Turmas heterogéneas e recriadas ano a ano ou de ciclo em ciclo. Com alunos de competências e com dificuldades diferentes. Capazes de pôr dúvidas e perguntas e de participar. Com diferentes necessidades educativas especiais. Com rapazes e raparigas. De diferentes estratos socioeconómicos e vindos de diversos lugares. Sem que se misturem anos curriculares na mesma turma. Com professores diferentes a cada disciplina e com formações robustas e experiências de ensino distintas dentro das suas áreas de ensino. Que não confundam repetir com aprender mas que não partam do pressuposto de que às competências que a escola promove se chega sem usar a memória e sem que ela se mescle, a seguir, de espírito crítico e de criatividade. Onde se ensine a estudar e a sintetizar e se aprenda a aprender. Em que se trabalhe para que haja um conjunto de conhecimentos por disciplina, sobre o qual não se transija, com que se seja capaz de pensar. Em que as coisas que se aprendem se articulem entre as diferentes áreas de estudo, de forma a que os conhecimentos dialoguem entre si e ganhem utilidade; sobretudo, quando extrapolados para a vida, de forma a que permitam compreendê-la com outro pormenor e a que sejam mais úteis.
Turmas onde não se avalie unicamente por testes escritos mas, também, por trabalhos realizados na aula, sejam eles individuais ou de grupo. E onde a apresentação de cada trabalho “obrigue” cada aluno a fazer uma síntese precisa, que seja capaz de expor para todos os outros. Onde a avaliação seja regular, e se converse e trabalhe sobre metas a conquistar, depois de se tornar claro o que falta a cada aluno para que atinja aquilo que se deseja que ele saiba. Turmas nem com menos de 15 alunos nem com mais de 25. De forma a que se usufrua das diferenças de todos para as aprendizagens de cada um. E onde haja espaço para o trabalho com a turma e para as atenções que são devidas aos pequenos grupos e a cada aluno, em particular.
As boas turmas não se avaliam pela quantidade das boas notas a que se chegue. Mas pelos diferentes caminhos com que todos eles aprendem, para lá do indispensável, até que sejam capazes de as conquistar.