-ministro canadiano participou também, em maio, na cimeira da Comunidade Política Europeia, realizada na Arménia, tornando-se, segundo Otava, o primeiro dirigente de um país não europeu a participar naquele encontro.
Já em setembro, Mark Carney discursou no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), onde defendeu uma parceria mais integrada entre o Canadá e a UE, centrada na autonomia estratégica, na resiliência económica e na segurança coletiva.
Ainda em setembro, durante o discurso anual sobre o Estado da União, von der Leyen propôs formalmente que o Canadá se torne o primeiro “membro associado” da UE.
As relações institucionais entre o Canadá e a Europa remontam a 1959, constituindo, segundo o Governo canadiano, a mais antiga relação formal da União Europeia com um país industrializado.
A cimeira de Montreal deverá ainda abordar a mobilidade de estudantes e trabalhadores, o acesso das empresas a novos mercados e medidas destinadas a reforçar a competitividade económica dos dois parceiros.