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Na Austrália vai começar amanhã. Os menores de 16 anos deixam de poder ter acesso às redes sociais que exigem contas. Neste lado do mundo, o Parlamento Europeu também quer fixar os 16 anos como a idade mínima digital para se aceder às redes sociais e entre os 13 e os 16 anos com consentimento parental. Noutras geografias anunciam-se também mais medidas de controle. Agora a questão, Helena Matos, bom dia, é se esta proibição, tal como outras no passado, está destinada a falhar.
Bom dia. Também temos de nos interrogar se faz sentido, porque não é bem a mesma coisa que proibir a entrada numa sala de cinema a menores de 18 ou a menores de 16, porque tendo em conta a dimensão que as redes sociais têm hoje no mundo, não é apenas uma questão de ser efetivo ou não este tipo de proibição, mas também se é legítima. Aliás, temos neste momento a notícia de que um adolescente na Austrália, Noah Jones, se não estou em erro, pensa processar o governo da Austrália alegando que este tipo de proibição não faz sentido e que aquilo que o governo da Austrália devia fazer era controlar algum tipo de conteúdos que está nas redes. De qualquer forma, uma coisa é certa: muito provavelmente, daqui por 30 anos, nos momentos de glória, que tenho certeza vão continuar a existir os candidatos de então vão dizer se vinham ou não às redes sociais quando eram adolescentes, neste distante ano de 2025. Portanto, esta é uma medida a ser tomada. Agora estamos a falar da Austrália. A proibição vai começar amanhã. Contudo, hoje mesmo já várias das redes, nomeadamente o Facebook, começaram a desativar contas dos adolescentes, dos menores de 16 anos. Portanto, aquilo que eu tenho de certeza é que se vai falar, eles vão falar, os nossos então candidatos irão falar sobre como é que foi com eles, se iam às redes, isto caso aqui se siga a recomendação do Parlamento Europeu e também venham a ser desativadas essas contas. E certamente que eles terão imensas histórias para contar, sobre como é que acataram essa decisão ou, provavelmente, vendo também a forma como no passado tantos outros adolescentes e jovens contornaram outras proibições de acesso, como é que eles conseguiram efetivamente, de alguma forma, passe o plebeísmo, blindar essa proibição. Depois temos também aqui um lado que me parece ser importante, que é a questão da responsabilização parental. E queremos perguntar muito como é que pais, que também levam a vida nas redes sociais, se vão responsabilizar parentalmente por proibir ou por controlar algo aos seus filhos que eles mesmos estão a fazer. Portanto, vamos, sobretudo, ter esta discussão. Quais é que são as consequências para os jovens, não apenas em termos sociais, mas também na própria formação do seu cérebro, porque estamos a falar muitas vezes de crianças e adolescentes cujo cérebro ainda está em formação, portanto, poderá haver e haverá impacto e há estudos que o confirmam ao nível mesmo biológico. Depois temos as questões sociais, da não convivência entre eles. E depois temos aquela que é, na minha opinião, mas o Contracorrente é um programa de opiniões, aquela que é sempre a medida mais fácil. Em 2025, tal como em 1965 e em 1945, que é sempre: "Vamos lá proibir isto, que é para ver se eles se portam bem." Em geral, não costuma funcionar. É disso que vamos falar. Certo é que daqui a 30 anos ou 35, quando houver candidatura presidencial em Portugal e o momento de glória estiver a perguntar-lhes o que é que eles faziam quando eram jovens, não vai ser apenas essa coisa de vender balizas e falar com os dois e vai-se ver, vai ser: "Como é que vocês reagiram à proibição de terem uma conta no Facebook quando só tinham 14 anos?"
Ora bem. Até já, Helena.
Até já. Adeus.
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