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Está no ar a conferência de imprensa da Rádio Observador. Não é de ontem, mas vale a pena falar sobre isto. Foi na semana passada que um avião comercial da Virgin atravessou o Atlântico movido a gordura e açúcar. Depois do dia que teve ontem, eu podia mover este avião. Era uma volta ao mundo. Podia mover este avião.

Estás a falar do açúcar ou da gordura? De todos os dois.

Eu almocei, eu lanchei, eu jantei. Que enjoo.

A gordura e o açúcar.

O lanche foi um lanche, o lanche pesou-me. Foi um enjoo, não foi?

Também a companhia não era boa. Gordura e açúcar remetem para uma coisa que eu gosto muito, que é bolo de bolacha.

É tão bom! Então ontem comi. Ontem comeste também? Sim, comi tudo. Pão rainha. Bolo. Claro. Tarte aos três.

O que é que andas a fazer das ostras, Carmo?

Comeste o quê?

Bolo de bolacha ontem.

Bolo bolacha?

Eu fui jantar com as bolachas. Não, comi a sério, palavra.

Também, mas vocês acumulam realmente. Acumulamos muito. Lá está, podíamos mover estes aviões todos.

Estou a precisar de açúcar também.

A Franquinho. Bem, li no Público. Foi um voo-teste de Londres para Nova Iorque. Foi alimentado apenas por combustível de aviação sustentável, que gera menos emissões de carbono do que as misturas convencionais. Este biocombustível foi fabricado a partir de gorduras residuais e açúcares vegetais e emitiu menos 70% de carbono do que os combustíveis à base de petróleo. Mas este voo da Virgin Atlantic, movido 100% a biocombustível, foi uma proeza isolada. A companhia já disse que não vai oferecer voos regulares, até porque os motores dos aviões não foram concebidos para funcionar apenas com este tipo de combustível. Além disso, é muito caro e raro para que seja prático para as companhias efetuarem rotas exclusivamente a combustível ecológico, que um dia pode, de facto, desempenhar um papel importante na redução da pegada carbônica, mas neste momento representa apenas cerca de 0,1% do consumo atual de combustível das companhias aéreas. Este biocombustível pode ser feito a partir de uma enorme lista de matérias-primas, como o milho, gorduras de animais, algas, lixo municipal ou águas residuais, e ainda que também produzam algumas emissões, claro, calcula-se que sejam 50% menos do que os que têm por base o petróleo, portanto, é significativo. Segundo os especialistas, vão ser precisos vários anos para desenvolver plenamente estas tecnologias e muitas décadas para que as companhias aéreas as implementem totalmente nas frotas. Portanto, há um caminho longo a percorrer, mas haver um vislumbre é sempre um sinal positivo quando se trata de cuidar do planeta. Há muito para ler, está no Público.

Quer dizer, a gordura e o açúcar é bom pra todos, menos pra nós, não é?

Exato. Menos pro nosso colesterol.

Exatamente.

Estão a fazer sinais. É linguagem gestual? É linguagem gestual.

Sou eu? É a Carla.

Sou eu.

Anda lá, Carla.

Sou eu? É agora? Olhe, eu também li no Guardian um assunto. Enfim, achei curioso. O título é, mas o artigo também: "Populismo tem tudo a ver com o cabelo. O que é que os líderes da direita radical nos querem dizer com os seus penteados selvagens?" Isto é muito interessante. E o artigo começa logo por lembrar que na última década, o palco global começou a ficar povoado por políticos, sobretudo da direita considerada populista. E depois das análises econômicas, sociais, históricas, o assunto que faltava, que é o papel decisivo do corte de cabelo. E isto é meio a sério.

É mesmo a análise que faltava.

É a análise que faltava. É muito irônica. De fato, é um artigo muito divertido, mas também é meio sério e aponta para nomes incontornáveis da nossa esfera politicomiática. Boris Johnson, mas também Javier Milei, o novo presidente argentino, Geert Wilders, o vencedor das legislativas nos Países Baixos, ou o clássico Donald Trump, sempre com descrições muito divertidas e muito impressivas das suas cabeleiras. Talvez a começar por Boris Johnson, que usou sempre o cabelo, na verdade, como um statement, e a forma como ele mexe no cabelo e como assumia a forma despenteada. Isto por quê? Porque ele percebeu desde muito cedo que, tal como os atores constroem as suas personagens à volta dos traços físicos, ele precisava de ter aqui uma imagem de marca que ficou. O artigo fala com o Tim Bale, é um professor de Política da Universidade Queen Mary, em Londres. Diz: "Todos os políticos têm uma marca, mas em relação aos populistas, essa marca tem que ser visível e o cabelo é o aspecto mais óbvio que o torna reconhecível, mesmo pra as pessoas que não ligam à política". Portanto, este ter aquele do cabelo despenteado.

Faz sentido.

Faz todo sentido. A política recorre cada vez mais às técnicas do espetáculo e do marketing. Olhe-se para o cabelo de Donald Trump. O impacto do cabelo de Trump é tanto que o respeitável Washington Post chegou a publicar um artigo só com este título. Nem é preciso ler mais nada: "As 100 melhores descrições do cabelo de Donald Trump já mais escritas". Claro que o Guardian tem alguns exemplos, como um cabelo que desafia a lei da gravidade. E a verdade é que, apesar de toda a chacota e de todas as caricaturas que se fazem, Trump nunca mudou o corte de cabelo, nunca aconteceu nada desde que tomou posse como presidente.

Nunca fez questão de cuidar, se quisermos, se isso fosse um problema pra ele.

E antes pelo contrário, há relatos, até também em livros muito respeitáveis, que dão conta do trabalho que ele tem em manter aquele cabelo, desde tratamentos antiqueda, alisamentos, muita laca, até algumas cirurgias. E por quê? Há uma explicação, Paulo, que vai nesse sentido. Por exemplo, uma mulher perante a crítica, normalmente está muito mais disponível pra mudar, perante a crítica em relação ao seu aspecto. Pros homens, é quase como se fosse uma questão de orgulho manter a imagem, até mesmo por causa das críticas.

É um statement.

É um statement.

E já agora, há outro ponto. Os cartunistas focam-se nesse ponto e não se focam noutros.

Exatamente.

É tudo cabelo.

Exatamente.

E esquecemos outros aspectos.

Aliás, uma das pessoas entrevistadas pra este artigo usa uma expressão que eu nem sequer me atrevo a traduzir pra português, mas é um bocadinho a ideia do que se lixe, contra o sistema. Utilizar o visual como

Estou a marimbar para o sistema. Lá está, o cabelo como símbolo de viralidade e masculinidade, e a ausência de cabelo é vista quase como fraqueza política ou uma espécie de, como dizem no artigo, kryptonite da política. E isto não é tolo, o que eu estou a dizer, com base nestes números, cerca de 40% dos homens com mais de 40 anos começam a ter sinais de calvície.

Não sei a que é que te referes.

Não sei a que é que te referes. Ainda assim, os eleitores norte-americanos não votam em nenhum presidente careca desde 1956. Dwight Eisenhower.

Dwight Eisenhower, claro.

Precisamente. Foi o último presidente careca. Nos Estados Unidos não há um primeiro-ministro careca desde Winston Churchill, não é?

Na Inglaterra, no Reino Unido.

No Reino Unido. E aliás, se olharmos para o pai do populismo moderno, Silvio Berlusconi, quem não se lembra daqueles transplantes capilares que ele fez?

Esse fez o caminho ao contrário. Começou careca.

E depois percebeu que era importante e aliás, os contribuintes pagaram, segundo consta, alguns desses transplantes capilares. Portanto, o cabelo pode ser mesmo muito importante. O artigo é muito interessante.

O cabelo matters, basicamente. O cabelo importa. Era como ontem, este serem bonitos também.

Era como ontem, tu ontem a falar disso, recordei-me e foi por isso que também peguei neste artigo. Isto é importante.

É muito.

Não tens nada para dizer.

Tenho. Vamos falar aqui de uma coisa que até podia ser entre dois topics, mas pode ser aqui. Tem graça. Por isso é que também pedi para passar para os nossos ouvintes, para relaxar. Ou para as pessoas se lembrarem. A "Psico Notícias", um site, a propósito do Campeonato da Europa, fez uma viagem no tempo. Como sabem, as mascotes. Vocês já falaram disto aqui?

Não. Eu ia falar um dia destes.

As mascotes que fazem parte das seleções e dos clubes, no caso das seleções, representam o país anfitrião do Campeonato da Europa, que recebe o Campeonato da Europa, e no caso dos clubes, é um elemento identitário que permite unir, diz aqui, os adeptos às suas equipas. A primeira mascote foi no Campeonato do Mundo de 1966, a Inglaterra, o Willie, que foi a primeira mascote de uma competição, mas foi preciso esperar até 1980 para vermos a primeira mascote oficial de um Campeonato da Europa. E onde é que foi? Itália. E quem era? O Pinóquio. Foi a primeira mascote oficial. Grande adepto da verdade. É verdade. Cresceu o nariz. E portanto, tornou-se a primeira mascote de um campeonato. Mais tarde, na França, surgiu o Peno. As pessoas que viveram isto lembram-se destas mascotes, que era um galo vestido com equipamento gaulês, incluindo umas chuteiras e uma bola.

E deu sorte.

Pois foi, aos franceses, que nessa altura ganharam. Depois veio 88. Guerra Fria. Em plena Guerra Fria, com a Alemanha dividida em dois blocos, veio o Berni, um adepto de futebol entusiasta, também do qual todos gostaram. Foi escolhido em homenagem, que curiosamente, diz aqui, à cidade suíça de Berna, onde a "Mannschaft", que era a seleção alemã, sagrou-se campeã mundial em 1954.

Estamos em que ano?

Estamos em 92. Diz que a Suécia tinha a pressão de substituir o Berni com algo mais imaginativo, alegre e original. Mas os suecos optaram apenas por tirar o mesmo coelho da cartola, ou seja, Berni deu lugar ao Rabbit, que despiu a imagem alemã e envergou um equipamento amarelo e azul de cores suecas. Depois, em 96, a competição voltou à Inglaterra e foi aqui que surgiu o Goliat, um leão em alusão à alcunha dos Três Leões, que a seleção inglesa ainda nos dias de hoje tem também. Uma camisola branca e azul. No primeiro Campeonato da Europa organizado por vários países, neste caso Bélgica e Países Baixos, escolheram também um leão de nome Benelucky, em honra à união Bélgica-Países Baixos-Luxemburgo. Benelucky, que também era uma junção da palavra, diz aqui, latina bene, boa, e da inglesa lucky, sorte, proporcionando assim, dizem eles, vibrações positivas a todas as seleções participantes. Estamos quase a chegar ao fim. Portugal esteve perto de igualar a França. Utilizou a mascote como amuleto para dar sorte em casa.

Foi um balde de água fria com a Grécia. Isto em 2004. Eram o Quinas.

Era o Quinas, exatamente. Lembram-se do Quinas? Quinas com K.

Quinas com K.

Então "quinamos" depois. "Quinamos". Depois veio o Trixi e o Flix, foram as mascotes da competição que decorreu depois na Áustria e na Suíça, eram os meninos misteriosos dos Alpes. Em 2012, Polónia e Ucrânia sucederam à Áustria e Suíça e com eles regressou outra dupla de mascotes, que neste caso o Slavek e o Slavko, também fez muito sucesso este. Depois, em França, quando Portugal é campeão da Europa, veio o Super Victor, um menino capa de herói, que podia sobrevoar as cidades.

Falhou, foi mais ele ser herdeiro.

É verdade, também perdemos. A França perdeu, apesar da mascote, não deu sorte nenhuma. Para celebrar os 100 anos, agora na edição 2020, escolheu o Skrillzi, como mascote oficial, também nos lembramos bem, foi há pouco tempo, era um miúdo que fazia truques e que tinha cultura de futebol de rua. E na próxima edição, que se vai realizar na Alemanha em 2024, o urso peluche Júlio foi o eleito para ser a mascote.

Não é nada.

Não é o Júlio, mas é o Alberto.

É parecido, é o Alberto.

Mas olha, o urso Júlio por acaso devia ser mascote. Pronto, é o próximo mascote.

Eu confesso que só lembro bem dois ou três.

É bem giro.

Eu lembro muito mais dos Jogos Olímpicos. As mascotes dos Jogos Olímpicos acho que são mais marcantes, na verdade. A começar pelo Sports Billy.

É, exatamente. Mas sabes que os Jogos Olímpicos também são de quatro em quatro anos e aqui é dois em dois, também há muitos mais. Portanto, é mais fácil lembrarmos os mascotes dos jogos do que destes campeonatos, que são muitos. Pronto, era isto que vocês já sabiam.

É giro, viagem no tempo.

Já tinham lido também.

Claro, eu por acaso li.

É para nos lembrar.

É giro.

Assim uma viagem no tempo só.