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Ronaldo e Georgina vão casar nos próximos dias e será na Madeira? Não sabemos, mas temos duas certezas: se tal acontecer, Portugal, enquanto destino de turismo de romance, vai reforçar-se. A outra certeza é que a economia adora casamentos, 900 milhões de euros por ano e impacto em 40 subsetores da atividade fazem dos casamentos uma atividade a que não faltam pretendentes. Helena Matos, bom dia. Isto quer dizer que casar em Portugal está na moda?

Sim, está na moda e há zonas de Portugal, regiões em que começa mesmo a ser muitíssimo importante. Estou a pensar o caso dos Açores, que neste momento é um destino absolutamente top internacionalmente para casamentos e em que o número de casamentos está a aumentar significativamente, mas não à conta dos açorianos propriamente ditos. Ou seja, nós estamos a falar de um passo que os portugueses dão. No ano passado, 37.714 portugueses casaram. Um quarto desses portugueses não o faziam pela primeira vez. Há dados muito interessantes sobre o perfil dos noivos. Os noivos estão cada vez mais velhos. Quando comparamos com a idade média que os noivos tinham em 1960, os noivos de agora são já um bocadinho idosos, têm mais 10 anos. Curiosamente, a diferença de idades entre noivos e noivas mantém-se, porque nos anos 60 elas tinham 24 e eles 26. Agora, metam mais 10 anos em cima disto. As noivas têm em média 34 e os noivos têm em média 36. É claro que nós somos um povo de fé, seja naquilo que for, e das pessoas que se casaram o ano passado, 9 mil ou mais eram divorciados e ousaram chegar lá uma segunda vez. Há uma tendência muito clara de crescimento de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Do que temos também uma tendência, mas aqui de decrescimento, é dos casamentos católicos que estão a diminuir. Quando olhamos para o mundo dos casamentos, aquilo que encontramos é também um espelho daquilo que é Portugal. Quanto à parte económica, os números falam mesmo muito a sério. Nós estamos, para já, num mercado que cresce, um mercado europeu que cresce muito, pode dizer-se que está a crescer com uma taxa anual de 19%. Estou a falar das festas. De tudo aquilo que está à volta do casamento propriamente dito, porque uma festa de casamento até pode nem implicar a celebração do contrato de casamento, porque essa é a outra parte. O que é um casamento? Por exemplo, vamos pensar, Ronaldo e Georgina se casarem, como se diz, no Savoy este fim de semana, ou seja lá onde for. Qual é o regime? Comunhão de adquiridos, separação total de bens, convenção antenupcial. Este é um contrato muito a sério que nós fazemos para a nossa vida. Mas voltando à vida das pessoas mais comuns, sabe-se que o Algarve, Lisboa, os Açores e o Vale do Douro são as regiões mais procuradas por noivos que vêm da Irlanda, do Reino Unido, dos Estados Unidos, para casar em Portugal. Pode perguntar: "E quanto é que isso custa? Vá lá, quanto é que isso custa?" Os casais estrangeiros, que sim, estão a inflacionar este mercado, não fazem a coisa por menos de €30 mil. Mas pode ser muito mais. E nos Açores, por exemplo, o preço médio destes casamentos celebrados por noivos estrangeiros pode chegar a €40, €50 mil ou, dizem depois, que há outras contas com muito mais zeros. Seja de estrangeiros e também, é claro, portugueses, até porque isto tem um impacto económico muito grande que vai para além do casamento. Por exemplo, estes casais estrangeiros acabam por ficar mais uma semana, prolongam as estadias, viajam dentro do país. Isto tem um impacto enorme na restauração, em tudo isso. E depois já sei. E os vestidos.

Claro.

E as maquiagens, e os fotógrafos. E, por exemplo, as floristas, que é um setor que nos acompanha ao longo dos momentos solenes da nossa vida, como bem sabemos, e o casamento é um daqueles que é particularmente importante. Temos depois a música. Eu fui descobrindo coisas que não imaginava. Efetivamente, a animação musical dos casamentos. Hoje os casamentos são importantíssimos no setor musical. Temos as maquiagens, temos a fotografia. Sim, os fotógrafos ainda vão aos casamentos. O que não consegui confirmar, mas me parece que está mais ou menos desaparecida, não consegui encontrar referências e pus-me a pensar os últimos casamentos a que tenho ido, se ela estava lá, que era um ícone da minha geração, quer dizer, não havia menina que não quisesse ser menina das alianças.

Já não há?

Pois, eu até não sei se não temos de fazer um movimento retro de recuperação da figura da menina das alianças.

Em compensação, as despedidas de solteiro são muito grandiosas, implicam viagens e essas coisas.

Pois, também. Claro, esse lado mais festivo, como é que não havia aqui de chegar? Vocês vêm diretas daquelas outras rúbricas cujo nome recuso a dizer. Portanto, claro, também temos isso. E há até novas profissões em torno disto. Como se sabe, o casamento é uma coisa difícil de organizar e agora temos mesmo a figura dos organizadores de casamento, temos desde estruturas profissionais. Não são propriamente a empresa que presta aqueles serviços do copo d'água, tudo isso. Não, são mesmo pessoas, são empresas. Algumas delas estão cada vez mais vocacionadas para o mercado estrangeiro. Por quê? Porque a verba que estão dispostos a despender é muito superior e, portanto, estas empresas acabam por ter de organizar menos casamentos, dos portugueses, claro, que têm menos dinheiro, e trabalhar para o mercado acima e fazendo menos casamentos, mas ganhando mais dinheiro. Portanto, temos também estas novas profissões. Um gosto que também é muito interessante, que parece ser comum a todos, os que gastam mais, os que gastam menos, os que vêm de fora, os que estão cá, é o fato dos casamentos serem cada vez mais personalizados. Tudo é muito personalizado: os cartões, as lembranças. Há detalhes minimalistas aos quais hoje se presta muita atenção. E por fim, mas não por último, tudo isto se traduz em quê? Em casamentos mais estáveis, mais duradouros. Como sempre, os economistas e as pessoas destas áreas da economia têm uma certa tendência para serem um bocadinho desmancha-prazeres. E nós temos aqui um estudo de uma universidade norte-americana que diz: "Ó senhores, há gente, realmente, que só sai da cama para dizer coisas dessas". Mas também se pode ler ao contrário, ser uma boa notícia. Quanto mais caro o casamento, maior a possibilidade de divórcio. O estudo já tem alguns anos, não sei se ainda se mantém esta possibilidade, mas também podemos ver ao contrário. E, portanto, acharmos que se calhar, enfim.

Faz mexer a atividade econômica, já percebemos. Quantos mais casamentos, mais o país cresce.

Mais o país cresce. E quanto à possibilidade de divórcio, se pensarmos que se calhar não gastámos assim tanto no nosso casamento, se calhar temos uma grande possibilidade que ele venha a durar. Por isso esqueci-me de convidar para este programa aquele especialista em futebol, que é o Paulo Ferreira, mas creio que nesta área do investimento nos casamentos, talvez ele pudesse dizer algumas coisas, se realmente tem mais possibilidade. São estudos econômicos, eu vou já mandar para ele analisar, deve saber ler melhor que eu.

Pede-lhe uma perninha depois das 10.

Pronto. E por fim, e por último, o Ronaldo e a Georgina casam este fim de semana ou não? Na Madeira, no Savoy.

Sabes ou não sabes?

Não, mas vocês é que andam nas redes, nos momentos.

Claro. Normalmente, só sabemos depois de acontecer. Helena, até já. Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no "Contra Corrente", logo a seguir ao jornal das 10.