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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta quarta-feira. Se quiser entrar em direto para nos dar a sua opinião, só tem de ligar 91 002 41 85 ou enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 91 002 41 85. Carla. Até 27 de novembro, já tinham acontecido este ano em Portugal 131.803 acidentes rodoviários, que provocaram 388 mortes e fizeram 2538 feridos graves. Álcool, velocidade, idade dos condutores e dos veículos, mau estado das infraestruturas, mau ensino da condução, estas são algumas das explicações para uma realidade que resiste aos planos oficiais e com que nos cruzamos todos os dias. Helena Matos, bom dia, é por aqui hoje o Contracorrente.

Sim, curiosamente, nós fizemos um programa exatamente em janeiro deste ano que agora está mesmo a acabar, em que perguntávamos porquê, o que está a acontecer. Porque nós temos, por exemplo, um plano de ação de Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, que visava reduzir para metade os números da sinistralidade. Não é isso que tem estado a acontecer. Na verdade, o número de mortos está a baixar, mas muito ligeiramente. Temos mais feridos graves, muitas vezes quer dizer pessoas que vão ficar com problemas para toda a vida. E temos também uma espécie de ciclo noticioso sobre estes casos e um ciclo de atenção. Ou seja, os acidentes de automóvel oscilam entre a comoção causada pelos casos mediáticos e depois, passado aquele momento de estupefação, horror, como aconteceu recentemente com a morte daqueles seis jovens em Lisboa, habituamo-nos. Tivemos já este ano também o caso extraordinariamente mediatizado da morte de Diogo Jota e do seu irmão. Tivemos também um outro acidente em Castro Verde, no qual morreram seis pessoas. Eu estou a referir-me a acidentes rodoviários seguidos de incêndio, que é algo que tem estado muito evidente nos últimos tempos e que configura um determinado tipo de acidentes. Nós temos de perceber o seguinte: nós temos números para tudo, sabe-se as horas mais graves, os dias mais graves, quem morre mais, quem morre menos. Há sim diferença de sexo, as mulheres morrem muito menos do que os homens. Portanto, números e dados não faltam, mas sobram imensas perguntas, essas que elencaste e que são as mais habituais. Nós temos a questão da velocidade, do álcool, da idade dos condutores e dos veículos. Aqui as idades nos veículos não são tão complicadas quanto nos condutores, ou muito novos ou muito velhos. No caso dos veículos, o problema é serem mais velhos. Temos o mau estado das infraestruturas, o mau ensino da condução, tudo isso falaremos e acrescentaremos algo mais, uma coisa recente, que passa pela atenção ao aumento da tecnologia de suporte ao condutor. Todos aqueles gadgets que nós neste momento temos quando guiamos, todas aquelas luzes, todos aqueles mecanismos que existem para ajudar os condutores e que fazem dos carros estruturas mais inteligentes, mas que também podem distrair os condutores ou em alguns casos torná-los menos inteligentes ou pura e simplesmente não saberem usar tudo o que têm à mão. Ou seja, temos muito para falar neste programa e que na verdade nos lembra também algo que é importante e que temos de ter em conta, nós somos muito sensíveis a tudo o que envolva jovens. Na verdade, apesar de apenas 10%, é importante termos isto em conta, do total de sinistros rodoviários serem registados em países desenvolvidos, na Europa, estamos a falar já do princípio deste século, os sinistros rodoviários eram a causa de morte mais elevada entre os jovens. E aqui estamos desde crianças até jovens, entre os 5 e os 24 anos. Portanto, números não nos faltam, realidade também não, mas há aqui muita pergunta no ar, porque não podemos continuar a viver assim, entre um título que nos impacta, porque tivemos um acidente que pela sua configuração nos parece ser, e é, sem dúvida, gravíssimo, chocante, e depois é como se voltássemos à habitualidade do costume até termos um novo choque mediático e depois como se isto fizesse parte da normalidade. Portanto, é um pouco tudo isto que queremos falar hoje. E o facto de fazermos dois programas este ano sobre este assunto também quer dizer alguma coisa.

Pois quer. Até já, Helena.

Até já.

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