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8:18, hora de conhecermos o tema do "Contra-Corrente" desta quarta-feira. Se quiser entrar em direto para nos dar sua opinião, basta ligar 91 002 41 85 ou enviar sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 91 002 41 85. Carla. Faz hoje um mês que em Portugal as luzes estiveram 10 horas apagadas, em Espanha ainda mais. Nesse dia, a Europa e o mundo olharam para a península a querer perceber o porquê do gigantesco apagão, até porque é difícil deixar de associar a gravidade do apagão aos desafios da transição para um mundo mais dependente da eletricidade e das fontes de energia renováveis. Contudo, a verdade é que em Espanha, a politização da gestão da rede elétrica não assegura que venhamos a saber tudo. Na Europa, o inquérito tem um prazo dilatado para estar concluído e em Portugal, as milhares de empresas que tiveram prejuízos significativos continuam sem saber se vão ou não ter direito a indenizações e quem as paga. É por isso que queremos regressar no "Contra-Corrente" de hoje às polêmicas do apagão, até porque apagões de menores dimensões ocorreram no fim de semana passado em França e há lições por tirar que não podemos esquecer. José Manuel, bom dia. Costuma dizer-se que depois de casa assaltada, trancas à porta, mas neste caso, parece que ninguém quer encomendar as trancas. É isso?

Em parte é isso, porque em parte ninguém sabe que tipo de trancas é que há de encomendar para já. Estas discussões são muito importantes e ao mesmo tempo muito difíceis. Importantes porque aquilo que aconteceu em Portugal e em Espanha, ou melhor, começou em Espanha e afetou Portugal, é muito relevante em termos do processo que estamos a viver. Estamos a fazer uma transição para um mundo mais dependente da eletricidade e onde as formas de produção de eletricidade são muito relevantes e percebemos, ou devíamos ter percebido, que o equilíbrio entre as diferentes fontes é mais difícil de conseguir de forma estável do que apenas achar que tudo se faz com boa vontade, incentivos milionários e a ideia de que de um dia para o outro, com um estalar de dedos, tudo está resolvido. Não está. Há desafios técnicos complicados que têm a ver com as características de uma parte da energia renovável. E eu digo uma parte da energia renovável, porque nem toda a energia renovável coloca o mesmo tipo de problemas. O solar coloca problemas diferentes do eólico e mesmo na produção hídrica, que é a energia renovável mais antiga e mais presente em Portugal, em termos de potência e de produção. Estamos a falar das barragens, e mesmo nas barragens há diferentes tipos de barragem. Tudo isso levanta muitos desafios, muitas complicações e obriga também a investimentos que se calhar não estão a ser tidos em consideração. E vamos falar disso porque em Espanha estão a ser tomadas decisões, e foram tomadas decisões, que aparentemente podem ser postas em causa pelo que aconteceu e o governo do senhor Sánchez, aparentemente não está a querer abrir todo o jogo. Está a querer encontrar bodes expiatórios, está a querer saltar para conclusões antes de haver dados para isso e, por outro lado, está a tentar evitar que todas as conclusões a que se possa chegar ponham em causa as suas opções políticas. Isso tem se tornado mais evidente porque, enfim, o mundo é um mundo mais aberto e há notícias não apenas na imprensa espanhola, mas também na imprensa internacional. Um artigo publicado no Telegraph há poucos dias criou uma tempestade política em Espanha, e moveu com toda a razão, porque havia ali muitas informações que estavam a ser sonegadas à opinião pública espanhola, se corresponderem à verdade, mas são informações que algumas delas vêm de Bruxelas. E portanto, temos aqui questões que têm a ver, algumas delas, por exemplo, com investimento na rede. Em Portugal há também um debate que tem a ver com a presença das renováveis, um debate que tem a ver com a titularidade da rede, mas enfim, também lá iremos. E por fim, há questões que também têm a ver com a própria segurança, com as formas de consumo que nós todos temos e com uma questão que tem se falado pouco, só se começou a falar nos últimos dias, que é: muitas empresas que ficaram muito prejudicadas com o apagão, tiveram muitos produtos estragados, tiveram prejuízos pelos quais deviam ser indenizadas e não há nenhuma segurança que venham a sê-lo, ou pelo menos que venham a sê-lo em tempo útil, porque, entre outras coisas, a legislação talvez permita aos operadores da rede não ter que pagar essas indenizações. É por isso tudo, a legislação e o que vier a ser decidido pelas autoridades. Portanto, vamos falar sobre estes temas todos, até porque se não aprendermos com aquilo que aconteceu, facilmente podemos ter outros colapsos desse. Há apagões um pouco por todo lado.

Houve no fim de semana.

Ainda houve no fim de semana um em França. Em França, aparentemente, foi desencadeado por sabotagem, portanto, é diferente do que se passou cá, por um ataque anarquista a uma central elétrica. Seguindo o tal princípio que o bater de asas de uma borboleta pode provocar uma tempestade no outro lado do mundo, nestas redes elétricas que estão totalmente interligadas, estamos a falar de 40 países na Europa interligados, esse tal bater de asas ainda é mais sensível. Portanto, temos muito que conversar.

É importante então falar sobre isso. Até já. 91 002 41 85 para entrar em direto, mas também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.