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8:18, altura de sabermos o tema do Contracorrente desta manhã de sexta-feira. Depois, para participar, só tem de ligar 91 002 41 85 a partir das 8:30. Ou então deixar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp. O número é sempre o mesmo: 91 002 41 85. Carla. Acontece todos os anos, duas vezes, primeiro no final de março, depois no final de outubro, a hora muda e vai mudar este fim de semana. Ou seja, este é aquele fim de semana que é uma hora mais curto, porque vamos passar para a hora de verão. A compensação é que depois passamos a ter sol até mais tarde, até quase à hora de jantar ou mesmo para lá dela. Mas será que isso é bom? Ganhamos alguma coisa com estas mudanças de hora, como tanto tempo se acreditou que sim, que ganhávamos? É um debate antigo, muito antigo, um debate com mais de 100 anos, mas um debate que não desapareceu e a que vamos voltar no Contracorrente de hoje. José Manuel, bom dia. Gostas mais da hora de verão ou da hora de inverno?

Bom dia, Carla. Tu que te levantas sempre de noite.

Para mim é indiferente.

Tu queres dizer que hoje foi o dia em que o sol se levantou, sabes?

Não sei, já estava a trabalhar.

Já estavas aí no estúdio.

Sim. A que horas é que foi?

6:25. Aqui no meu sítio foi 6:25. Domingo vai ser às 7:25. Vai ser uma hora mais tarde.

Uma hora mais tarde.

Bem.

Para quem acorda cedo, por volta das 7:00, faz diferença.

Faz diferença, claro, sobretudo se pensarmos que entrámos na primavera há pouco mais de uma semana e que estamos a falar da diferença entre a hora de verão e a hora de inverno. É uma discussão acalorada sobre isso e vale a pena recapitulá-la, porque ela tem aspetos de que nós habitualmente falamos, que têm a ver com o nosso conforto e os nossos hábitos. Devo dizer-te que simpatizo muito com o facto de a compensação por este levantar do sol mais tardio é que ao fim do dia há luz até mais tarde.

Claro.

Concretamente aqui, por exemplo, na nossa zona, estamos a falar do pôr do sol passar das 19:00 para as 20:00, mais ou menos. É um pouquinho antes das 19:00 hoje, no domingo será por volta das 20:00, o que quer dizer que daqui por uns tempos vai chegar a pôr-se depois das 21:00 e jantar a ver o sol pôr-se aqui no Atlântico é muito bonito. Portanto, o meu coração divide-se, mas há razões que justificam este debate e justificam, porventura, esta situação, apesar de as razões originais já não fazerem muito sentido. Isto tudo começou há mais de um século. Para sermos precisos, isto tudo começou, no caso concreto de Portugal, em 1911. É uma decisão da República, mas não o facto de termos duas horas. É porque aquilo que é lógico é termos a hora dos relógios alinhada com a hora solar, porque nós temos um relógio biológico, temos os chamados ciclos circadianos, e esses ciclos estão alinhados com a existência ou não de luz e também com a cor dessa luz. A luz ao nascer do sol é mais azul, a luz ao pôr do sol é mais laranja, para ter uma ideia. E nós temos células, nós e os seres vivos de forma genérica, as árvores, até seres vivos unicelulares, como algumas algas. Portanto, têm esses ciclos, e esses ciclos são importantes e convém andarem acertados com o relógio solar. Nós, na hora de inverno, estamos quase acertados. Em média, em Portugal, porque isto depende, naturalmente, Portugal também tem longitude, é um país estreito, mas apesar de tudo, tem alguma diferença entre Lisboa e Bragança, por exemplo, Lisboa e Elvas. Temos cerca de 37 minutos atrasados em relação ao ciclo solar. Os nossos relógios deviam estar 37 minutos atrasados em relação ao que estão hoje. Ou melhor, adiantados em relação ao que estão hoje. Mas nós, em 1911, aderimos a uma convenção internacional dos fusos horários e acertámos, na altura, por aquilo que se chamava GMT, Greenwich Mean Time, o tempo médio de Greenwich, que agora já não tem o mesmo nome. Vamos perceber porquê, mas é o mesmo tempo, curiosamente, ou praticamente o mesmo tempo, às vezes com a diferença de segundos. E no verão, em vez de andarmos com 37 minutos de desfasamento, andamos com 1 hora e 37 minutos de desfasamento. Isso é bom ou é mau? Quando isso foi decidido, tinha a ver com questões de poupança de energia, poupar carvão. Nós hoje em dia já não nos alimentamos a carvão, digamos assim, já não temos gás a correr nas nossas casas para acender a luz, como antigamente havia, nesse tempo ainda havia, e não faz muito sentido. As diferenças entre hora de verão e hora de inverno, em termos de consumo energético, são praticamente inexistentes. Aliás, há países onde até é ao contrário, é difícil chegar a uma conclusão, mas tem mais a ver com esta questão dos ciclos circadianos e também com hábitos. Querer sabermos se queremos aproveitar mais o fim do dia ou se achamos que é muito penalizador para quem começa mais cedo, começar de noite. E não é só as crianças, fala-se muito das crianças e do tempo em que vão para a escola, mas não é só as crianças, tem a ver também com os ritmos de trabalho ao longo do dia. E não é só de pessoas serem noctívagas ou matinais. Há vários gêneros, várias preferências e isto aqui não tem apenas a ver com hábitos, tem a ver com preferências do corpo. Mas há uma coisa que é indiscutível. Em termos hormonais, nós é suposto termos mais energia de manhã. Portanto, fazes bem em levantar-te cedo.

Pronto, está explicado.

Estás cheia de energia.

Não me vejas às 14:00.

Vamos falar um bocadinho menos disso tudo e de um debate que não acaba, porque isto há sempre adeptos de uma coisa e de outra. Há aqui dois debates, que é saber se devemos ou não alinhar a nossa hora com a hora da Europa. E tínhamos uma espécie de hora de verão todo o ano, ou se, por exemplo, só devíamos ter hora de inverno e acabou-se com a hora de verão.

Está bem. Até já, José Manuel. 91 002 41 85, mas recordo que também nos podem enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários no Facebook ou no site do Observador.