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Abrimos agora a conferência de imprensa da Rádio Observador. Nos próximos minutos, passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. Eu sou o Carlos Pedro e a edição de hoje é da jornalista Marta Caramelo Nobre. Bom dia, Marta.

Bom dia, Carlos.

Vamos começar, Marta, com a manchete do semanário Expresso. Revela que um em cada três membros do governo declarou ter empresas.

São dados da Entidade para a Transparência, consultados pelo jornal Expresso, de um total de 60 governantes, 18 assumiram ter ligações a sociedades empresariais, seja de forma direta ou através dos companheiros. Trata-se de 30% dos elementos do executivo liderado por Luís Montenegro, com a proporção a ser mais elevada no Conselho de Ministros, onde praticamente metade dos ministros declarou ter este tipo de interesses. A lista é liderada pela Ministra da Justiça, que declarou participações em 12 empresas. O jornal explica ainda que este retrato resulta de informações entregues pelos próprios governantes quando entregaram a declaração única de rendimentos, a que são obrigados após assumirem funções. E nota que vários membros do executivo, como é o caso do ministro da Economia e a ministra do Trabalho, já se desfizeram ou suspenderam algumas destas quotas em empresas para evitar eventuais conflitos de interesse.

Marta, vamos passar para a manchete do jornal Sol. Traz novos desenvolvimentos sobre os casos que envolvem o ministro da Administração Interna.

Uma investigação conjunta do jornal com a TVI e CNN Portugal, que revela que o empreiteiro, amigo de Luís Neves, que conseguiu mais de 2 mil milhões de euros em contratos com a Polícia Judiciária, também fez obras na casa do diretor dos Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da PJ, Álvaro Pires. Segundo o jornal, as obras na residência na Xaneca da Caparica terão ocorrido no final do ano passado, sem emissão de faturas ou registro de pagamentos. O jornal junta testemunhos de vizinhos e dá conta de uma carrinha em nome da empresa do construtor, estacionada junto à habitação do diretor dos Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da Polícia Judiciária durante várias semanas. Oito dias depois de ter assumido internamente que partiu dele a ordem para guardar um atrelado nas instalações do empreiteiro em Barcelos, Álvaro Pires nega categoricamente que a Constro Barcelos, de João Santos Carvalho, tenha feito trabalhos na sua casa.

Olhamos ainda para a manchete do jornal Público, revela que Portugal praticamente não conseguiu reduzir as mortes nas estradas na última década.

Entre 2015 e 2025, a redução da mortalidade rodoviária no nosso país foi de apenas 0,7 pontos percentuais, passando de 593 mortes para 589. Além disso, no mesmo período de 10 anos, o número de feridos graves aumentou mais de 20%. Os dados a que o jornal Público teve acesso constam de um relatório do Conselho Europeu de Segurança nos Transportes, que coloca Portugal no fundo da tabela comunitária no combate à sinistralidade. Ainda assim, o estudo mostra que a maioria dos países europeus conseguiu reduções bem mais expressivas, com a média comunitária a descer cerca de 20% na última década, enquanto países como a Polônia, a Lituânia ou a Bélgica conseguiram reduzir a mortalidade em mais de 40%.

Marta, viajamos até a Espanha para o El Mundo, que traz uma reportagem que mostra como a crise de migrantes em Ceuta se tornou num problema de segurança para mulheres e crianças migrantes.

O jornal relata relatos de violência e tentativas de violação nos bairros mais desfavorecidos de Ceuta, onde os próprios moradores estão a improvisar alojamentos, como campos de futebol ou as próprias casas, para dar abrigo a mais de 150 mulheres e raparigas. A reportagem mostra o contraste de uma cidade que está dividida. Enquanto no centro a vida ocorre com aparente normalidade, nas praias há centenas de pessoas a dormir ao relento, à espera de uma resposta das autoridades. Muitos destes migrantes que pedem asilo e dizem ter qualificações superiores continuam sem qualquer apoio, enquanto os processos de acolhimento nas esquadras em Ceuta estão praticamente parados.

Atravessamos agora o Atlântico para ler a Folha de São Paulo, que destaca os resultados históricos da Petrobras, a petrolífera que é praticamente detida pelo Estado brasileiro.

Empurrada pela subida do preço do petróleo com a guerra dos Estados Unidos e Irã e por recordes de produção, a empresa praticamente duplicou o lucro no segundo trimestre deste ano. Com estes resultados acima do esperado, a petrolífera pública anunciou a distribuição de dividendos, dos quais o governo brasileiro, como acionista majoritário, vai receber aproximadamente mil milhões de euros. O jornal nota ainda que a receita da empresa disparou mais de 40%, impulsionada pelo barril de crude a ultrapassar os 100 dólares, um desempenho que já está a ser criticado por organizações ambientalistas perante os lucros extraordinários do setor petrolífero.

Os destaques dos jornais de Portugal e do mundo, hoje com a jornalista Marta Caramelo Nobre.