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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. A minha história da CNN Internacional tem a ver com o livro aos quadradinhos japonês, também conhecido por manga, que previu uma catástrofe natural já no próximo mês e que está a levar muitos turistas a cancelar as viagens ao Japão. E há uma razão para isto estar a ser levado tão a sério. Num livro publicado pela mesma autora, Ryu Tatsuki, em 1999, com o nome de "The Future I Saw", ela alertava para um grande desastre que haveria de acontecer em março de 2011 e que acabou mesmo por coincidir com o sismo de 9.0, que atingiu o norte do Japão e que desencadeou o tsunami que matou dezenas de milhares de pessoas. Esta previsão ou coincidência tornou a autora superfamosa, e não apenas no Japão. O livro vendeu mais de 900 mil cópias, também foi publicado em chinês. Fãs acreditam que ela também previu as mortes da Princesa Diana, de Freddie Mercury, bem como da pandemia de Covid-19. Os críticos dizem que as visões são muito vagas para serem levadas a sério. O certo é que numa versão completa da mesma obra de 99, mas publicada em 2021, ela descreve Tóquio a ser destruída por uma catástrofe natural em julho deste ano. Fala num tsunami três vezes maior que o de 2011 e isto, combinado com previsões de videntes locais, está a levar muitos turistas a cancelar viagens ao Japão, mas também não só ao Japão, à Indonésia, Taiwan e arredores.
Sim, geralmente quando acontece ali, acontece ali.
A profecia tornou-se viral nas redes sociais, deu origem à hashtag #July2025Prediction. A autora japonesa de manga foi até apelidada de nova Baba Vanga, em referência à famosa vidente búlgara, conhecida por prever acontecimentos históricos como o 11 de setembro e o desastre nuclear de Chernobyl. Quando foi questionada sobre o cancelamento de viagens, disse que apesar de achar muito positivo que o seu trabalho tenha deixado as pessoas mais preparadas para desastres, pede para não se deixarem influenciar demasiado pelos seus sonhos e para agirem com base na opinião de especialistas. Eu não sei, vocês iriam ou desmarcavam a viagem?
Claro que iria.
Ia na mesma. Participar num acontecimento histórico.
A sério?
Gostas muito de estar no centro dos acontecimentos.
Podia entrar em direto.
Para a Rádio Observador.
É engraçado essas coisas das profecias.
Isto é um bocado como os Simpsons.
Claro, entre tanta coisa que se diz e que se publica, obviamente que há coincidências. Nós só reparamos naquelas que acontecem de facto e não nas outras. E olhar para trás é sempre mais fácil.
Ali na CNN Internacional, onde há muitos mais detalhes, é uma reportagem muito grande.
Eu fui ao Washington Post, que conta a história de um urso bebê que está a ser tratado por humanos vestidos de urso. As fotografias são giríssimas. Uma cria de urso foi recuperada numa floresta da Califórnia. Tinha menos de dois meses, pesava quilo e meio, estava sozinho e a chorar, sem a mãe por perto. É assim que o jornal descreve a recuperação desta cria. Este urso foi encontrado por pessoas que acampavam na Floresta Nacional Los Padres e depois foi entregue ao Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia. Primeiro, ainda tentaram perceber se a mãe ursa regressava, se estaria por perto, o que não aconteceu, e por isso perceberam que esta cria não iria conseguir sobreviver sozinha na natureza. Este urso bebê foi levado para o Centro de Vida Selvagem da Sociedade Humanitária de San Diego. E o que este artigo tem de extraordinário? Tem várias fotografias e alguns vídeos também do local onde esta cria está a ser tratada. Foi improvisada uma espécie de floresta com árvores, arbustos, terras, galhos. Há ursos de peluche gigantes aos quais esta cria se agarra, dorme aconchegado a eles. Vale mesmo muito a pena ver as fotografias, são muito giras no Washington Post.
A cria é muito pequenina.
É. E tem várias fotografias dele mais pequenino e depois um pouquinho já maior. Os próprios humanos que criam este bebê urso estão vestidos com casacos felpudos, usam máscaras de urso para que a cria acredite que está no seu ambiente natural e não crie laços com os humanos. Usam também luvas de couro, esfregam feno com cheiro de urso negro por todo o corpo, até porque o objetivo depois é soltar este urso na natureza daqui a cerca de um ano.
E é para não estranhar muito depois, para não ser um impacto maior.
E certo é que este sistema está a resultar. Pouco mais de cinco semanas após o resgate, este urso bebê engordou quase 4,5 kg. Não sei se é muito ou se é pouco, mas também é um urso.
Pois, não temos noção. Em relação às crianças, seria muito bom.
Atingiu vários marcos de desenvolvimento. Aprendeu a escalar, por exemplo.
Já se vê ele aqui agarrado.
Exatamente. Os funcionários deste centro de vida selvagem passaram as últimas semanas a alimentar este filhote várias vezes ao dia, também durante a noite. Envolveram-no em atividades específicas para garantir que ele aprende habilidades de sobrevivência, até porque, dizem os especialistas, com um ano é esperado que este urso, ou um urso, já consiga orientar-se sozinho. Ora, ele já aprendeu a cavar na terra para apanhar insetos, a encontrar abrigo, também fazer um ninho. É um urso muito brincalhão, que já aprendeu a manter-se ocupado quando os tratadores não estão por perto para o entreter. E outro ponto importante, já come também alimentos sólidos. E do que ele gosta? Também é algo importante. Gosta de frutas
Saudável, portanto.
Exatamente.
Se calhar gosta de mirtilos.
Se calhar tem roubado mirtilos em alguma zona.
O mistério está resolvido.
Exatamente.
Toda a gente que rouba mirtilos, na verdade, é um urso.
Exatamente. Também come insetos, além de ração e folhas de salgueiro. E os funcionários escondem bolotas ao redor deste habitat criado para que o urso localize as bolotas e coma.
É como a caça aos ovos da Páscoa.
Exatamente. Os funcionários deste centro em San Diego explicam que este é um caso raro. Nos últimos cinco anos, apenas quatro filhotes tão jovens foram resgatados e reabilitados na Califórnia, sendo que este centro não recebe financiamento do Estado, depende apenas de doações para tratar animais selvagens necessitados. Está no Washington Post e aconselho mesmo a que vejam as fotografias deste pequeno urso, que são deliciosas.
Fantástico.
Ó Paulo, eu também quero falar de animais. E curiosamente estou a ver a notícia atrás que ainda assim conseguiste.
A notícia-
Agora já passou.
Há pouco estavam dois tigrezinhos.
Agora já não, agora já são macaquinhos.
Daqueles que apetece levar para casa quando têm aquela idade.
Aquela idade. E macaquinhos também, eu adorava ter um macaquinho.
Bem se faz, meu Deus, quantos tigres daqueles lá em casa. Não, a falar de animais também, isto não foi combinado.
Pois não.
Há 20 anos, o lince ibérico era a espécie de felino mais ameaçada no mundo, quase chegou a ser dada como extinta em Portugal. Aliás, para quem tem a minha idade, cresceu certamente o salvemos o lince, a campanha Salvemos o Lince, a Serra da Malcata de 79, foi a primeira campanha de natureza de que eu me lembro. Depois veio o Nuclear Não, Obrigado, também ali nos anos 80, mas foi a primeira campanha de conservação da natureza de que me lembro. Havia autocolantes, havia pessoas com autocolantes nas mochilas, nas capas dos automóveis e por aí fora. Mas hoje, felizmente, os planos para recuperar a espécie deram resultados. Hoje continua a haver sinais dessa boa recuperação, isto de facto fruto dos projetos Life de conservação da espécie em Espanha e em Portugal. O censo do lince ibérico 2024 foi divulgado ontem, precisamente, pelo Instituto Nacional da Conservação da Natureza. Já agora, isto está no Expresso, uma notícia que eu aconselho, está no Expresso. Indica que existem 2401 exemplares na Península Ibérica. É o valor mais elevado desde que se iniciou a monitorização da espécie. Significa que houve um aumento de 19% no ano e 280% desde 2019, ou seja, quase quadruplicou em cinco anos o número de membros da espécie, o que significa que está afastado o risco de extinção e levou já as autoridades competentes a rever o estatuto da espécie na lista vermelha das espécies ameaçadas de "em perigo" para "vulnerável". Esta reclassificação já foi feita em junho de 2024. O sucesso da recuperação deve-se, obviamente, ao vasto esforço de colaboração dos dois países. A população do lince chama-se Lynx pardinus, é o nome científico da espécie, está distribuída sobretudo maioritariamente por Espanha. Estão lá cerca de 85% das espécies, cerca de 2050 indivíduos. Do lado de cá da fronteira, em Portugal, há volta de 350, que andam sobretudo na zona de Serpa, no Alentejo, e Castro Marim, no Algarve. Há também dificuldades no terreno que os técnicos vão apontando. Por exemplo, o Instituto de Conservação da Natureza tem câmaras automáticas espalhadas por uma extensa área de Serpa e Castro Marim para ir identificando e fotografando os exemplares. E em 2023 tinha havido problemas na contagem porque várias câmaras estavam sem cartões. Aquelas coisas muito à portuguesa, tens o equipamento, depois não há cartões ou ninguém substitui os cartões ou estão cheios ou avariou, qualquer coisa. Entretanto, isso já foi resolvido. Por exemplo, não foram adquiridos também anestésicos e medicamentos, que são importantes para capturar e depois colocar coleiras com GPS nos animais à solta, para saber por onde é que eles andam e para evitar atropelamentos. Pelo menos 10 linces ibéricos, no ano passado, morreram em Portugal, na maioria vítimas de atropelamento. Este número equivale a cerca de um terço das 34 mortes. E em 2024, para evitar isto, o Instituto de Conservação da Natureza anunciou um projeto em parceria com a IP, Infraestruturas de Portugal, e com a Waze, precisamente para ensaiar um sistema que permita seguir os felinos sinalizados, identificá-los quase em tempo real, identificar que estão próximos de estradas através da aplicação Waze e evitar que eles sejam atropelados. Mas está aqui uma boa notícia, uma grande vitória a recuperação da espécie. O lince ibérico está, para já, salvo de extinção.