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Altura de conhecermos do que vai a Helena Matos falar no Contracorrente desta sexta-feira. Para participar e dar a sua opinião em direto, basta ligar 910 002 4185 ou então enviar-nos a sua mensagem de voz por WhatsApp. O número é sempre o mesmo, 910 002 4185. Luís.

E hoje vamos falar no Contracorrente de uma revolução, não de uma revolução política, quiçá talvez económica. Helena, há 50 anos começou a revolução Zara e não foram as bainhas que subiram, mas sim os preços que desceram. A Zara mudou não apenas o que vestimos, mas também como compramos e sobretudo, como compramos moda. Vamos falar sobre isso neste programa de hoje.

Sim, porque também vale a pena. Ou seja, como é que há 50 anos aquilo que era uma empresa que era nada, ou seja, Amancio Ortega, que é o homem que cria a Zara, tinha começado a trabalhar, como aconteceu a muitos homens da sua geração, criança. Teria entre 12 a 14 anos. E começa a trabalhar numa quimisaria, depois faz uma oficina, faz batas, aquela espécie de aventais, aquele avental bata, e depois acaba a criar uma das grandes empresas do mundo, a nível mundial. Em muitos países, provavelmente, é muito difícil encontrar uma casa onde não haja pelo menos uma peça Zara. Estou a falar sobretudo de países do hemisfério norte, mas não só. E o que é que aconteceu? Porque é claro que sempre tivemos grandes marcas que puseram as pessoas a comprar, mas o que é que aconteceu? Por que foi diferente? O que é diferente e como é que mudou todo o setor? Nota, Portugal não é irrelevante nessa história, porque Portugal é o primeiro país para onde a Zara se internacionaliza, na Rua de Santa Catarina, no Porto, em 1988. Poderia ter sido em Lisboa, não tivesse acontecido o incêndio dos Chiados. E também temos depois aqui um laço que eu acho que convém. O que é que mudou? Ou seja, as pessoas passaram a comprar roupa de forma diferente e o que pode ser que vem agora a seguir? O que pode ser? Vê-se que temos a grande concorrência de outras empresas muito vindas ao que nós associamos à China ou outro tipo de plataformas. E o que isso está a mudar neste gigante da moda? A forma como compramos roupa não é irrelevante. A roupa que compramos também não é irrelevante, a quantidade também não. Os ambientalistas passam a vida a falar disso. E se alguém pensar que a moda é, por assim dizer, um assunto não tão importante, basta pensar no volume de negócios da Inditex, que é o gigante. Os muitos milhares de pessoas que emprega, o número de lojas que tem por todo o mundo, e para percebermos que estamos a falar daquele que é um dos grandes gigantes, sem dúvida, do retalho. Portanto, não é economicamente e socialmente algo a que possamos ficar indiferentes. Por outro lado, marcou hábitos, ou seja, criou uma sazonalidade de compras, as pessoas passaram a comprar roupa de outro modo. E quando digo pessoas, quer dizer, também temos que perceber que aqui os sexos não são iguais. Mas os sexos logo à partida não são iguais. E na forma como se relacionam também não. E é claro que tudo isto começa pelas mulheres e pela forma como as mulheres se relacionam com a marca. Há blogs, já houve mais blogs do que há agora. Agora há nas redes sociais, grupos de pessoas que se dizem adictas à Zara, à forma como há uma sazonalidade. Apesar de toda a gente poder fazer compras na Zara, e isso é um fenómeno socialmente transversal.

Uma democratização, não é?

Sim, mas é uma democratização, e aí é que talvez, vamos ver depois durante o programa. É uma democratização que não é uma popularização. Ou seja, as pessoas compram na Zara e quando vão comprar na Zara têm a ideia que a Letícia, a rainha Máxima da Holanda, ou a Princesa de Gales também compram. Ou a atriz XPTO. Ou seja, é uma popularização que aparece aos olhos das compradoras como o fazerem parte de uma elite, o que é verdadeiramente assombroso. Depois há truques, como é que se arrumam as lojas, como é que se fazem as lojas, como é que se organizam as lojas. Fala-se da célebre loja sem clientes, onde na Galiza os experts testam como é que se dispõem os produtos. E depois temos também um grande mistério. É que apesar de provavelmente todas as mulheres que neste momento nos rodeiam, a começar por mim, terem comprado roupa na Zara, nós não repetimos peças. Ou seja, conseguimos estar sem que estejamos a repetir peças. Às vezes isso acontece, mas até na alta-costura acontece. Portanto, hoje vamos falar de roupa, porque depois da minissaia, eu acho que talvez a Zara tenha sido a maior revolução, não tanto na altura das bainhas, mas na forma como nos relacionamos com a roupa.

É uma revolução de que vamos falar depois das 10h. Até já, Helena.

Até já. 910 002 4185 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp, ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.