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Começa agora mais uma Comissão do Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Simão Biernat, encenador da peça de teatro imersivo "A Caça ao Estripador de Lisboa", que estreia hoje. Olá, Simão, bom dia, bem-vindo.
Bem-vindo. Muito obrigado por me convidar. Nunca pensei estar numa comissão de inquérito.
Há sempre uma primeira vez. Esta é boazinha. Esta é das boas.
Confesso.
São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedires a nossa ajuda e acertares, recebes dois pontos. Portanto, ao todo são 25 que estão aqui em causa. Vamos a isso?
Ok.
Vamos ser um totalista agora.
Espero que sim.
Como dizia, "A Caça ao Estripador de Lisboa", que é um podcast do Observador, estreia hoje. É também uma peça de teatro que estreia hoje nas instalações da Comunidade Hindu de Portugal. Em que ano, em que década, foi inaugurado este complexo?
O complexo?
Sim, a Comunidade Hindu.
A Comunidade Hindu.
A década.
Isto foi no governo António Costa.
Foi inaugurado por Jorge Sampaio.
Foi Jorge Sampaio?
Na qualidade de presidente.
Ok, então foi mais tarde. Como eu vi lá a placa de António Costa a fazer a inauguração.
Bem, eu fui mesmo ao site da Comunidade Hindu dizer que tinha sido inaugurado por Jorge Sampaio.
Nem como presidente da câmara, penso eu.
Não. Mas a década, não há de ser assim. Não é quem inaugurou, mas estava lá Jorge Sampaio.
Oitentas?
Um bocadinho mais tarde.
Noventa? Noventa, mesmo.
Foi à primeira. Foi à primeira, foi mesmo à primeira. Simão, numa altura em que as pessoas passam grande parte do seu tempo em frente a ecrãs, esta peça de teatro imersivo obriga o público a largar os telemóveis e a participar. Pela experiência que tens, as pessoas entram na peça prontas para colaborar ou ficam envergonhadas e é preciso depois puxar por elas? O que é que espera quem vai visitar este teatro?
Eu acho que todos os dias vai ser diferente.
O público também varia, claro.
Certo. Mas sobretudo no imersivo, nós não estamos muito habituados ao espetáculo imersivo.
Ao conceito.
E temos falado muito sobre isso com os atores, portanto, também existe alguma interatividade no próprio espetáculo em si. Alguns pontos específicos, há este cuidado por o tema ser também muito sério e estamos a falar de homicídios, mas há algumas interatividades durante o espetáculo. Mas acho que está pronto para isso. Acho que sim, acho que vai ser sempre diferente.
Olha, eu estava aqui a ver agora, a ler no site da Comunidade Hindu, diz: "O Templo Radha Krishna foi inaugurado em novembro de 98 por Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio."
Já acertou.
Se calhar foi uma reinauguração.
Talvez uma ampliação.
Sim, deve ter sido.
Mas pronto, acertaste, os cinco pontos são teus.
Agradeço.
O conceito do teatro imersivo, e se calhar, lá está, muita gente nunca terá passado por isso, é de poder participar no espetáculo, de ter influência no espetáculo?
Depende. Não existe um conceito certo. O imersivo, ou seja, o espectador faz parte do espetáculo, é a quarta parede, é como se fosse a câmera. É mais nesse sentido. Depois, depende do imersivo. Às vezes existe interatividade, outras vezes não existe. No nosso caso, temos um bocadinho de tudo. Eu quero que o espectador seja a quarta parede, que seja essa câmera, mas ao mesmo tempo vai ter essa interatividade em alguns momentos do espetáculo.
E têm de ir vestidos de escuro. Escuro ou preto?
Preto.
Mesmo preto.
Sim, porque todos são suspeitos.
Essa é a premissa.
O público entra na qualidade de suspeitos.
Será que é por isso que o José Manuel Fernandes hoje está todo de preto? Se calhar. E tu?
Existem várias razões também para isso. Outra razão é porque também é mais fácil distinguir quem é ator e quem não é ator. E como escrevi o guião com base no vosso podcast, achei interessante esta questão de, para já, ainda não sabermos quem é o estripador, e de estar aí algures.
Todos são suspeitos.
Todos são suspeitos.
A próxima pergunta está ligada ainda ao espetáculo, concretamente. Há um policial português, o podcast conta isto, um livro, "Um Policial Português", escrito em 1984, ou seja, antes dos crimes do Estripador de Lisboa, e que foi muito importante, foi uma espécie de premonição dos crimes reais, espantou os inspetores precisamente por isso. A pergunta é: como é que se chama o autor desse livro, que chegou a ser suspeito até no âmbito das investigações?
Luís Campos.
Exatamente. Não sei se entra de alguma forma na peça de mais logo.
Todos os suspeitos entram. Os 13.
O que é que foi mais desafiante na construção deste espetáculo? Porque lá está, como dizes, é um assunto muito sério, há um enorme ponto de interrogação ainda. O que é que foi mais difícil?
Tantos desafios. Para já, encontrámos um espaço. A primeira premissa que eu pedi aqui ao Ricardo Soares da Kilt. Porque, por norma, os imersivos são feitos em salas fechadas e portanto, os espectadores percorrem vários corredores e escolhem a sala e a cena que querem ver. E eu gostava de alterar um bocado isso no imersivo e dar essa possibilidade ao público de poder escolher e ter a visibilidade 360 graus de todo o espetáculo em si. Claro que às vezes há um bocado de ruído quando estamos a ouvir várias cenas ao mesmo tempo, mas conseguimos manter esse foco da cena que queremos ver e ter essa possibilidade de escolha do que queremos ir ver. Eu digo muitas vezes aos atores que o mais difícil é escolhermos, escolher o que vamos fazer, o que estamos a pensar, de onde viemos ou para onde queremos ir. E agora ponho essa premissa para o público para escolher, porque há cenas tão interessantes ao mesmo tempo a acontecer. Às vezes temos quatro, cinco cenas a acontecer ao mesmo tempo e assim temos um espaço 360 graus a acontecer. Isto é uma das dificuldades em termos de espaço. Depois foi Fazer jus ao podcast. Acho que o podcast é tão bom, a sonoplastia, o guião, a voz da Inês, a música do Mário Laginha.
Já foi ouvido mais de 1 milhão de vezes. É impressionante.
Muito mais, quase os 2 milhões, penso.
Só o Simão ouviu várias.
Está agora.
E os atores também.
Sim. Esse foi logo o primeiro trabalho de casa que eu dei aos atores, ouvir o podcast. Acho que é uma responsabilidade muito grande. Coloquei-me sempre esta questão: o que é que eu posso acrescentar àquilo que já está feito? Comecei a pensar nesta perspectiva também de uma homenagem às vítimas. Não quero que o espetáculo substitua o podcast, ou vice-versa. Acho que eles têm que trabalhar em conjunto. Espero que o público possa ouvir o podcast antes ou depois do espetáculo, e acho que hoje em dia faz muita falta as pessoas ouvirem cada vez mais e falarem menos, às vezes. Foi essa responsabilidade que ainda sinto e tenho essa curiosidade e expectativa que o público possa sentir isso, dessa continuação de um live action do podcast, mas ao mesmo tempo acrescentarmos algumas coisas que não aparecem no podcast, algumas curiosidades e também coisas factuais, em termos de arquivo, que eu quis colocar no espetáculo. Ao mesmo tempo, eu senti que o podcast é investigação. É a caça ao Estripador de Lisboa. Não me interessava de todo, e também por ter esse respeito às vítimas e aos familiares que ainda estão vivos, respeitar todos os intervenientes do caso, não quis ir pro aspecto visual das mortes. Interessou muito mais a investigação e tudo que as pessoas sofreram, seja pelas drogas, seja pelas mortes das vítimas.
Claro, e pela vida que tinham também.
Pela vida que tinham.
Claro. Muito bem. 10 pontos?
Sim, está a ser uma limpeza.
Está a ser ótimo, Simão. Vamos à terceira questão. Aqui vamos entrar um bocadinho na tua vida familiar. No mundo das artes há muitos filhos, como sabemos, que seguem as pisadas dos pais. De cinema, teatro. Por exemplo, quem é o pai de Charlie Sheen?
Não sei.
Sabes.
Já ouviste, de certeza, em filmes. Queres três hipóteses?
Quero.
Então vamos lá. Michael Sheen, Martin Sheen ou Clint Eastwood? O que foi?
Diz Clint Eastwood, por favor.
É Clint Eastwood?
Não.
Martin Sheen.
O Martin Sheen. Certíssimo.
Obrigado pelas três hipóteses.
De nada. E tu tens o teu filho de nove anos, é público. O Salvador a desempenhar o papel de Nico na telenovela "Amor à Prova", da TVI. Isto é o quê? Filho de peixe sabe nadar?
Nunca falei sobre isso. É a primeira vez que falo.
É público.
Sim.
Está no Google.
Vi muitas notícias sobre isso.
É verdade.
Mas é um assunto tranquilo pra ti.
Sim. Gosto sempre, quando me colocam essa questão, respondo, mas nunca-
Nunca tomas a iniciativa
Nunca tomo a iniciativa. Até porque, por exemplo, castings, é a minha esposa que o acompanha, ajudo sempre no acompanhamento. Mas gosto que ele também faça o seu percurso.
Não queres que seja um nepo baby.
Exato. Ainda ontem esteve a filmar, esteve a fazer um filme ontem. Está a fazer o seu percurso e muito orgulho o papá tem.
E no teu caso, onde é que veio esse gosto, essa inclinação para as artes, pra representação?
Desde cedo. Os meus pais sofreram um bocado com isso e os meus irmãos também. Que eu em casa fazia os espetáculos e as marionetas, e todos os fins de semana fazia ou magia, ou fazia fantoches, fazia sessões de cinema também, cobrava bilhetes a fingir. A minha família toda sofreu um bocadinho com isso, os meus irmãos, sobretudo.
Eram as cobaias.
Eram as cobaias.
Figurantes. Mas houve um momento em que tu chegaste e disseste: "Eu quero ser ator", de fato?
Eu acho que foi mais uma percepção das pessoas à minha volta que começaram a incentivar, a dizer: "Não há outro caminho senão este". É verdade que houve uma fase da minha vida, porque às vezes quando temos tanta gente à nossa volta a dizer: "Tens que seguir este caminho, tens talento pra isso", houve uma fase da minha vida que comecei a me questionar: realmente, será que eu estou a fazer isto por toda a gente que está a dizer que eu tenho que seguir? Não, mas efetivamente é onde eu me sinto feliz e é onde felizmente trabalhei toda a minha vida, em teatro, tenho feito um bocadinho de tudo, cinema, teatro, televisão.
Tens uma preferência ou não?
Teatro, sempre. O teatro é a democracia a funcionar e não dá pra enganar.
Tens a reação logo ali.
Logo ali.
Não dá pra repetir.
Não dá pra repetir. É emoção. Gosto muito dessa provocação, este espelho da sociedade que temos que fazer e construir o futuro através da arte. E eu acho que o teatro aí ganha.
E começaste pelo teatro ou não?
Sim, comecei pelo teatro.
E ficou logo esse bichinho. Nessa fase, quando começaste, alguma vez pensaste que depois virias a ter outras responsabilidades no teatro?
Na altura, a primeira formação que eu fiz, fiz workshops, mas mais a sério foi com 15 anos, fiz a ACT Escola de Atores. E na altura tinha a Patrícia Vasconcelos e a Elsa Valentim a dirigir. E os meus pais na altura estavam muito preocupados e falavam comigo a perguntar Com a Elsa e com a Patrícia se valia a pena, se tinham a certeza que eu poderia. E a Elsa acompanhou-me muito nesse processo, que era o mais novo na altura. Os meus colegas tinham todos 20 para cima. Portanto, eu estudava durante o dia, à noite ia para a ACT e nisso tive muita sorte de ter o acompanhamento dos meus pais. E é fundamental para quem quer seguir esta área, qualquer área, no fundo, ter o acompanhamento da família e esse apoio.
Até porque há um pouco a ideia e o receio, mais ou menos sustentado, de que de facto são carreiras difíceis até em termos financeiros.
Em todos os sentidos, claro, financeiros, emocionais, até porque o trabalho não é regular. E portanto, tem que haver também essa gestão financeira, emocional também, como é que conseguimos gerir isso. Eu também dou aulas de teatro e digo sempre também aos meus alunos para efetivamente, se quiserem seguir esse caminho, esse percurso, termos sempre dois trabalhos. Ou seja, ter uma licenciatura, uma coisa mais estável, também dá mais descanso aos próprios pais. Mas já tive, por exemplo, alunos meus que de longe iam seguir esta profissão, até porque os pais não estavam muito para aí virados, mas às vezes falta o incentivo e esta explicação que é possível, que hoje em dia já existem licenciaturas e formações e que existe trabalho, efetivamente, seja cá em Portugal ou fora. É só o empurrãozinho que às vezes as pessoas precisam para essa explicação.
Simão, participaste também no "Morangos com Açúcar". Ainda não falámos, como é que nós estamos aqui há tanto tempo sem falar no "Morangos com Açúcar"?
Quem não?
Quem não?
Que agora está a passar outra vez. Já viste? Já estão a passar os teus episódios?
Sim, o meu filho goza comigo.
Isto é de acordo com o IMDb, não tive outro recurso. Em quantos episódios dos "Morangos com Açúcar" é que entraste?
De acordo com o IMDb?
De acordo com o IMDb.
Duzentos mais?
Menos.
Menos.
Ali na beirinha. Pouco menos.
Muito pouco menos.
Ok.
Eu também não ando a espreitar o IMDb dele.
Não. Cento e-
Não, é muito pouco menos.
É mesmo muito menos. É mesmo muito menos, mesmo abaixo dos 200. Muito pouco menos que 200.
Então 192? 193?
É logo abaixo.
199? A sério?
Isso mesmo.
Acertou com a primeira, sem ajudas.
Devias fazer mais um para zerar. Para ter um número redondo.
Olha que o primeiro palpite não esteve nada mal, para cá.
Foi muito próximo, 199. É uma grande escola, foi uma grande escola os Morangos. Isto durante muito tempo criou uma geração de atores. Nem por isso?
Não, acho que sim. Acho que há um mixed feelings. Eu, por exemplo, entrei para os Morangos, já tinha essa formação. A maioria dos meus colegas na altura não tinham formação nenhuma, mas efetivamente é uma escola porque põe em prática, nós com 18 anos, outros com 19, 20, nestas idades, e começamos efetivamente a pôr em prática e na altura eram muitas cenas que nós gravávamos, era tudo muito rápido, é o ritmo. A televisão é assim, time is money, como se diz. Efetivamente é uma escola, aprendi muito.
O que aprendeste?
Sobretudo a lidar com o estresse, a rapidez. Nós às vezes gravávamos 20 cenas por dia.
Que idade é que tinhas?
Eu penso que 18.
Intensivo mesmo.
Sim, e às vezes quando gravávamos 20 cenas ou 15 cenas numa manhã, é muito rápido, é muito intenso. E cresci muito enquanto pessoa também. Neste caso, quando foi os Morangos, nós na altura eu recordo que estávamos a ver todos o primeiro episódio e no dia a seguir saímos à rua, toda a gente já nos conhecia.
Ficaste deslumbrado com a fama que os Morangos te deram? Ou nunca sentiste?
Eu nunca gostei muito da fama. Eu gosto é de trabalhar e gosto de fazer teatro e é isso que me apaixona. Gosto que as pessoas possam ter esse reconhecimento e acho que é geral, toda a gente sente isso quando as pessoas reconhecem o nosso trabalho e elogiam o nosso trabalho e não só dizer: "Posso tirar uma foto contigo?" Que respeito e agradeço muito esse reconhecimento, mas aquilo que eu admiro mesmo é que as pessoas possam mesmo criticar alguma coisa que não gostaram do meu trabalho e que eu possa sempre fazer essa evolução, esse crescimento. Gosto muito de ouvir o público, em qualquer projeto que eu faça, e faço sempre, até para este, por exemplo, ensaios-teste para ouvir o público.
Para teres feedback.
Sempre. Para mim o público é fulcral. Eu não sou aquele tipo de criador ou de encenador que faz as suas próprias criações e não ouve o público.
Isto é uma obra-prima e ninguém pode tocar nisso. Sagrado.
Há pessoas que funcionam assim e que respeito, que lançam a bomba, como se diz, e agora vão-se embora e está feito. E está aceitável, claro. Mas acho que às vezes sinto, e até porque eu, por exemplo, vivi em Alenquer, sempre fui muito apologista da descentralização e acho que temos um longo percurso a fazer em Portugal sobre descentralização das artes. Muito, muito mesmo. Devíamos ter um teatro em cada concelho, com uma boa programação, acessível às escolas.
As infraestruturas já existem.
Sim, só têm que ser requalificadas. Temos muitas associações, por exemplo, que podiam ser requalificadas. Em Alenquer, por exemplo, não temos um teatro municipal. E como se fala em Alenquer, não sei quantos concelhos no país. E eu até fazer espetáculos em escolas para os alunos, noto muito isso, às vezes quando vamos mais para o interior A falta de informação e de, às vezes, pouca cultura que têm. E não por culpa deles.
E a diferença que faz quando estás lá.
E a diferença que faz. E às vezes tenho pena disso, de focarmos muito na capital ou no Porto e não pensarmos no resto do país que tem essa possibilidade de aproximação e de nos ligarmos mais uns aos outros, até em termos de redes culturais.
E até poderíamos falar do papel que a televisão poderia ter. Não temos é mais tempo, temos de ir para a última pergunta.
Estás com 17 pontos, Simão.
Podes chegar aos 22. Esta é muito simples: em que ano os Rolling Stones deram o primeiro concerto em Portugal?
É muito simples pra quem tem 50 anos.
É muito simples.
É redondo.
É um ano muito importante pra ti.
É um ano que te diz muito.
Que me diz muito?
Sim.
Ia dizer 90. Acertei.
Aliás, se a informação está correta, nasceste um mês depois deste concerto. Foi a 10 de junho de 1990, no antigo Estádio de Alvalade.
Ok.
Eu queria era perguntar sobre a tua geração e a geração que agora também está a começar. É uma geração pouco preparada para sacrifícios, como ouvimos aqui há pouco tempo?
Depende. Não podemos pôr todos no mesmo saco, mas acho que sim. Acho que às vezes os facilitismos também trazem esses problemas. Até, por exemplo, nas artes, posso dar esse exemplo.
Eu queria perguntar precisamente porque na tua área os sacrifícios são quase uma condição para exercer essas funções.
Sim, mas acho que ao mesmo tempo, por exemplo, antigamente haviam menos pessoas a candidatarem-se às artes, haviam menos atores, portanto o reconhecimento também era mais rápido. Era mais difícil porque tinha que se convencer os pais na altura e esse é que era o grande desafio. Hoje em dia acho que o desafio é outro, é que já temos muito mais gente, mas também temos ao mesmo tempo mais plataformas, mais castings. Uma coisa que eu faço muito apelo é dos castings serem mais abertos. Às vezes escolhe-se muito a dedo os elencos, seja televisão, seja teatro, e eu sou muito contra isso.
De abrir.
De abrir e acredito na meritocracia, que as pessoas possam ter essa oportunidade de se mostrar. O que fizemos neste projeto foi exatamente isso. Foi uma coisa que eu pedi desde o início.
Na Caça ao Estripador de Lisboa.
Na Caça ao Estripador de Lisboa, que toda a gente pudesse ter uma oportunidade de se mostrar e escolhemos o elenco todo assim, com casting aberto, como o Jorge Jesus diz, limpinho. E é assim que eu também acredito que as coisas que, claro, num futuro projeto, há as pessoas que se conhecem e vamos. Mas acho que temos que em todos os projetos, e sobretudo públicos, quando há financiamento público.
Reservar sempre uma quota para novos talentos.
Tem que haver sempre castings, seja para novos atores que saem do conservatório, por exemplo, diversas áreas, até cenografia, técnicos de luz, de som.
Para não se ficarem em circuito fechado.
Sim. Portanto, eu acho que os desafios são diferentes, são tempos diferentes, mas acredito que nós temos uma vida muito mais facilitada do que antigamente. Acredito nisso, porque há muito mais oportunidades.
Olha, facilitismo foi esta comissão de inquérito. Foi fácil. 22 pontos, Simão Biernatt. Muito obrigada por teres vindo à comissão de inquérito.
Muito obrigado eu.
"Break a leg", é assim que se diz?
É melhor dizer a expressão inglesa do que portuguesa.
Sabem por que se diz?
Não. Por quê?
Acredita-se que antigamente, por causa dos cavalos, as pessoas iam de coche ao teatro. Portanto, se o teatro estivesse cheio, ficava muita-
Muita seiva. Muito rasto. Não sabia. O Simão Biernatt é o encenador da Caça ao Estripador de Lisboa, que além do podcast, traz agora uma peça de teatro imersivo. Estreia hoje na Comunidade Hindu de Lisboa. Os bilhetes estão à venda em feverup.pt. Simão, muito obrigada.
Obrigado eu. Obrigado.