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Nada. Estou impressionadíssima. Estou aqui a falar com o meu Neo, e o Neo já me foi buscar café. Agora estou a ver se ele consegue dar um jeito na cozinha. Vocês desculpem tudo este desastre, mas é a vida de cada um. Parecia-me que ele não se ajeita muito a pôr a louça na máquina, mas pronto, isto é uma discussão-

As mulheres também não, não é, Helena?

Sim, exactamente. Ele brincou com Legos quando era pequenino e eu não. Vamos ver depois se consigo explicar que não basta, para o preço que tem, são $20.000, não dá mesmo só abrir e fechar a portinha do frigorífico. Isso assim não vai. O Neo é a versão mais recente, e é uma estrela, por assim dizer, porque está prometido que ele pode vir a fazer tarefas domésticas. Eu assisti a dois vídeos, tenho algumas dúvidas, mas a Helena Garrido, por exemplo, que vai estar comigo no Contracorrente, garante que ele sabe dobrar roupa. Não vi nada disso, mas já seria uma grande ajuda. É aqui que estamos. É claro que a versão mais estrondosa em termos de declarações foi exactamente essa afirmação, feita na Web Summit, que os canalizadores vão ganhar mais que os programadores. Na verdade, esta declaração já tinha sido feita noutro contexto e por outro CEO. A pergunta é sempre esta: a inteligência artificial vai destruir postos de trabalho, vai destruir determinados trabalhos, mas o que é que acontecerá? Como é que será o impacto no mercado de trabalho? Aquilo que parece ser claro, segundo algumas dessas pessoas que têm esse trabalho de nos dizer como é que vai ser o futuro, é que algumas profissões poderão ser valorizadas ou muito valorizadas. E aí é que chegamos aos canalizadores e aos eletricistas. Por outro lado, num efeito quase perverso, poderá haver desemprego, ou menos trabalho, ou trabalho pior pago em áreas que até há muito pouco tempo estavam em alta, que era a área da programação, a área da informática. Embora aquilo que temos são indicações de que poderá ser tudo muito diverso, ou seja, que alguns serão muito valorizados e outros perderão competitividade e até aqueles salários interessantíssimos que têm estado a usufruir. Na questão das linguagens, é tudo um pouco mais complicado, mas haverá quem diga que se vai programar em linguagem natural, na linguagem humana, como nós usamos, outros nos códigos e nas linguagens que são utilizadas atualmente, mas basicamente o que estamos a ver é isso. Poderá haver uma revolução nas nossas casas com o sucedâneo do Neo, com preços, claro, muito mais humanos. E também com muito mais funções e muito mais diversificação, porque só para trazer café, $20.000 não pode mesmo ser.

Não amortiza.

E por outro lado, vamos também ter um programa muito virado para as questões do ensino profissional, aqueles cursos que muitas vezes os jovens não procuram, os canalizadores, os eletricistas, mas que têm a empregabilidade muito alta e remunerações muito interessantes. Por outro lado, na área das tecnologias, também vamos ter convidados para nos explicar como é que pode vir a ser o futuro. Embora nestas coisas, como nós sabemos, o futuro geralmente baralha muito as nossas contas, mas eu acho que vai ser um programa daqueles que, como às vezes me dizem, e penso que também à Helena Garrido e à Joana Fernandes: "Estive a ouvir o Contracorrente porque precisava de aprender umas coisas."

E convidados todos humanos desta vez. Até já, Helena.

Pois, por enquanto, dizes bem. Estou à espera do dia em que o Neo olhe para mim e me diga: "Eu faço isto muito melhor que tu."

Fica em casa. Até já, Helena.

Até já.

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